Mostrando postagens com marcador fritz lang. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fritz lang. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cineclube Sesi da Casa: "No Silêncio de Uma Cidade" de Fritz Lang

Neste domingo, dia 16, às 15h, O Cineclube Sesi da Casa apresenta  "No Silêncio de Uma Cidade" de Fritz Lang, dando sequência ao ciclo O cinema hollywoodiano dos anos 50 que contará ainda com "Amor na Tarde" de Billy Wilder (23/11) e "Amargo Triunfo" de Nicholas Ray (30/11).
Sempre com entrada franca (e a partir deste mês sempre às 15 horas)!

Cineclube Sesi da Casa apresenta: 
"No Silêncio de Uma Cidade" de Fritz Lang 

A morte do magnata da mídia Amos Kyne provoca uma disputa de poder nas suas empresas. Ao mesmo tempo, Nova Iorque sofre com os ataques de um serial killer de mulheres. Edward Mobley precisa capturar o assassino, evitar que as empresas Kyne caiam em mãos erradas e ainda tentar salvar seu relacionamento do fim.
 
Serviço:
dia 16/11 (domingo)
às 15h
no Sesi Heitor Stockler de França 
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cineclube Sesi da Casa: Cinema hollywoodiano dos anos 50

Programação
02/11 - "O Matador" de Henry King
09/11 - "Janela Indiscreta" de Alfred Hitchcock
16/11 - "No Silêncio de uma Cidade" de Fritz Lang
23/11 - "Amor na Tarde" de Billy Wilder
30/11 - "Amargo Triunfo" de Nicholas Ray

Serviço:
Todo domingo
a partir de novembro, sempre às 15h
no Sesi Heitor Stockler de França 
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
Produção: Atalante

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

HUMAN DESIRE / 1954


(Desejo Humano)

Um filme de Fritz Lang


Human Desire é o segundo remake que Fritz Lang fez de filmes de Renoir. Scarlet Street, remake de La Chienne, em 1945, foi o primeiro. Human Desire, remake de La Bête Humaine, foi o segundo. E começo por sublinhar que Lang escolheu os filmes que, na obra de Renoir, abrem e fecham a sua controversa fase realista, ou fecham e abrem a sua primeira fase “artificiosa” (do artifício da commedia dell’arte) e anárquica e a última fase que sempre e sobretudo foi tais coisas.

Os códigos vigentes em Hollywood, à época de Human Desire, tornavam obviamente impossível seguir o fio condutor do filme de Renoir, baseado em Zola. Em La Bête Humaine (tanto em Zola como em Renoir) a personagem central (ou seja aquela que aqui é interpretada por GLENN FORD) carrega o peso de taras genéticas várias (naturalismo e realismo em Zola, estraneidade absoluta em Renoir) que fazem dele a presa de instintos sexuais indomináveis (o prazer sexual em função do prazer de matar). No livro e no filme de Renoir, mata o personagem que Broderick Crawford interpreta aqui e suicida-se por fim, como única possibilidade (sobretudo em Renoir) de libertação.

Quando Fritz Lang propôs a Jerry Wald (produtor do filme) este remake do filme de Renoir, Wald sublinhou-lhe que, de forma alguma, se podia ter um herói à Gabin, um tarado sexual. Como Lang explicou, “GLENN FORD tinha que ser um personagem género Lil’Abner regressando da Coreia - com cem por cento de sangue encarnado americano, com impulsos sexuais naturalíssimos (se é que tal coisa existe)”.

Além disso, Jerry Wald via símbolos sexuais por toda a parte, até nos comboios a entrar nos túneis e preveniu Lang contra quaisquer excessos dessa natureza. Por isso Lang declarou aos Cahiers que já estava tudo estragado à partida e que Human Desire não é La Bête Humaine.

Lang contou também outra interpretação curiosa: apesar de ser necessário que FORD nada tivesse da dita besta, Jerry Wald continuava agarrado ao título inicial. Por isso, um dia chamou Lang e Alfred Hayes (o argumentista, e como o Autor disse “provavelmente os únicos que tinham lido o livro de Zola”) e disse-lhes: “Vocês só fizeram erros. Perguntei-lhe: O que é que fizemos desta vez Jerry? Respondeu-me: Reparem. O livro chama-se ‘La Bête Humaine’, a besta humana. Ora, neste filme, toda a gente é má. Com certeza - objectei - pois Zola queria mostrar que em cada ser humano há um animal. Então disse-me: Nenhum de vocês percebeu nada. A mulher é que é ‘la bête humaine’. O que é que se pode fazer contra o produtor? Hayes e eu olhámos um para o outro e tentámos convencê-lo. Chegámos então a um compromisso e novamente tudo se transformou numa história triangular. Eram tempos bonitos”.

Quem tomar à letra esta história pode dizer que tudo estava, de facto, estragado: GLENN FORD passa a comparsa neutro do “drama” (acabará provavelmente por se casar com a rapariga de quimono e será muito feliz), Gloria Grahame morre porque é la bête humaine e Broderick Crawford não é morto, para não se fazer de GLENN FORD um assassino.

Só que nada disto se passa, a não ser a um nível muito primário. Se FORD não tem taras hereditárias, vem marcado da guerra (capital diálogo com Gloria Grahame em que lhe explica a diferença entre matar a sangue frio e matar na guerra: “in the war we kill in the dark, it’s a different kind”, depois de ela acentuar: “you tried and you couldn’t” como efectivamente sucedeu) e essa experiência em off (como todas as situações capitais do filme - em off nos é dada a morte de Owens, em off - sequência inadjectivável - nos é dada a tentativa de assassinato de FORD com o comboio a interpor-se à nossa visão) marca a personagem, desde o princípio, como estranha (primeiro encontro com Ellen, em claro-escuro e realização da impossibilidade do antigo sonho: “a little fishing; a night at the movies” quando ouve a questão sobre o mais importante: the right girl). Além disso, FORD é efectivamente cúmplice do crime pelo seu silêncio (portentosa sequência do tribunal) e é efectivamente presa do human desire (a incrível relação física com Gloria Grahame). Os cigarros e o lume sempre trocados entre eles (aproximar com idêntica sinalização nas sequências inicial e final entre FORD e o pai de Ellen) são a clara indicação de que um mesmo fogo os consome. O que é ainda mais patente na sequência (com a passagem do homem das luzes) entre FORD e Grahame, quando a ideia do crime (the easiest thing) se associa ao culminar da relação erótica (o beijo espantoso, com os cabelos puxados).

Se GLENN FORD acaba por ignorar o último crime (a morte de Grahame) é ele quem conduz o comboio, onde, mais uma vez, tudo se passa. Única testemunha ocular da presença de Grahame no primeiro crime, a sua ausência já é a única coisa que para ele conta no segundo, que, de certo modo, lhe arranja a vida. E não será certamente ele (nem nós) que ignorará the human beast, que tem dentro de si.

The human beast está também dentro de Gloria Grahame, sem que por isso ela se transforme no único animal do filme, como Jerry Wald queria. Este assombroso personagem, assombrosamente criado por uma das mais assombrosas mulheres de Lang (que, neste caso, teve a sorte pelo seu lado, pois a Columbia queria Rita Hayworth naquele papel) é um prodígio de ambiguidade, desde o primeiro plano em que a vemos, na cama, com a perna levantada, em imagem invertida, até à sua confissão final e total ao marido (“I wanted Owens too - I wanted him to get rid of that wife - I admired him for it”) passando, entre tantas coisas sublimes, pelo plano em que mostra as nódoas negras a FORD.

A progressão das suas confissões (a Crawford e a FORD) é uma das coisas mais geniais desta obra, com Gloria Grahame sempre a avançar em semi-verdades, semi-mentiras (metade do rosto na sombra, outra metade na luz). Mas ela é a mulher capaz de ir até ao fim: ou à total confiança (que pede e jamais lhe dão) ou à total assunção da sua nudez, frente à impotência dos dois homens que a cercam.

Finalmente, Broderick Crawford, transformado em protagonista do filme. Recapitulando outras figuras masculinas de meia idade da obra de Lang, outros personagens do démon du midi (Robinson em Woman in the Window e Scarlet Street, Paul Douglas em Clash by Night) é, simultaneamente, o mais abjecto personagem do filme e o mais grandioso. Capaz de prender a mulher associando-a ao crime (“reconquistar o outro, associando-o à culpabilidade num crime mítico”, como bem notou Demonsablon) tudo tenta para a conservar, até à devolução final (e tardia) da carta, de que já fora privado. O instável equilíbrio inicial da personagem, rompe-se pelo ciúme e por tudo aquilo a que o ciúme o leva. E dizer ciúme é ainda ficar aquém: o que Broderick Crawford assume é a danação (e de novo remeto para a notável análise de Demonsablon, que vê neste filme uma variação do mito do Fausto). Por isso, como Robinson em Scarlet Street, a morte é a possibilidade impossível (esgotadas todas as outras) de deter Gloria Grahame e de finalmente a fixar. A confissão que ela lhe faz do amor por Owens (seu padrinho, como Crawford tenta ser seu pai) ficará provavelmente a ecoar-lhe tanto na memória (e ficará nas nossas) como o “Jeepers, I love you, Johnny” do Scarlet Street na memória de Robinson.

É em torno de Crawford que a figura da tragédia se articula. Neste filme construído em espaços fechados, em que todos os acontecimentos capitais ocorrem dentro de comboios ou em torno deles, a imagem dominante é a que contorna tal figura: a imparabilidade e a contracção. Desde os travellings iniciais (quando nós também somos metidos no comboio) que não há “lugar para onde fugir”, como no escuro, na grande cena de erotismo, Gloria Grahame diz a GLENN FORD. No espaço do desejo, as confissões estão bloqueadas (pasmosa sequência das lágrimas de Gloria, deitada na cama, de costas) tanto quanto a capacidade de confiança.

Human Desire não será o livro de Zola, nem o filme de Renoir. Não tinha que o ser, pois já estavam feitos. Mas não lhes é inferior e (as linhas paralelas) é o filme que só admite encontros no infinito. No microespaço em que se agitam les bêtes humaines, os encontros vedam-se, os olhos embaciam-se e o ponto de vista de Lang (nos high angles deste filme) é o de um olhar inexistente e existente que não pode parar o que é imparável, que não pode chorar o que é inexorável.

Mas uma vez, em Lang, a ordem moral de Renoir (ou a desordem moral de Renoir) se transforma, em metafísica. As fronteiras são próximas e bastou a Lang puxar por um dos fios condutores - a inexorabilidade - para passar do tratado das paixões ao tratado de metafísica.


JOÃO BÉNARD DA COSTA
(Folhas da Cinemateca Portuguesa)



terça-feira, 23 de setembro de 2014

Cineclube Sesi: "Desejo Humano", de Fritz Lang

Nesta quinta-feira, dia 25, o Cineclube Sesi apresenta o filme "Desejo Humano", encerrando o ciclo Fritz Lang Contra a América. Em outubro é o tema será "O cinema segundo Serge Daney".
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta: "Desejo Humano", de Fritz Lang


Refilmagem do clássico de Jean Renoir, A Besta Humana. O mestre do expressionismo Fritz Lang conduz a história com fustrações, adultério e suicídio. O engenheiro Jeff (Glenn Ford), voltando da Guerra da Coréia, apaixona-se por sua colega Vicky (Gloria Grahame), esposa de Carl (Broderick Crawford). Carl percebe o que está acontecendo, mas não faz nada, já que Jeff sabe que ele e Vicky cometeram um assassinato e pode denunciá-los.

Serviço:
dia 25/09 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cineclube Sesi: "Só a mulher peca", de Fritz Lang

Nesta quinta-feira, dia 18, o Cineclube Sesi apresenta o filme "Só a Mulher Peca", dando continuidade ao ciclo Fritz Lang Contra a América, que contará ainda com "Desejo Humano" (25/09). 
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta: "Só a mulher peca", de Fritz Lang


Mae Doyle (Barbara Stanwyck), na esperança de encontrar um marido rico, viveu em grandes cidades, mas só se envolveu com um homem casado. Após sua morte ela retorna para sua cidade natal para viver com Joe (Keith Andes), seu irmão. Ela começa a se relacionar gradativamente com Jerry D'Amato (Paul Douglas), um simplório pescador que é amigo de Joe. Através de Jerry ela conhece um projecionista de filmes, Earl Pfeiffer (Robert Ryan), que tenta conquistá-la declarando seus sentimentos, apesar de ser casado. Mae o evita e se casa com Jerry. Paralelamente Earl se divorcia. Pouco tempo depois, Mae e Jerry têm um bebê e tudo parece bem, mas Mae não está apaixonada pelo marido e logo se vê nos braços de Earl.

Serviço:
dia 18/09 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MINISTRY OF FEAR / 1944


(Prisioneiros do Terror/Quando descerem as trevas)

Um filme de Fritz Lang


São conhecidas e tem sido muito comentadas as relações entre o mundo de Lang e o de Hitchcock. Ministry of Fear é um exemplo paradigmático dessas relações. Num certo sentido, esta obra é o North by Northwest de Fritz Lang.

É-o pelo modo como Ray Milland é apanhado na teia. Se não se levantou acidentalmente, como Cary Grant no filme de Hitchcock, por puro acidente lhe foi parar às mãos o bolo trocado que desencadeia todas as peripécias do filme. Quando, no final, Marjorie Reynolds lhe dá de novo um bolo para as mãos, estamos num efeito tipicamente hitchcockiano (languiano, também, porque Milland podia dizer, como Edward G. Robinson no final de The Woman in the Window - filme do mesmo ano - “nem por um milhão de dólares”).

É-o ainda pela utilização do nazismo como um “mac guffin” (para utilizar terminologia hitchcockiana), ou seja um falso cerne da obra (não nos interessa nada saber dos segredos contidos no bolo, nos filmes, etc.)

É-o pela fabulosa sucessão de efeitos de “suspense”, desde a aparição do falso cego, à “morte” de Cost, sua “ressurreição” como Travers e suicídio deste.

É-o pelos espaços escolhidos, desde o bazar de caridade à sede da “Mothers of Free Nations”; desde a livraria à alfaiataria, desde os hospitais aos hotéis.

É-o pela permanente dúvida sobre identidades: além do falso cego, o psiquiatra anti-nazi, “acima de qualquer suspeita”, o irmão de Marjorie Reynolds, a espírita, até ao polícia da Scotland Yard cuja aparição inicial, recortado em sombra ameaçadora nos faz hesitar durante algum tempo sobre a possibilidade de nova armadilha, sobre o seu real estatuto de polícia (como ele próprio duvida da inocência de Ray Milland em tudo aquilo).

É-o por múltiplas frases ou pormenores: quase ao acaso, cito o “don’t get envolved with the police in any way” inicial (o “Jovens, evitem a prisão” de Hitchcock); a transformação do décor da casa e da identidade da espírita; a eliminação do cadáver; o plano, no abrigo, em que Ray Milland esconde a cara; as peripécias em torno da mala; o quarto de hotel vazio onde a dita mala revela o seu conteúdo; a descoberta do bolo, através dos pássaros (sequência das ruínas); a tesoura de Dan Duryea; o plongé sobre a escada da perseguição final (Vertigo “avant la lettre”); a batalha final nos telhados.

Podia multiplicar exemplos, e ir ao ponto de perguntar quantas vezes terá Hitch visto este filme. Mas também tudo isso é pouco importante. Porque dizer que Ministry of Fear é North by Northwest ou procurar o essencial deste filme pelas bandas do mundo da culpa e do do desejo do autor de Rear Window é outro “macguffin” para este filme.

Não porque as coordenadas não sejam aproximáveis (e daí as semelhanças aparentes) não porque se não esteja também num mundo de culpa e desejo ( e nem falta aqui uma loura - Marjorie Reynolds - que bem podia ter vindo dum filme de Hitchcock), não porque o herói não seja tipicamente da galeria hitchcockiana (e até o foi - muito mais ambiguamente - no Dial M For Murder), mas porque, uma vez mais (mas usar de efeitos de repetição é languiano e hitchcockiano) , a confabulação prodigiosa não nos leva à inanidade da culpa (ou à do desejo) a estarmos neles espelhados, mas à sua explícita subjectivação e a vermos o espelho deles (culpa e desejo). E, nesse sentido, o caminho é inverso.

Ao contrário dos heróis de Hitch, Ray Milland não é um falso culpado. Nunca se desprende ao longo do filme da história passada com a sua primeira mulher, que assassinou eutanasicamente. Essa história que não vemos: (qualquer “flash-back” logicamente possível, destruiria a sua carga mítica) constitui o objecto do longo racconto de Milland na sequência-chave do esconderijo. “In a dark corner” e junto de outra mulher, Milland dá uma versão dividida e culpada dessa morte, divisão e culpa acentuadas pelo magistral grande plano que se mantém durante toda essa confissão. Quando acaba e diz “and there isn’t any pain anymore”, a câmara avança para enquadrar Marjorie Reynolds e em “off” ouvimo-lo esperar que ela responda à pergunta sobre a sua culpa. Contracampo rápido e o protagonista, revendo os seus inimigos, esconde a cara, representando essa figura de ocultação a mais clara das respostas à questão que pôs.

Num dos planos seguintes, vemos Marjorie Reynolds a dormir no colo dele. Mas Ray Milland não adormeceu. Só que tudo ficou claro. Mas os jornais não fazem qualquer referência à morte do misterioso Mr. Cost e a culpa regressa de novo. Sabemos, nessa altura, porque razão, diante da “fortune-teller”, Ray Milland não quer saber do passado, mas do futuro; porque razão não resiste à sessão de espiritismo (montada para ele, encenada para ele, ou melhor dizendo, montada para a sua culpa e encenada para a sua culpa), porque razão assume a culpabilidade da morte final dessa sessão. Porque razão o personagem sempre fugiu da luz e dos olhares directos (embora sempre perseguido por visões, mesmo a daquele que tomou como cego).

Se Ray Milland é tão profundamente envolvido naquela teia é porque todos exploram essa culpabilidade exposta, espelhada nele. Por isso, na fabulosa sequência da sessão de espiritismo, todos surgem - num efeito tipicamente languiano - isolados e recortados do escuro como outros tantos juízes que o viessem de novo acusar; por isso, nessa mesma sequência é tão importante para ele o “don’t break the circle” que efectivamente acaba por quebrar; por isso vacila quando depois do suicídio de Duryea acusa e ouve como eco o “you killed your wife”; por isso, a sua libertação só se dá quando Marjorie Reynolds repete o gesto dele, matando - eutanasicamente também - o irmão (“You won’t shoot your own brother”). Mas Marjorie, não se move nesse mundo de culpas e o tiro parte (num dos mais geniais planos de Lang) através da porta, nesse pequeno buraco que permanece como um dos efeitos de olhar mais misteriosos da sua obra (Lotte Eisner conta em pormenor o modo e o tempo como esse plano foi filmado).

Mas (sob a figura irónica) os fantasmas regressam  no final, com o segundo bolo, que não é, pois, uma pontuação hitchcockiana, mas o sinal da permanente ameaça que continua a pairar sobre Ray Milland.

Daí que este filme (que começa com o fabuloso grande plano do pêndulo do relógio) seja sobretudo um filme sobre o tempo: nesse início, sentado na penumbra, Ray Milland parece esperar uma libertação da prisão (sabemos depois que estava num hospital). Quando é libertado, os seus actos falhados continuam a ser (e até ao fim) auto-punitivos, tudo se repetindo, tudo pontuado por esses relógios (de novo, a sequência do espiritismo) que parecem espelhar para ele a agonia da culpa (sentida junto à primeira mulher) e a do desejo (por e de Marjorie Reynolds).

Primeira incursão de Lang nos domínios da psicanálise, Ministry of Fear é um filme detido (nas inúmeras peripécias que o compõem) entre esse lento decorrer de segundos (inicial) e a vertiginosa sucessão de acontecimentos finais. O foco da luz da enfermeira e o ponto luminoso aberto na porta pelo tiro fratricida de Marjorie Reynolds. Só que nenhuma dessas “pequeninas luzes” consegue clarificar a teia de culpa em que o protagonista definitivamente se enredou.

Por isso Luc Moullet tem razão quando diz que não é de Graham Greene que Ministry of Fear releva mas de Kafka. E quando acentua que a teia de Lang nunca foi tão elaborada. Todos ficamos presos e enredados nela. Todos quebrámos o círculo.


JOÃO BÉNARD DA COSTA

(folhas da Cinemateca Portuguesa)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Cineclube Sesi: "Quando desceram as trevas", de Fritz Lang

Nesta quinta-feira, dia 11, o Cineclube Sesi apresenta o filme "Quando Desceram as Trevas", dando continuidade ao ciclo Fritz Lang Contra a América, que contará ainda com "Só a Mulher Peca" (18/09) e "Desejo Humano" (25/09). 
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta: 

"Quando desceram as trevas", de Fritz Lang

Após passar dois anos num sanatório, Stephen Neale é solto numa Inglaterra destruída pela Segunda Guerra Mundial. Mas o homem não parece tão equilibrado quanto deveria. Na sua volta ao mundo civilizado, tudo se complica quando ele se depara com idéias homicidas e não sabe como contornar isso.

Serviço:
dia 11/09 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

MAN HUNT / 1941

(Feras Humanas/O homem que quis matar Hitler)


Um filme de Fritz Lang


Primeira obra de temática anti-nazi da obra de Lang, Man Hunt é o filme dos espaços cerrados e dos sons abafados, lugar da música de Newman, dos muito lentos avanços da câmara (ou para a câmara) da seta “in the wrong heart” (ou “in the right?”), de Joan Bennett “straight and shining” na primeira das suas quatro aparições no mundo de Lang. É o filme que faz tanta pena, o filme das muitas saudades. É Fritz Lang a dizer (falando de Joan-Jenny): “I must admit she had all my heart” (...) “This love affair - in those days you could still say love without being laughed at - the tenderness of it”.

Lang deu-nos algumas vezes mulheres assim: Lil Dagover (Der Müde Tod), Madeleine Ozeray (Liliom), Sylvia Sidney (You Only Live Once), Lilli Palmer (Cloak and Dagger), Gloria Grahame (The Big Heat); mas nenhuma teve “so much on her” como este incrível personagem que o Código Hays e Zanuck estiveram quase a censurar (a máquina de costura, em evidência, no quarto de Jenny, foi lá posta - contou Lang - para disfarçar a sua profissão, a tal que se diz ser a mais antiga do mundo). E a inenarrável sequência da ponte de Londres, talvez a mais bela cena de amor da história do cinema (entenda-se a mais bela em sentido godardiano) esteve quase para não existir porque Zanuck a achava ridícula (“Quando uma pega faz de pega diante do homem que ama - não pode ser trágica. Só quando uma rapariga séria – ‘a decent girl’ - faz de pega, é que pode haver tragédia”. Terá havido alguma vez uma “decent girl” como Jenny?

Fritz Lang, na entrevista a Bogdanovich, fala dela durante páginas. Apetecia-me segui-lo. Falar, por exemplo, da sequência da primeira noite de Jenny e Thorndike e - cito Lang - “da rapariga que chora como uma criança porque o homem que tanto quer (‘she wants so very much’) não vai para a cama com ela. Há tanta coisa nisso: vergonha ‘talvez não esteja à altura dele’- desejo ‘porque é que o não posso satisfazer?’”. Falar dos sorrisos que se seguem a essas lágrimas. Falar do fabuloso plano, que precede essa noite, quando Walter Pidgeon está à janela. Falar da sequência da compra da seta. Falar da elipse que se segue ao genial contracampo, quando Jenny chega a casa e descobre “a espera” (“recusou-se a dizer-nos o que quer que fosse”). “The death of a girl like that can be no loss at all”. A girl like that…

Mas não tenho páginas e páginas e há outras coisas quase tão importantes como Bennett neste filme fundamental.
Vou pôr ordem nisto. Para começar, recordarei que o primeiro filme anti-nazi de Lang não foi uma escolha deste. O magnífico argumento de Dudley Nichols (baseado no romance de Geoffrey Household, Rogue Male, o que literalmente quer dizer “O Safado”) já estava nas gavetas da Fox, quando Lang foi escolhido para o filmar, substituindo John Ford em quem Zanuck inicialmente pensara. Só que um argumento (Nichols o disse) é um borrão e o que Lang fez dele é que é Man Hunt.

Continuo, discutindo a caracterização “filme anti-nazi”. Se o contexto é inegável, já me parece discutível que o cerne do filme seja esse.

Vamos ao princípio: numa fabulosa floresta (que podia vir dos anos 20 alemães) a câmara avança em travellings muito lentos até descobrir uma pegada, e depois outra (grandes planos). Só depois vemos (em plano americano) o dono desses pés: Walter Pidgeon. Tudo o caracteriza como um caçador (espingarda, chapéu tirolês). Não há música e há um vago vento. Depois vemo-lo deitar-se no chão e preparar a arma (grande plano do regulador, intercaladamente repetido). Até que vemos o que ele vê. No ponto de mira da objectiva telescópica, Adolf Hitler. Pidgeon visa bem, tem Hitler bem no centro dos seus e nossos olhos e prime devagar o gatilho. Mas não há bala. Só depois a mete no carregador e volta a apontar. É tarde de mais. Os homens das S.S. já lhe caíram em cima.

Porque é que Pidgeon não meteu logo a bala no carregador e perdeu tanto tempo? A Quives-Smith dirá (no interrogatório inicial) que não vinha para matar Hitler, e que nesse momento o que quis foi saborear o prazer da caça, o prazer de ter a presa (e que presa!) à sua mercê. Quives-Smith, também caçador (o tema do “most dangerous game” domina este filme) percebe-o mas duvida. O espectador também. E contudo é misterioso porque é que Thorndike não disparou. Por “necessidade do argumento” (o filme acabaria ali)? Por “verosimilhança histórica” (em 41, o Führer estava bem vivo)? Não são explicações plausíveis, porque era sempre possível movimentar Hitler inesperadamente, de modo a que o atentado falhasse.

Quando Bogdanovich lhe fez essa pergunta, Lang classificou-a de “muito inteligente” e observa que se tinha esquecido disso (“Talvez seja um lapso freudiano - não sei” (...) “Quando revi o filme tive a mesma sensação, mas não posso - em verdade - dizer-lhe que o facto dele não disparar foi qualquer coisa subconsciente em mim”. Não vou ser mais papista que o papa: mas esse lapso inicial de Thorndike, é o prenúncio do comportamento em lapso do personagem, ao longo de quase todo o filme. Nunca sabemos se Pidgeon actua deliberadamente, ou se o seu comportamento é fruto de circunstâncias. Se é um caçador, se é um resistente. O que é sintomático é que na última caçada (em que se transforma de presa em caçador), a do arco e flecha, dentro do buraco, Thorndike repita a Quives-Smith a versão inicial, para dizer a seguir, que agora e só agora (quando sabe da morte de Jenny) o “jogo” se vai transformar em luta de morte. Onde eventuais razões colectivas não funcionaram, funciona uma razão pessoal: Thorndike vai vingar a morte de Jenny. Essa é a diferença entre o início e o fim do filme. No princípio Thorndike é, pelo menos, indeterminado. No fim, sabe precisamente o que quer. E no avião vemos pela última vez a seta, que começara por ser enfeite de Jenny, passou depois a signo substituitivo dela, (é Pidgeon quem as identifica no “straight and shinning”), volve-se em sinal de morte e, por fim, em instrumento de vingança, em arma cravada no “right heart” (Quive-Smith). A seta é a imagem que atravessa o filme, mais do que fetiche, símbolo, ou qualquer outra explicação pacificadora.

Ao longo da obra (mas não se chama ela Man Hunt?) o tema da caçada prevalece. É um filme de sucessivas emboscadas e de sucessivos ardis (o “acidente” na Alemanha, o metropolitano de Londres - fabulosa sequência com o portentoso Carradine - o covil final).

Em Man Hunt perfila-se sempre uma estrutura lúdica (o ludus, associado à morte como forma suprema de prazer), dominado, quase desde o início, pelo contraste de claros e escuros (xadrez) que acompanha o primeiro encontro entre os dois caçadores.
Permanentemente a descoberto e permanentemente cobertos (da floresta, ao barco e ao esconderijo, da casa de Bennett ao metropolitano, do covil à fresta exterior) os protagonistas da caçada (ou os seus sequazes) vão descendo aos seus próprios abismos, numa progressão magistral: da floresta sombria e do gabinete de Sanders passa-se para a “queda” cada vez mais subterrânea: alçapão do barco, metro, para tudo acabar num buraco, com cerco completo feito em torno de Pidgeon. O que o salva é um imponderável chamado mulher. A “intromissão” feminina na caça de homens dita-lhe o desfecho, introduzindo a dimensão que, viril e impotentemente, se haviam recusado a admitir em toda a sua verdadeira grandeza. 

E o jogo-caça dos personagens é “emoldurado” como em tantos outros filmes de Lang, por o absurdo dum “jogo social” (a sequência da casa do diplomata) que impõe os códigos que só Joan Bennett - sempre ela - desarruma e desarticula, perante a complacente incompreensão de Pidgeon, demasiado metido neles para lhes descortinar o alcance. Entre Thorndike e Jerry, interpõe-se não só o jogo mas a ordem (outra forma de afirmar o mesmo) como é visível na sequência da ponte em que a intervenção do polícia (entre o nevoeiro e o candeeiro) não quer dizer outra coisa.

Como entre Thorndike e Quives-Smith (personagens de certo modo contrapolares, duplos um do outro, pelo seu estatuto social e pelo seu estatuto lúdico) se interpõe a necessidade de quebrar a regra do jogo. “Desde que atravessou a fronteira, tornou-se um assassino inconsciente”, diz Quives-Smith a Thorndike no início. Efectivamente, Thorndike só atravessa a fronteira, quando sabe da morte de Jenny. E só nessa altura é um assassino consciente. “A girl like that” diz Sanders; “your little Caesar”, diz Pidgeon. Ambos menosprezam o valor das presas. Só no fim, a caça passa a chamar-se guerra. E a dimensão colectiva - donde o fundo documental das sequências finais - sobrepõe-se - definitivamente - à dimensão individual que até às suas “morte” e “ressurreição” sempre fora a de Pidgeon.

Mas para passar de uma a outra teve que realizar a inversão dos seus códigos morais (em função de Bennett) e a inversão dos seus códigos de combate (a assunção da primitividade no fundo do buraco). Teve, ele também, que dar razão a Sanders: “O homem é o mais perigoso dos animais”. Sobretudo quando está ferido.

JOÃO BÉNARD DA COSTA
(Folhas da Cinemateca Portuguesa)

__________________________________________________________________

Texto originalmente escrito antes da entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Cineclube Sesi: "O Homem que quis Matar Hitler", de Fritz Lang

Nesta quinta-feira, dia 4, o Cineclube Sesi apresenta o filme "O Homem que quis Matar Hitler", abrindo o ciclo Fritz Lang Contra a América, que contará ainda com "Quando Descerem as Trevas" (11/09), "Só a Mulher Peca" (18/09) e "Desejo Humano" (25/09). 
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta: 

"O Homem que quis Matar Hitler", de Fritz Lang

Poucos meses antes do início da 2ª Guerra Mundial. Alan Thorndike (Walter Pidgeon) é um exímio atirador, que fez fama em caçadas na África. Um dia ele chega na Bavaria, onde, escondido, se posiciona para dar um tiro mortal em Adolf Hitler. Thorndike chega a ter o líder alemão em seu alvo, mas é impedido por um soldado local. Capturado, Thorndike alega que sua intenção não era matar Hitler, mas sim praticar tiro esportivo, ou seja, se posicionar como se fosse atirar e ter todas as condições para acertar seu alvo, mas não efetuar realmente o tiro. Isto não convence o oficial alemão que comanda seu interrogatório, Quive-Smith (George Sanders), que quer que ele assine um termo em que confessaria ter sido enviado pelo governo britânico. Como Thorndike se recusa a assinar o termo ele é jogado de uma falésia, para que sua morte pareça acidental. Porém Thorndike sobrevive e consegue fugir, o que inicia uma perseguição dos alemães para eliminá-lo.

Serviço:
dia 04/09 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

domingo, 31 de agosto de 2014

Cineclube Sesi: Fritz Lang Contra a América

Programação
04/09 - "O homem que quis matar Hitler"
11/09 - "Quando descerem as trevas"
18/09 - "Só a mulher peca"
25/09 - "Desejo humano"

Serviço:
Toda quinta
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
Produção: Atalante

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cineclube da Cinemateca: "O Segredo da Porta Fechada", de Fritz Lang

O Cineclube da Cinemateca apresenta neste sábado, dia 17, "O Segredo Atrás da Porta", de Fritz Lang, encerrando o díptico "Os Clássicos Americanos". A entrada é franca.

Cineclube da Cinemateca: 
"O Segredo da Porta Fechada", de Fritz Lang

Uma jovem mulher viaja para o México de férias e conhece um homem ideal, por quem se apaixona. Eles se casam e mudam para uma mansão, onde ocorreram vários assassinatos. Curiosa, a jovem descobre os mistérios que a casa guarda, mas ainda deseja descobrir um último segredo: o que tem atrás da porta de um quarto que seu marido mantém sempre trancado.

Serviço
Dia 17/05 (Sábado)
15hs
na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
ENTRADA FRANCA

Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Cineclube da Cinemateca: Ciclo "Os Clássicos Americanos"

Cineclube da Cinemateca apresenta:
Ciclo "Os Clássicos Americanos"

O Cineclube da Cinemateca apresentará no mês de maio, "O Morro dos Ventos Uivantes" de William Wyler e "O Segredo da Porta Fechada" de Fritz Lang, promovendo um recorte que possibilite uma visão desse período paradigmático que nos ajuda a compreender tudo o que veio antes e depois na história do cinema.

03/05 - "O Morro dos Ventos Uivantes" de William Wyler
17/05 - "O Segredo da Porta Fechada" de Fritz Lang

Serviço:

Dias 03 e 17 de maio
15hs
na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
(41) 3321 - 3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mini-curso de história do cinema: o cinema clássico hollywoodiano

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formaçãode 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas.

O primeiro mini-curso, o de fevereiro, será sobre o cinema clássico hollywoodiano.

Unidades:
1 - A noção clássica de representação
2 - Filme de gênero
3 - O caso Fritz Lang
4 - Filme de autor

Referências: 
1 - XAVIER, Ismail. O Olhar e a Cena - São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
2 - BAZIN, André. O Cinema - Ensaios - São Paulo: Brasiliense, 1991.
3 - DOS REIS, Francis Vogner; OLIVEIRA JR, Luiz Carlos e ARAÚJO, Mateus (orgs). Jacques Rivette, Jão não Somos Inocentes - São Paulo: CCBB, 2013.
4 - "Moonfleet - O Tesouro do Barba Ruiva". Fritz Lang. 1955. EUA. cor. 83 min.

Serviço: 
dias 22 e 23 de fevereiro (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)

Inscrições gratuitas pelo email: sesicultura@sesipr.org.br
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

OBS: O Sesi começará a responder aos inscritos a partir do dia 8 de fevereiro.