terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau

O Cineclube Sesi, apresenta nesta quinta-feira, dia  18, o filme "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau, dando continuidade ao ciclo Cinema de Vanguarda.
Em outubro, ainda veremos "Limite" de Mario Peixoto no dia 25 encerrando o ciclo.
Sempre com entrada franca!


Sobre o "Cinema de Vanguarda":
Logo nas primeiras décadas, o cinema desenvolveu um percurso muito claro: a busca pela narração. Amparado pelos séculos em que as artes se propuseram a contar histórias (dentro e fora da esfera dos espetáculos), pela necessidade quase primitiva dos Homens em partilhar suas narrativas e pela política corporativa das recém-nascidas indústrias cinematográficas (Hollywood na ponta da lança) que rapidamente reconheceram o potencial econômico deste tipo de filme, o cinema, que nascera pleno de possibilidades expressivas, subitamente se viu engessado num esquema: a narrativa clássica de representação naturalista.
Para determinados realizadores, entretanto, este modelo representava a morte do meio, o fim de uma liberdade recém-adquirida, e sua reação veio através da assimilação de princípios dos vários movimentos modernistas que revolucionaram as artes no fim do século XIX e início do XX. Para impor seus pensamentos e obras assumiram também - como seus antecessores – uma postura militar, combativa, e desta atitude derivou seu epíteto: Vanguarda. A infantaria poética no front das mediocridades.
Para tal, a Europa de 1920 e suas cinematografias nacionais representavam o cenário ideal. Através do construtivismo, do impressionismo, do surrealismo, do dadaísmo e do expressionismo, testemunhamos um episódio ímpar na história da arte cinematográfica.
E é visando uma introdução a este universo que o Cineclube Sesi propõe este mês o ciclo Cinema de Vanguarda. Um pequeno recorte da produção que durante os anos 20 e 30 ofereciam criativas respostas ao problema da representação cinematográfica.
“Napoleão”, por exemplo, reproduz o espetáculo narrativo à maneira dos grandes épicos, mas reconstrói a realidade objetiva (ou a forma como nós a percebemos) através de jogos poéticos de linguagem, dando-nos sempre a impressão do mundo e não o seu retrato direto. Contra este retrato também se ergue “O Anjo Azul” que, apesar de fiel à linguagem clássica, trabalha sobre “visões” que contaminam a representação com os abismos interiores de seus personagens. É do interior que vem também os motivos de “O Sangue de um Poeta” (menos narrativo dos quatro filmes selecionados); aqui, toda a estrutura fílmica emula as pulsões inconscientes do artista, no próprio ato criativo. Nesta (i)lógica também opera “Limite”, no qual o mundo de fora e seus movimentos nascem a partir de nossa percepção (impressionismo), mediado pelas paixões dos personagens (expressionismo) e pela liberdade dos sonhos do artista criador (surrealismo).
Este recorte, apesar de limitado, é suficiente para nos lembrar do potencial libertador da arte cinematográfica. O legado das vanguardas demorou muito para ser dignamente assimilado e até hoje os esquemas hegemônicos nos empurram obras estéreis, enlatadas, frustradas. O que aqueles filmes mostraram e continuam mostrando é que é preciso criar, ousar, viver. É preciso lutar.

Cineclube Sesi apresenta: "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau

Sinopse:
Extremamente pessoal e repleto de imagens irreais, o filme reflete sobre o mundo interior de um poeta, seus medos, obsessões e sua preocupação com a morte, compostas em quatro seqüências atemporais e ilógicas. Primeiro filme de Cocteau, cineasta que se destacou com uma linguagem própria, mesclando poesia e realidade. Jean Cocteau, que ganhou reputação na década de 20 como "Gênio Louco", fez seu debute como escritor, diretor, roteirista e narrador nesta fantasmagórica obra-prima. Como um artista salpicando tinta na tela, Cocteau criou uma colagem de alegorias magnetizantes e imagens plenas de simbolismo visual e efeitos abstratos.

Sobre o filme:
“O Sangue de um Poeta” é uma investigação lírica sobre os conflitos resultantes do ato criador. Seu realizador, o multiartista Jean Cocteau, narra, neste que é seu primeiro longa metragem, a crise do artista que se vê desnudado por sua obra; e a crise da obra que luta pela libertação de seu criador, para, desta maneira, também ser livre.
Este processo de descamação simbólica se opera na super-realidade, onde os objetos são livres e os labirintos do inconsciente são alegremente visitados.
Para Cocteau, assim como para seus contemporâneos no surrealismo, a arte só era arte se derrubasse as barreiras que impediam seu voo. O artista sendo a primeira delas.

Textos: Miguel Haoni
(Cineclube Sesi - 2012)

Serviço:
dia 18/10 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep*
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
*Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.


Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações:

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Aurora" de F. W. Murnau

O Cineclube Sesi Portão estréia, nesta quarta-feira às 19h30, com o filme "Aurora", de F. W. Murnau. Ainda em outubro, no dia 31, será apresentado o filme "Barba Azul" de Catherine Breillat, com comentários de Lucas Murari do Coletivo Atalante. Sempre com entrada franca.

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Aurora" de F. W. Murnau

Aurora, um dos dez maiores filmes da história do cinema e a obra máxima do genial cineasta alemão F. W. Murnau, diretor dos memoráveis Nosferatu, Fausto e Tartufo. Edição especial, com trailer de cinema e cenas alternativas. Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor. Vencedor de 3 Oscar, incluindo melhor atriz para Janet Gaynor (Nasce uma Estrela), Aurora é uma obra poética de grande beleza plástica, repleta de cenas inesquecíveis.

Serviço:
dia 17/10 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sternberg expressionista


O Expressionismo chega a Josef Von Sternberg através do contato com o grande encenador Max Reinhardt e de sua curta estadia, a convite deste, em Berlim durante alguns meses de 1926, nos quais, supostamente, teria assistido a tudo do cinema e do teatro alemão. Desta experiência nasceram algumas “visões” que assombram o seu “O Anjo Azul”, única experiência germânica do realizador.


Já no primeiro plano do filme somos lançados em uma fantasmagórica composição de telhados pontiagudos, que remete ao gosto medieval dos vanguardistas alemães. A concepção dos espaços no filme é nitidamente expressionista: as formas tortas e angulosas são o transbordamento visual dos perturbados estados de alma dos personagens. Quando, na primeira parte do filme, o professor Immanuel Rath (interpretado pelo maior ator expressionista, Emil Jannings) caminha tropegamente pelas ruas rumo à taverna, as luminárias e construções bizarramente dispostas representam a antecâmara (sedutora e perigosa) do inferno que o personagem está na iminência de mergulhar.


Nos interiores, o que domina é o jogo de ambiguidades: a austeridade da sala de aula em contraste com o barroquismo de palco e camarim do Anjo Azul.  Se num primeiro momento a limpeza e a sobriedade encenada da sala de aula sufocam o professor, é justamente nesta “prisão” que ele procurará a redenção para o seu último suspiro, ao final do filme. Por sua vez, o universo de Lola Lola com seus brilho e véus radiantes encanta (personagem e público) para depois destruir, tal qual a aranha que seduz suas “refeições” pela complexa beleza de suas teias.
O brilho no filme, assim como a escuridão, está em todos os lugares. É a velha construção barroca dos contrastes acentuados, que desde “O Gabinete do Dr. Caligari” (1919), de Robert Wiene, pontua a estética expressionista: luz e sombra podem ser lidas como bem e mal ou sagrado e profano; as forças em eterno conflito na alma humana.  O professor é, a princípio, ofuscado por um holofote, que o atordoa. Depois é ofuscado pela pele branca das pernas de Lola, cuja luminescência diáfana o arrebata. Em seguida é arremessado nas trevas da humilhação, para no fim expirar dentro de um recorte ínfimo de luz na escuridão circundante da velha sala de aula. 


O movimento dramático-plástico do personagem é o desenho do drama humano segundo o expressionismo: não importa se na luz ou na sombra, o homem ,onde estiver, será sempre as duas.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi – 2012)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cineclube Sesi Portão estréia dia 17 de outubro


Em outubro o Cineclube Sesi amplia suas atividades e convida a comunidade curitibana para estréia de sua nova unidade: o Cineclube Sesi Portão. O mais novo espaço na cidade para a exibição e debates sobre cinema e cultura.
Cineclube Sesi Portão funcionará quinzenalmente às quartas-feiras, 19h30, no auditório do Sesi Portão (Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega). Nesta primeira fase a programação será constituída por um extrato do que de melhor passou na tela do Cineclube Sesi nos seus três primeiros meses de atividade. Uma oportunidade para (re)ver alguns velhos e novos clássicos da arte cinematográfica.
O Cineclube estréia dia 17 de outubro com a obra-prima de F.W. Murnau. Entrada franca, sempre.

Programação:
17/10 – "Aurora", de FW Murnau
31/10 – "Barba Azul", de Catherine Breillat
07/11 – "Um Lago", de Philippe Grandrieux
21/11 – "O Beijo Amargo", de Samuel Fuller
05/12 – "Um Cão Andaluz", de Luis Buñuel e Salvador Dali
            + palestra "Do Amor e da Morte: Buñuel e o Surrealismo"

Serviço:
sessões quinzenais,
às quartas-feiras,
19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)
ENTRADA FRANCA
Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações:

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "O Anjo Azul" de Josef Von Sternberg

O Cineclube Sesi, apresenta nesta quinta-feira, dia  11, o filme "O Anjo Azul" de Josef Von Sternberg, dando continuidade ao ciclo Cinema de Vanguarda.
Em outubro, ainda veremos "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau (18/10,) e "Limite" de Mario Peixoto (25/10).
Sempre com entrada franca!



"O Anjo Azul" (1930), de Josef Von Sternberg, foi considerado pela teórica Lotte Eisner, em seu canônico "A Tela Demoníaca", o último filme do Expressionismo alemão. Nele encontramos a miríade de motivos do estilo: o amor confundido com crueldade na chave decadentista romântica; as atuações arquetípicas ultra barrocas; os espaços de conflito na cenografia angulosa e nos contrastes simbólicos de luz e sombra; o fascínio pelos horrores da noite urbana; o erotismo mórbido da vamp, em vias de se tornar femme fatale.
Mais interessantes, porém, que as continuidades que o filme carrega da estética alemã (já defasada no período de sua produção), são as rupturas que tornam a obra única. Produto híbrido do cruzamento entre a UFA (Universum Film Aktien Gesellschaft) e a Paramount Pictures, o filme sintetiza perfeitamente o contato entre a estética germânica dos anos 20 e a poética hollywoodiana. A própria banda sonora, marcada pela precariedade dos primeiros experimentos com o som sincrônico, é o palco privilegiado para esta, até então, estranha alquimia.
À revelia das necessidades das produtoras, a voz do realizador, contudo, consegue se destacar sobre a babel de "O Anjo Azul". O filme congrega diversas obsessões expressivas de Sternberg e é o primeiro dos sete filmes que realizará com sua musa/alter-ego, Marlene Dietrich. 
Da atriz o realizador privilegiará sempre a agressividade erótica, seu rosto e formas de anjo predador. Esta apropriação representou um dos mais ousados e importantes capítulos na história da representação do sexo no cinema.
A imagem síntese de Sternberg é o corpo de Marlene envolto numa luz aureolada, diáfana, fantasmagórica (ponto de contato entre o autor, o expressionismo de Murnau e o impressionismo de Gance), em um cenário rococó claustrofóbico, abafado por véus e estátuas.
O fascínio e a repulsa de "O Anjo Azul".

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi - 2012)

Serviço:
dia 11/10 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep*
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
*Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.


Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações:

domingo, 7 de outubro de 2012

Texto sobre “Napoleão”, de Abel Gance (1927)


Parece-me que a arte cinematográfica é inerente aos povos do Norte e que nós, latinos, carregados de tradição, de misticismo, de cultura, de êxtase – receptores sensíveis de outras formas de arte – nós somos impedidos de assimilar o cinematógrafo. Cada uma das nossas tentativas afirma ainda mais a superioridade dos povos jovens sobre nós.
Tem-se culpado muito a trivialidade dos filmes americanos em geral. Mas não importa qual, mesmo o mais simples contém sempre uma ingenuidade primitiva, um charme fotogênico integral, um ritmo absolutamente cinegráfico.
Os americanos nos deixam ver a essência do drama – ele não é mais que secundário – e quando efetuam qualquer idéia feliz, não se enganam jamais. Eles não a mostram nunca demais, pois seu modo de ser os conduz sempre mais longe.
É incontestável que eles possuem o sentido do cinema em um grau muito mais elevado que nós.
É bem certo que as pessoas da elite tem uma certa prevenção contra à sétima arte. Mas é igualmente certo que, arrastadas pela correnteza da época, elas se disporão a abrir cordialmente os braços à tentativa tão nobre. Para tanto há de se criar o filme próprio para lhes iniciar nas numerosas possibilidades do cinema. Confiantes talvez na batuta dos críticos mais estimados, os incrédulos têm ido ver Napoleão, e que têm eles deduzido?
Senhores, dizemos a eles, isto não é cinema. É uma injustiça para com o cinema. Vão, antes, vão ver L’Ingénu, filme americano sobre a amazona amorosa cujo final é um beijo discreto, este é menos superficial, fresco, cheio de imagens ritmadas, talhados no momento de uma intuição verdadeiramente cinematográfica.

Luis Buñuel
Cahiers d’Art, n 3, 1927

Tradução de Juliana Fausto
(originalmente publicado em 
http://www.contracampo.com.br/20/napoleon.htm)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Napoleão" de Abel Gance

O Cineclube Sesi, apresenta nesta quinta-feira, dia 4 (excepcionalmente às 18h30) a obra-prima do impressionismo cinematográfico "Napoleão" de Abel Gance, abrindo o ciclo Cinema de Vanguarda.
Em outubro, ainda veremos "O Anjo Azul" de Josef Von Sternberg (11/10), "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau (18/10,) e encerrando no dia 25, "Limite" de Mario Peixoto.
Sempre com entrada franca!


Cineclube Sesi apresenta: "Napoleão" de Abel Gance 


Sinopse:
Clássico do cinema mudo que narra a vida de Napoleão Bonaparte. O filme mostra desde a infância de Napoleão, seus dias de escola (quando uma simples brincadeira com bolas de neve já representava para ele uma campanha militar), até chegar à fase adulta. Nessa época o jovem Bonaparte vai para a Córsega, passando a fazer parte da Revolução Francesa. Logo ele se transforma num grande e estategista general, somando ao currículo incríveis e vitoriosas batalhas. A história culmina com sua triunfante invasão da Itália em 1797. O filme termina aqui porque a intenção de Abel Gance era que essa seria a primeira de seis partes. Mas Gance jamais conseguiu financiamento para rodar as outras cinco.

Sobre o filme:
A super-produção francesa de 1927 trouxe às telas a genialidade e a megalomania de um ilustre personagem; o diretor Abel Gance. Realizado originalmente em versão de 9 horas, "Napoleão" é cinema em estado de graça: montagem, câmera na mão, sobreposições, travellings, subjetivas, mise-en-scéne; tudo é ingrediente para a construção de um filme vivo, livre e pulsante.
A ousadia estética do diretor encontra eco nas ações intrépidas do jovem Bonaparte. A cinebiografia do controverso líder francês mistura patriotismo romântico e as experiências da vanguarda impressionista numa unidade monstruosa.
O estilo excessivo do filme estabelece a conexão espiritual entre autor e personagem e revela ao público que o cinema das primeiras décadas já tinha conquistado quase tudo.

Miguel Haoni

Serviço:
dia 04/10 (quinta)
excepcionalmente às 18h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep*
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
*Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.


Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações: