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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "A Brighter Summer Day" de Edward Yang

Neste domingo, dia 20, excepcionalmente às 13h30, o Cineclube da Cinemateca exibe "A Brighter Summer Day" de Edward Yang. Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"A Brighter Summer Day" de Edward Yang
Ambientando em Taiwan na década de 1960, o filme acompanha o jovem Xiao Si’r em meio a violentos conflitos entre gangues rivais, formadas por adolescentes. A revisitação ao passado traumático das famílias continentais, inseguras quanto ao futuro político, é permeada pela inocência maculada dos adolescentes que protagonizam este delicado épico. Estes jovens descobrem sem nenhum alívio as dores do crescimento, entre paixões, disputas e sentimentos desencontrados. Livremente inspirado em fatos ocorridos durante a juventude do diretor.


Serviço:
20 de novembro
Excepcionalmente às 13h30*
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "Quatro Noites de um Sonhador" de Robert Bresson

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Quatro Noites de um Sonhador" de Robert Bresson

Jacques salva Marthe do suicídio. Nas noites seguintes, ambos se aproximam mais e mais. Marthe espera pelo retorno de seu amante que a deixara há um ano e Jacques, nessas quatro noites, se apaixona por ela. Baseado na obra As Noites brancas, de F. Dostoievski. 


Serviço:
13 de novembro
às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

domingo, 30 de outubro de 2016

Entrevista com Raúl Ruiz


 

por Michel Coulombe


Raúl Ruiz é exceção na paisagem cinematográfica francesa. Exilado desde o golpe de Estado chileno, o cineasta, que filma mais rápido que a sombra, realizou, desde seus começos, nos anos 60, mais de 60 longas-metragens e inúmeros curtas-metragens. Longe, aos 60 anos, de afrouxar o ritmo, conseguiu este ano uma admirável dobradinha ao apresentar, um em seguida do outro, dois filmes em competição em Veneza e em Montreal. Enquanto os cinéfilos que assistiam à Mostra puderam ver Comédia da Inocência, interpretado por Isabelle Huppert e Charles Berling, no Festival des films du Monde descobríamos Combate do Amor em Sonho, drama amoroso mascarado por um emaranhado de histórias, justificado por uma combinatória surpreendente.
Mergulhando o espectador num universo que escapa às convenções realistas a aos códigos cinematográficos tradicionais, Ruiz empresta do Filme de Piratas - ele que se diz convencido de que todo chileno sonhou um dia em ser pirata - tanto quanto do conto de fadas, Hans Christian Andersen, nomeadamente. Aqui ele conjura um bordel de religiosas, bolsas sempre cheias de dinheiro, ou evoca de passagem o poder maléfico da internet. Em torno dos atores Elsa Zylberstein, Lambert Wilson, Melvil Poupaud, Christian Vadim e Marie-France Pisier, o cineasta propõe um filme cerrado, atípico, desconcertante ou intrigante, que encontra notavelmente suas origens num livro que ele estudou na escola, o Libro de Buen Amor, longo poema lírico escrito no século XIV por um cônego espanhol, Juan Ruiz.
Mas, em Raúl Ruiz, que tem prazer em desmontar leituras e interpretações, não há jamais uma verdade apenas. O espectador que se perder poderá sempre se debater com uma certa questão proposta por um dos personagens de Combate de Amor em Sonho: se esta história não quer dizer nada, porque contá-la?

 
Ciné-Bulles: Você filma num ritmo frenético.
Ruiz: E no entanto, tal ritmo me parece completamente normal.
Ciné: Você foi comparado a uma mãe siciliana que teria muitos filhos pois sabe que perderá vários. Logo, você tem essa consciência da fragilidade de seu cinema.
Ruiz: Em certa época, muita gente pensava assim. A grande produção musical italiana encontra sua explicação nesta convicção de que a maior parte do que foi feito vai desaparecer. Alguns de meus filmes desapareceram pois o negativo foi destruído, e deles não resta mais que algumas cópias em vídeo. Os negativos foram queimados por acidente ou por simples mal-entendidos.
Ciné: Esta tomada de consciência não é recente pois você trabalha em tal ritmo desde sempre: você escreveu muitas peças de teatro antes de assinar muitos episódios de séries mexicanas e de filmar numerosos filmes, às vezes até seis num único ano.
Ruiz: Insisto, não é o que você pensa. Não me sinto nem um pouco estressado. Um festival me cansa mais que uma filmagem.
Ciné: No caso de Combate de Amor em Sonho, você escrevia à noite e filmava de dia.
Ruiz: Sim, mas conhecia bem os temas. Eu trabalhava a mecânica, fazia vir as coisas por combinação criando pontos entre os temas, que eram nove, distantes um do outro. O filme está a meio-termo do sonho e ainda assim submetido a uma rígida combinatória. Isto é o que na música se chama de sistema serial. Tal sistema permite a abertura, não se deve tomá-lo de maneira tão rigorosa, pois há o risco do resultado se aparentar a algo da Oulipo. O mecanismo terminaria assim por sobrepujar a matéria e isso dá no vazio. Numa palavra, à força de utilizar a combinatória, é o espírito das Mil e Uma Noites que se instala.
Ciné: Você possui uma abordagem bastante lúdica do cinema.
Ruiz: Como a maioria dos que praticam a arte do cinema.
Ciné: Você crê realmente que os realizadores de grandes produções americanas são animados por tal espírito?
Ruiz: Esses não praticam a arte do cinema, mas uma forma de arte aplicada. Antes deles, antes de todos os cineastas formados nas universidades, os Howard Hawks, os Samuel Fuller davam o jamais visto através do que víamos todos os dias.
Ciné: Porque você se coloca em tal situação extrema de não saber jamais, durante a filmagem, o que te espera no dia seguinte?
Ruiz: Na escola, preparava sempre as lições no último minuto. Este hábito permaneceu. O que é preciso, para filmar como filmo, é estar bem preparado, não especificamente para o filme, mas colecionando as possibilidades. Um pouco como os esportistas que se submetem a longas temporadas de treino para serem capazes de correr em tal ou tal competição onde tudo no fim se passa muito rápido. No cinema, mesmo quando nos preparamos longamente, mesmo quando o roteiro está escrito, muitas decisões se tomam no último minuto. Mesmo no caso dos filmes americanos tão bem planificados, como pude constatar ao seguir de perto algumas filmagens. Eu mesmo realizei um pequeno filme americano, The Golden Boat, e sei bem porque não quero mais filmar assim. O lado industrial não me convém. Pora obter qualquer coisa no sistema americano é preciso ser realizador e produtor ao mesmo tempo, de modo que só se filma de cinco em cinco anos. Neste caso se é, forçosamente, um amador. Há alhures filmes onde todo o mundo é profissional, menos o diretor!
Podemos fazer filmes como um músico cria uma ópera e depois uma sonata. Não há vergonha em compor uma sonata. No cinema pode-se filmar um filme caro e depois um pequeno, o que não muda nada, a sério, a invenção. Quando filmei O Tempo Redescoberto, como temia passar por maus bocados - o que não foi o caso - o produtor, Paulo Branco, me prometeu, em troca, um filme no qual eu seria inteiramente livre, e esse filme foi Combate de Amor em Sonho. Agora, preparamos juntos uma adaptação do último romance de Salman Rushdie, O Chão que Ela Pisa, um projeto bastante pesado, custoso. E desta vez obtive dois filmes livres, o que quer dizer dois filmes que custam juntos no máximo três milhões de francos. Meus filmes não são, no conjunto, sucessos comerciais, mas respeito uma certa lógica econômica. Assim, gasto dois milhões de francos na filmagem se sei que o filme, vendido para tal distribuidor, para tal canal de TV, pode cobrir seus gastos.
Ciné: O que corresponde à lógica de produção, nomeadamente, de Éric Rohmer.
Ruiz: Absolutamente. Logo, é preciso preparar o filme mais livre, mais interessante dentro de tais limites.
Ciné: A você foi necessário encontrar uma família cinematográfica pronta a jogar o jogo, a investitr tempo e talento em seus projetos.
Ruiz: Tenho três. Tendo visto o que aconteceu a Fassbinder, um cineasta com quem cruzava regularmente no mítico festival de Rotterdam, e que me parecia bastante infeliz, escolhi evitar as panelinhas. A gente com quem trabalho não depende portanto de mim.
Ciné: Deve-se entender que você convida tal ou tal ator lhes dizendo, sem mais, que os chama para um filme construido em torno de uma análise combinatória?
Ruiz: Isso mesmo, e ao conversar com os atores o filme toma forma. Durante a filmagem de Combate do Amor em Sonho eu me levantava por volta das quatro horas da manhã para escrever o que filmaríamos dois dias mais tarde. Dez dias antes do fim das filmagens, o roteiro estava completo. Não era preciso senão tapar os buracos. Um pouco como na nouvelle vague: Jacques Rivette trabalha ainda desta forma. No caso de A Sereia do Mississsipi, um filme no entanto bastante roteirizado, François Truffaut distribuia pela manhã as páginas que filmava ao meio-dia. Eu, sou um tanto mais prevenido... Monto o filme com minha esposa em paralelo à filmagem, o que me permite saber exatamente onde estou.
Ciné: Você tem sempre prazer em filmar?
Ruiz: Quando rodei meu filme americano, tive momentos de prazer, mas não o tempo todo. Normalmente, tenho mais prazer... No mais, para não perder a mão, filmo durante uma hora, todos os dias, com uma câmera digital. É necessário, de outra forma é como com o piano, esquece-se.
Ciné: Você vem de filmar em seu país de origem, o Chile.
Ruiz: Filmei dois documentários de uma hora e meia sobre o Chile. Uma visão um tanto subjetiva...
Ciné: Qual é sua relação com o Chile hoje em dia?
Ruiz: Tornou-se mais clara. Estive lá três vezes neste ano. Estou no momento bastante próximo do Chile, como, no mais, de Portugal e da França.
Ciné: Você apresentou também um filme em competição em Veneza, Comédia da Inocência. Estes dois filmes feitos um em seguida do outro possuem uma relação estreita?
Ruiz: Comédia da Inocência, mais inquietante, é o oposto total de Combate do Amor em Sonho. A história é contada do início ao fim contendo todos os elementos. Comédia da Inocência é um filme francês. O roteiro é tirado de um romance. No dia de seu aniversário de sete anos, uma criança declara que gostaria muito de voltar para casa. Ele dá um endereço à sua mãe, que encontra assim uma mulher que perdeu o filho num acidente. Essa criança teria a mesma idade que a sua. Imagino bem o que um americano poderia fazer com tal história. Quanto a mim, opto pelo cartesianismo francês, mas no fim das contas a explicação é mais inexplicável que se tivéssemos optado pelo fantástico e pelo expediente do sobrenatural.
Ciné: Depois de O Tempo Redescoberto, você filma, com Combate de Amor em Sonho, um filme que poderia tão bem se intitular O Tempo Compresso, na medida em que funde passado, presente e futuro, uma forma de contar que associamos naturalmente à América Latina.
Ruiz: Temos o hábito de misturar tudo... Quando se habita tais países fazemos associações que não ocorrem aos europeus. Ainda que hoje em dia, os europeus se abram a tal forma de contar, ao passo que os latino-americanos se tornam mais rígidos.
Ciné: Você vê uma transferência.
Ruiz: Entre a França e a América Latina, certamente. Mais que entre a Espanha e a América Latina. No mais, me sinto muito mais próximo da França que da Espanha, cuja cultura, entretanto, frequento desde a infância. Há qualquer coisa de desagradável, de pesado, de pés-no-chão, no mau sentido do termo, na Espanha. Há um pouco de Franco, um pouco do realismo espanhol, em todo Espanhol.
Ciné: A América Latina tem, também, seus ditadores. Há um pouco de Pinochet em todo chileno?
Ruiz: Pinochet é um caso a parte, diferente dos ditadores latino-americanos que conheceram a alegria, a embriaguez do poder, que possuiram um caráter grotesco. Pinochet está mais pra um pequeno funcionário. É um personagem de Camus. Em L'État de Siége há um personagem chamado Nada, vestido de sub-oficial... Pinochet não vivia no luxo. Ele matava de modo prático. Ele assustava. Três mil mortes no Chile, trinta mil na Argentina, isso é tudo sobre seu minimalismo. O Chile é um país infantilizado que viveu mais o regime dos maus tempos que o do terror. Quando lá retornei após dez anos de exílio, não fui contrariado, mas uma viatura me seguia e, toda noite, sistematicamente, às quatro da madrugada, batiam à porta. Sem mais.
Ciné: Em Combate de Amor em Sonho você demonstra uma fascinação evidente por certos objetos, o anel, a bússola, o espelho ,a lanterna, a esfera, a cruz de malta. Tais objetos possuem com frequência propriedades mágicas.
Ruiz: No fime há nove objetos, nove histórias, mas cada história não corresponde, necessariamente, a um objeto. Pedi a quem se encarregava do cenário e do figurino que me encontrasse objetos, se possivel nove, e assim comecei a trabalher sobre os mesmos. Nove é a cifra da cabala cristã, a renascença tardia, o barroco. Eu os escolhi por razões bastante cinematográficas.
Ciné: O mistério lhe agrada muito.
Ruiz: O trabalho no cinema consiste em filmar coisas completamente cotidianas que se tornam enigmáticas. E mais, o cinema é feito menos de histórias que de silêncios, de vazio. Como amo o mistério, em Combate do Amor em Sonho há um filme escondido. Um jovem, interpretado por Melvil Poupaud, encontra uma jovem numa boate. Eles partem juntos e sofrem um acidente. Em coma, o jovem ouve vozes a seu redor e pouco a pouco constroi qualquer coisa que o permite alcançar a morte. Ao longo de todo o filme, há indícios, sirenes, ruídos do acidente, o lamento de alguém que respira com dificuldade, vozes numa sala de operação. Eis o filme que se esconde por trás da análise combinatória de Combate de Amor em Sonho. Para descobrí-lo é preciso, evidentemente, escutar bem a banda sonora.


(Traduzido por Eduardo Savella)


Original em Francês disponível em http://lecinemaderaoulruiz.com/raoul-ruiz-cineaste/combat-damour-en-songe ou http://www.erudit.org/culture/cb1068900/cb1093117/33647ac.pdf

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Cineclube da Cinemateca: Manuel na Ilha das Maravilhas, de Raúl Ruiz

Neste domingo dia 16, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "Manuel na Ilha das Maravilhas", dando continuidade ao ciclo O Cinema feérico de Raúl Ruiz. Sempre com entrada franca!


Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Manuel na Ilha das Maravilhas" de Raúl Ruiz


Série infantil em três episódios destinada à programação de Natal da TV portuguesa. 1º episódio: Manoel, sete anos, mora numa vila litorânea na ilha de Madeira. Manoel visita um jardim proibido e se encontra consigo mesmo aos treze anos de idade, descobrindo que certas escolhas que deverá fazer ao longo do dia influirão decisivamente em seu destino e no de sua família. 2º episódio: Manoel parte com a escola num passeio à floresta. Durante a soneca coletiva numa clareira, Manoel encontra um pirata com quem troca de aparência. 3º episódio: Manoel vai viver com sua tia na cidade de Funchal. Lá ele encontra Marilina, uma pequena campeã de xadrez, e um misterioso capitão.
Versão francesa com legendas em português.

Serviço:
16 de outubro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

domingo, 9 de outubro de 2016

A Cidade dos Piratas



por Serge Daney



Há filmes sobre os quais não estamos certos se não foram sonhados. Talvez sejam estes os mais belos. Tal qual a nova aventura do capitão Ruiz no país de nossas crenças.


Tome uma criança e se assegure de que sonha. Acorde-a e lhe conte uma história. Embale-a com sua mais bela voz-off. Faça-a insidiosa, não se esqueça da trilha sonora. É preciso que, novamente adormecida, a criança complete sonhando a história que lhe fora insuflada. É preciso que, ao despertar, ela sinta que foi a história que a escolheu, e não o inverso. Uma história imortal, título de um dos últimos filmes de Welles; mas toda história é imortal, dizem todas as de Ruiz. Disto as delícias, depois mais delícias, e aí o terror.


Mas se você não dispõe nem da criança adormecida, nem do tempo em suspensão, nem da voz que embala, nem de talento para improvisar (isto é, a arte de sempre ter a última palavra) não insista e renuncie a imitar Raúl Ruiz. Só ele parece ter guardado o segredo e o gosto para tais coisas. Após o silêncio de Welles e a partida de Buñuel para a Via Láctea, fala-se muito de um retorno do cinema à ficção. Mas muito pouco do retorno da ficção (como se fala do retorno do reprimido ou do retorno de Frankenstein). Os filmes de Ruiz são relatos, e possuem um caráter iniciático. Espiralados, trucados, intrincados ou maléficos, possuem um charme louco. Mesmo se foi preciso esperar dez anos (da queda de Allende, 1973, que exila Ruiz de seu país natal, à estreia, ano passado, de As Três Coroas do Marinheiro) para que um público de repente menos insignificante caia sob tal encanto e marche no compasso dessa loucura.


Isto malgrado a reputação dada a Ruiz de hermetismo e intelectualismo que prova tão-somente que, logo que confrontados a um verdadeiro barroco latino-americano, os franceses têm dificuldade em admitir que sua própria tradição de filmes-labirinto, jogos de quebra-cabeça ou do Ganso, à la Robbe-Grillet ou Resnais, não foi decisiva. Dito isto (e uma vez dito, não diremos mais, está prometido: na próxima, consideraremos Ruiz já conhecido, senão reconhecido) A Cidade dos Piratas, que faz quase um par com Três Coroas de um Marinheiro e que evoca esse filme mais ou menos bem sucedido que foi O Território (três filmes rodados em Portugal) possui sua tonalidade própria, seus truques íntimos, seus sucessos fulgurantes e suas falhas secretas. Em suma: um filme excelente, onírico, perto do inenarrável e de todo consumado.


Por onde começar? Retomemos a metáfora do adormecido. Estamos no Sul, defronte o oceano, sujeitos a todos os paradoxos. Em seu quarto, Isidore está adormecida. Sim, adormecida, pois se trata de uma mulher. Sua mãe, que mal parece mais velha, acorda-a dizendo: "Dormes, Isidore?". "Conta-me uma história", responde a vozinha de criança de Isidore. Sobre uma mesa, ao lado, algum dinheiro deixado pelo pai. Ele abusa de Isidore, vem lhe pagar. Esta cena não dá, evidentemente, alguma ideia dos incontáveis acontecimentos que povoam esta Cidade dos Piratas, mas todo o Ruiz, em certo sentido, nela se encontra. Como Buñuel, Ruiz se compraz com as mais simples permutações lógicas. Perversão de nome e de gênero, de idades e de amores, do antes e do depois. Incesto, relação social tornada jogo de palavras ou "jogo das sete famílias". Além disso, essa "cidade" não é mais que uma ilha, salvo não ter mais que um habitante, que interpreta todos os papéis. Para aqueles que dependem do conforto da identificação (quem é quem?) Ruiz é o menos seguro dos guias. Ele não acredita na identidade, não acredita senão nos mapas (cartes). Arbitrários, de preferência.


Isidore beija um policial de tal forma que a forma vermelha do beijo revela ser aquela da famosa ilha dos piratas. Um homem faz saltar os miolos de tal forma que, ejetados num rio de sangue, desenham a forma da ilha. No começo, nada mais que enigma; no final, nada mais que resíduo. No meio tempo, a bela Isidore conhece um menino, mas este anjinho do mal é um grande criminoso. Ela se torna sua noiva e cúmplice. Ela o segue até a ilha. Ela retornará, sim, mas em que estado! Adivinhamos que a pequena palavra que está mal e deslocada no universo ruiziano é o verbo "ser". É claro que não se ganha nada em querer recontar A Cidade dos Piratas. Está claro que não vemos nada.


Entretanto. Quanto mais nos desencorajamos em identificar aquilo (aqueles) que vemos na tela (até o ponto em que, ao final, gritamos mentalmente "puxa" e nos roça o tédio), mais Ruiz se compraz com a aparência das coisas, o peso material, anedótico, que elas guardam apesar de tudo.


Dois macabeus putrefatos (e ainda mais orgulhosos) tomam um chá Durassiano, um bocejo é filmado do ponto de vista da glote, detalhes carregam a imagem sem razão, uma caveira vira bola de rugby; toda uma ala da pintura espanhola do século XVII, aquela das Vaidades, do Valdes Leal dos Hieróglifos de nossos fins últimos, está prestes a se animar. Sob a pulsão dos vermes (vers).


De todo modo, quanto mais renunciamos saber em que tipo de filme caímos (ao ponto em que, lá pelo meio, cansados e lassos, achamos que já é o bastante) mais Ruiz se distingue em evocar, com felicidade constante, o fantasma dos filmes B americanos, de Cocteau, ou dos filmes da inglesa Hammer. Há um pouco do John Mohune do Moonfleet de Lang no menino de A Cidade dos Piratas, como há um pouco de Tourneur (aquele de A Morta-Viva) no tom alucinado de certas vozes. Como se, para se desculpar da abracadabrância de seu próprio relato, Ruiz o vestisse da memória dos relatos com os quais tivemos tão pouca dificuldade, na infância, em nos sentirmos em casa.


Quanto mais nos convencemos de que a linguagem, também ela, está encurralada, mais Ruiz é capaz de fazer falar os atores com um tom tão doce, e este nada de desolado amuo na voz que torna perturbadoras as mais simples frases. Há poucos cineastas, dos que filmam em "francês", que melhor capturaram a música do "era uma vez..." francês, o lá musical que abre as portas de todas as histórias. Há poucos compositores que, melhor que Arriagada (o cúmplice regular de Ruiz) sabem inventar notas dignas de um Ravel hollywoodiano e irônico. Enfim, quanto mais aceitamos seguir Ruiz em sua folia de autor, mais é preciso nos render à evidência: ele é cada vez mais segura na escolha de seus atores. Em A Cidade dos Piratas, Anne Alvaro (Isidore) e Melvil Poupaud (o menino) são particularmente bons.


Tudo isto, vocês dirão, tem um nome. Sim: sedução. Mas é a forma que seduz. Resta o fundo. Ruiz não é um esteta oco. Há um sentido em suas histórias, que creio terrível. Um fundo de imundície e promiscuidade que nenhuma poesia poderia silenciar por completo. Os cineastas - já dizia eu no começo (por provocação) - perderam quase todos o senso do relato. Mais ainda, o único que o conservou intacto (Ruiz) realizou sua loucura pessoal. O espectador "cartesiano demais" estará menos desamparado frente um filme como A Cidade dos Piratas se se dignar a ver As Três Coroas do Marinheiro (que passa ainda, numa sala apenas, em Paris). Neste filme, Ruiz expõe em que condições uma história pode se tornar imortal. Ele precisava de carne fresca. Aquela daquele que a contará como se acreditasse que ela não existisse senão para ele. Aquela daquele a quem foi contada e que pensa (erroneamente) que ela não o alcançará jamais. Tornada imortal, a história não cessa de retornar. Em A Cidade dos piratas, numa primeira vez como filme de aventura, numa segunda como teatro Cocteausante, numa terceira como seminário teológico, numa quarta como colóquio entre mortos.


Viver, é sonhar uma história; morrer é contá-la. Resta a eternidade para apodrecer.


Serge Daney (Libération, 25 de fevereiro de 1984)

Traduzido por Eduardo Savella

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "A Cidade dos Piratas", de Raúl Ruiz

Neste domingo dia 9, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "A Cidade dos Piratas", dando continuidade ao ciclo O Cinema feérico de Raúl Ruiz. Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"A Cidade dos Piratas" de Raúl Ruiz

Romance de formação, fábula onírico-arquetípica - Isidore vive como uma gata borralheira na casa dos pais, no litoral dos mares do Sul, quando sua espera tem fim ao encontrar em seu armário Malo, um menino que fugiu de casa, espécie de Peter Pan que ama ouro e só come alho, com quem viaja para a Ilha dos Piratas, onde vive Toby, um homem dentro de quem vive toda sua família.

Serviço:
09 de outubro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: O Território, de Raúl Ruiz

Neste domingo dia 2, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "O Território", iniciando o mês de outubro com o Cinema feérico de Raúl Ruiz. Sempre com entrada franca!

Cineclube da Cinemateca apresenta:
"O Território" de Raúl Ruiz

Uma família de campistas parte sem rumo definido para um passeio na floresta. O guia desaparecido, encontram-se perdidos no "Território", um espaço de indefinição: não só o território não corresponde mais ao mapa, como se recusa a se submeter à lógica.
Serviço:
02 de outubro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: O Cinema Feérico de Raúl Ruiz




Raúl Ruiz (1941-2011), cineasta chileno exilado na França, compôs, entre diversos países, elencos e línguas uma obra invulgar de mais de cem filmes, cujo princípio parece ser aquele do sonho: um cinema feérico, amplamente ancorado na experiência surrealista ou lúdica, na lógica da liberdade erudita, no jogo de labirintos intelectuais ou linguísticos, cujo centro parece ser a palavra: Mistério. Apresentamos, em formato introdutório à obra, uma seleção de quatro filmes e sua rara minissérie infantil para a TV portuguesa, Manoel na Ilha das Maravilhas.

Obs: Todos os filmes têm a classificação indicativa 12 anos (Manoel na Ilha das Maravilhas com indicação livre.)


02/10 – O Território 














(The Territory, 1981/Portugal -  104 min. Com: Geoffrey Carey, Duarte de Almeida, Rebecca Pauly)

Uma família de campistas parte sem rumo definido para um passeio na floresta. O guia desaparecido, encontram-se perdidos no "Território", um espaço de indefinição: não só o território não corresponde mais ao mapa, como se recusa a se submeter à lógica.
Inglês com legendas em português.


09/10 – A Cidade dos Piratas

 












(La Ville des Pirates, 1983/França, 111 min. Com: Hugues Quester, Anne Alvaro, Melvil Poupaud, André Hengel, Duarte de Almeida, Clarisse Dole, André Gomes)

Romance de formação, fábula onírico-arquetípica - Isidore vive como uma gata borralheira na casa dos pais, no litoral dos mares do Sul, quando sua espera tem fim ao encontrar em seu armário Malo, um menino que fugiu de casa, espécie de Peter Pan que ama ouro e só come alho, com quem viaja para a Ilha dos Piratas, onde vive Toby, um homem dentro de quem vive toda sua família.
Francês com legendas em português.


16/10 – Manoel na Ilha das Maravilhas

 












(Les Destins de Manoel, 1984/Portugal - 150 min. Com: Ruben De Freitas, Marco Paulo De Freitas, Aurelie Chassel, Fernando Heitor, Diogo Doria)

Série infantil em três episódios destinada à programação de Natal da TV portuguesa. 1º episódio: Manoel, sete anos, mora numa vila litorânea na ilha de Madeira. Manoel visita um jardim proibido e se encontra consigo mesmo aos treze anos de idade, descobrindo que certas escolhas que deverá fazer ao longo do dia influirão decisivamente em seu destino e no de sua família. 2º episódio: Manoel parte com a escola num passeio à floresta. Durante a soneca coletiva numa clareira, Manoel encontra um pirata com quem troca de aparência. 3º episódio: Manoel vai viver com sua tia na cidade de Funchal. Lá ele encontra Marilina, uma pequena campeã de xadrez, e um misterioso capitão.
Versão francesa com legendas em português.


23/10 – O Tempo Redescoberto

 












(Le Temps Retrouvé, 1999/França, 158 min. Com: Catherine Deneuve, Emmanuelle Béart, Vincent Perez, John Malkovich, Pascal Greggory)

Em 1922, Marcel Proust, em seu leito de morte, rememora sua vida. Sua vida, isto é, sua obra e os personagens da realidade se fundem com aqueles da ficção e a ficção toma pouco a pouco conta da realidade. Todos seus personagens se metem a assombrar o pequeno apartamento da rua Hamelin e os dias felizes da infância se alternam com as lembranças mais próximas de sua vida social e literária. Adaptação de Em Busca do Tempo Perdido e, em especial, do último volume, O Tempo Redescoberto.
Francês com legendas em português.


30/10 – Combate do Amor em Sonho

 











(Combat d'amour en songe, 2000/França, 122 min. Com: Melvil Poupaud, Elsa Zylberstein, Lambert Wilson, Christian Vadim, Diogo Doria, Rogerio Samora, Marie-France Pisier, Mathieu Demy)

Piratas e tesouros. O bem e o mal. Tal como em uma história para crianças: narrar os acontecimentos é o verdadeiro tesouro. O fantástico faz parte da vida e do cinema. Estranhas anomalias físicas, manuscritos indecifráveis, guardas de um olho só. Um jovem de coração puro, partidário da liberdade de pensamento, é confrontado com a pressão social para que enriqueça a qualquer preço. Um grupo de crianças cegas que tenta converter aqueles que não acreditam no poder da fé cristã. Um bordel de velhas freiras, que se prostituem para pagar o aluguel. Contradições e ironias que transformam este conto de fadas em uma espécie de fábula filosófica. Entretanto, o diretor Raoul Ruiz lembra que seu filme tem uma relação estreita com a realidade: no começo do século, Ricardo Latcham, um jovem de 20 anos, mero funcionário da Biblioteca Nacional do Chile, foi contratado por um caçador de tesouros. Juntos, chegaram até o norte do país, em Guayacam, onde se envolveram em aventuras fabulosas.
Francês com legendas em português.


Serviço:
Sessões aos domingos
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "Gosto de cereja" de Abbas Kiarostami

Neste domingo dia 25, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "Gosto de cereja", encerrando a Homenagem a Abbas Kiarostami. Em outubro é a vez do Cinema feérico de Raúl Ruiz. Sempre com entrada franca!


Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Gosto de cereja" de Abbas Kiarostami

Homem viaja pelos campos, tentando angariar trabalhadores avulsos para satisfazer seus desejos reprimidos: Ele procura alguém que o ajude a morrer, mas vive em uma sociedade onde suicídio é uma abominação.

Serviço:
25 de setembro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "Através das oliveiras" de Abbas Kiarostami

Neste domingo dia 18, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "Através das oliveiras", dando sequência a Homenagem a Abbas Kiarostami que contará ainda com "Gosto de cereja" (25/09). Sempre com entrada franca!


Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Através das oliveiras" de Abbas Kiarostami

Uma pequena cidade no norte do Irã recebe a visita de uma equipe de cinema que está produzindo um filme. O protagonista masculino é Hossein (Hossein Rezai) e a feminina é Tahere (Tahere Ladaniam), uma jovem atriz por quem Hossein está visivelmente apaixonado, deixando trasparecer até para o diretor do filme. No intervalo entre as cenas, o ator tenta de todos os modos fazer com que Tahere fale com ele, o que ela se recusa a fazer.

Serviço:
18 de setembro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "E a vida continua (Vida e nada mais)" de Abbas Kiarostami

Neste domingo dia 11, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "E a vida continua (Vida e nada mais)", dando sequência a Homenagem a Abbas Kiarostami que contará ainda com "Através das oliveiras (18/09) e "Gosto de cereja" (25/09). Sempre com entrada franca!


Cineclube da Cinemateca apresenta:
"E a vida continua (Vida e nada mais)" de Abbas Kiarostami

Kiarostami volta a Koker para registrar as conseqüências de um terremoto que dizimou parte da população. O filme trata de um diretor de cinema (alter-ego do próprio Abbas) retornando ao local das filmagens de "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" para descobrir se o garoto protagonista sobreviveu à tragédia. Acompanhamos todo o trajeto do personagem em busca do menino, perguntando aqui e ali, ouvindo histórias, tomando água, cuidando do filho, tentando subir morros íngremes com o carro.

Serviço:
11 de setembro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Cineclube da Cinemateca: "Onde fica a casa do meu amigo?" de Abbas Kiarostami

Neste domingo dia 4, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "Onde fica a casa do meu amigo?", iniciando a Homenagem a Abbas Kiarostami que contará ainda com "E a vida continua" (11/09), "Através das oliveiras (18/09) e "Gosto de cereja" (25/09). Sempre com entrada franca!


Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Onde fica a casa do meu amigo?" de Abbas Kiarostami

Ahmad (Babek Ahmed Poor), um garoto de 8 anos de idade pegou por engano o caderno de Mohammad (Ahmed Ahmed Poor), seu amigo de escola. Após seu amigo ter sido ameaçado de ser expulso se não levasse o dever de casa, Ahmad precisa devolver a ele o seu caderno, mesmo que tenha que desobedecer a mãe e procurá-lo no vilarejo distante onde ele mora.

Serviço:
04 de setembro (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Cineclube da Cinemateca: Homenagem a Abbas Kiarostami


Tido como um dos principais representantes do cinema contemporâneo, dizem que “nos seus filmes tudo acontece e nada acontece ao mesmo tempo”.

04/09 – Onde Fica a Casa do Meu Amigo?

(Khane-ye dust kojast?, 1987/Irã -  83 min)
Ahmad descobre que pegou por engano o caderno de Mohammad, colega de turma que foi ameaçado de ser expulso da escola caso não levasse o dever de casa feito. Ahmad, desobedecendo às ordens da mãe, vai ao outro vilarejo tentar encontrar a casa do amigo para lhe devolver o caderno. Após um longo e perigoso périplo, Ahmad se vê obrigado a resolver o problema de outro modo.

11/09 – E a Vida Continua

(Zendegi va digar hich, 1992/Irã - 91 min)
Após um terremoto que atingiu o norte do Irã em 1990, um cineasta e seu filho retornam ao local do desastre para tentar encontrar dois garotos que participaram de um filme precedente do diretor. Apesar de não conseguirem, a viagem se revela uma experiência profunda para ambos, que entram em contato com um mundo de que até então tinham apenas um vago conhecimento.

18/09 – Através das Oliveiras















(Zir-e derakhtan-e zeytun, 1994/Irã, 103 min) 
Durante as filmagens numa região devastada pelo terremoto de 1990, o diretor percebe que Hossein, um jovem escolhido para encenar uma das personagens, está apaixonado na vida real por Tahereh, que fará o papel da esposa. A família da moça é hostil ao casamento, mas o terremoto e o filme dão a Hossein uma nova esperança.

25/09 – Gosto de Cereja

(
Ta’m-e ghilas, 1997/Irã, 99 min)
Um homem procura ajuda para uma misteriosa tarefa. O que o senhor Badii quer é alguém que se disponha a atender a seu último desejo, na manhã do dia seguinte: chamá-lo pelo nome duas vezes, ao pé de uma cova já cavada. Se ele responder, socorrê-lo; se não responder, cobri-lo com terra. Após ouvir objeções de diversas pessoas a respeito do caso, ele finalmente encontra um senhor disposto a aceitar sua proposta.

Serviço:
Todo domingo
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Cineclube da Cinemateca: "Jogo de Cena" de Eduardo Coutinho

Neste domingo, às 16h, o Cineclube da Cinemateca apresenta "Jogo de Cena", que encerra o ciclo Eduardo Coutinho, cineasta brasileiro. No mês seguinte, estudaremos a obra de Abbas Kiarostami. Sempre com entrada franca!
Cineclube da Cinemateca apresenta:
"Jogo de Cena" de Eduardo Coutinho
Atendendo a um anúncio de jornal, oitenta e três mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, vinte e três delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas. O que está em discussão é o caráter da representação. Neste filme, o jogo a ser jogado inclui pelo menos três camadas de representação: primeiro, personagens reais falam de sua própria vida; segundo, estas personagens se tornam modelos a desafiar atrizes; e, por fim, algumas atrizes jogam o jogo de falar de sua vida real.

Serviço:

28 de agosto (domingo)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante