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domingo, 10 de agosto de 2014

Lenny, de Bob Fosse


EUA, 1974

Curiosos são os caminhos que fazem com que determinados filmes, independente de seus méritos e qualidades, permaneçam pouco vistos e pouco conhecidos ao longo do tempo. O mais comum é que estes filmes sejam produções de pequeno porte, dirigidas por cineastas iniciantes ou obscuros ou então que não receberam um tratamento adequado ou o devido reconhecimento quando de seu lançamento. Lenny, no entanto, não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses. É uma produção de primeira linha, dirigida por um cineasta então no auge de sua capacidade criativa e que ainda por cima foi candidata ao Oscar em todas as principais categorias e recebeu um prêmio em Cannes para melhor atriz (Valerie Perrine).
Então, tratemos de imaginar as razões pelas quais as cópias deLenny permanecem juntando poeira nas locadoras (isto quando o filme é encontrado) ou por que raras são suas exibições pelas TVs abertas ou a cabo. Uma destas razões seria o fato de ser um trabalho atípico na carreira do diretor (que por sinal conta apenas com cinco títulos), uma figura sempre associada aos musicais. Foi realizado entre duas incontestáveis obras primas, Cabaret (1972) eAll that jazz (1979) nas quais temas nebulosos (no caso, a ascenção do nazismo e a morte) receberam um traramento entrecortado por números musicais e marcado por uma utilização criativa da cor. Lenny, porém, é um drama biográfico sobre o revolucionário humorista americano Lenny Bruce e que ainda por cima foi fotografado em preto e branco.
Lembremos, também, que Lenny foi lançado em 1974, um ano que teve O poderoso chefão 2, A conversação, Chinatown, Uma mulher sob influência, Jovem Frankenstein e Terra de ninguém. É natural que no meio de uma concorrência tão pesada alguém termine prejudicado. Mas é também bastante injusto.
A princípio sua estrutura básica parece sugerir uma biografia convencional, ou seja, acompanha vida e obra de um personagem que quebrou barreiras, retratando os sacrifícios do início da carreira, um casamento tumultuado, a chegada do sucesso e da fortuna, o abuso de drogas, a decadência, problemas judiciários e a morte trágica. Este convencionalismo, contudo, é quebrado de diversas formas, a começar pela própria personalidade de Lenny Bruce. Este era um humorista que mais do que propriamente fazer rir, estava mais interessado em se utilizar do humor como forma de provocação ou denúncia de hipocrisias. Isto fica bem claro logo nas primeiras sequências, nas quais vemos um monólogo de Bruce falando sobre o descaso quanto à prevenção de doenças venéreas.
Fosse desenvolve seu filme em três planos narrativos distintos: os episódios da vida de Bruce, depoimentos dados por sua esposa Holly, sua mãe e seu empresário, além da recriação de suas apresentações. Em todos eles consegue criar um universo peculiar que retrata de forma brilhante o universo do artista. As boates vagabundas e esfumaçadas do início da carreira de Bruce e de Holly (que era uma dançarina de strip-tease), repletas de jazz e drogas, fazem um contraponto marcante à caretice dos tribunais com os quais ele terá que se confrontar num momento posterior de sua carreira, devido às sucessivas prisões por posse de drogas e principalmente pela utilização pioneira de uma linguagem chula dentro do tacanho universo do show-bizz norte-americano. Além disso, a encenação dos monólogos de Lenny Bruce criam no espectador uma intimidade com o personagem através de suas palavras de uma forma bastante semelhante àquela desenvolvida recentemente por Manoel de Oliveira em Palavra e Utopia, guardando-se naturalmente as devidas diferenças entre os filmes e os personagens.
Contribui sobremaneira para acentuar as intenções do diretor a fotografia não menos que brilhante de Bruce Surtees, numa das melhores utilizações do preto e branco desde que este fora relegado a um segundo plano, com a hegemonia ditatorial do uso da cor no cinema. E certamente Lenny não teria a mesma qualidade sem as atuações dos protagonistas. O fato de termos uma grande atuação de Dustin Hoffman no papel título não surpreende a ninguém, mas vale destacar que ele aqui faz aquele que talvez seja seu trabalho mais porreta. Surpresa, sim, é o fato de termos uma atuação justamente premiada de Valerie Perrine como Holly. Quem juntar o nome à pessoa, se lembrará de uma peituda que fez carreira nos anos 70 em papéis de “loraburra” (vide Superman, o filme) e que emLenny, aos 31 anos e já com cara de puta velha, cria um retrato amargo e sem condescendência de uma drogada ingênua.
Além de tudo, vale ressaltar que Lenny é um filme que antecipa uma série de coisas. Principalmente dentro da carreira de Fosse, para quem o esforço para a finalização deste trabalho, alternado com o que fizera para a encenação do musical Chicago, acabaram por contribuir para que o autor fosse vítima de um infarto. E quem assistiu All that jazz viu este momento retrarado de forma brilhante, onde Joe Gideon (Roy Scheider), o alter-ego de Fosse trabalha inclusive na edição de um filme sobre um humorista. Lenny antecipa também o preto e branco realista de Touro indomável e antecipa o clima dos filmes mais recentes de Milos Forman, com a utilização de uma figura polêmica como marco da luta pela liberdade de expressão (em O povo contra Larry Flint) ou o retrato biográfico de um comediante revolucionário (O mundo de Andy). Além disso, antecipa a utilização da narrativa pontuada por monólogos cômicos no seriado de TV Seinfeld. Por tudo isso e mais um pouco, este não merecia ser um filme esquecido.
Para finalizar, queremos lembrar que, para a ofuscada trajetória deLenny no Brasil, contribuiu o fato da fita haver sido proibida durante os anos de ditadura militar. Finalmente liberada no período da abertura (1979/80), não despertou tanta atenção em seu lançamento tardio quanto fitas mais conhecidas e/ou polêmicas como O último tango em ParisEstado de sítioZ ou Laranja mecânica. E para complicar, ainda estreou quase na mesma época que All that jazz, ficando com o desagradável estigma de filme menor. Coisas da vida e do cinema.

Gilberto Silva Jr.
(Texto original: 
http://www.contracampo.com.br/42/lenny.htm)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Cineclube Sesi da Casa: "Lenny" de Bob Fosse

Neste domingo, dia 10 às 16h00, O Cineclube Sesi da Casa apresenta  "Lenny", de Bob Fosse dando continuidade ao ciclo Nova Hollywood que contará ainda com "Corrida Sem Fim", de Monte Hellman (17/08 - excepcionalmente às 13h30), "Nashville", de Robert Altman (24/08) e "O Portal do Paraíso", de Michael Cimino (31/08 - excepcionalmente às 15h00). 
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi da Casa apresenta: "Lenny", de Bob Fosse


A vida e obra de Lenny Bruce (Dustin Hoffman), desde o início, quando tentava a sorte em pequenos bares em Miami. Sua escalada, o envolvimento com mulheres duvidosas e o consumo de drogas até sua morte por overdose.

Serviço:
dia 10/08 (domingo)
às 16h00
no Sesi Heitor Stockler de França 
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cineclube Sesi da Casa estréia dia 3 de agosto

Em agosto o Cineclube Sesi amplia suas atividades e convida a comunidade curitibana para a estréia de sua nova unidade: o Cineclube Sesi da Casa. O mais novo espaço na cidade para a exibição e debates sobre cinema e cultura.
Cineclube Sesi da Casa funcionará todo domingo, 16h00, no Sesi Heitor Stockler de França (Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro), e estréia dia 3 de agosto com o filme ”Serpico” de Sidney Lumet, abrindo o ciclo Nova Hollywood. Entrada franca, sempre.

Nova Hollywood
Na história do cinema hollywoodiano, os anos 70 representaram um momento de renovação estética e discursiva. Após a crise dos velhos estúdios o sistema se viu obrigado a cooptar jovens cineastas do cenário independente, os movie brats, oriundos das universidades de cinema e cultores de uma cinefilia alimentada pela reverência ao clássico e pela transgressão do moderno. Brian De Palma, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese entre outros (não tão célebres, mas igualmente importantes, como veremos) lançaram no período filmes herdeiros da tradição do cinema de gênero e da contracultura, das nouvelle vagues e das superproduções, aliando enfim a exploração do sexo, drogas e rock’n rolla uma consciência estética revolucionária.

Programação:
03/08 - “Serpico”, de Sidney Lumet
10/08 - “Lenny”, de Bob Fosse
17/08 - “Corrida Sem Fim”, de Monte Hellman (excepcionalmente às 13h30)
24/08 - “Nashville”, de Robert Altman
31/08 – “O Portal do Paraíso”, de Michael Cimino (excepcionalmente às 15h00)

Serviço:

Todo domingo
às 16h00 (exceto nos dias 17 e 31)
no Sesi Heitor Stockler de França 
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro)


ENTRADA FRANCA
 


Realização: Sesi    (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)