terça-feira, 30 de julho de 2013

Cineclube Sesi: "Rushmore", de Wes Anderson

Nesta quinta-feira dia 1° o Cineclube Sesi apresenta o filme"Rushmore", abrindo o ciclo Wes Anderson que contará ainda com "Os Excêntricos Tenembaums" (8), "Vida Marinha com Steve Zissou" (15), "Viajem a Darjeeling" (22) e "Moonrise Kingdom" (29).
Sempre com entrada franca!


Cineclube Sesi: "Rushmore", de Wes Anderson
 
Sinopse:
Max Fischer, um rapaz de quinze anos, conseguiu uma bolsa de estudos em Rushmore, uma escola preparatória para jovens de famílias ricas. Apesar de se dedicar a várias atividades extra-curricualres, Max corre o risco de ser expulso, em virtude das suas notas serem baixas. Ele se torna amigo de Herman Blume, um magnata que atravessa uma depressão. Max se apaixona por Rosemary Cross, uma professora que tinha ficado viúva um ano atrás, mas há dois problemas: Rosemary acha que Max é muito novo para ela e, além disto, Herman se apaixona por Rosemary e os dois se envolvem, criando entre Fischer e Blume uma certa rivalidade.

Sobre o filme:
Max Fischer, o protagonista de “ Rushmore” é, apesar de todas as referências , o pseudo alter ego do próprio Wes Anderson. O perfeccionismo do personagem, a referencia teatral até a arrogância, tudo isso se apresenta na direção. Wes Anderson e seus planos milimetricamente “estilosos” com uma composição beirando a obsessão, mostrando desde já a sua megalomania minimalista que viria pela frente, estabelecendo o seu cinema, que se constrói com grandes bases, mas, mostrando toda uma singularidade.
Vendo “Harold & Maude” (1971- Hal Ashby), conseguimos entender as referencias musicais feitas em “Rushmore”. A produção musical impecável consegue captar a mesma atmosfera do filme genial de Hal Ashby, unindo-se com a edição e decupagem fazendo uma perfeita simbiose entre musica e imagem. As duas mostrando e conduzido o ritmo do filme com todo o seu rigor de estilo.
Wes Anderson teve outra grande, talvez maior, influencia, que foi “The Graduate”( Mike Nichols): a grande ligação ao teatro, como conseguimos ver presente mais do que nunca nesse cinema. Outras grandes influências são “Le soufle Au Coeur” (1971- Louis Malle), “A Charlie Brown Christmas”-(1965- Bill Melendez), este ultimo que foi a fonte de expiração para alguns personagens como seu pai e a professora primaria, e ainda diálogos de Cassavetes e Godard que contaram muito em toda a obra deste diretor. E apesar de inúmeras referencias o cinema de Wes Anderson consegue ter um caráter autoral imenso.
A apoteose de toda a sua obra ainda não é “Rushmore”, mas, mostrar a que veio dessa maneira, com essa construção, esses planos sempre trabalhados até o ínfimo detalhe, cuja composição inovadora e irreverente mostra seu vanguardismo positivo. Ele é o contemporâneo dos contemporâneos por associar sua obra com a nossa linguagem estilística visual atual. Fazendo assim o cinema que explode com cores na nossa cara, uma obra tragicômica onde a delicada doçura se mistura com momentos de frieza britânica.
Luah Sampaio
(APJCC – 2010)
Serviço:
dia 01/08 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
  
 (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

domingo, 28 de julho de 2013

Cineclube Sesi: Wes Anderson

Nenhuma ação humana é tão sagrada quanto o ato criador. A mão que escreve, o ouvido que compõe e o olho que pinta conduzem o artífice na divina aventura de criar outro universo que ,como diria o bíblico André Bazin, é “feito à imagem do nosso”. No século do cinema muitos foram aqueles que dedicaram suas vidas a dar asas a suas quimeras gerando em seus ventres a fantasia que justificava a realidade. Esta tradição fílmica iniciada no lunático Georges Méliès atravessa o tempo e atinge como um foguete o jovem cineasta americano Wes Anderson.

Seu cinema é o da criação livre, do mundo fabricado. Entretanto, tão certo quanto o fato do cinema mentir 24 vezes por segundo, é certo também que essa mentira é em função da verdade. Wes Anderson gera em seu ventre uma nova espécie que é exatamente igual à antiga. Em seus filmes a contenção dramática recupera o mistério da “L’avventura” existencial, num sentir/mostrar que redimensiona seus caricatos personagens promovendo em meio ao caos a reconciliação cósmica.
A incomunicabilidade em excêntricas famílias milionárias é a engrenagem motriz na coreografia dramática do diretor. Somada ao décor pós-moderno, a mise-èn-scéne do constrangimento e a trilha pop underground que por sua vez encontram a razão última no rigor ortogonal dos travellings, zooms e panorâmicas de Anderson. Pois é exatamente em virtude do rigor estilístico e seu conseqüente refinamento poético que podemos apontar este cinema como superior ao de seus pais e filhos na família indie.
O segredo de Wes Anderson entretanto é conceber suas gags como as tiras em quadrinhos de Charles Schulz, recheando seus planos de uma inocência bizarra que transcende a condição dos personagens em ícones de um tempo que não se reconhece como nosso mas que povoa o inconsciente de nossos poemas de MSN.
Miguel Haoni
2010

Programação:
1/8 - Rushmore
8/8 - Os Excêntricos Tenembaums
15/8 - Vida Marinha com Steve Zissou
22/8 - Viagem a Darjeeling 
29/8 - Moonrise Kingdom 

Serviço:
toda quinta 
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Produção: Atalante

quinta-feira, 25 de julho de 2013

“A Margem, um filme admirável” (fragmentos)


Lançado quase clandestinamente no Rio de Janeiro, embora tenha obtido grande receptividade da crítica paulista, um filme surpreendeu e espantou pela originalidade e poder de criação: A Margem, de Ozualdo R. Candeias. Revelando um admirável estilista, num país onde a preocupação maior não é o estilo, mas o enquadramento aos modismos mais em voga, A Margem reintegra nos quadros do cinema brasileiro algo que se supunha extinto: o lúcido e rigoroso desenvolvimento do tema, ao lado de uma superior visão da problemática individual diante dos impasses surgidos da problemática social.
            Participante e ao mesmo tempo espectador da realidade sobre a qual se debruça, Candeias construiu um filme de rara exatidão, seguindo uma linha de observação que permanece exterior ao drama, não se vinculando ao destino das personagens, mas, através delas, traduzindo uma generosa visão-de-mundo, quase naif, mas sempre lucidamente colocada, onde a marginalidade dos habitantes deste mundo é o jogo perigoso e, quase sempre, acarretando o fracasso do mais fraco, o marginal - o homem e a mulher de A Margem.
            Segundo o próprio Candeias, “A Margem é uma estória mais ou menos estranha de duas estranhas estórias de amor; a película pretende contar o que aconteceu a quatro pessoas sem importância, que tanta importância deram ao amor (quando lhes deram uma oportunidade para amar) que acabaram morrendo por ele”. Essa “estória mais ou menos estranha” é localizada no universo marginal de uma favela à beira do Rio Tietê, onde dois casais, quatro pessoas anônimas (Mário Benvenuti & Valéria Vidal, um branco e uma negra; José Bento Rodrigues & Lucy Rangel, um negro e uma branca), sobrevivendo sob mínimas condições humanas, marginalizados do contexto social, tentam reintegrar-se na existência através do amor. Não falham, mas morrem, porém nem sempre a morte é o fim.
            Candeias baseou-se em personagens reais, a fim de desenvolver a premissa básica que orientou seu filme, que é a de expor a igualdade dos homens, embora as transitórias desigualdades provocadas pelo poder econômico, nível social ou apenas melhores oportunidades: “Por princípio sou anti-racista, e creio que todos os seres humanos são iguais, todos têm capacidade de amar, não importa sob quais condições e foi isso que quis dizer no meu filme.”
            O clima de realismo, que mescla com o supra-realismo, longe de resultar numa incômoda ou incongruente mistura de formas de abordagem, é resolvido exemplarmente, pelo sólido flúxo narrativo, que se alterna, no crescendo da trama, num ou noutro estilo, através de sutil mas poderosa enunciação do choque entre a sensibilidade do indivíduo diante da dureza do quadro social e as suas tentativas de superação de tal contexto problemático.
            Seguindo sua concepção de cinema, que para Candeias “é muito importante, não devendo ser apenas um espetáculo, mas sendo veículo de apresentação de problemas, com ou sem solução, ou expor novas alternativas a problemas com soluções já estabelecidas, pois ao cinema cabe o decisivo papel de fornecer ao homem meios de superar-se a si mesmo”. A Margem foi planejado no sentido de atender às precariedades da produção e às intenções de Candeias: um filme sobre o amor num meio ambiente tragicamente hostil a qualquer manifestação de individualidade.


Jaime Rodrigues (02/03/1968)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Meteorango Kid - herói intergalático (1969)


Ficção, 85 min.
Direção: André Luiz Oliveira
Roteiro: André Luiz Oliveira
Atores: Antônio Luis Martins, Milton Gaúcho, Nilda Spenser, Manuel Costa Jr. Caveirinha, José Vieira, Carlos Bastos, Ana Lúcia Oliveira, Adelina Marta

Era uma época em que ecoava um brado dizendo “seja heroi seja marginal”. Não que o heroísmo estivesse em baixa, só ver Macunaíma arrasando quarteirões ao juntar Chanchada e Cinema Novo. Ou Sganzerla e sua psicanálise lírica do bandido, como falaria Jean Claude Bernardet em sua investida lacaniana sobre os ditos cineastas udigrudi. Na Bahia o um mito anarquista travestia-se de profeta na grande mídia, angariando um séquito que caminhava através da mentira anti-cristã, contracultura, de Aleister Crowley – Raul Seixas.  Na mesma Bahia, o marginal herói viria das galáxias distantes.
André Luiz Oliveira, à parte de qualquer produção da sua época, produz com amigos mais uma expressão fora dos padrões narrativos da época. Este filme de 1969, seu primeiro longa, foi exibido no festival de Brasília e ganhou prêmio – num contexto em que, para se ter uma idéia, a Belair já se via em gestação. Álvaro Guimarães, este sim um excêntrico marginal da época, exibe mais tarde um filme que durava a ser finalizado, o conhecido Caveira My Friend (1968). Conta a lenda que esta novíssima onda baiana não tinha Glauber como pai gerador, e em textos da época já se percebia que a juventude pós-cinema novo aludia a outra época de radicalização de linguagens e comportamentos.
Brasília e seu festival viriam a ser o núcleo do furacão. No entanto, a Bahia não se acalmava em seu tropicalismo latente. André Luiz, isolado como produtor, viria dizer em entrevista recente que o mergulho de uma geração não teria sido totalmente pacífico:
“Sabia que estava entrando em uma zona perigosa relacionada à quebra de tabus familiares, sociais, políticos; mergulhando numa região que de início era muito divertida e colorida, mas aos poucos foi ficando demasiadamente sombria e assustadora. Eu intuía que a coisa podia piorar como piorou, mas eu já havia mergulhado e tinha que seguir nadando. Tanto que o filme é carregado desse tom divertido, esculhambado, agressivo e melancólico.” (revista Zingu!)
Uma festa, uma curtição, uma transa ( ou um transe) em celebrações undergrounds e descompromissadas com qualquer seriedade oferecida por uma sociedade envolvida pelos problemas de um governo ditatorial – assim seria também visto o filme após o seu tempo e sua geração. Na chamada “irresponsabilidade” política proferida acerca dos mais anárquicos, tal como o grupo do filme, se via também uma derrota de um ideal utópico, uma perda de parâmetros e uma distopia que continuaria por muitas décadas à frente: uma tomada de consciência.
Padrões de comportamento também são alvo de um filme como Meteorango Kid. Se for visto como uma proposição, um enunciado de uma época em que todos estavam perdidos, algo se achava neste caos transitório. A liberdade andarilha da matilha humana, a sombria Bahia que encarnava todos os caracteres coronelistas, uma dificuldade em se submeter à cultura perfeccionista: está tudo isso em volta do herói Lula, enviado, messias marginal da percepção jovial hippie.


Mauro Luciano
(Mestre em imagem e som pela Ufscar, crítico de cinema e realizador de vídeos.)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cineclube Sesi: "A Margem", de Ozualdo Candeias


Trata-se de uma trama simples, envolvendo marginais: um foragido da polícia (Mário Bevenuti), uma prostituta (Valéria Vidal), um débil mental (Bentinho) e uma vendedora ambulante de café (Lucy Rangel) se encontram em uma favela às margens do Rio Tietê e se envolvem numa estranha aventura amorosa.
Logo no início eles tomam contato com a morte, que chega em uma canoa e fica à margem do rio aguardando as últimas atitudes de seus escolhidos.
Em seguida é descrita a vivência de cada personagem. Narrativa poética, mas muito terra-a-terra, dispensando qualquer subterfúgio. Há imensa variedade de situações e riqueza de tipos.
O que mais caracteriza A Margem é a espiritualidade. Um terrível remover de véus para se descobrir a expressão mística do homem na sua “hora da verdade”. Uma obra-prima que valoriza cada gesto do homem. O filme é impuro, tem efeitos primários, mas choca e entusiasma pela clareza das imagens, pela força poética e pelo contundente recado.
Sebastião Milaré

Serviço:
dia 25/07 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
 
 (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
 

domingo, 21 de julho de 2013

Cineclube Sesi Portão: "A Rede Social" de David Fincher

O Cineclube Sesi Portão retoma suas atividades no dia 7 de agosto (quarta), às 19h30, com exibição e debate sobre o filme "A Rede Social" de David Fincher. Entrada franca sempre.

Cineclube Sesi Portão apresenta: "A Rede Social" de David Fincher

Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional.

Serviço:

dia 07/08 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
 
 (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
  

Produção: Atalante 
(http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

sábado, 20 de julho de 2013

Cineclube Sesi - REPOSIÇÃO: "Meteorango Kid, o Herói Intergalático"

Em função das greves e paralisações da quinta-feira dia 11 de julho, a sessão do filme "Meteorango Kid, o Herói Intergalático" de André Luiz Oliveira foi adiada e será reposta nesta quarta, 24, dando continuidade ao ciclo Tropicalismo Profano, que contará ainda com "A Margem", de Ozualdo Candeias  (25/07).
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi: "Meteorango Kid, o Herói Intergalático" de André Luiz Oliveira

O filme narra, de maneira anárquica e irreverente, as aventuras de Lula, um estudante universitário, no dia do seu aniversário. De forma absolutamente despojada, mostra, sem rodeios, o perfil de um jovem desesperado, representante de uma geração oprimida pela ditadura militar e pela moral retrógrada de uma sociedade passiva e hipócrita. O anti-herói intergaláctico atravessa este labirinto cotidiano através das suas fantasias e delírios libertários, deixando atrás de si um rastro de inconformismo e um convite à rebelião em todos os níveis.

Serviço:
dia 24/07 (quarta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
 (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)