quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

1 Ano de Som de Preto: Festival Soçobrante Na Cidade Sem Mar

Sábado, 15 de fevereiro de 2014
17:00
351 (Rua Trajano Reis, 351)
Seguinte mermão! Som de Preto ta completando um ano de atuação e pra comemorar decidimos fazer um festival com uma programação que vai te deixar ligado a noite toda!

Fique esperto que a festança começará à tarde, às 17hrs, e vai até o dia raiar!

- Atrações:
.Som de Preto - Na pista o pessoal da Som de Preto não vai deixar você parado com o melhor da música negra brasileira e mundial. 

E ainda, uma incrível batucada de samba com Joaquim Lima, Esquerda Garcia e seus espetaculares convidados.

Mas fique atento, garanto pra vocês, que logo mais estaremos divulgando uma penca de atrações!

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Só não vai quem já morreu!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cineclube Sesi: filmes de Vincent Gallo

Nesta quinta-feira, dia 6, o Cineclube Sesi apresenta os filmes "Honey Bunny" e "Brown Bunny" de Vincente Gallo, abrindo o ciclo Cinema Americano, que contará ainda com Richard Kern (13/02), Standish D. Lawder + E. Elias Merhige (20/02) e Kenneth Anger (27/02).
Sempre com entrada franca!

Sinopse "Brown Bunny":

Uma história de amor. É a história da tragédia de um homem que perdeu o amor da sua vida. Ele é Bud Clay. Faz corridas de mota. A sua mota é uma Honda 250cc de Formula II. E lá vai ele, repetindo voltas umas atrás das outras, até que a corrida termine. A história começa numa corrida em New Hampshire. A próxima corrida de Bud é na Califórnia, dali a cinco dias. E assim começa a sua viagem pela América. E, diariamente, Bud é perseguido pelas mesmas memórias da última vez que viu o seu verdadeiro amor. Bud faria qualquer coisa para que essas memórias desaparecessem. E todos os dias tenta encontrar um novo amor, fazendo convites ultrajantes a mulheres para que o acompanhem na sua viagem, deixando-as depois para trás. Ele não consegue substituir Daisy, a única rapariga

Serviço:
Honey Bunny e Brown Bunny
Comentários: João Krefer
dia 06/02 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
  
  (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Cine FAP: Programação de fevereiro




Programação de fevereiro:
10/02 - "Pola X", de Leos Carax
17/02 - "Beijos de Emergência", de Philippe Garrel
24/02 - "US Go Home", de Claire Denis

Serviço:
Toda Segunda às 19 hs
no Auditório Antonio Melilo
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral) 
ENTRADA FRANCA

Realização: Cine FAP e HATARI! - Grupo de Estudos de Cinema
Apoio: Coletivo Atalante

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cineclube Sesi: Cinema Americano

Cineclube Sesi: Cinema Americano
Curador convidado: João Krefer

Programação:
06/02 - VINCENT GALLO (Honey Bunny e Brown Bunny)

13/02 - RICHARD KERN (X is Y, Fingered, Submit to me Now, Horoscope e The Right Side of My Brain)

20/02 - STANDISH LAWDER + E. ELIAS MERHIGE (Necrology e Corridor + Din of Celestial Birds e Begotten)

27/02 - KENNETH ANGER (Fireworks, Scorpio Rising, Invocation of My Demon Brother e Lucifer Rising)

Serviço:
Toda quinta 
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi 
Produção: Atalante

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sesc Paço da Liberdade apresenta "Fausto", de F.W. Murnau


Fausto

1926, PB, 85 min
Dir.: Friedrich Wilhelm Murnau
Sinopse: Disputando o poder sobre a terra, Deus e Satã apostam a alma de Fausto, um alquimista erudito. Durante uma praga, este
homem se desespera, queimando todos os seus livros. Neste momento Satã envia Mefistófoles para tentar Fausto com o retorno da juventude e o alquimista aceita o pacto. Certo dia, entediado, ele resolve voltar para casa, onde conhece e se apaixona pela bela Gretchen, um encontro que será a desonra da moça. Adaptação da obra de Goethe.
Data: 29 de janeiro
Horário: 19h
Vagas: 56
Local: CinePensamento
(SESC Paço da Liberdade. Praça Generoso Marques, 189 – bairro Centro, Curitiba/PR )Classificação: 16 anosInvestimento: GratuitoPara informações, consulte a unidade ou ligue no (41) 3234-4200.
Comentador convidado: Miguel Haoni (Coletivo Atalante)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mini-curso de história do cinema: o cinema clássico hollywoodiano

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formaçãode 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas.

O primeiro mini-curso, o de fevereiro, será sobre o cinema clássico hollywoodiano.

Unidades:
1 - A noção clássica de representação
2 - Filme de gênero
3 - O caso Fritz Lang
4 - Filme de autor

Referências: 
1 - XAVIER, Ismail. O Olhar e a Cena - São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
2 - BAZIN, André. O Cinema - Ensaios - São Paulo: Brasiliense, 1991.
3 - DOS REIS, Francis Vogner; OLIVEIRA JR, Luiz Carlos e ARAÚJO, Mateus (orgs). Jacques Rivette, Jão não Somos Inocentes - São Paulo: CCBB, 2013.
4 - "Moonfleet - O Tesouro do Barba Ruiva". Fritz Lang. 1955. EUA. cor. 83 min.

Serviço: 
dias 22 e 23 de fevereiro (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)

Inscrições gratuitas pelo email: sesicultura@sesipr.org.br
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

OBS: O Sesi começará a responder aos inscritos a partir do dia 8 de fevereiro.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

CLOUDS TASTE METALLIC


(ELEFANTE de Gus Van Sant, EUA, 2003)

Enfim, Elefante. Quase um ano após sua passagem triunfal em Cannes, Elefante finalmente está entrando em cartaz no Brasil. Bom para nós: (re)veremos quantas vezes nos for possível, pois o filme possui uma riqueza visual e discursiva que realmente obriga a revisão. Elefante aborda um fenômeno que, apesar de inesgotável na sua variedade de peças, costuma dar margem às mais simplórias tentativas de explicação. Mas Gus Van Sant foge das teses e mergulha de cabeça no espaço que acolhe o filme, disposto a ver e ouvir o máximo possível, aguçar os sentidos e evitar idéias acabadas. Sua obra-prima é tanto um exercício vigoroso em torno das possibilidades do dispositivo quanto a construção cuidadosa de uma moral do olhar. Assim como Godard afirma a necessidade de filmar a partir de um "ponto de vista mineral", Van Sant rechaça qualquer instância predicativa em sua mise-en-scène, optando por um jogo de proximidade (leia-se imersão) e significação primária (apreensão de formas, volumes, deslocamentos). Em se tratando de um filme que culmina num massacre aos moldes do ocorrido em Columbine, isso não é coisa simples. 

Antepassados. Dois filmes influenciaram bastante Gus Van Sant. O primeiro deles é a obra homônima de Alan Clarke, média-metragem que se passa na Irlanda do Norte e foi realizado em 1989 para a BBC. Mesmo se referindo a outro contexto, o Elephant de Clarke apresenta, além da narrativa picotada de que Van Sant fez extraordinário uso em seu filme, a difícil temática da violência praticada por jovens. Em Elefante, a estrutura narrativa fragmentada, que mostra o mesmo evento sob diferentes pontos de vista e sem manter sua linearidade no tempo, corresponde à impossibilidade de uma visão global e à construção de um sentido moderno de temporalidade, a fragmentação impedindo uma ordenação causal (e simplista) dos fatos. Outro filme fundamental para a composição visual e estrutural de Elefante foi High School, de Frederick Wiseman, um dos grandes nomes do "cinema direto". O filme de Wiseman, de 1968, compõe - com imagens marcantes e de inusitada beleza - um vasto painel em que situações individuais se confrontam com a rigidez geométrica do modo de funcionamento institucional. High School efetua uma sondagem de espaço muito parecida com o trabalho de Gus Van Sant ao lado de Harris Savides (brilhante diretor de fotografia de Elefante) e Leslie Shatz (responsável pelo som): os planos fechados, o interesse por todo e qualquer som ambiente (o som de Elefante é expansivo, traz para um mesmo local ruídos e vozes de toda parte), a câmera percorrendo a escola como se fosse uma sonda introduzida num organismo vivo, a observação de situações cotidianas diversas (sala de aula, palestras, ginástica, refeitório, corredores), a atração despertada pelos adolescentes (o que leva a câmera a praticamente querer colar neles). Embora Elefante tenha cenas em outras locações (algumas delas fundamentais, como o giro de 360º no quarto de Alex), seu lugar de condensação é na escola. Lá prevalecem planos alongados - muitas vezes em tom documental - que fazem surgir toda uma tipologia relacionada ao universo estudantil norte-americano: um desfile de estereótipos que precedem o próprio filme e compõem um imaginário que Van Sant preferiu deixar intacto (no sentido de não negá-lo nem tentar decodificá-lo). 

Transparência do mal. No filme Tudo É Brasil, de Rogério Sganzerla, Orson Welles evoca a parábola do grupo de cegos em que cada um toca uma parte de um elefante e diz saber como aquele objeto é na sua totalidade. As respostas saem equivocadas, nenhum dos pedaços é suficiente para a apreensão do todo. Portanto, conclui Welles, não se pode conhecer um país visitando somente uma de suas partes - é preciso estar em muitos lugares. Essa parábola budista, segundo Gus Van Sant, também repercutiu no conceito de seu filme. A câmera de Elefantepenetra com pouca profundidade de campo nos corredores de uma típica high school, somente focando o que está próximo dela, precisando quase tocar os objetos que quer mostrar, como se estes precisassem ganhar relevo para virar imagem. A fluidez da sua movimentação realça um princípio de ambiência, de captação do ritmo daquele espaço, com sua dinâmica de cores, formas, texturas, signos. Nos corredores da escola se acha uma intensa circulação de corpos cuja relação entre si - de aparência, nada de interioridade esquemática - não fomenta psicologismos (o filme flagra a dificuldade de qualquer certeza através dos signos exteriores - basta pensar na discussão sobre "olhar para alguém na rua e tentar descobrir sua opção sexual"). Da mesma forma, a não fixação do ponto de vista (entendido aqui tanto como posição de onde se vê quanto como local de produção do discurso) exprime não só a recusa a uma perspectiva (o que implicaria distanciamento), mas também a afirmação da inviabilidade de uma reconstituição definitiva do episódio (o que alguns "erros" de continuidade insistem em nos lembrar quando da repetição de uma cena a partir de um novo ponto de vista). 

Kids. Desde seus primeiros filmes que Gus Van Sant se aproxima do jovem munido muito menos de julgamentos do que de carinho e compreensão (sem ignorar uma dose de fetichismo). Gênio Indomável e Encontrando Forrester, duas investidas no enredo romântico de auto-superação e transformação, são belíssimos filmes sobre jovens ultratalentosos recebendo a orientação de um adulto (diálogo entre gerações absolutamente ausente no filme aqui em questão). Em Elefante não entra em cena um rito de passagem, como nos clássicos filmes de high school, mas simplesmente uma passagem - de corpos, de forças, de fumaça, de nuvens. Jean Epstein, que nos anos 20 fez um cinema "impressionista", já dizia que "os belos filmes são feitos de fotografias e céu". É com um céu em que passam nuvens velozmente (refrão visual de toda a carreira de Gus Van Sant) que Elefante começa e termina. O céu, nuvens, impressões, uma fumaça negra que se mistura às nuvens e depois passa. Tudo passa, principalmente enquanto se é adolescente. E Van Sant não esqueceu disso quando virou adulto.

Luiz Carlos Oliveira Jr
(Texto original: 
http://www.contracampo.com.br/58/elefantecineclube.htm)