sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Revisão para o específico de cinema da FAP


Visando a democratização do acesso a faculdade pública, os alunos do curso de Cinema e Vídeo da FAP trazem aos vestibulandos uma grande revisão às vésperas da prova. A Revisão para o específico de cinema da FAP abordará assuntos e filmes que são base para a prova do dia 11 de novembro, discutindo com os alunos e dando um suporte teórico. Os próprios alunos da FAP ministrarão os assuntos no curso. O evento é gratuito e tem duração de dois sábados, dias 3 e 10 de novembro e acontecerá das 9 horas da manhã até as 13 horas na cinemateca de Curitiba.

Programação:

dia 3:9h00:  Vanguardas de 20 
9h45: Cidadão Kane 
10h30: Um Corpo que Cai 
11h15: INTERVALO
11h25: Neorrealismo Italiano e Blow-up 
12h10: Cinemas Novos 

dia 10:
9h00: Os 5 Cs da Cinematografia e O Olhar do Cineasta 
9h40: Deus e o Diabo na Terra do Sol e Cinema Novo Brasileiro 
10h20: O Sacrifício 
11h00: INTERVALO
11h10: Cinema Brasileiro Hoje 
11hh50: O Céu de Suely 
12h30: Cinema Entre a Realidade e o Artifício 

Serviço:
dias 3 e 10 de novembro (sábados)
das 9 às 13 horas
na Cinemateca de Curitiba
(Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco) 

Inscrições gratuitas pelo email coletivoatalante@gmail.com
(nome, RG, Telefone e a descrição de porque quer fazer faculdade de cinema)

Realização: Fundação Cultural de Curitiba e Coletivo Atalante

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "Limite" de Mario Peixoto

O Cineclube Sesi, apresenta nesta quinta-feira, dia  25, o filme "Limite" de Mario Peixoto, encerrando o ciclo Cinema de Vanguarda.
Em novembro, no dia 1°, começa, sob a curadoria de Joel Schoenrock, o ciclo Panoramas do Cinema Curitibano, com os curtas "Infinitamente Maio", "Valdir e Rute", "Ovos de dinossauro na sala de estar" e "Decisão Real" .
Sempre com entrada franca!


Cineclube Sesi apresenta: "Limite" de Mario Peixoto
Tudo se passa num barco. Perdidos no mar, um homem e duas mulheres, abatidos, deixam de remar e parecem conformados com seus destinos. Cada um conta, através de "flashbacks", suas histórias, misturando tristeza, angústia, desespero, opressão, monotonia e fuga.  

Serviço:
dia 25/10 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep*
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
*Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.


Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações:

domingo, 21 de outubro de 2012

As Portas


(Leitura sobre o 2° Episódio de "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau, 1930)

Para os surrealistas a arte é o resultado de um voo irracional, no qual toda a razão e consciência se eclipsam para que os desejos e sonhos mais recônditos possam vir à tona. No processo criativo, sistematizado na ideia de escrita automática, o artista reduz-se a mero canal para a sua imaginação profunda e é surpreendido pelo resultado. Nesta via, o criador reencontra a si mesmo onde nunca soube que estivera como no ritual do divã psicanalítico.
Este "strip-tease da alma" (ao qual se refere Jean Cocteau na abertura de "O Testamento de Orfeu", seu último filme) não se opera sem consequências. E se, do outro lado, o artista encontrar coisas que não gostaria, se se vê através portas que não queria abertas? É exatamente neste ponto que se desenrola a tese de "O Sangue de um Poeta".
Na sequencia central do filme (2° Episódio: as paredes têm ouvidos) o poeta se vê impelido pela obra a mergulhar em si, através do espelho, e após atravessar um limbo fantasmagórico, aporta no Hotel Folies-Dramatiques onde flagrará seus segredos através dos buracos das fechaduras.
Na primeira porta, a esperança engajada de reverter a morte, de devolver a vida a um metonímico mexicano através da magia cinematográfica. Na seguinte, os mistérios celestiais do ópio, veredas que o diretor frequentava assiduamente. Nesta passagem veem-se apenas sombras projetadas no teto e quando o personagem tenta enxergar "algo mais", um olho chinês o impede, devolvendo a sua invasiva curiosidade.
Na terceira porta, a que diz "Lições de Voar", temos uma visão da infância: uma autoritária professora, com chicote na mão, adestra uma criança coberta de guizos a levitar rente à parede. Quando a criança atinge o teto, a professora a manda descer, o que aquela responde dando a língua e fazendo caretas. Aqui, os fundamentos da educação em nossa hipócrita sociedade (a alfabetização, por exemplo) são dinamitados pela simplicidade bem-humorada do símbolo.
A última porta é a que guarda o "perigo de morte". O corpo de uma hermafrodita se compõe abruptamente ao som do rufar de tambores. A visão da figura hipnótica, meio homem, meio mulher, meio real, meio ficção, revela ao artista uma ambiguidade, uma dubiedade (sexual, inclusive) que ele não admite enxergar em si. A consequência é, no plano interior, o suicídio e no exterior, a destruição à marteladas da estátua que o fez testemunha de seu próprio abismo.
Esta saída pela negação representa a morte do artista, seu enrijecimento. No fim do episódio, ele mesmo tornou-se estátua.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2012)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cineclube Sesi apresenta: "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau

O Cineclube Sesi, apresenta nesta quinta-feira, dia  18, o filme "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau, dando continuidade ao ciclo Cinema de Vanguarda.
Em outubro, ainda veremos "Limite" de Mario Peixoto no dia 25 encerrando o ciclo.
Sempre com entrada franca!


Sobre o "Cinema de Vanguarda":
Logo nas primeiras décadas, o cinema desenvolveu um percurso muito claro: a busca pela narração. Amparado pelos séculos em que as artes se propuseram a contar histórias (dentro e fora da esfera dos espetáculos), pela necessidade quase primitiva dos Homens em partilhar suas narrativas e pela política corporativa das recém-nascidas indústrias cinematográficas (Hollywood na ponta da lança) que rapidamente reconheceram o potencial econômico deste tipo de filme, o cinema, que nascera pleno de possibilidades expressivas, subitamente se viu engessado num esquema: a narrativa clássica de representação naturalista.
Para determinados realizadores, entretanto, este modelo representava a morte do meio, o fim de uma liberdade recém-adquirida, e sua reação veio através da assimilação de princípios dos vários movimentos modernistas que revolucionaram as artes no fim do século XIX e início do XX. Para impor seus pensamentos e obras assumiram também - como seus antecessores – uma postura militar, combativa, e desta atitude derivou seu epíteto: Vanguarda. A infantaria poética no front das mediocridades.
Para tal, a Europa de 1920 e suas cinematografias nacionais representavam o cenário ideal. Através do construtivismo, do impressionismo, do surrealismo, do dadaísmo e do expressionismo, testemunhamos um episódio ímpar na história da arte cinematográfica.
E é visando uma introdução a este universo que o Cineclube Sesi propõe este mês o ciclo Cinema de Vanguarda. Um pequeno recorte da produção que durante os anos 20 e 30 ofereciam criativas respostas ao problema da representação cinematográfica.
“Napoleão”, por exemplo, reproduz o espetáculo narrativo à maneira dos grandes épicos, mas reconstrói a realidade objetiva (ou a forma como nós a percebemos) através de jogos poéticos de linguagem, dando-nos sempre a impressão do mundo e não o seu retrato direto. Contra este retrato também se ergue “O Anjo Azul” que, apesar de fiel à linguagem clássica, trabalha sobre “visões” que contaminam a representação com os abismos interiores de seus personagens. É do interior que vem também os motivos de “O Sangue de um Poeta” (menos narrativo dos quatro filmes selecionados); aqui, toda a estrutura fílmica emula as pulsões inconscientes do artista, no próprio ato criativo. Nesta (i)lógica também opera “Limite”, no qual o mundo de fora e seus movimentos nascem a partir de nossa percepção (impressionismo), mediado pelas paixões dos personagens (expressionismo) e pela liberdade dos sonhos do artista criador (surrealismo).
Este recorte, apesar de limitado, é suficiente para nos lembrar do potencial libertador da arte cinematográfica. O legado das vanguardas demorou muito para ser dignamente assimilado e até hoje os esquemas hegemônicos nos empurram obras estéreis, enlatadas, frustradas. O que aqueles filmes mostraram e continuam mostrando é que é preciso criar, ousar, viver. É preciso lutar.

Cineclube Sesi apresenta: "O Sangue de um Poeta" de Jean Cocteau

Sinopse:
Extremamente pessoal e repleto de imagens irreais, o filme reflete sobre o mundo interior de um poeta, seus medos, obsessões e sua preocupação com a morte, compostas em quatro seqüências atemporais e ilógicas. Primeiro filme de Cocteau, cineasta que se destacou com uma linguagem própria, mesclando poesia e realidade. Jean Cocteau, que ganhou reputação na década de 20 como "Gênio Louco", fez seu debute como escritor, diretor, roteirista e narrador nesta fantasmagórica obra-prima. Como um artista salpicando tinta na tela, Cocteau criou uma colagem de alegorias magnetizantes e imagens plenas de simbolismo visual e efeitos abstratos.

Sobre o filme:
“O Sangue de um Poeta” é uma investigação lírica sobre os conflitos resultantes do ato criador. Seu realizador, o multiartista Jean Cocteau, narra, neste que é seu primeiro longa metragem, a crise do artista que se vê desnudado por sua obra; e a crise da obra que luta pela libertação de seu criador, para, desta maneira, também ser livre.
Este processo de descamação simbólica se opera na super-realidade, onde os objetos são livres e os labirintos do inconsciente são alegremente visitados.
Para Cocteau, assim como para seus contemporâneos no surrealismo, a arte só era arte se derrubasse as barreiras que impediam seu voo. O artista sendo a primeira delas.

Textos: Miguel Haoni
(Cineclube Sesi - 2012)

Serviço:
dia 18/10 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep*
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
*Sala com 25 lugares, sujeita à lotação.


Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações:

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Aurora" de F. W. Murnau

O Cineclube Sesi Portão estréia, nesta quarta-feira às 19h30, com o filme "Aurora", de F. W. Murnau. Ainda em outubro, no dia 31, será apresentado o filme "Barba Azul" de Catherine Breillat, com comentários de Lucas Murari do Coletivo Atalante. Sempre com entrada franca.

Cineclube Sesi Portão apresenta: "Aurora" de F. W. Murnau

Aurora, um dos dez maiores filmes da história do cinema e a obra máxima do genial cineasta alemão F. W. Murnau, diretor dos memoráveis Nosferatu, Fausto e Tartufo. Edição especial, com trailer de cinema e cenas alternativas. Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor. Vencedor de 3 Oscar, incluindo melhor atriz para Janet Gaynor (Nasce uma Estrela), Aurora é uma obra poética de grande beleza plástica, repleta de cenas inesquecíveis.

Serviço:
dia 17/10 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sternberg expressionista


O Expressionismo chega a Josef Von Sternberg através do contato com o grande encenador Max Reinhardt e de sua curta estadia, a convite deste, em Berlim durante alguns meses de 1926, nos quais, supostamente, teria assistido a tudo do cinema e do teatro alemão. Desta experiência nasceram algumas “visões” que assombram o seu “O Anjo Azul”, única experiência germânica do realizador.


Já no primeiro plano do filme somos lançados em uma fantasmagórica composição de telhados pontiagudos, que remete ao gosto medieval dos vanguardistas alemães. A concepção dos espaços no filme é nitidamente expressionista: as formas tortas e angulosas são o transbordamento visual dos perturbados estados de alma dos personagens. Quando, na primeira parte do filme, o professor Immanuel Rath (interpretado pelo maior ator expressionista, Emil Jannings) caminha tropegamente pelas ruas rumo à taverna, as luminárias e construções bizarramente dispostas representam a antecâmara (sedutora e perigosa) do inferno que o personagem está na iminência de mergulhar.


Nos interiores, o que domina é o jogo de ambiguidades: a austeridade da sala de aula em contraste com o barroquismo de palco e camarim do Anjo Azul.  Se num primeiro momento a limpeza e a sobriedade encenada da sala de aula sufocam o professor, é justamente nesta “prisão” que ele procurará a redenção para o seu último suspiro, ao final do filme. Por sua vez, o universo de Lola Lola com seus brilho e véus radiantes encanta (personagem e público) para depois destruir, tal qual a aranha que seduz suas “refeições” pela complexa beleza de suas teias.
O brilho no filme, assim como a escuridão, está em todos os lugares. É a velha construção barroca dos contrastes acentuados, que desde “O Gabinete do Dr. Caligari” (1919), de Robert Wiene, pontua a estética expressionista: luz e sombra podem ser lidas como bem e mal ou sagrado e profano; as forças em eterno conflito na alma humana.  O professor é, a princípio, ofuscado por um holofote, que o atordoa. Depois é ofuscado pela pele branca das pernas de Lola, cuja luminescência diáfana o arrebata. Em seguida é arremessado nas trevas da humilhação, para no fim expirar dentro de um recorte ínfimo de luz na escuridão circundante da velha sala de aula. 


O movimento dramático-plástico do personagem é o desenho do drama humano segundo o expressionismo: não importa se na luz ou na sombra, o homem ,onde estiver, será sempre as duas.

Miguel Haoni
(Cineclube Sesi – 2012)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cineclube Sesi Portão estréia dia 17 de outubro


Em outubro o Cineclube Sesi amplia suas atividades e convida a comunidade curitibana para estréia de sua nova unidade: o Cineclube Sesi Portão. O mais novo espaço na cidade para a exibição e debates sobre cinema e cultura.
Cineclube Sesi Portão funcionará quinzenalmente às quartas-feiras, 19h30, no auditório do Sesi Portão (Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega). Nesta primeira fase a programação será constituída por um extrato do que de melhor passou na tela do Cineclube Sesi nos seus três primeiros meses de atividade. Uma oportunidade para (re)ver alguns velhos e novos clássicos da arte cinematográfica.
O Cineclube estréia dia 17 de outubro com a obra-prima de F.W. Murnau. Entrada franca, sempre.

Programação:
17/10 – "Aurora", de FW Murnau
31/10 – "Barba Azul", de Catherine Breillat
07/11 – "Um Lago", de Philippe Grandrieux
21/11 – "O Beijo Amargo", de Samuel Fuller
05/12 – "Um Cão Andaluz", de Luis Buñuel e Salvador Dali
            + palestra "Do Amor e da Morte: Buñuel e o Surrealismo"

Serviço:
sessões quinzenais,
às quartas-feiras,
19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)
ENTRADA FRANCA
Realização: Sesi
Apoio: Processo Multiartes

Mais informações: