Sarau destinado a leitura e discussão de textos literários autorais e não autorais.
No DCE da UFPR o Leitura e Prosa estará realizando o seu aniversário de 1 ano
R. General Carneiro, 390, Centro
Obs 1: Temos uma novidade para este Leitura e Prosa: vai tá rolando uma espécie de oficina de ilustração concomitante ao sarau, a ideia é que desenhistas ilustrem o que será lido ou desenhem ou pintem ou sei lá o quê aqueles que estarão presentes no evento, futuramente queremos também musicalizar alguns encontros: estamos entrando em uma fase mais experimental neste novo ano!
Obs 2: Para quem ainda não nos conhece, vai um breve resumo de nossa proposta e trajetória: o Leitura e Prosa é uma iniciativa do Coletivo Atalante que consiste basicamente na reunião de um grupo de pessoas que lerão textos literários e discutirão acerca das impressões suscitadas pelos mesmos. Este será o nosso décimo primeiro encontro (ou só décimo mesmo) e até então lemos um grande número de autores, como Blake, Mello Neto, Whitman, T. S. Eliot, Pessoa, Borges, Bandeira, Drummond e etc e tal, além destes clássicos, lemos também poemas autorais de escritores que ainda não possuem livro publicado, como é o casa dos poemas do Matteu, Thomáz Ramalho, Estela Basso, Joaquim Lima e muitos outros, assim também como textos de autores com livros publicados mas pouco conhecidos, como Altair Garbuglio, Wagner Schadeck e Ted Rocha. A ideia principal do Leitura e Prosa é que seja um encontro lúdico, um sarau tranquilo onde bebemos, lemos e conversamos a respeito dos textos e de seus tão intrigantes conteúdos que, não raro, nos deixam perplexos e entusiasmados. Aguardamos você e seus conhecidos,
abraços.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Cineclube Sesi: "O Estranho que Nós Amamos" de Don Siegel
No dia 21/02 (quinta) o Cineclube Sesi apresenta "O Estranho que Nós Amamos", de Don Siegel, dando sequencia ao ciclo A Geração do Meio do Cinema Hollywoodiano, que encerrará com "Corrida Contra o Destino", de Richard C. Sarafian (28/02).
Sempre com entrada franca!
Cineclube Sesi apresenta: "O Estranho que Nós Amamos", de Don Siegel
"O Estranho que Nós Amamos" é um conto de fadas profano. Um anti-Chapeuzinho Vermelho. Sua ação ocorre no final da Guerra da Secessão, em território confederado, mas os terrores que testemunhamos se desenvolvem no mais improvável dos fronts.
O diretor Don Siegel abusa do erotismo (que atingia, junto com sua companheira inseparável - a violência - o paroxismo com a cena exploitation dos anos 70), no mais maldito de seus filmes. O "grande macho americano" (representado por um de seus ícones, Clint Eastwood) sofre indefeso na mão do mais perverso de seus inimigos: o amor das doces meninas de um seminário.
Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2013)
(Cineclube Sesi, 2013)
Serviço:
dia 21/02 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Peckimpah
(The Wild Bunch, EUA, 1969, 145', cor)
Com Meu Ódio Será Sua Herança Sam Peckinpah não só expande seu vocabulário cinematográfico, através de uma série de procedimentos que resultam numa violência gráfica em forma bastante vigorosa e depurada, como também redimensiona o universo do faroeste flagrando-o numa fase tardia. "O tempo das armas está acabando", diz Pike (William Holden), líder do bando que pretende fazer o último serviço antes de cada um seguir seu rumo. O fim do Velho Oeste, contudo, revela-se um momento cruento e caótico como nunca: armamentos pesados foram introduzidos; ganham corpo conflitos políticos da magnitude da revolução social mexicana liderada por figuras populares como Pancho Villa e Emiliano Zapata; os foras da lei recebem menos para cumprir missões cada vez mais arriscadas. Tudo indica que é hora de parar, mas o destino impõe uma última e aparentemente trivial missão para o bando que, como na cena do assalto ao trem, uma das melhores que o cinema de faroeste já fez, mostra perfeito entrosamento (o filme em nenhum momento apresenta os membros do grupo arquitetando ou debatendo uma estratégia de ação, tudo parece se construir no momento da ação se pôr em cena – a vontade dos personagens se confunde à própria mise-en-scène). Peckinpah busca sempre uma animalidade e um sadismo que parecem compor a estrutura íntima do homem. E no western, gênero cuja tipologia já é marcada por uma espécie de barbarismo pré-civilização, ele encontrou um terreno fecundo (Pistoleiros do Entardecer e Pat Garrett & Billy the Kid são outros dois grandes filmes seus).
A missão derradeira em Meu Ódio Será Sua Herança consiste em roubar um carregamento de armas e entregá-lo ao General Mapache, que combate os villinistas e recebe ajuda das nações imperialistas interessadas em devolver o México ao Porfirismo. O fator complicador é o fator humano (Preminger só faria sua obra-prima sobre o tema dez anos depois, em 1979): Sanchez, membro mais jovem do grupo, de origem mexicana, descobre que a mulher que havia deixado em sua aldeia debandou-se para o lado de Mapache. Ali, mais até do que na tomada de consciência política (sua aldeia luta a favor da redistribuição de terras e contra a ordem conservadora personificada no general), está a origem do ódio que selará não só seu destino como o de todos. O cinema de Peckinpah é basicamente construído através do ponto de vista de personagens com uma moral própria clara e inabalável (bem à moda dos mocinhos do western), como a do personagem de William Holden em Meu Ódio Será Sua Herança. Não à toa, lealdade e companheirismo são temas centrais - é ao decidir resgatar Sanchez, tornado prisioneiro do sádico General Mapache após desviar algumas armas para a aldeia, que Pike e seus companheiros assumem uma questão de vida ou morte.
O repertório de estilo de Sam Peckinpah inclui o uso constante do zoom e da câmera-lenta, além da variação máxima do ponto de vista dentro de uma mesma cena (o que às vezes alcança um inesperado grau de contundência). Um repertório que ele retomará em momentos posteriores de sua carreira, mesmo que em contextos diferentes (as cenas de rodeio e a cena dos tratores derrubando um velho rancho em Junior Bonner; as cenas de guerra em Cruz de Ferro). A composição mais marcante do filme permite que a metralhadora giratória com que o General Mapache é presenteado metonimize o trabalho iniciado pela câmera e complementado na moviola, composição que atinge seu ápice na seqüência da matança final, quando uma explosão é picotada em quatro partes intercaladas por ações que ocorrem simultaneamente, como que correspondendo à demanda de um olhar ubíquo. Por frenética que seja essa seqüência bastante sanguinolenta, o principal elemento de sutura entre os planos continua sendo o olhar.
Se Eisenstein fala nos anos 20 das “explosões” que movem um filme, gerando um cinema fundado no “desarranjo psicotrópico e na perturbação cronológica”, em Peckinpah a montagem surge como etapa menos geradora de sentido que instigadora dos sentidos. Tanto a montagem quanto a movimentação de câmera nas cenas de ação em Meu Ódio Será Sua Herança respondem a um princípio de provocação e inserção do espectador, o que o torna muito próximo da violência que se espalha pelo filme: sua montagem não se concentra só na construção narrativa, mas antes no efeito psicológico. "Ninguém coloca você dentro de um filme tão efetivamente quanto Peckinpah", afirma Paul Seydor (autor do livroPeckinpah: The Western Films, originalmente publicado em 1980, e do documentário The Wild Bunch: An Album in Montage, indicado ao Oscar de sua categoria em 1997). Ser transportado para dentro deMeu Ódio Será Sua Herança, quase 25 anos depois de Peckinpah o ter realizado, é realmente um privilégio enorme.
Luiz Carlos Oliveira Jr.
(Originalmente publicado em WWW.contracampo.com.br)
(Originalmente publicado em WWW.contracampo.com.br)
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Flash Mob O Leitor II
O Coletivo
Atalante o convida a participar do Flash Mob¹ “O Leitor”, que, nesta sua
segunda edição, ocorrerá no Terminal Portão, em uma Segunda-Feira², das 18:30
às 19:30³, no dia 11/03/2013.
No que
consiste este Flash Mob? Objetivamente, consistirá num grupo espontâneo de pessoas
que irão ao Terminal Portão e lerão um livro durante uma hora. Aqueles que
estiverem lendo não deverão conversar, sob nenhuma circunstância, com os demais
participantes/leitores do evento, mas sim, pura e simplesmente, se restringir a
exercer esta atividade tipicamente solitária que é a leitura! Recomendamos aos
Leitores que levem algum livro que seja especial, algo que o tenha marcado de
alguma maneira e que, como recompensa, você o homenageará durante esta uma hora
de leitura. Caso alguém, dentre os Transeuntes do Terminal, que, diante de um
número tão atípico de Leitores em um mesmo lugar, o indague sobre o porquê de
haver tanta gente lendo, faça-se de desentendido e, se julgar conveniente,
comece a falar a respeito da obra, divulgue-a, leia algum pequeno trecho do
livro, pois assim, caso algum curioso resolva indagar vários Leitores, ele
ouvirá vários relatos e trechos tornando-se assim, igualmente, um Leitor. A ideia,
muito singela, é simplesmente causar um certo estranhamento nos Transeuntes do
Terminal e, quem sabe, suscitar-lhes um certo desejo, ainda que inconsciente e
tíbio, pela leitura.
Agora,
refaçamos a pergunta do início: “No que consiste este Flash Mob?” Em termos
mais idealistas e figurados, este Flash Mob consiste em uma intervenção, por
parte de uma figura inusitada, em um dos templos mais representativos de nossas
rotinas: os terminais de ônibus da cidade (Cabral, Portão, Boqueirão, Pinheirinho
e Guadalupe). A tal figura inusitada é o Leitor, geralmente em minoria em
praticamente qualquer espaço, mas que possui uma postura tão única e
inequívoca: livro à mão, cabeça curvada e olhar atento e navegado.
André
Bazin, no seu livro Charlie Chaplin, diz a respeito de Carlitos, o grande
personagem de Chaplin: “A sociedade impõe mil cerimônias que não passam
igualmente de uma espécie de missa permanente que ela oferece a si própria. Um
exemplo disso é a maneira de se comer em sociedade. Carlitos jamais consegue usar
os talheres de modo conveniente. Põe sempre o cotovelo dentro dos pratos,
derruba a sopa sobre a calça etc... Religioso ou não, o sagrado está presente
em toda a vida social não apenas no magistrado, no policial, no sacerdote, mas
no ritual de alimentação, nas relações profissionais, nos transportes públicos.
É por ele que a sociedade mantém sua coerência, como em um campo magnético.
Inconscientemente, a cada minuto, nos posicionamos segundo suas linhas de
força. Mas Carlitos é feito de outro metal. Não apenas escapa à sua influência,
mas a própria categoria do sagrado não existe para ele, sendo tão inconcebível
quanto a rosa para um cego de nascença”.
Tendo isso
em vista, propomos esta intervenção por parte dos Leitores: nos lugares já
consagrados a determinados usos tão restritos e funcionais, iremos realizar uma
das atividades mais negligenciadas em nosso país que conta, segundo a última
pesquisa, com a quantia de 27% da população de analfabetos funcionais, fora os
totalmente analfabetos. Por fim, esta intervenção é também uma maneira, ainda
que indireta, de dizer à população que os leitores existem e que a leitura é
possível nem que seja somente durante nossas viagens diárias de ônibus rumo aos
nossos trabalhos, escolas ou outras instituições afins.
1 Flash
Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em certo lugar para realizar uma
ação inusitada que tenha sido previamente combinada. Após a ação, os
participantes se dispersam tão rapidamente quanto se reuniram. Os Flash Mobs são
filhos das redes sociais de comunicação, que acabaram por facilitar a união de
grupos que possuam gostos e interesses em comum, sendo o seu primeiro evento
articulado por e-mail e, hoje em dia, têm sido articulados com mais frequência
através do Facebook. Em Curitiba, por exemplo, Flash Mob mais tradicional é o
Zombie Walk, o qual ocorre em todo o mundo.
2 O evento
tem que ocorrer na Segunda-Feira porque é o primeiro dia útil da semana e
representa o retorno ao cotidiano do trabalho e de nossas outras obrigações
para com a estrutura socioeconômica na qual estamos inseridos até o pescoço. Além
disso, a segunda-feira, em escala semanal, corresponderia, digamos, aos
primeiros minutos subsequentes ao nosso despertar do sono, logo, supostamente,
estaríamos com nossa sensibilidade mais suscetível ao divagar próprio de nossa
imaginação.
3 Este
horário foi escolhido tendo em vista que o mesmo corresponde à hora do rush
que, em nossa cidade e em todas as outra metrópoles do mundo, está cada vez
mais caótica e estressante. A idéia é sugerir a temporalidade própria do ato de
leitura como uma alternativa mais salutar que a carregada temporalidade deste
horário.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Cineclube Sesi: "Meu Ódio Será Sua Herança" de Sam Peckinpah
No dia 14/02 (quinta) o Cineclube Sesi apresenta "Meu Ódio Será Sua Herança", de Sam Peckinpah, dando sequencia ao ciclo A Geração do Meio do Cinema Hollywoodiano, que contará ainda com "O Estranho que Nós Amamos", de Don Siegel (21/02) e "Corrida Contra o Destino", de Richard C. Sarafian (28/02).
Sempre com entrada franca!
Cineclube Sesi apresenta: "Meu Ódio Será Sua Herança" de Sam Peckinpah
Sinopse:
Eles já foram os mais perigosos "fora da lei" da fronteira, seguindo seus próprios códigos de honra e lealdade. Realizaram diversos assaltos pelas planícies do oeste, sempre colocando suas cabeças a prêmio. Mas os tempos mudaram. O lucro estava cada vez menor e o risco cada vez maior. Era hora de parar, mas a ganância falou mais alto. Dez mil dólares para roubar o carregamento de armas de um trem para um poderoso bandoleiro mexicano. Nada poderia detê-los, a não ser a morte. William Holden (Inferno na Torre), Ernest Borgnine (Os Doze Condenados) e grande elenco atuam na versão original do diretor Sam Peckinpah.
Sobre o filme:
"Meu Ódio Será Sua herança" é um continente na geografia do bromance(histórias de amizade masculina), motor emocional de muitos dos grandes filmes de gênero. A lealdade do "bando selvagem" é como um respiro no confinamento desumano que eles habitam.
Sam Peckinpah realiza um filme sórdido, brutal, desprovido das redenções românticas de seu rival Sergio Leone, mas que no seio da violência reconhece uma dignidade pungente. Nas aberrações que se tornaram os velhos caubóis, resiste ainda um fio de honra.
E é sobre essa espécie de honra samurai, que o autor escreve a sua linha no longo testamento do faroeste. Num dos mais belos banhos de sangue da história do cinema.
Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2013)
(Cineclube Sesi, 2013)
Serviço:
dia 14/02 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Cineclube Sesi apresenta: "À Queima-Roupa" de John Boorman
No dia 7/02 (quinta) o Cineclube Sesi apresenta "À Queima-Roupa", de John Boorman abrindo o ciclo A Geração do Meio do Cinema Hollywoodiano, que contará ainda com "Meu Ódio Será Sua Herança", de Sam Peckimpah (14/02), "O Estranho que Nós Amamos", de Don Siegel (21/02) e "Corrida Contra o Destino", de Richard C. Sarafian (28/02).
Sempre com entrada franca!
Cineclube Sesi apresenta: "À Queima-Roupa" de John Boorman
Sinopse:
Ao tentar ajudar o amigo gângster Reese, Walker é baleado e deixado para morrer por ele e por sua própria esposa, de quem Reese era amante. Para se vingar, Walker se infiltra no centro de uma poderosa organização criminosa.
Sobre o filme:
"No final dos anos 1960, o gênero dos filmes de gângster havia se mostrado tão versátil que podia até mesmo abraçar um estilo de vanguarda. Na montagem inovadora de À queima-roupa, de John Boorman, as imagens literalmente lampejam na mente de Carroll O'Connor quando ele percebe quem é Lee Marvin - um assassino que abriu a golpes violentos seu caminho rumo ao topo da organização, numa busca desesperada pelo homem no comando, o homem que simplesmente pode pagá-lo."
Martin Scorsese
(Uma viagem pessoal pelo cinema americano)
Serviço:
dia 07/02 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Cineclube Sesi apresenta: A Geração do Meio do Cinema Hollywoodiano
Sobre o ciclo:
7/02 - À Queima-Roupa, de John Boorman
14/02 - Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Peckimpah
21/02 - O Estranho que Nós Amamos, de Don Siegel
28/02 - Corrida Contra o Destino, de Richard C. Sarafian
Serviço:
Os anos 60 representaram uma das maiores crises no cinema hollywoodiano. A auto-censura resultante da histeria anti-comunista, implicou numa defasagem do modelo até então próspero fundado na autonomia dos estúdios. Foi um período de falências, de medidas desesperadas e da fuga de cérebros: Aldrich, Ray, Dassin, Hitchcock, Chaplin, Kubrick, Lang, Preminger, Losey, Welles, Ophuls e Renoir partem (ou retornam) para a Europa junto com um exército de artesãos e artistas insatisfeitos com as condições miseráveis de trabalho nos estúdios sobreviventes. É o fim de um ciclo prolífico.
A política oficial é a dos poucos filmes milionários, dos épicos bíblicos e dos filmes catástrofe concebidos como um contra-ataque gigantesco ao domínio dos pequenos televisores. À margem, pululam produções vagabundas, carregadas de sexo e violência, voltadas para os jovens frequentadores de drive-ins, que encontraram na esperteza e sensibilidade de Roger Corman um modelo a ser seguido.
Em outro extremo, cresciam as art houses, bem como os festivais de documentários e curta-metragens. Os filhos do baby-boom pós-45 eram agora hippies, maoistas, rockeiros, feministas, anti-vietnã e seu fascínio se voltava antes para os Cinemas Novos (francês, brasileiro, italiano, japonês, sueco) do que para o gatilho civilizatório de um sexagenário John Wayne.
Quem eram neste contexto os que insistiam na profissão de um cinema comercial estética e criticamente relevante? O limbo entre os exploitation movies e os espetáculos em cinemascope era ocupado por um time estranho, desarticulado, obscuro e fascinante. Muito jovens para a Hollywood Clássica e muito velhos para a Nova, estes artistas provinham da grande escola de artesanato audiovisual: a arqui-inimiga televisão. A competência técnica e o pendor popular encontravam (em gente como Lumet, Siegel e Peckinpah) a inquietação criativa, a abertura crítica e um time de velhos e disponíveis gigantes da atuação.
Apesar da riqueza da produção de meados dos anos 60, grande parte da memória cinematográfica se ofusca com a chegada de "Bonnie e Clyde", "A Primeira Noite de um Homem", "Easy Rider" e "Perdidos na Noite", e mais ainda com o quê tais filmes representam. A ruptura (estética e discursiva) empreendida pela Nova Hollywood é muito mais resultado de um processo, enraizado na história próxima, do que uma "revolução" como muitos desejam.
Visto de perto, o cinema da "geração do meio" sempre foi crítico e alienante, ousado e convencional, experimental e clássico. Tudo depende dos referenciais que se assume. A beleza bruta deste cinema é como a do México de "Meu Ódio Será Sua Herança": simples apesar de nem todos conseguirem admirá-la.
Miguel Haoni
(Cineclube Sesi, 2013)
Programação:
14/02 - Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Peckimpah
21/02 - O Estranho que Nós Amamos, de Don Siegel
28/02 - Corrida Contra o Destino, de Richard C. Sarafian
Serviço:
Toda quinta às 19h30
Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
Realização: Sesi
Realização: Sesi
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