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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Os mistérios


Texto sobre Um Lago de Philippe Grandrieux (2008)

Uma arte impressionista é aquela que não valoriza a forma precisa das coisas, mas sim suas ressonâncias, e que ao dissolver os contornos em favor de uma representação vaporosa, substitui a concretude pela fluidez, a parte pelo todo (o que também inclui a luz e o ar).
No cinema, o Impressionismo foi introduzido por um grupo de realizadores franceses, que na década de 1920 ofereciam aos espectadores, por exemplo, não a imagem do movimento, mas a impressão do movimento (como Abel Gance em A Roda, 1923); não a imagem da perturbação, mas suas reminiscências (como Jean Epstein em A Queda da Casa de Usher, 1928).
Ao encontrar o cinema de Philippe Grandrieux reconhecemos que este tipo de abordagem audiovisual permanece relevante até hoje, em filmes concebidos como experimentos sensoriais, que abraçam corajosamente a imprecisão nas imagens e nos dramas. Seus filmes são convites a um exercício puro de olhar e ouvir. Suas imagens não visam a comunicação, mas desafiam nossos sentidos a mergulhar em seus labirintos orgânicos.
Em Um Lago temos a sensação de que o filme emerge de uma treva branca (como as silhuetas na névoa) ou preta (como os rostos dourados que flutuam no interior da casa), mantendo distância suficiente para que não consigamos divisar precisamente seus contornos. Como os personagens, só conseguimos nos aproximar da obra através do toque, sugerido pelos planos fechados nos rostos e mãos. Osclose-ups constroem o que provavelmente é a primeira paisagem do filme, um espaço que resiste ao silêncio e ao terror dos arredores. Uma tentativa de encontrar a Humanidade, naquilo que de longe (ou de muito perto) são apenas borrões.
Nossa percepção, contudo, transita essencialmente entre este longe e perto.  Não nos é concedido alívio para as inquietações que o filme suscita, tornando a experiência intelectualmente desconfortável. Quem são esses personagens, de onde vieram e qual a natureza de suas relações? Para cada pergunta da razão o filme, zombeteiramente, oferece uma resposta para os sentidos: a voz das entranhas da terra ou mãos desfocadas se agarrando. Parafraseando Jean-Luc Godard, é preciso primeiro aprender a ver.
Talvez as respostas aos silêncios do drama estejam nas igualmente silenciosas imagens. Nas luzes crepusculares, nos recortes pretos das árvores sobre o fundo branco do céu, mos sussurros e respirações, nos cumes epilépticos das montanhas, no interior de uma casa da qual não sabemos nada, em suma, nos mistérios que nossa percepção nunca visitou, mas de onde, segundo Grandrieux, nunca deveríamos ter saído.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Um Lago" de Philippe Grandrieux

O Cineclube Sesi Portão apresenta nesta quarta-feira, às 19h30, o filme "Um Lago" de Philippe Grandrieux. Em novembro vemos ainda o filme  "O Beijo Amargo" de Samuel Fuller (dia 21). Sempre com entrada franca.

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Um Lago" de Philippe Grandrieux

Sinopse:
A história se passa em um país do qual nada sabemos: um país de neve e florestas densas em algum lugar ao norte. Uma família mora numa casa isolada, perto do lago. Alexi, o irmão, é um jovem de coração puro. Um lenhador. Extático, preso pelos ataques epilépticos, ele está completamente aberto à natureza que o cerca. Alexi é muito ligado à sua irmã mais nova, Hege. Sua mãe cega, seu pai e seu pequeno irmão mais novo são testemunhas silenciosas do seu imenso amor. Chega um estrangeiro, um jovem um pouco mais velho do que Alexi… 

Sobre o filme:
Um Lago parece uma representação audiovisual da pintura de Caspar David Friedrich. Não a primeira, já que F. W. Murnau e Aleksandr Sokurov empenharam suas câmeras na construção daquele tipo de “paisagens espirituais”, mas sem dúvida a que foi mais fundo na dimensão sagrada do Romantismo.
Philippe Grandrieux, o realizador, materializa em seu protagonista toda a angustiante incompletude evocada nos solitários de Friedrich. O medo, a solidão, a doença – Alexi é um ultra-romântico, condenado a ser um eterno fantasma perdido na natureza infinita.
Ao mesmo tempo reconhecemos nos enquadramentos, os rostos deformados de um Francis Bacon. A câmera convulsa, como um pincel, reconfigura traços e dissolve identidades.
É entre Friedrich e Bacon que Grandrieux erige sua obra: pintura de sons no tempo.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)

Serviço:
dia 07/11 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Um Lago" de Philippe Grandrieux


Sinopse:
A história se passa em um país do qual nada sabemos: um país de neve e florestas densas em algum lugar ao norte. Uma família mora numa casa isolada, perto do lago. Alexi, o irmão, é um jovem de coração puro. Um lenhador. Extático, preso pelos ataques epilépticos, ele está completamente aberto à natureza que o cerca. Alexi é muito ligado à sua irmã mais nova, Hege. Sua mãe cega, seu pai e seu pequeno irmão mais novo são testemunhas silenciosas do seu imenso amor. Chega um estrangeiro, um jovem um pouco mais velho do que Alexi… 

Sobre o filme:
Um Lago parece uma representação audiovisual da pintura de Caspar David Friedrich. Não a primeira, já que F. W. Murnau e Aleksandr Sokurov empenharam suas câmeras na construção daquele tipo de “paisagens espirituais”, mas sem dúvida a que foi mais fundo na dimensão sagrada do Romantismo.
Philippe Grandrieux, o realizador, materializa em seu protagonista toda a angustiante incompletude evocada nos solitários de Friedrich. O medo, a solidão, a doença – Alexi é um ultra-romântico, condenado a ser um eterno fantasma perdido na natureza infinita.
Ao mesmo tempo reconhecemos nos enquadramentos, os rostos deformados de um Francis Bacon. A câmera convulsa, como um pincel, reconfigura traços e dissolve identidades.
É entre Friedrich e Bacon que Grandrieux erige sua obra: pintura de sons no tempo.


Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)

Serviço:
dia 09/08 (quinta)
às 19h30*
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibição seguida de debate em português e francês.
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Parceria:Aliança Francesa
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações no site do Sesi:
cultura/