sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cine FAP apresenta: "A Última Tentação de Cristo", de Martin Scorsese

Sinopse:
Jesus (Willem Dafoe) é um carpinteiro que vive um grande dilema, pois é quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Resumindo, Jesus se sente como um judeu que mata judeus. Vivendo um terrível conflito interior ele decide ir para o deserto, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), que se irrita com Jesus, pois não se comporta como uma prostituta e sim como uma mulher que quer sentir um homem ao seu lado. Ao retornar, Jesus volta convencido de que é o filho de Deus e logo salva Maria Madalena de ser apedrejada e morta. Então reúne doze discípulos à sua volta e prega o amor, mas seus ensinamentos são encarados como algo ameaçador, então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum.

Sobre o filme:
O filme A Última Tentação de Cristo foi a mais polêmica e audaciosa obra de Martin Scorsese. Ao retratar o Messias a partir de seu aspecto humano - portanto inseguro e imperfeito -, o diretor despertou o ódio de diversos grupos fundamentalistas-religiosos, dentro e fora dos Estados Unidos, que acusaram a película, dentre outras coisas, de ser "o filme mais satânico já feito".
A oposição foi tanta que o filme demorou mais de quatro anos para ser realizado. A falta de financiamentos e de produtores dispostos a assumir o projeto obrigou Scorsese a reduzir os custos de produção até não mais poder. O resultado foi uma obra crua, de estilo único, que alia a marcante sofisticação do diretor a um sentimento de urgência quase documental.
A despeito das acusações, porém, A Última Tentação… é um filme de forte sentido religioso. Scorsese, ao assumir um tom realista para as ações de Cristo e seus Apóstolos, procura aproximar estes personagens de pessoas comuns, estabelecendo um laço real entre estes e o público.
A Última Tentação…foi a obra pela qual Scorsese mais lutou e representa em sua trajetória a paixão por um cinema vivo e livre. Miguel Haoni
(Comentador convidado)


Serviço:
dia 17/09 (segunda)
às 19h00
na Auditório Antonio Melillo
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

Programação completa da Mostra Cinema Censurado:
http://www.fap.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=784

Debatendo "Cidadão Kane"

O Legado de Kane
(fragmento)


Kane é apreendido em fragmentos independentes; vive através de flashbacks, isto é, no passado, e neste processo o tempo assume importância capital; o herói é rompido no tempo. Esta dialética repete-se em inúmeras obras do cinema moderno.

Igualmente "fechados" são os personagens e objetos; "Rosebud", o trenó, a fortuna de Kane são elementos desconhecidos para nós. Thompson, por exemplo, não o vemos claramente, não há informações psicológicas sobre a sua pessoa; é quase sempre uma presença apagada, vista de costas, uma sombra que perscruta o mundo, talvez a visão da História. Ou então do cinema.

É verdade que tal tratamento corresponde ao ideal expressionista de transformar os seres e objetos em símbolos. Mas eles não são somente símbolos, há algo mais. A certa altura, "Rosebud", por exemplo, deixa de ser somente o signo da melancolia de Kane para tornar-se, também, um elemento de conflito, isto é, para materializar-se. Os significados são inúmeros (símbolo da pureza, da infância perdida, do amor e implicações maternas, da regressão, da felicidade etc.) mas o que é, finalmente, Rosebud? Também Welles não intenta decifrá-lo.

O princípio da película – fornecer múltiplos pontos de vista sobre uma mesma incógnita – aproxima-se muito daquele tom de entrevista evidenciado em diversas fitas modernas, chegando mesmo a instituir uma técnica cinematográfica de reportagem. Neste sentido, lembro algumas posições de câmera diante do décor: um entrevistador diante do entrevistado; a filmagem desdramatizada, em cenas longas, de um grupo de pessoas conversando, rindo, discutindo geralmente ao mesmo tempo (Welles não filma ações mas discussões, agravadas posteriormente em A Marca da Maldade e O Processo). Cidadão Kane antecipa a "estética da conversa fiada", característica do cinema moderno, a que se refere o crítico J. C. Ismael.

Outro crítico, o francês Jean Domarchi, declarou, num artigo intitulado "América", que "para Welles ver o mundo significa falar desse mundo". Não é à toa que Kane renuncia à fortuna por um minúsculo matutino nova-iorquino ou que o fio condutor da história seja um jornalista: a fita parece, de fato, uma imensa reportagem sobre uma grande personalidade. E como na reportagem, detém-se em perguntar: quem é Kane? "Rosebud"? O amor, a civilização americana? O dinheiro? Naturalmente as respostas não são dadas: "os grandes cineastas primam pela enunciação de problemas e não por sua resolução", dizia na ocasião o próprio Welles.

Outro fator de modernidade é a proximidade com o teatro. O cineasta aproveitou a sua carreira anterior, que movimentara fortemente Broadway e arredores, oferecendo inéditas experiências sonoras ao cinema de então. Neste sentido, nada mais teatral, no cinema, do que o "estilo radionovela" adotado em algumas seqüências, talvez em homenagem à sua carreira de rádio.

Esquematicamente, pode-se definir esta fita como uma híbrida junção entre reportagem e teatro... a serviço do cinema.

 Rogério Sganzerla
(Suplemento Literário d'O Estado de S. Paulo, 28 de agosto de 1965)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Oficina Nômade de Desenho

O Coletivo Atalante convida para mais uma edição da Oficina Nômade de Desenho. Nesta edição será mais uma vez o corpo humano, desta vez focando no corpo feminino em primeiro momento. Como no encontro passado, uma modelo posará em poses diversas com diferentes durações. Será na sala 4 do bloco 2 da Faculdade de Artes do Paraná às 14:00. Todos os materiais e suportes para realizar o desenho será bem-vindo. Às 16:30, a oficina migra para o Barracão, ou TELAB, da FAP, onde estará acontecendo a Festa da Primavera e a proposta é um desenho mais dinâmico, de movimento, observando os temas que estarão por lá. Apareçam.

Dia 15/09/2012 - Sábado
14:00 - Evento Gratuito
Faculdade de Artes do Paraná - sala 4
Rua dos Funcionários, 1357. Cabral.

16:30
TELAB- Festa da Primavera
Rua dos Funcionário, 1756 (um pouco pra frente da FAP, ao lado do arquivo público)
Pontos de venda de ingressos: 
Xerox da FAP - Rua dos funcionários 1537
Fidel - Avenida Jaime Reis, 320 
Rock'a Burguer Hamburgueria - Rua Trajano Reis, 310 - São Francisco

1º Lote - R$ 2
2º Lote - R$ 5
3º Lote - R$ 8
Na hora - R$ 10






segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Cidadão Kane" de Orson Welles

 
Cidadão Kane, para os cinéfilos franceses – entre eles: François Truffaut – representou, enquanto experiência de descoberta coletiva, a volta às salas de cinema, na Europa finalmente liberada do nazifascismo.
Foi a libertação do cativeiro da censura, o sopro de genialidade que despertou os olhos empoeirados de mesmice e os ouvidos fatigados de zumbidos de guerra. O sopro genial na verdade era um vendaval, que vinha além-mar, na voz e na imagem de um herói diferente.
Mais célebre que a crítica desfavorável do filósofo das palavras Jean-Paul Sartre foi a resposta do filósofo das imagens André Bazin ao – segundo ele – estrabismo cinematográfico do conterrâneo. A defesa do crítico francês elevou Orson Welles a um patamar até então inesperado, e a crítica, historicamente, foi uma das mais importantes do cinema.
Segundo o próprio François Truffaut o cinema moderno nasce e morre em Cidadão Kane. Por que essa empolgação desses ativos pensadores de cinema com o primeiro filme desse jovem e impetuoso cineasta? Afinal, é Cidadão Kane o maior filme de todos os tempos mesmo? O mais revolucionário? Por quê? Só vendo, revendo, ouvindo, sentindo, analisando e refletindo para saber.

Mateus Moura
(APJCC – 2009)


Serviço:
dia 13/09 (quinta)
às 19h30*
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibição seguida de debate em português e inglês.
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes


Programação do ciclo "Expressionismo Americano": www.sesipr.org.br/cultura.

Debatendo "Aurora"


Noites estrangeiras
Os mundos intrusos de F. W. Murnau (fragmento)

(...)
“Sempre há uma outra voz falando pela nossa voz quando realmente dizemos alguma coisa”.
(Nancy)

É com Aurora (1927) e City Girl (1930), porém, que Murnau tornará todo o raciocínio acerca da intrusão ainda mais complexo. Filmados em Hollywood – fábrica de aparências – os dois filmes podem, hoje, ser vistos como um díptico, um par harmônico que apresenta dois lados de uma mesma questão. Aurora (foto ao lado) leva as máscaras novamente aos rostos: um casal que vive no campo tem sua tranqüilidade matrimonial atormentada por uma sirigaita da cidade. Ela – morena, com traços fortes de vaidade – tenta convencer o rapaz a assassinar sua esposa – loira, com rosto de boneca inacabada – e fugir com ela para a cidade. A idéia de trabalhar com arquétipos fica ainda mais clara pelos nomes creditados às personagens: The Man (George O’Brien), The Wife (Janet Gaynor) e The Woman From the City (Margaret Livingstone).
Em um primeiro momento, acreditamos queAurora seria um filme sobre o paraíso maculado pela chegada dos turistas à pequena vila de veraneio. Qualquer possibilidade de uma crítica esquemática e anunciada ao mundo urbano cai, por completo, na segunda metade do filme: uma vez não consumado o assassinato, homem e esposa pegam um bonde para a cidade. Ao contrário do que poderíamos esperar, esse espaço não é retratado como antro de corrupção, mas sim como terra de luzes pulsantes, jorrando vivacidade em desordenado e maravilhoso movimento. Mais do que estabelecer uma oposição entre os dois espaços, Murnau os desenha como trajetória: as personagens precisam sair do campo e passar pela cidade (daí os nomes arquetípicos) para redescobrir o amor que as une. É preciso, portanto, delimitar as personagens por suas diferenças espaciais e culturais, para, assim, descortinar as projeções que as deformam. É preciso, acima de tudo, compreender o intruso como um intruso.
(...)


Fabio Andrade
(Texto na íntegra: 
http://www.revistacinetica.com.br/murnaufabio.htm)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Aurora" de F. W. Murnau



Aurora, um dos dez maiores filmes da história do cinema e a obra máxima do genial cineasta alemão F. W. Murnau, diretor dos memoráveis Nosferatu, Fausto e Tartufo. Edição especial, com trailer de cinema e cenas alternativas. Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor. Vencedor de 3 Oscar, incluindo melhor atriz para Janet Gaynor (Nasce uma Estrela), Aurora é uma obra poética de grande beleza plástica, repleta de cenas inesquecíveis.

Serviço:
dia 06/09 (quinta)
às 19h30*
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibição seguida de debate em português e inglês.
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: Expressionismo Americano

06/09 "Aurora", de F. W. Murnau
13/09 - "Cidadão Kane", de Orson Welles
19/09 (excepcionalmente quarta)- "Almas Perversas", de Fritz Lang
27/09 - "O Beijo Amargo", de Samuel Fuller

Serviço:
Sessões semanais*
às 19h30
Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep**
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

*Exibições seguidas de debate em português e inglês
** Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes