sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cine FAP: "O Hospedeiro", de Bong Joon-Ho

O Cine FAP  apresenta nesta segunda-feira, dia 16 de setembro, às 19h00, o filme "O Hospedeiro", de Bong Joon-Ho, abrindo  a série Ameaça Viral que contará ainda com os filmes "Exército de Extermínio" de George Romero (23/09) e "Kairo" de Kiyoshi Kurosawa (30/09).Sempre com entrada franca.

Cine FAP apresenta: "O Hospedeiro", de Bong Joon-Ho
 
Sinopse:
Na beira do rio Han moram Hie-bong (Hie-bong Byeon) e sua família, donos de uma barraca de comida no parque. Seu filho mais velho, Kang-du (Kang-ho Song), tem 40 anos, mas é um tanto imaturo. A filha do meio é arqueira do time olímpico coreano e o filho mais novo está desempregado. Todos cuidam da menina Hyun-seo (Ah-sung Ko), filha de Kang-du, cuja mãe saiu de casa há muito tempo. Um dia surge um monstro no rio, causando terror nas margens e levando com ele a neta de Hie-bong. É quando, em busca da menina, os membros da família decidem enfrentar o monstro.
Sobre o filme:
O cinema sul-coreano despeja vitalidade e beleza em suas ultimas obras. Uma nova geração de cineastas preocupa-se em exorcizar a esterilidade cinematográfica que acomete alguns países. O diretor Bong Joon-ho é um dos bravos da Coréia e com o belíssimo "Memorias de Um Assassino", mostrou ao mundo sua habilidade com a câmera. Em "O Hospedeiro" temos um belo filme de gênero que, se por ventura, carrega algum viés político, este é apenas retido e sentido na periferia da trama, com o dispositivo da mise-en-scene que o diretor habilidosamente se encarrega de cravar em cada fotograma da obra. Algumas convenções são destruídas em segundos; o protagonista/herói do filme nos é apresentado dormindo, babando, é mais cuidado pela filha do que cuida. A obra vai girar sua roleta na família do herói, uma família torta, que procura ir atrás da menina que foi seqüestrada pelo monstro. O Hospedeiro é um dos filmes da década e exala vigor cinematográfico, obra que a APJCC escolheu para homenagear os pais e será exibida no Coisas de Cinema.
Aerton Martins
(APJCC - 2010)
Comentários: Cauby Monteiro e Miguel Haoni

Serviço:

dia 16/09 (segunda)
às 19h00
na Auditório Antonio Melillo
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

Realização: FAP
Produção: Cine FAP e Grupo de Estudos de Cinema de Horror
Apoio: Coletivo Atalante

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A terra virada do avesso


Texto sobre o filme "Onibaba" de Kaneto Shindô (1964)


Kaneto Shindô nasceu e cresceu na ensolarada cidade de Hiroshima e foi, indireta, mas profundamente, afetado pelos bombardeios de 6 de agosto de 1945. Toda a sua vida e obra foram marcadas pelos efeitos daquela tarde de segunda-feira, como os corpos dos hibakusha, grupo, estigmatizado no Japão, dos sobreviventes deformados pela radiação.
O grande "Onibaba" de 1964 retrata com habilidade os efeitos morais e sociais de uma guerra desumana. Ao acompanhar o cotidiano mórbido de personagens vivendo na periferia dos combates, Shindô lança algumas questões sobre a fragilidade da civilização. Seja no século XIV, em 1945 ou 1964 o jovem japonês é açoitado pelo peso de uma tradição que não lhe representa, cujas implicações morais e éticas o empurram sempre para o abismo da insatisfação.
O filme começa com o movimento de um matagal de juncos ao vento acompanhando um embriagado solo de saxofone; uma sobreposição audiovisual de duas dimensões da mesma selvageria: primitiva e moderna. Neste contexto nos são apresentadas as duas personagens principais (velha e nova, sogra e nora), que, tais quais os siris estampados no quimono da velha, alimentam-se dos mortos. Não diretamente, mas através de um absurdo sistema de trocas. A condição sub-humana das personagens é brilhantemente exposta nos silenciosos primeiros 10 minutos de filme em que as duas matam, livram-se dos corpos, comem e dormem como feras da floresta.
A jovem, entretanto, possui ostras estampadas no quimono, um símbolo feminino e afrodisíaco e trará para o filme um elemento fundamental: o erotismo. Ao descobrir-se viúva através do relato do esperto Hachi (o vizinho desertor), a jovem começa a desenvolver uma sexualidade pulsante, largamente valorizada pela ousada câmera de Shindô. O olhar de Hachi é o mesmo olhar que o público lança no processo de descobrimento do potencial erótico da personagem.
Este olhar é por vezes obstruído por um terceiro olhar: o da velha. Aqui o grande conflito tradição X modernidade, tão caro aos diretores da Nouvelle Vague japonesa, aparece no filme. A moral sexual hipócrita da sogra é defendida através de uma argumentação e de um embuste religioso: o medo do inferno. Mas a mulher (e simbolicamente a geração) que permitiu que seu garoto fosse à guerra não tem força para refrear a pulsão lasciva da jovem. Numa terra virada do avesso, o inferno é pouco e os esforços da sogra acabam caindo por terra.
A virada fantástica na trama ocorre neste instante. Shindô insere no filme a figura mágica de um samurai mascarado que guarda um rosto deformado. A velha o engana, o mata, o rouba e usa sua máscara para aterrorizar a nora. Aqui a referência à desprezada casta dos hibakusha, maltratados por um povo acostumado a jogar seus traumas de guerra para debaixo do tapete, é pungente. As últimas palavras do filme “não sou um demônio, sou um ser humano” são reveladoras quando a hipócrita e tradicional personagem, ela mesma transformada em hibakusha, consegue enfim extrair o terror genuíno de sua nora.

Miguel Haoni
(Cine CCBEU – julho de2009)

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Poiesis - Caminhadas Literárias (14/09)

Palestra do dia 14 de Setembro: Ilíada, com o professor Bernardo Brandão* (sobre Bernardo, ler abaixo).

O "Poiesis - Caminhadas Literárias" é um evento de extensão, organizado e idealizado por alunos da UFPR (membros e parceiros do Coletivo Atalante) e coordenado pelo professor Benito Rodrigues. Tal evento consiste em um conjunto de palestras ministradas por professores da mesma instituição. O objetivo principal deste evento é oferecer palestras sobre obras literárias clássicas tanto à comunidade acadêmica quanto à comunidade não acadêmica. Nosso intuito é abrir as portas da universidade a todos os públicos, para assim tornar o saber acadêmico, constituído em torno do universo literário, acessível a quem de direito: o leitor! Dividido em três módulos - Grandes Narrativas, O Romance e A Poesia - este evento terá três anos de duração (2013-2015), sendo que em cada módulo (que terá um ano de duração) os organizadores optaram por dispor as palestras em uma ordem que não obedecesse à cronologia de publicação das obras (como geralmente é feito), mas sim ordená-las ao acaso (a ordem das palestras foi determinada em lances de dados, em homenagem ao poema "Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso", do poeta Mallarmé). Isso é para nos aproximarmos mais da experiência real de qualquer leitor, que lê antes movido por desejos e impulsos do que seguindo cronologias rígidas, dai o nome "Caminhadas Literárias", que nos sugere uma mobilidade intermitente e não vetorizada. Outro objetivo importante está atrelado à estrutura das palestras, que serão divididas em dois momentos: um destinado a uma consideração teórica e crítica sobre a obra em questão e o outro voltado à leitura de um trecho (ou trechos) da obra, ou seja, um momento de fruição, sendo que a ordem destes "momentos" será determinada por cada palestrante. O evento é gratuito e a cada término de módulo sortearemos as obras que serão analisadas em cada palestra, mas só concorrerá ao sorteio aqueles que tiverem ao menos 80% de frequência.

- Local: Anfiteatro 1100 do Ed. Dom Pedro I (UFPR Reitoria), Rua General Carneiro 460.
- Horário: 14h às 18h. Todas as palestras ocorrerão aos sábados.

Programação:

- 22/06: Os Lusíadas, com Marcelo Sandmann.
- 13/07: Fausto, com Paulo Soethe.
- 27/07: Odisseia, com Roosevelt da Rocha.
- 31/08: Metamorfoses, com Rodrigo Gonçalves.

- 14/09: Ilíada, com Bernardo Brandão.

- 21/09: Canção de Rolando, com João Arthur.
- 28/09: A Divina Comédia, com Ernani Fritoli.
- 19/10: As Tragédias de Shakespeare, com Liana Leão.
- 09/11: Teogonia, com Roosevelt da Rocha.
- 14/12: Bíblia, com Bernardo Brandão.

* Professor de Língua e Literatura Grega da Universidade Federal do Paraná, possui graduação em Letras: bacharelado em Grego Antigo e em Português pela Faculdade de Letras da UFMG. É mestre em Filosofia pela FAFICH-UFMG e doutor em Filosofia pela FAFICH-UFMG. Atua principalmente nos seguintes temas: língua e literatura grega antiga, filosofia antiga, neoplatonismo.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Cineclube Sesi: "Onibaba", de Kaneto Shindô

Nesta quinta-feira dia 12 o Cineclube Sesi apresenta o filme "Onibaba" de Kaneto Shindô, seguindo o ciclo Cinema Moderno Japonês que contará ainda com "Duplo Suicídio em Amijima", de Masahiro Shinoda (19) e "Female Convict Scorpion Jailhouse" de Shunya Ito (26).
Sempre com entrada franca!


Cineclube Sesi apresenta: "Onibaba", de Kaneto Shindô

Sinopse:
éculo 14, um Japão feudal destruído por guerras civís. Esperando o filho que está na guerra, uma mulher e sua nora sobrevivem em uma aldeia através de tocaias que armam contra guerreiros samurais, matando-os e vendendo seus pertences em troca de comida. Com a chegada de um guerreiro fugitivo, a mãe teme que a nora a abandone pelo soldado, pondo em prática um plano diabólico para manter a companhia da garota.

Sobre o filme:
Desde “Cidadão Kane” e “Roma, Cidade Aberta” o cinema moderno assumiu a missão de dizimar a política-estética do paradigma clássico. Vide as realizações dos “Cinemas Novos” que surgiram através do mundo, seja na França, no Brasil, na Alemanha ou nos Estados Unidos.
No Japão, um grupo de jovens (e não tão jovens) cineastas resolveu empunhar suas câmeras e assumir os riscos de duelar com o cinema de seus pais. Influenciados pelo espírito libertário dos anos 60, assumiram como bandeira um dos grandes tabus em seu país: a representação da sexualidade e do erotismo.
“Onibaba” de Kaneto Shindô é um dos exemplares mais radicais daquela que se convencionou chamar de “Nouvelle Vague japonesa”. Ao eleger a miséria em tempos de guerra como base para a sua alegoria fantástica, o diretor e roteirista lança luz na grande “experiência não trabalhada” do inconsciente japonês: os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.
É na construção das imagens, contudo, que Shindô desfere o seu golpe: sua encenação da hipocrisia moral nas relações é um grito de basta ao familiar e tradicional jantar de Ozu; sua representação do amor lascivo no coração da miséria é um corte seco na sutileza poética de Mizoguchi.
O cinema moderno pode não ter suplantado a força do cinema clássico mas sem dúvida conseguiu, através do enfrentamento, o lugar de honra à mesa. Shindô conseguiu através de seu “Onibaba” lutar com os mestres equilibradamente e se fazer ouvir. Com dignidade, acima de tudo.
Miguel Haoni, 2009
Serviço:
dia 12/09 (quinta)
às 19h30na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
  
  (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cineclube Sesi Portão - SESSÃO ESPECIAL: "Ladrões de Bicicleta"

O Cineclube Sesi Portão apresenta no dia 11 de setembro (quarta), às 19h30, o filme "Ladrões de Bicicleta" de Vittorio De Sica, em homenagem ao Mês da Bicicleta. Neste mês ainda teremos "Como Era Verde Meu Vale", de John Ford (18/09). Entrada franca sempre.

Cineclube Sesi Portão - SESSÃO ESPECIAL: "Ladrões de Bicicleta" de Vittorio De Sica

Em Roma um trabalhador de origem humilde, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), luta para sustentar a família. Precisando de uma bicicleta para começar em um novo emprego, Ricci penhora as roupas de cama da casa. Para desespero da família, a bicicleta é roubada e Antonio sai junto com o filho Bruno (Enzo Staiola) para procurá-la pela cidade.

Serviço:
dia 11/09 (quarta)
às 19h30
no Teatro do Sesi no Portão 
(Rua Padre Leonardo Nunes, 180 – entrada pela rua lateral Rua Álvaro Vardânega)

ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
   
  (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
      

Produção: Atalante 
(http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CÉU E INFERNO


Akira Kurosawa, Tengoku to jigoku, Japão, 1963
Com Céu e Inferno, Akira Kurosawa parece buscar alguma coisa muito estranha, não apenas por conta de uma possível confusão filosófica que atravessa todos os 143 minutos de seu filme mas também pela tarefa difícil em encontrar um correlato visual (mesmo que obscuro) para o que talvez seja o grande assunto aqui: as dificuldades em se dar um passo, qualquer passo, numa direção que não se conhece muito bem.
Os personagens principais (os oficiais da polícia; o magnata interpretado por Toshiro Mifune e sua mulher; o seqüestrador; o jovem assistente que trai Mifune) caminham, procuram, marcham, exploram e percorrem os mais variados meios durante todo o filme (apesar de muito visivelmente só existirem dois no filme: céu e inferno). A cada progressão, a cada nova passagem e transformação da condição moral dos personagens (e neste filme há muitas destas passagens, provavelmente as mais cuidadosas que Kurosawa operou em toda a sua obra), há uma espécie de vacilo, um balanço, uma dúvida: está se fazendo a coisa certa? Há "uma coisa certa" a se fazer? Existem condições de separar certo de errado num mundo que nos traz sapatos de papelão, mansões que pairam sobre favelas, pessoas que morrem para poder provar uma dose de cocaína pura? Céu e Inferno, o filme - apesar do título ou justamente por causa dele -, é o espaço preenchido por todas estas questões. Em outras palavras, o que Kurosawa faz é não ceder nem ao "céu", nem ao "inferno". Sua escolha, no fim das contas, é pelo "e", isto é, o espaço da dúvida, da ambigüidade, do medo, da dor e do vacilo partilhado pelos personagens e pelos dois universos que Kurosawa opõe no seu drama.
Voltemos às dificuldades do início. Mifune interpreta Gondo, um fabricante de sapatos que orgulha-se por produzir um material bom, firme e que dura por bastante tempo. Alguns companheiros da empresa onde trabalha, durante uma reunião em sua mansão, tentam convencê-lo a tomar parte de uma chantagem, algo que envolve ações e a fabricação proposital de sapatos imprestáveis que gastem rapidamente, o que resultaria no afastamento instantâneo do velho chefe (toques de Rei Lear aqui). Gondo veementemente rejeita a proposta, e não espera muito tempo para rechaçar os colegas da sua mansão. Pouco depois de todo o desentendimento, um telefonema lhe avisa que seu filho foi seqüestrado, mas passado algum tempo após o telefonema seu filho aparece são e salvo. Descobrimos que quem acabou seqüestrado foi o filho do chofer de Gondo.
A história de Céu e Inferno apenas dá corda a esse conjunto de equívocos que se manifestam nos primeiros minutos de projeção. O filme todo transcorre deste conjunto de hesitações, tensões, perplexidades e momentos de extrema agonia aos quais os personagens estarão sujeitos. Até aí, nada que separa o filme de Kurosawa do joio de thrillers policiais que conhecemos dos Estados Unidos, da Itália ou mesmo do Japão. Mas o que destaca Céu e Inferno, o que o torna um exercício exemplar em cinema de gênero e reflexão sociológica, é o fato de Kurosawa deixar toda a confusão, toda a tensão da situação que ele registra contaminar o próprio estilo do filme. Explico: muito já se fez da câmera oscilante, dos movimentos de câmera trépidos realizados por Kurosawa em seus filmes, mas é bem provável que jamais durante sua carreira eles pareceram tão bem empregados, se adequaram tão bem à exploração de ambientes. É como se Kurosawa "calçasse" sua câmera com diversos sapatos, para que a cada nova cena, a cada novo "céu" ou "inferno", a câmera esteja usando o calçado mais inadequado, o mais justamente errado para o terreno onde está pisando. Esse balanço está lá no início, quando ainda estamos envolvidos pela segurança da mansão de Gondo; amplia-se no insano jogo de espelhos e perspectivas falsas que é o passeio pelo trem-bala; espalha-se por zonas urbanas e rurais quando a polícia inicia a procura pelo seqüestrador após esse obter o dinheiro do resgate. Kurosawa, este louco que faz de Céu e Inferno um filme de ação de alto orçamento, não só dá conta de toda a geografia social que é o próprio assunto do filme como consegue emparedar-se com uma autocrítica das mais severas já vistas numa película deste gênero: feita toda pela câmera, com a câmera, seja pela dificuldade desta em mover-se ou localizar-se nos "infernos" que Kurosawa atravessa, seja pelo incômodo ininterrupto e pela tensão que atravessam a câmera quando esta presencia as ações que ocorrem no "céu" (a mansão de Gondo, o escritório da polícia).
Mas nada nos prepara para o verdadeiro tour de force que é a travessia empreendida pelo grande inferno do filme: o submundo, as boates, as zonas, nada é poupado no pesadelo/musical da MGM/epifania que é a lenta perseguição que a polícia faz junto ao seqüestrador após este ter sua identidade desmascarada. Se Kurosawa deliberadamente orquestra o clímax do seu filme como um número musical parece menos por uma afetação ou vontade de estetização que por uma necessidade real de dar a este inferno todo um peso: a polifonia construída com o encontro de várias músicas na banda de som; os cruzamentos de ruas; a direção de arte abertamente naturalista; o som de carros e a presença de vários veículos engarrafados, quase se encontrando ou batendo; os vários agentes sob disfarce se locomovendo e esbarrando uns nos outros nos mais diversos ambientes; a atmosfera de sujeira e umidade; tudo isto provoca uma tensão quase insuportável ao que estamos assistindo, ainda mais sendo uma série de cenas verdadeiramenteprazerosas aos nossos olhos.
Após toda essa agonia, toda essa rede de incertezas e passos em falso, o encontro entre Gondo e seqüestrador. Não há diálogo possível: não havia antes, não haverá jamais. O seqüestrador é levado embora por oficiais, e tão logo ele deixa o cubículo onde o encontro se dá uma grade preta desce, encobrindo a visão de Gondo (e a nossa). Nesta viagem do "céu" ao "inferno" (e realmente, o que separa um do outro?) demais já foi visto, nos diz Kurosawa. É o bastante.
 Bruno Andrade
(Texto original: http://www.contracampo.com.br/63/ceueinferno.htm)
*Texto de Miguel Haoni sobre o filme: http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&codigo=521082

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Oficina de Cinema na Escola


Nesse mês de setembro, a Oficina de Formação de Cineclubista vai oferecer o módulo Cinema na Escola. Esse módulo tem como objetivo abastecer conceitualmente coordenadores, professores, alunos e interessados para o desenvolvimento de atividades com o cinema no espaço escolar. Da formação de cineclubes estudantis ao uso do filme como recurso pedagógico, a oficina pretende traçar um panorama das possibilidades de interação entre o ensino formal e a arte cinematográfica.
Iniciada no mês de julho, com o módulo Formação Cineclubista, a Oficina de Formação Cineclubista, é composta ao total por três módulos, que podem ser cursados de forma independente. Após a etapa Cinema na Escola, será ofertado em novembro o módulo Crítica Cinematográfica.
Ministrada por Miguel Haoni, cineclubista e curador do projeto Cineclube Sesi, esse módulo da oficina possui um total de 8 horas e vai ocorrer no dia 14 de setembro (sábado), das 8 às 12 e das 14 às 18 horas, na Sala Multiartes do Centro Cultural Sistema Fiep. 
INFORMAÇÕES - MÓDULO II, CINEMA NA ESCOLA
Local:
Centro Cultural do Sistema Fiep - Sala Multiartes
Av. Cândido de Abreu, 200 - Centro Cívico - Curitiba/PR
Data e Horário:
14 de setembro
Das 8h às 18h
Inscrição:Gratuita, com vagas limitadas

Até ás 15h do dia 11/09
sesicultura@sesipr.org.br