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sábado, 31 de agosto de 2019

O Grau Zero da Humanidade

por Luiz Carlos Oliveira Jr.



Em Sherlock Jr (1924), certamente um dos ápices de sua carreira, Buster Keaton interpretra um rapaz que trabalha como projecionista num cinema, mas que sonha em se tornar um detetive. Um belo dia, ele adormece no meio de uma sessão do filme Hearts and Pearls (espécie de pastiche de filme de mistério com ar melodramático). Um duplo se desprende então de seu corpo, sai da cabine de projeção, caminha até a tela e, como quem cruza uma fronteira clandestinamente, entra no mundo do filme dentro do filme, onde faz o papel do herói e protagoniza uma série de peripécias que incluem algumas das mais incríveis gags acrobáticas de Keaton (como na longa sequência em que ele vai sentado ao guidão de uma bicicleta motorizada, equilibrando-se enquanto o veículo, cujo piloto ficou pelo meio do caminho, vara a cidade em desabalada carreira.)

O herói de Keaton nesse filme é praticamente uma versão burlesca de Jeff (James Stewart), o repórter fotógrafo de Janela Indiscreta (Rear Window, 1954), de Alfred Hitchcock. O passatempo de Jeff, que se recupera de um acidente que o deixou com a perna imobilizada, é bisbilhotar a vida dos vizinhos com o auxílio de binóculos e de uma lente teleobjetiva. Numa das madrugadas em que se entrega ao seu perverso hobby, ele chega à conclusão de que houve um crime no apartamento da frente, por mais escassas que sejam as evidências em que se apoia – Jeff parece mais desejar o crime do que propriamente vê-lo. Por uma espécie de regressão à concepção mágca e animista do universo, os pensamentos e desejos do fotógrafo parecem exercer influência sobre a realidade circundante, e sua vontade de achar indícios que comprovem a hipótese do crime começa a se projetar no espaço da cena.


Como muito já se falou, Janela Indiscreta traz uma reflexão sobre a força psíquica do desejo encarnada no olhar e o mecanismo de projeção/identificação no cinema: sentado em sua cadeira de rodas, na penumbra de seu apartamento, com motricidade limitada e atenção hipertrofiada, Jeff está em situação semelhante à do espectador cinematográfico. O cenário construído em estúdio reproduz o próprio dispositivo da sala de exibição, o apartamento de Jeff sendo a cabine de projeção e o imóvel à frente, a tela. 

A personagem cômica de Keaton em Sherlock Jr., à semelhança do protagonista do clássico suspense de Hitchcock, projeta um crime no quadro enfadonho de sua vida diária e banca o etetive amador para tentar solucioná-lo. No filme de Keaton, porém, não há espaço metafórico: o protagonista de Sherlock Jr está efetivamente numa sala de cinema. E se, em Janela Indiscreta, o corpo que Jeff projeta no apartamento da frente (na “tela”) não é o seu, mas o de sua namorada (Lisa/Grace Kelly), que é quem efetivamente invade a casa do suposto assassino para procurar por evidências, enquanto Jeff assiste tudo à distância), em Sherlock Jr, o corpo que Keaton projeta na história de detetive imaginada não é outro senão o seu. Ele se inscreve no lugar da ação, ao passo que Jeff permanece na posição de espectador. De Sherlock Jr a Janela Indiscreta, da comédia burlesca ao suspense hitchcockiano, do exibicionismo ao voyeurismo, a aventura inesgotável do corpo se trocaria pela atividade inquieta, só que interiorizada, do olho. Restrito à cadeira de rodas e ao perímetro de um cômodo, o corpo não mais se locomoveria: todas as energias estariam concentradas no olhar. Ao excesso de ação se substituiria o excesso de visão. É toda uma mudança profunda na história do cinema que aí se concretiza.

No conhecido livro-entrevista, Hitchcock garante para Truffaut que a eficácia de Janela Indiscreta se pauta no “efeito Kulechov”, ou seja, na justaposição de um plano no rosto do ator, sempre com a mesma expressão (não tão mesma assim: há variações, ainda que discretas), e diferentes contra-planos que mostram diferentes situações. As cenas se articulam da seguinte maneira: o primeiro plano mostra James Stewart olhando pela janela; o segundo mostra o que ele está vendo; e o terceiro, sua reação. A cada nova articulação, um novo sentido se atribui à expressão do ator que, todavia, manteve-se praticamente inalterada. Em outras palavras, é a montagem que cria o sentido; o filme só se construí de verdade na mente do espectador, pela soma de imagens que, vistas isoladamente, não teriam significado. A pedra de toque do efeito Kulechov, portanto, é a neutralidade do rosto, ou sua indefinição: uma vez que a expressão facial do ator não é rigidamente codificada, ou não representa nenhum estado de alma em particular, ela se presta a uma grande maleabilidade semântica, podendo adquirir sentidos sempre novos de acordo com o plano que o antecede e/ou sucede na cadeia fílmica.
Ora, se há uma característica marcante no estilo de performance de Buster Keaton que constitui um aspecto inevitável para qualquer comentador de sua obra, é a inexpressividade do seu rosto, a máscara insondável por trás da qual ele aparece em cena. Contudo, ao contrário do jogo de montagem do olhar propiciado pela face requerida pelo efeito Kulechov e pelo suspense hitchcockiano, o “rosto de pedra” de Buster Keaton engendra outra dinâmica: em vez de concentrar a mise-en-scène no olhar e na interiorização psicológica, ele a expulsa para a periferia do corpo, para as partes encarregados do movimento exteriormente visível. Com isso, potencializa a ação física da cena. Porquanto o rosto não “diz” nada, resta buscar o sentido da cena alhures. No rosto neutro do suspense hitchcockiano, tudo o que importa é o olhar, ou ainda, a direção do olhar – daí a necessidade da inexpressividade, para que haja uma redução do rosto ao olho, ao raio ocular, cabendo ao ma­estro-metteur en scéne a função de produzir o sentido e a emoção da cena. Já o rosto neutro de Keaton inviabiliza a montagem psicológica: sua face e seu olhar não servem como elo da cadeia significante, ou como peça mediadora da passagem de um plano a outro, em suma, não são vetores da narração. Alheio à transitividade do rosto no cinema clássico, Keaton prefere anulá-lo em sua função propriamente narrativa. Enquanto a montagem hitchcocko-kulechoviana prescreve o olhar como eixo distribuidor dos planos e dos sentidos (na dupla acepção de direção espacial e de significado), a montagem keatoniana trabalha em outro regime, catapultando (às vezes literalmente) o corpo do comediante-acrobata de um plano para outro e permitindo um encaixe puramente mecânico dos blocos de espaço-tempo que constituem o filme. Cada plano é a peça de uma engrenagem ou, num modelo geométrico, um cubo que se comunica com outro por uma abertura lateral, numa espécie de sistema de tubulação virtualmente infinito – tal esquema de montagem já é levado por Keaton ao paroxismo em 1920, no final de O Grande Sinal (The High Sign, 1921). Se a montagem do cinema clássico hollywoodiano se guiou pela “tradução permanente de toda a passagem de plano a plano em termos psicológicos”, a de Keaton seguiu as regras de uma construção rigorosamente geométrica, a mesma aplicada à composição dos planos, e talvez por isso Éric Rohmer tenha atribuído a Keaton, assim como a Griffith e a Murnau, o mérito de lhe ter desvendado “os segredos de uma das operações principais da mise-en-scéne cinematográfica: a organização do espaço.”

É claro que, mesmo com a supressão deliberada das impressões de personalidade, o rosto continua tendo, em Keaton, um papel de destaque na dramaturgia (tanto que em qualquer análise da sua obra tem de passar por esse elemento). Mas a opacidade que ele impõe ao espectador por meio dessa máscara inexpressiva gera uma ruptura com certas convenções dramáticas que vinham se tornando cada vez mais centradas no rosto em primeiro plano e em sua função narrativo-psicológica. Ao longo da década de 1910, a pantomima havia se modificado e ficado mais naturalista, ao passo que a câmera havia se aproximado e a montagem passara a justapor aos planos gerais e planos americanos toda uma gama de enquadramentos aproximados em que a expressão “natural” do rosto era o principal veículo do sentido. O cinema silencioso dos anos 1920, dando continuidade ao processo, seria o império do rosto: década da fotogenia (Jean Epstein), do primeiro plano, do close-up como solilóquio silencioso (Béla Balázs), da fisionomia como encarnação sensível da verdade trazida à luz na forma de “rostificação” ou como revelação mágica da alma dos seres e das coisas. 

Mas é justamente essa possibilidade de o rosto funcionar como revelador psíquico que o cinema de Keaton nega sistematicamente. Seu rosto imóvel e neutro é o próprio impenetrável: placa refletora, ele está lá para devolver à realidade ambiente o eco de suas vibrações. Enquanto o corpo de Chaplin se dobra constantemente sobre seu próprio centro, que não é senão o rosto (no qual se podem ler as emoções e estados de alma que o preenchem), o de Keaton, inversamente, está empenhado em medir o espaço em que o comediante se inscreve com a objetividade de um geômetra. É por aí que se deve aprofundar a eterna comparação Chaplin-Keaton, diferenciando um Chaplin “clássico”, ainda imerso numa visão humanista-antropocêntrica do universo, de um Keaton “moderno”, que reconhece o sujeito descentrado da era pós-industrial, um sujeito jogado para fora de si mesmo, arremessado no vazio de sentido, na obtuosidade opaca do mundo. “A calma de seu rosto, esse esplêndido meteorito branco como que suspenso em plena queda, apenas sublinha sua insolente beleza, em si mesma um verdadeiro desafio ao entendimento. Tal como Chaplin, Keaton é tragado pelas forças do mundo mecanizado. Mas, ao contrário do herói de Tempos Modernos (Modern Times, 1936), Keaton não emerge dessa mastigação industrial como um corpo sobrecarregado de uma energia (aquela usada pelas máquinas da indústria) cujo potencial transformador ele pode dialeticamente subverter em favor de ações com significado ideológico-revolucionário. Nenhuma fantasia romântica em Keaton, nenhum didatismo político. Nenhuma tomada de consciência sequer. Depois de sublinhar o modo perverso de funcionamento do sistema, ele segue em frente com a mesma obstinação de transpor os obstáculos físicos do mundo material e com o mesmo inescrutável do início do filme, como se não tivesse sofrido nenhuma mudança emocional ou psicológica no decorrer das reviravoltas pelas quais passou. Não há arco de personagem, por assim dizer. Keaton é uma bala de canhão a percorrer o mundo – e, não à toa, uma das cenas mais recorrentes de sua obra consiste em seu corpo sendo ejetado da janela de uma casa ou lançado de um lugar para o outro como um foguete.

Nos filmes que fez ao lado de Roscoe “Fatty” Arbuckle no período 1917-19, Keaton ainda pertencia àquela anarquia original que marcou a comédia burlesca na era de Mack Sennett: seu corpo era apanhado no meio de um caos coletivo, de uma avalanche de tortas na cara e quedas em série. A arte do primeiro plano, do close-up, é ulterior a esse cinema. O burlesco “primitivo” não tinha tempo nem interesse de se deter sobre os rostos. Naquele “verdadeiro turbilhão cósmico”, para retomar a expressão de Petr Král, os corpos dos comediantes consistiam basicamente em pernas e braços se agitando no ar: tudo participava de um desregramento sistemático que, em sua orgia generalizada, apagava até mesmo a individualidade das personagens. Depois, pouco a pouco, as gags se tornaram mais articuladas, os contornos das personagens se definiram com mais precisão: assistiu-se ao nascimento dos estilos individuais e dos universos cômicos pessoais (Lloyd, Keaton, Stan Laurel) que, na curva dos anos 1910 para os anos 1920 (a exceção, como sempre, é Chaplin, que desenvolve uma obra pessoal já em 1914), suplantariam o burlesco coletivo.

No caso específico de Keaton, é como se ele saísse daquele caos original em que se encontrava no período Arbuckle e se transportasse para um cenário espaçoso, ao ar livre, onde pudesse organizar sua mise en scène e pensar suas gags como num processo de abstração geométrica. Ele guardou daqueles anos, todavia, o gosto pela acumulação, pela soma efervescente de gags, pela multiplicação progressiva dos corpos, obstáculos e ações: basta ver as perseguições épicas de O Enrascado (Cops, 1922) e Sete Oportunidades (Seven Chances, 1925), em que a cada esquina uma massa de figurantes surge do fora de campo para se juntar à multidão já em quadro e formar a turba incontável que persegue Keaton numa interminável jornada de superação dos limites físicos. 

É frequente em Keaton, como notou Král, um espaço deserto, um mundo reduzido a uma depuração essencial, reflexo tanto de uma nostalgia do espaço de uma América ainda primitiva, “selvagem”, em processo de conquista, para além do tempo dos pioneiros e das primeiras máquinas, quanto de um desejo de buscar no espaço a mesma neutralidade e a mesma qualidade imemorial que o rosto do comediante apresenta ao espectador. O crítico Robert Benayoun define Keaton como uma espécie de “recomeço do zero”. De fato, o cinema de Keaton nos faz encarar uma espécie de grau zero da humanidade, um ponto de partida para a reconstrução de um sujeito que o frenesi da vida moderna tornou estranho a si mesmo.

(Texto retirado do catálogo da mostra Buster Keaton - O Palhaço Que Não Ri, promovida pela Caixa Cultural em 2016.)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

História(s) do Cinema - Cineclube do Atalante: Curta de Georges Mèlies e Sherlock Jr.

A partir de agosto, o Cineclube do Atalante começa uma nova fase: História(s) do Cinema. Durante um ano, a cada sessão iremos exibir um filme (ou mais, como neste mês) que ajudou a definir os rumos da sétima arte.
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O formato continua o mesmo: um filme seguido de debate e a distribuição de uma folha da sessão com um texto escolhido especialmente.
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Quinzenalmente aos sábados, entrada gratuita, na Cinemateca de Curitiba.

Neste sábado, o então História(s) do Cinema- Cineclube do Atalante, exibe e debate o curta "Viagem à Lua", de Georges Méliès e "Uma Semana" e "Sherlock Jr.", de Buster Keaton. Sempre com entrada franca!


No Instagram: @cineatalante

Serviço:
Sábado, 31 de agosto
16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA
Realização: Coletivo Atalante  

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura | Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

História(s) do Cinema- Cineclube do Atalante: Curtas dos Irmãos Lumière e O Garoto

Sessão dupla: Curtas dos irmãos Lumière + “O Garoto” de Charles Chaplin
Curtas dos irmãos Lumière

Fundadores do cinema, os irmãos Lumière e sua equipe foram responsáveis por pelos primeiros filmes da História. Limitados pela duração da bobina de gravação da época e realizados com equipamentos pesados, seus vários curtas de pequena duração chocaram e inspiraram o mundo. Nesta sessão, serão apresentados alguns dos seus trabalhos mais famosos como “A Saída da Fábrica Lumière em Lyon” (1895), “O jantar do bebê” (1895), “A chegada do trem na estação” (1896) e “Danse Serpentine” (1899).

Dirigidos pelos Irmãos Lumière.

O Garoto

(The Kid , EUA, 1921, 68 min, livre, com Charles Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance)


Uma mãe abandona seu filho com um bilhete em uma limusine, mas o carro acaba sendo roubado e a criança é deixada em uma lata de lixo. Um vagabundo encontra o bebê e passa a cuidar dele. Cinco anos depois, a mulher tenta encontrar o filho perdido.

Dirigido por Charles Chaplin.

Serviço:
Sábado, 17 de agosto
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco)
(41) 3321-3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura | Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Visão de Cineasta: Rita Azevedo Gomes

(Comentários escolhidos por Gérard Grugeau) 


Não sei bem o que é o cinema. Eu o procuro. Há algo nesta arte que outras artes não têm. É como um gatilho para o movimento das nossas almas. Nós próprios, como indivíduos e como espectadores, estamos à espera de algo. Estamos à procura de nós próprios em imagens que se movem num dado momento. Enquanto estamos vendo um filme, não temos consciência disso. No entanto, participamos com nossos sentimentos no que acontece na tela. Mas o filme acaba, e é aí que algo começa. Não durante, mas depois! Vem aí algo a seguir... O cinema é todo aquele sentimento que se desenrola ao longo do tempo, que nos leva para longe e põe a nossa alma em movimento. A marca do que este movimento produziu em nós é o que deixamos como memória. É volátil e muito subjetivo. E todos saem com o seu próprio filme. É isso que existe, não o filme. O cinema é algo muito solitário.

*
 
O cinema também está na adolescência, como os meus personagens. Há um tempo em que o cinema experimenta todas as portas que se abrem. Eu procuro, quero tentar coisas... correndo o risco de todos os erros, todas as inseguranças, todas as indecisões.

*

É como a luz. Imaginemos que a luz do sol é esperada no filme e que no dia da filmagem chove. Como é que encontramos o sol para o pôr lá? Essa é a bela questão do cinema. O sol, está ali! Temos de o procurar. Tens de deixar as portas abertas para deixar entrar as coisas. O cinema também me ensina a viver. Depende de mim, que estou à procura de soluções. 

*

Pode ser muito cedo para falar de uma cultura cinematográfica portuguesa. Uma coisa é certa, somos um país de pessoas de poesia. Há raízes muito profundas. Elas estão lá sem que nós pensemos muito nelas. Não somos um país de músicos, mas somos um país com uma voz humana muito forte. Estamos errados quando queremos fazer um cinema que reproduza o que se faz em outro lugar, e que fascine. Nós, em Portugal, vivemos durante muito tempo com janelas fechadas, acreditando que tudo estava acontecendo em outro lugar, no exterior. Sob Salazar, não tínhamos livros, não podíamos falar. Tudo era proibido. Estava tudo noutro lugar. Então, de repente, tudo aconteceu. Foi emocionante, finalmente tivemos a oportunidade de ler tudo. De repente, o sonho vem até você. Tu estás feliz. Queres cantar como o Mick Jagger, mas não está bom. Queres filmar como o Spielberg, mas não está bom... Há vinte anos que somos bombardeados por aquilo que está a ser feito no outro lado. E ainda estamos em choque com essa emoção que nos faz querer deixar tudo entrar ou deixar sair. É o caos..., mas a poeira assentará e voltaremos para nós mesmos. Não estou interessada em fazer um cinema como os outros. 

Artigo retirado da Revista 24 Images - Les cinémas du Portugal No. 110, primavera de 2002. Traduzido por Waleska Antunes.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Cineclube do Atalante: A Vingança de Uma Mulher

O Cineclube do Atalante celebra em julho a obra da diretora portuguesa Rita Azevedo Gomes com a exibição de dois de seus filmes, terminando neste sábado: 

A Vingança de uma Mulher, de Rita Azevedo Gomes


Europa, século XIX. Roberto, um dândi entediado, conhece uma cortesã que lhe revela algo absolutamente inesperado: ela foi, em tempos, a esposa do duque de Sierra Leone. Depois de o seu marido assassinar o grande amor da sua vida, jurou a maior e mais cruel vingança de uma mulher: atacando a sua honra, torna-se prostituta. Aquele encontro perturbará Roberto, que reconhece o vazio de toda a sua existência por nunca ter conhecido o verdadeiro amor. O filme é uma adaptação livre de um dos mais famosos contos do francês Barbey d'Aurevilly (1808 - 1889). 

Dirigido por Rita Azevedo Gomes.



(A Vingança de uma Mulher: POR, 2012 - 100 min. Com Rita Durão, Fernando Rodrigues, Isabel Ruth)

Serviço:
Sábado, 20 de julho
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Cineclube do Atalante: Frágil como o mundo


Dois jovens se amam. O desejo de estarem juntos obriga-os, numa espécie de jogo infantil, a fugirem de casa, das pessoas e do mundo. Isolados numa floresta, afastam-se de tudo.

Dirigido por Rita Azevedo Gomes.

(Frágil como o mundo: POR, 2002 - 90 min. Com Maria Gonçalves, Bruno Terra, Duarte de Almeida. 14 anos.)

Serviço:
Sábado, 06 de julho
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Cineclube do Atalante: Mouchette



Mouchette é uma jovem inocente do interior que tem uma vida difícil e se acostumou a conviver com os abusos da família; ela se verá no meio do furação quando um assaltante, foragido, decide se relacionar com ela para ganhar um álibi.


Dirigido por Robert Bresson. 


(Mouchette: FRA, 1967 - 81 min. Com Nadine Nortier,  Jean-Claude Guilbert, Marie Cardinal. 14 anos.)


Serviço:
Sábado, 29 de junho
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Cineclube do Atalante: Lola Montès



Em meados do séculos 19, Lola Montès é uma dançarina e cortesã, amante de vários homens famosos. Agora, relegada à carreira como atriz circense, narra por meio de sua performance a história de sua vida. 

Dirigido por Max Ophüls.

(Lola Montès: FRA/GER, 1955 - 116 min. Com Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Wallbrook. 14 anos.) 

Serviço:
Sábado, 1º de junho
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA


Realização: Coletivo Atalante

terça-feira, 28 de maio de 2019

Cineclube do Atalante: programação de junho

01/06: Lola Montès, de Max Ophüls




(Lola Montès: FRA/ALE, 1955 - 116 min. Com Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook. 14 anos)

Em meados do século 19, Lola Montès é uma famosa dançarina e cortesã que levou uma vida agitada e altamente escandalosa. Amante de vários homens europeus importantes, sua carreira agora está limitada a uma atração de circo em Nova Orleans, onde narra a fantástica história da sua vida e carreira.

29/06: Mouchette, a virgem possuída, de Robert Bresson
 

(Mouchette: FRA, 1967 - 81 min. Com Nadine Nortier,  Jean-Claude Guilbert, Marie Cardinal. 14 anos.)

Mouchette é uma jovem inocente do interior que tem uma vida difícil e se acostumou a conviver com os abusos da família; ela se verá no meio do furação quando um assaltante, foragido, decide se relacionar com ela para ganhar um álibi.

Serviço:
Sessões no primeiro e no último sábados do mês (excepcionalmente)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Cineclube do Atalante: Intendente Sansho


Japão, século XI. Zushio e a irmã Anju, filhos de um governador exilado pelas suas ideias humanitárias, são enviados para um campo de trabalho escravo comandado pelo temido Sanshô, enquanto sua mãe é dada como desaparecida.
 
Dirigido por Kenji Mizoguchi.

(Sanshô Dayû: JPN, 1954 - 124 min. Com Kinuyo Tanaka, Kyôko Kagawa, Eitarô Shindô. 14 anos.)

Serviço:
Sábado, 25 de maio
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

sábado, 4 de maio de 2019

Visages, villages (2017), de Agnès Varda e JR

por Ricardo Vieira Lisboa
 

Há certos gestos cinematográficos que me emocionam sempre. Coisas formais, na maioria das vezes. Um em particular é quando um realizador passa, sem cortes, de um plano objectivo a subjectivo. Este exercício de subjectivação diegética do olhar (dentro de um filme, que é já, de partida, um olhar subjectivo) tem o poder de literalizar, em continuidade, o acesso a uma interioridade do personagem. Expondo portanto os mecanismos da construção da empatia pelo cinema e, por outro lado, afirmando a própria ideia de que é (ainda, pelo menos no cinema) possível um acesso à experiência do Outro. Isto é, de que existe um dispositivo fílmico que re-apresenta a possibilidade de um encontro inter-subjectivo.

Pensei nisto, pela primeira vez, aqui há uns anos quando Agnès de ci de là Varda (2011) foi apresentado (apenas os dois primeiros episódios, salvo erro) no DocLisboa. Logo no primeiro tomo desta mini-série, que a “avozinha punk” do cinema francês fez para o canal Arte, há um desses emocionantes gestos: quando a realizadora se encontra (fisica e “inter-subjectivamente”) com Manoel de Oliveira. Esse encontro faz-se através da pequena câmara digital que Varda sempre enverga. Ela filma-o. Ele repete o seu costumeiro gag do Charlot, em que imita a postura do personagem de Chaplin, arqueando as pernas, agitando a bengala, fingindo um bigodinho [como já fizera para outra câmara, dessa feita a de Wim Wenders, em Lisbon Story (Viagem a Lisboa, 1994)]. Se a candura da performance infantil, daquele que já era o mais antigo realizador em actividade, deleita qualquer um, o que se segue reveste-se de pura emoção. Varda passa a sua câmara para as mãos do colega de profissão. Filma-me, pede-lhe (Shoot me, dir-se-ia em Inglês). E ele, desprevenido, aponta o objecto ao alvo. O resultado, um enquadramento torto e desfocado daquele que é o “mestre” do cinema nacional [como desfocados também são vários dos planos filmados por Varda neste Visages, villages (Olhares Lugares, 2017)]. Esta franqueza e esta disponibilidade de uma realizadora que oferece a sua ferramenta de trabalho ao Outro, que partilha com ele o gesto de criação, e assume no espaço da sua subjectividade a subjectividade do outro, isto, emociona-me. E aqui está, a meu ver, a grande força do trabalho de Agnès Varda dos últimos anos, a disponibilidade face ao Outro. Varda é a grande patroa do exercício da alteridade, esse esforço que parece vir escasseando cada vez mais nos nossos dias.

Há aquela ideia feita (da qual desconfio muito, mas que neste momento não me interessa pôr demasiadamente em causa) de que são as vanguardas que alimentam a arte popular, em particular, que é o cinema experimental que renova e re-inventa o cinema mainstream. Pois bem, o mesmo será verdade para a influência dos pioneiros da vídeo-instalação. Há duas peças de filme instalado de Dan Graham e Michael Snow, respectivamente Helic/Spiral (1973) e Two sides to every story (1974), que quase coincidindo no mesmo momento histórico exploram de formas muito semelhantes este gesto cinematográfico que venho sublinhando na sua qualidade mais formalista. São os dois filmes de duplo canal sicrano e em loop, produzidos em película 16mm, onde duas câmaras apontam uma para a outra (ora através de dois operadores que rodopiam, como numa valsa entre amantes iconófilos, ora através de um vidro que se materializa, costas com costas, na superfície de projecção). As duas peças procuram reflectir sobre a própria natureza do processo cinematográfico mas, de novo, abrem-se a um universo onde há espaço para um Outro. Um outro que Me infecta o olhar.

As repercussões destes exercícios no cinema de grande público dá-se com popularização dos filmes de terror de found footage. Nestes é muito comum uma câmara filmar outra e, logo na abertura do “revolucionário” The Blair Witch Project (O Projecto Blair Witch, 1999) de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, parece haver uma citação à espiral de Dan Graham. Nestes filmes, nos melhores pelo menos, a câmara reveste-se de ferramenta bélica. No recente remake de Adam Wingard, por exemplo, o ecrã do pequeno aparelho de vídeo devem escudo de Perseu na sequência final, e no subvalorizado Diary of the Dead (Diário dos Mortos, 2007) de George A. Romero um recém mordido humano grita “shoot me!” (como a Varda a Oliveira) para o personagem/realizador que numa mão tem uma câmara e noutra uma pistola – até na morte a câmara como possibilidade de encontro do Outro, a câmara como utensílio de eutanásia (o mais extremo exercício da alteridade).

Tudo isto para dizer que Visages, villages, de Agnès Varda e JR é um filme cujo cerne está precisamente nesta possibilidade da partilha de subjectividades, entre Varda e fotógrafo/artista plástico JR. Mas também com as pessoas que a dupla vai conhecendo neste que é um road movie atípico pela França rural. Para isso os dois realizadores embarcam num carro-objectiva – a fazer lembrar os agit-train da propaganda soviética de, entre outros, Dziga Vertov – que deambula pelas vilas (villages) e produz fotografias de grande formato dos rostos (visages) que encontra. A isto acresce ainda a proposta dos realizadores de cobrir as fachadas dos edifícios com os ditos rostos dos seus moradores (ou dos seus locais de trabalho). E aqui dá-se o impasse. O olhar de JR é coisa de estética pinterest, imagens de uma beleza fácil, emotiva, nostálgica, segura. O olhar de Varda é um olhar que procura a instabilidade, que se delicia no inesperado – a certo momento ouve-se, da sua boca, “É horrível, é lindo” olhando para a carcaça amputada de um peixe na praça. E o momento do embate entre esta divergência, momento triste aliás, dá-se quando Varda deseja colocar uma fotografia na fachada de um edifício em construção, fachada nua, de betão armado, e JR ri-se, às bandeiras despregadas, com a escolha tão inusitada (acabando por a demover). A ele só lhe interessa as paredes estragadas, as ruínas e os espaços industriais, locais onde há uma bagagem estética, histórica e emocional que preenche o vazio do seu trabalho fotográfico (que não anda muito longe das intervenções de Vhils).

Vertov diria que o “O cine-olho é entendido como ‘aquilo que o olho não vê'”, em JR não se trata de um cine-olho, mas sim de um olho-cínico (para não dizer oportunista ou vampírico). De facto ele é o pior de Visages, villages, como pior é o momento “o que dizem os teus olhos” à la Pedro Abrunhosa (ainda que a literalização, pelo desfoque, da maleita da vista de Varda traga uma saudável provocação). No entanto o melhor do filme, e faço esta leitura de máximos e mínimos porque um devém do outro, é o des-encontro com Jean-Luc Godard (esse sátiro de fino requinte) que escapa à maquinaria subjectiva de Varda resumindo a sua presença a uma nota num vidro (talvez citando a instalação de Michael Snow?). Porque se é belo quando uma subjectividade se abre a outras, também não deixa de o ser quando uma se reserva o direito à sombra.

E se dúvidas restassem sobre essa oposição entre os dois assinantes da realização, os créditos finais esclarecem os mais cépticos: mesmo no fim pode ler-se “de AV et JR, AV par Agnès Varda et JR par JR.” Em Varda há um fundo na sigla, em JR já só há sigla.


Retirado de https://www.apaladewalsh.com/2018/02/visages-villages-2017-de-agnes-varda-e-jr/

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Cineclube do Atalante: Visages, Villages


Agnès Varda e JR têm coisas em comum: sua paixão por imagens e, mais particularmente, o questionamento sobre os lugares onde elas são mostradas e a maneira como são compartilhadas e expostas. Agnès escolheu o cinema. JR escolheu criar galerias fotográficas ao ar livre. Em encontros aleatórios ou planos pré-concebidos, eles partem pelo interior da França em direção a outras pessoas e suas histórias.

Dirigido por Agnès Varda e JR.

(Visages, Villages: FRA, 2017 - 89 min. Com  Agnès Varda, JR, Jean-Paul Beaujon. LIVRE)

Serviço:
Sábado, 04 de maio
16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

Cineclube do Atalante: programação de Maio

04/05:  Visages, Villages, de Agnès Varda & JR [Sessão em homenagem à Agnès Varda]
 

 
(Visages, Villages: FRA, 2017 - 89 min. Com  Agnès Varda, JR, Jean-Paul Beaujon. LIVRE)
 
Agnès Varda e JR têm coisas em comum: sua paixão por imagens e, mais particularmente, o questionamento sobre os lugares onde elas são mostradas e a maneira como são compartilhadas e expostas. Agnès escolheu o cinema. JR escolheu criar galerias fotográficas ao ar livre. Em encontros aleatórios ou planos pré-concebidos, eles partem pelo interior da França em direção a outras pessoas e suas histórias.
 
25/05: Intendente Sansho, de Kenji Mizoguchi
 

(Sanshô Dayû: JPN, 1954 - 124 min. Com Kinuyo Tanaka, Kyôko Kagawa, Eitarô Shindô. 14 anos.)

Japão, século XI. Zushio e a irmã Anju, filhos de um governador exilado pelas suas ideias humanitárias, são enviados para um campo de trabalho escravo comandado pelo temido Sanshô, enquanto sua mãe é dada como desaparecida. Um dos maiores filmes de todos os tempos.

Serviço:
Sessões no primeiro e no último sábados do mês (excepcionalmente)
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

quinta-feira, 28 de março de 2019

Cineclube do Atalante 5 anos: Mostra Política das Atrizes em abril

Para comemorar o nosso aniversário de 5 anos na Cinemateca de Curitiba, o Cineclube do Atalante realiza em abril uma mostra dedicada ao trabalho de quatro grandes atrizes cuja criatividade, inteligência e presença ultrapassam o rótulo de musa para inscrever o seu nome em uma autoria tão determinante para o filme quanto o diretor. Sempre com entrada franca!


13/04 - SÁBADO: Barbara Stanwyck

15h (13/04): Stella Dallas, mãe redentora, de King Vidor


 
(Stella Dallas, EUA, 1937 - 105 min. 12 anos. Com Barbara Stanwyck, John Boles, Anne Shirley.)

Stella Dallas, jovem vinda da classe trabalhadora, casa-se com homem rico e sofisticado. O casal tem uma filha, mas ele pede o divórcio por considerar o comportamento de Stella vulgar. Ela passa a dedicar sua vida à filha, por quem tudo sacrifica e tudo enfrenta, inclusive o desprezo da comunidade. 

18h (13/04): Bola de Fogo, de Howard Hawks


(Ball of Fire, EUA, 1941 - 110 min. 10 anos. Com Barbara Stanwyck, Gary Cooper, Dana Andrews.)

Preocupado com um verbete sobre gírias de uma nova enciclopédia do qual participa, um professor de gramática conhece uma extrovertida cantora de boate, fonte inesgotável de termos popularescos. Procurada pela polícia por seu envolvimento com um gângster, ela se abriga no escritório da equipe de acadêmicos sem contar a eles seu real motivo, provocando diversas confusões.

14/04 - DOMINGO: Ingrid Bergman

15h (14/04): Sob o Signo de Capricórnio, de Alfred Hitchcock


(Under Capricorn, GB, 1949 - 117 min. 12 anos. Com Ingrid Bergman, Joseph Cotten, Michael Wilding.)
 
Em 1831, um irlandês vai parar na Austrália para recomeçar sua vida com a ajuda do primo, eleito governador. O homem acaba por ir trabalhar na casa de um fazendeiro, cuja bela e estranha esposa surge para dar às coisas um rumo inesperado.

18h (14/04) (Sessão dupla): Ingrid Bergman ou The Chicken, de Roberto Rossellini e Joana D'arc de Rossellini, de Roberto Rossellini 


(Ingrid Bergman AKA The Chicken, ITA, 1953 - 16 min. 12 anos)
 
Em um curta integrante do filme "Nós, as mulheres" ("Siammo donne"), Rossellini filma a esposa em casa diante de um dilema: o frango da vizinha insiste em estragar suas rosas. Bergman enfrenta a natureza mais uma vez em um filme do diretor.


(Giovanna d'Arco al rogo, ITA/FRA, 1954 - 80 min. 12 anos)
 
Realizado inteiramente em estúdio, Rossellini filma Bergman no papel de seus sonhos: Joana D'arc. E é como um sonho que são mostrados os instantes finais, medos e ansiedades da vida da santa guerreira da França.
 
27/04 - SÁBADO: Isabelle Huppert

15h (27/04): Elle, de Paul Verhoeven


(Elle, FRA, 2016 - 130 min. 18 anos. Com Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Cosigny.)

Michèle aparenta ser indestrutível. A mente por trás de uma inovadora empresa de video games, ela tem a mesma postura controladora tanto na sua vida pessoal como profissional. Mas a vida de Michèle muda para sempre quando ela é atacada em sua própria casa por um criminoso desconhecido.
 
18h (27/04): Um Amor tão Frágil, de Claude Goretta


(La Dentellière, FRA, 1977 - 107 min. 16 anos. Com Isabelle Huppert, Yves Beneyton, Florence Giorgetti.)
 
Jovem tímida e de origem simples conhece durante suas férias um rapaz intelectual de classe alta. Pode o amor deles sobreviver às suas diferenças?
 
28/04 - DOMINGO: Gena Rowlands

15h (28/04): Noite de Estreia, de John Cassavetes


(Opening Night, EUA, 1977 - 144 min. 16 anos. Com Gena Rowlands, John Cassavetes, Ben Gazzara.)

Celebrada atriz entra em crise às vésperas da estreia de uma nova peça que protagoniza, devido ao acidente de carro de uma fã. Morte, casamento, maturidade, arte e verdade são colocados em dúvida por ela.

18h (28/04): Uma Mulher sob Influência, de John Cassavetes


(A Woman under the influence, EUA - 1974, 135 min. 14 anos. Com Gena Rowlands, Peter Falk, Fred Draper.)

Mabel, dona-de-casa da classe média baixa americana, mãe de três filhos, é casada com Nick, um trabalhador da construção civil. Fragilizada mental e emocionalmente, questões domésticas se acumulam de forma dramática para Mabel.

Serviço:
Em abril, dias 13, 14, 27, 28.
Sessões às 15h e às 18h (excepcionalmente)
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 – 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante