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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Um Lago" de Philippe Grandrieux

O Cineclube Sesi Portão apresenta nesta quarta-feira, às 19h30, o filme "Um Lago" de Philippe Grandrieux. Em novembro vemos ainda o filme  "O Beijo Amargo" de Samuel Fuller (dia 21). Sempre com entrada franca.

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Um Lago" de Philippe Grandrieux

Sinopse:
A história se passa em um país do qual nada sabemos: um país de neve e florestas densas em algum lugar ao norte. Uma família mora numa casa isolada, perto do lago. Alexi, o irmão, é um jovem de coração puro. Um lenhador. Extático, preso pelos ataques epilépticos, ele está completamente aberto à natureza que o cerca. Alexi é muito ligado à sua irmã mais nova, Hege. Sua mãe cega, seu pai e seu pequeno irmão mais novo são testemunhas silenciosas do seu imenso amor. Chega um estrangeiro, um jovem um pouco mais velho do que Alexi… 

Sobre o filme:
Um Lago parece uma representação audiovisual da pintura de Caspar David Friedrich. Não a primeira, já que F. W. Murnau e Aleksandr Sokurov empenharam suas câmeras na construção daquele tipo de “paisagens espirituais”, mas sem dúvida a que foi mais fundo na dimensão sagrada do Romantismo.
Philippe Grandrieux, o realizador, materializa em seu protagonista toda a angustiante incompletude evocada nos solitários de Friedrich. O medo, a solidão, a doença – Alexi é um ultra-romântico, condenado a ser um eterno fantasma perdido na natureza infinita.
Ao mesmo tempo reconhecemos nos enquadramentos, os rostos deformados de um Francis Bacon. A câmera convulsa, como um pincel, reconfigura traços e dissolve identidades.
É entre Friedrich e Bacon que Grandrieux erige sua obra: pintura de sons no tempo.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)

Serviço:
dia 07/11 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Barba Azul

Catherine Breillat é um dos principais nomes do New French Extremism, movimento alcunhado pelo crítico James Quandt ao perceber uma nova safra de filmes franceses com conteúdos transgressores.  Ao lado de Catherine, Quandt listou outros nomes que vem recebendo destaque nos últimos anos por essa característica: Gaspar Nóe, Bruno Dumont, Claire Denis, Bertrand Bonello, Jean-Claude Brisseau, entre vários outros. O que melhor exprime esse conceito é a ousadia nas abordagens dos respectivos realizadores, ou seja, é bastante vago definir um tema ou estética comum a todos os possíveis nomes.
            Os filmes de Catherine Breillat são polêmicos, provocativos, estranhos. Uma das características de sua filmografia é a forma com que ela concentra suas narrativas em elementos autobiográficos e em confissões sexuais. Ela se apropria de temáticas universais como sexo e violência, exprimindo a condensação desses dois elementos (muito mais interessada em sexo do que violência, ou melhor, o sexo como a violência).
            Barba Azul é a adaptação de um conto moral de Perrault sobre uma jovem garota que se casa com o nobre assassino de esposas. A diretora alterna a representação fidedigna do texto (o filme é fiel em aspectos de espaço-tempo no qual foi escrito pelo escritor) com a leitura da história feita por duas crianças no sotão de uma casa, isso feito em outro período histórico. Esses dois universos paralelos são completamente distintos. Através desse contraste entre dois mundos que a realizadora explora o universo infantil, permeando a obra com pontuações dramáticas e satíricas, dificultando a classificação da obra em algum gênero específico. O interessante nesse embate é a interferência no processo do fluxo narrativo do filme, questionando o próprio ato de narrar artístico. Esse dispositivo é enaltecido pelo rigor formal imposto através da decupagem, dos enquadramentos e da movimentação de câmera. Esses três níveis cinematográficos ajudam a criar uma eficiência e densidade no mote aparentemente ameno. A encenação frontal, por exemplo, é uma das formas de questionar a artificialidade narrativa e revelar o dispositivo da mise-en-scène. O conto moral se esvai num lento processo de mistério auto-reflexivo. Se antes utilizamos a palavra estranho para definir a filmografia de Breillat, é muito mais num sentido de causar estranhamento/distanciamento que numa fuga de padrões fílmicos. Esses cacoetes estão em plena sintonia com algumas tendências contemporâneas francesas (Eugène Green) e mundiais.  O cinema de Catherine Breillat é consciente disso e pincela recursos extremamente funcionais. A influência mais direta é o cinema do cineasta Manoel de Oliveira. Em “Singularidades de uma Rapariga Loura”, o diretor português também utiliza um conto moral para questionar e dissecar os padrões da linguagem narrativa cinematográfica.  A frontalidade é um subterfúgio caro ao teatro brechtiano que alcança ares de mediação no meio fílmico. Barba Azul também recorre ao choque final, inesperado, como em outro filme de Manoel de Oliveira – “Um Filme Falado”. Barba Azul trabalha nas entrelinhas a tensão, o terror e o humor. O filme foge dos clichês de adaptação literária e cria um ambiente rico de nuances e problematizações quanto à linguagem e a narrativa. Uma obra contemporânea por excelência, no melhor sentido do termo.

Lucas Murari – Atalante, 2012
(Curador convidado)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Barba Azul" de Catherine Breillat

O Cineclube Sesi Portão apresenta nesta quarta-feira, às 19h30, o filme "Barba Azul" de Catherine Breillat, com comentários de Lucas Murari do Coletivo Atalante. Em novembro vemos ainda os filmes "Um Lago" de Philippe Grandrieux (dia 7) e "O Beijo Amargo" de Samuel Fuller (dia 21). Sempre com entrada franca.

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Barba Azul" de Catherine Breillat

Sinopse:
Catherine adora assustar a sua irmã mais nova, Marie-Anne, lendo a história do Barba Azul, rei que mata as três esposas, no clássico conto de Charles Perrault. Na França dos anos 50, as duas irmãs brincam no sótão de casa, e Catherine faz encenações no papel de Marie-Catherine, a quarta e última esposa, que escapa do destino trágico ao conquistar o coração do marido. Por ser um bela virgem, ela faz o nobre hesitar e sucumbir. Nesta versão, o Barba Azulé baseado em Gilles de Rais, soldado francês c
  ontemporâneo de Joana d’Arc e famoso assassino de crianças.

Sobre o filme:
Barba Azul é a adaptação de um conto moral de Perrault sobre uma jovem garota que se casa com o nobre assassino de esposas. A diretora alterna a representação fidedigna do texto com a leitura da história feita por duas crianças no sotão de uma casa. Através desse contraste entre dois mundos que a realizadora explora o universo infantil, permando a obra com pontuações dramáticas e satíricas, dificultando a classificação da obra em algum gênero específico. 

Lucas Murari - Atalante, 2012
(Curador convidado)

Serviço:
dia 31/10 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Ciúme, o Inferno do Amor Possessivo" de Claude Chabrol



Sinopse:
 Paul e Nelly formam um casal jovem, bonito e cheio de vida. Até que o fantasma da traição cai como uma sombra sobre Paul, que passa a duvidar da esposa, sem saber se trata-se de paranóia ou realidade. 


Sobre o flme:
Com a radical academicização dos debates em torno do cinema, tendência manifesta na crítica dos últimos 40 anos, uma miríade de disciplinas compete para auxiliar as infinitas leituras possíveis de um filme: dos estudos culturais à teoria literária, da psicanálise à filosofia estruturalista. Muitos são os que, num exercício de legitimação, pretendem adequar a prática cinematográfica às nobres causas das reflexões profundas.
O Cinema, à revelia, permanece, porém uma questão de movimento e duração.
O fato de inúmeros cineastas e infinitos filmes trazerem questionamentos profundos sobre a condição humana, sob os prismas da História, da Psicologia e da Filosofia não impedem que na essência, a arte cinematográfica permaneça como a manipulação criativa das imagens audiovisuais. É na poiésis cinematográfica, no trabalho com a linguagem, nos enquadramentos, movimentos de câmera, decupagens e mise-em-scène, que reside o ethos do Cinema. É no tratamento estético das imagens que descobrimos o abismo entre Hitchcock e a Psicanálise, Glauber e a Ciência Política, Mizoguchi e a História, Rossellini e a Filosofia. 
O Cinema é antes de tudo Cinema. Ou pelo menos deveria ser.
Num contexto em que o debate sobre o específico fílmico é um dado irrelevante ou uma curiosidade do passado, ver e discutir um filme como este “Ciúme” de Claude Chabrol é um ato de resistência.
Contra a maré de cristais e rizomas, Chabrol nos oferece o filme como profissão de amor e fé: o amor de quem dormiu e acordou sobre os filmes de Hitchcock, e que, como os jovens pintores, estudou apaixonadamente a paleta dos mestres para refinar seu próprio estilo; e a fé no potencial de liberação criativa da linguagem clássica e seus efeitos.
“Ciúme” é um filme de cinema: tolo, vagabundo, comercial, desprezível em sua pobreza conceitual. Seu único mérito está na mise-en-scène, um detalhe invisível, mas cuja relevância não cabe nos livros, bancos de escola ou em nossa vã filosofia.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)


Serviço:
dia30/08 (quinta)
às 19h30*
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibição seguida de debate em português e francês.
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Parceria:Aliança Francesa
Apoio: Processo Multiartes


Mais informações no site do Sesi:
http://www.sesipr.org.br/cultura

Debatendo "Nasci de uma Cegonha"


O Cinema Nômade de Tony Gatlif
(fragmentos)

(...)
Há, no cinema de Tony Gatlif, clara influência de Alain Tanner: as duas amigas que caem na estrada, no road movie que vai do nada a lugar algum de Messidor, em que se verifica a marginalização crescente das protagonistas, remetem ao casal de Exílios, que se auto-exilam para entender os párias sociais, verdadeiros exilados com quem travam contanto durante a viagem da França à Argélia. Je suis né d’une cigogne, porém, baseia-se explicitamente em Jean-Luc Godard, o qual é homenageado quando o desempregado Otto (o onipresente Romain Duris), cansado de vender sem sucesso jornal operário, anuncia pela rua "New York Herald Tribune", citando Acossado, ou quando o crítico de cinema carimba a palavra "Deus" na fotografia de Godard (o personagem nada escreve, apenas carimba frases feitas e chavões como "filme asiático de ação" ou "filme europeu de arte" nas fotos das obras assistidas). Como em Weekend à Francesa, tem-se o deslocamento enlouquecido e não-motivados dos protagonistas – além de Otto, Louna (Rona Hartner) e Ali (Ouassini Embarek) – pela França, rompendo no caminho os códigos de conduta e as leis estruturantes, tanto da sociedade, quanto do cinema. Desse modo, enquanto Otto larga a preocupação com o emprego e com a mãe gorda que vive à frente da TV, Louna maltrata de propósito os clientes do salão de beleza onde trabalha para ser demitida (conectando-se à personagem principal de A Salamandra, de Tanner) e Ali incendeia o carro do pai, o qual o obriga a "integrar-se" ao novo país, chamando-lhe agora de Michel (porque, segundo o patriarca, todos os franceses se chamam Michel, piada recorrente durante o filme). Juntos, eles roubam carros, assaltam lojas, invadem casas para almoçar, além de arranjarem tempo para auxiliar cegonha ferida, na realidade imigrante árabe de nome Mohammed que deixou a Argélia rumo à Alemanha. 

Com Je suis né d’une cigogne, Gatlif revela fascinante ambigüidade quanto à imagem cinematográfica, pois, se a contesta, ao quebrar os mecanismos de montagem invisível do cinema clássico, como simples ilusionismo – os personagens conscientes da presença voyeurística da câmera, os jump cuts que suprimem os raccords de continuidade, animosidade de Otto com o narrador, o qual está fora da diegese do filme –, também a exalta, justamente pelo aspecto mágico que possui – a arma que Otto materializa entre um corte e outro, o desaparecimento de Louna da narrativa por insultar mestres tais quais John Ford e John Cassavetes –, em iconoclastia paródica que encontra paralelo na mulher que admite ser erro de continuidade em Viagem ao Fim do Mundo, de Fernando Coni Campos. Mas, a despeito do caráter festivo e carnavalesco, Je suis né d’une cigognereflete como poucos (Os Galhos da Árvore, de Satyajit Ray, por exemplo) o término das ideologias e das crenças modernas que fundamentaram o pensamento contestatório do Ocidente, fim simbolizado no olhar perplexo de Ali (o qual atravessa o filme lendo e recitando Marx, Lênin e Che Guevara) para os livros rasgados e amontoados na biblioteca destruída: na era pós-moderna, quando tudo se problematiza para evitar o posicionamento contra as injustiças do mundo, a solução, proposta por Gatlif, é o renascimento através do contato humano, deste apoiar-se mútuo que aponta o sexo entre Otto e Louna no ninho da cegonha.
(...)

Paulo Ricardo de Almeida
(Revista Contracampo)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Um Lago" de Philippe Grandrieux


Sinopse:
A história se passa em um país do qual nada sabemos: um país de neve e florestas densas em algum lugar ao norte. Uma família mora numa casa isolada, perto do lago. Alexi, o irmão, é um jovem de coração puro. Um lenhador. Extático, preso pelos ataques epilépticos, ele está completamente aberto à natureza que o cerca. Alexi é muito ligado à sua irmã mais nova, Hege. Sua mãe cega, seu pai e seu pequeno irmão mais novo são testemunhas silenciosas do seu imenso amor. Chega um estrangeiro, um jovem um pouco mais velho do que Alexi… 

Sobre o filme:
Um Lago parece uma representação audiovisual da pintura de Caspar David Friedrich. Não a primeira, já que F. W. Murnau e Aleksandr Sokurov empenharam suas câmeras na construção daquele tipo de “paisagens espirituais”, mas sem dúvida a que foi mais fundo na dimensão sagrada do Romantismo.
Philippe Grandrieux, o realizador, materializa em seu protagonista toda a angustiante incompletude evocada nos solitários de Friedrich. O medo, a solidão, a doença – Alexi é um ultra-romântico, condenado a ser um eterno fantasma perdido na natureza infinita.
Ao mesmo tempo reconhecemos nos enquadramentos, os rostos deformados de um Francis Bacon. A câmera convulsa, como um pincel, reconfigura traços e dissolve identidades.
É entre Friedrich e Bacon que Grandrieux erige sua obra: pintura de sons no tempo.


Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)

Serviço:
dia 09/08 (quinta)
às 19h30*
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibição seguida de debate em português e francês.
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Parceria:Aliança Francesa
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações no site do Sesi:
cultura/

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cineclube Sesi apresenta: Introdução ao Cinema Francês Contemporâneo

Seria impossível fazer uma análise do século XX sem levar em conta o poder que o cinema exerceu sobre as pessoas, influenciando tendências, costumes, e impondo uma ideologia dominante por quase toda sua existência. Produto das revoluções industriais - o cinema se dividiu desde os seus primórdios entre mercadoria da indústria cultural e arte autoral. Auguste e Louis Lumière inventaram o cinematógrafo e muitos críticos, historiadores e especialistas consideram a sessão realizada por eles no Grand Café de Paris, em 28 de Dezembro de 1895 como a primeira exibição pública dessa nova arte. Esse é um fato meramente simbólico, pois Max e Emile Skladanowsky na Alemanha e Jean Acme Leroy nos Estados Unidos já promoviam projeções públicas muito antes dos primeiros espectadores dos Lumière. Se a invenção da 7ª arte não é consensualmente francesa, a contribuição artística da nação é incontestável e uma das maiores. O país é o berço de muitas das principais vanguardas e movimentos cinematográficos do século XX - impressionismo, dadaísmo, surrealismo, realismo poético, nouvelle vague, cinema du look. Ainda hoje esse cinema é um dos raros que fogem ao imperialismo cultural homogeneizante, produzindo e exibindo mais de 200 filmes por ano. A cinematografia do país é bem eclética, abrangendo diversos estilos e gêneros, por mais que o senso comum generalize e atribua características de “difíceis e chatos”.
            O recorte apresentado na mostra Introdução ao Cinema Francês Contemporâneo” busca explicitar a variedade de riquezas de um dos cinemas mais relevantes e originais do globo. A seleção reúne 4 títulos produzidos de 1994 a 2009, obras que vão desde um decano recém-falecido (Claude Chabrol) a novos autores-experimentadores (Philippe Grandieux). Chabrol fez parte da mítica geração dos jovens turcos (ao lado de Godard, Rivette, Rohmer e Truffaut) que renovaram o cinema francês nos anos 60. O filme escolhido nessa seleção sintetiza alguns traços de sua vasta filmografia. Já “Um Lago” de Philippe Grandieux é um OVNI de difícil classificação. O diretor já transitou por diferentes linguagens: vídeo-arte/instalação, televisão, documentário. Sua fase mais recente opta por uma mise-en-scène sensorial. O filme proposto lança um olhar radical sobre a desconstrução familiar. A diretora Catherine Breillat é o exemplo de feminização que atingiu o cinema francês nas últimas décadas. A França, historicamente falando, sempre teve mulheres que se dedicavam a realização. Germaine Dulac e Agnés Varda são duas cineastas bem ousadas e renomadas em seus respectivos períodos, porém, permaneceram praticamente sozinhas nesse universo. De uns anos para cá é visível o aumento de mulheres encabeçando os filmes: Claire Denis, Noémie Lvovsky, Valérie Donzelli. Breillat em “Barba Azul” recorre a Perrault e uma de suas fábulas para desnudar uma impactante tragédia moral sobre o universo infantil. Tony Gatlif é um cineasta franco-argelino que possui uma filmografia de inclinação mais humanista. Seu cinema aborda a vida cigana e/ou protagonistas em deambulações. O filme selecionado reflete sobre os devaneios geracionais da juventude francesa e a multiplicidade étnica que permeia o país. Através de um olhar politizado, irônico, duas marcas de sua assinatura, Gatlif filtra e homenageia sua obra em referências explícitas a um dos cânones máximos da 7ª arte mundial – Jean-Luc Godard. Esses 4 filmes apontam para o passado, o presente e o futuro do cinema francês. Um recorte multifacetado que explora o drama, a comédia e o inventivo, mas que acima de gêneros e classificações, honram a longa tradição de qualidade e apresenta novas tendências francesas.

Lucas Murari - Atalante, 2012
(Curador convidado)


Programação:
09/08 "Um Lago", de Phillipe Grandieux 
16/08 - "Barba Azul", de Catherine Breillat
23/08 - "Nasci de uma Cegonha", de Tony Gatlif
30/08 - "Ciúme, o inferno do amor possessivo", de Claude Chabrol 

Serviço:
Toda quinta de agosto*
às 19h30
Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema FIEP**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibições seguidas de debate em português e francês
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Parceria:Aliança Francesa
Apoio: Processo Multiartes
  
Conheça outras atividades do Sesi:http://www.sesipr.org.br/cultura/