quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cineclube da Cinemateca: "O Segredo da Porta Fechada", de Fritz Lang

O Cineclube da Cinemateca apresenta neste sábado, dia 17, "O Segredo Atrás da Porta", de Fritz Lang, encerrando o díptico "Os Clássicos Americanos". A entrada é franca.

Cineclube da Cinemateca: 
"O Segredo da Porta Fechada", de Fritz Lang

Uma jovem mulher viaja para o México de férias e conhece um homem ideal, por quem se apaixona. Eles se casam e mudam para uma mansão, onde ocorreram vários assassinatos. Curiosa, a jovem descobre os mistérios que a casa guarda, mas ainda deseja descobrir um último segredo: o que tem atrás da porta de um quarto que seu marido mantém sempre trancado.

Serviço
Dia 17/05 (Sábado)
15hs
na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)
ENTRADA FRANCA

Realização: Cinemateca de Curitiba e Coletivo Atalante

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Poiesis - Caminhadas Literárias: Madame Bovary

Poiesis - Caminhadas Literárias

Madame Bovary, dia 17/05. Palestrante Sandra Stroparo*, no Décimo Primeiro Andar da Reitoria (UFPR), Prédio Dom Pedro I (Das 14 às 18 horas).


O Poiesis é um evento de extensão da UFPR, organizado pelo Coletivo Atalante e sob a coordenação do professor Benito Rodrigues. Consiste em ciclos de palestras sobre grandes clássicos da literatura mundial, sendo tais palestras conduzidas por professores da UFPR, especialistas em tais obras. Por outro lado, este evento também faz parte de um esforço da universidade em abrir-se para a comunidade não acadêmica, fazendo circular um saber geralmente restrito ao público da academia. Todas as palestras ocorrem sábado à tarde, da 14 às 18 horas na Reitoria. 
Estamos no segundo ciclo, O Romance (ver programação abaixo), que se propõe a explorar este gênero tão multifacetado e desafiador, que vem espelhando a humanidade e pondo a nu, sem reservas, seus aspectos mais belos e sórdidos. As obras selecionadas para este ciclo se encontram no plano dos textos de ruptura, que problematizam as delimitações deste gênero.

Datas, obras e professores palestrantes:

22/02 - Ulysses, de James Joyce, com Caetano Galindo.
22/03 - O Processo, de Franz Kafka, com Paulo Soethe.
05/04 - A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector, com Lucia Cherem. 
26/04 - As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, com Ernani Fritoli.

17/05 - Madame Bovary, de Gustave Flaubert, com Sandra Stroparo.

07/06 - O Som e a Fúria, de William Faulkner, com Luci Collin. 
16/08 - Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, com Rodrigo Machado.
30/08 - O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, com Marcelo Sandmann.
13/09 - Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, com Marilene Weinhardt. 
27/09 - Satyricon, de Petrônio, com Rodrigo Gonçalves. 
25/10 - Cem anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez, com Isabel Jasinski.
22/11 - Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, com Paulo Soethe. 

* Sandra Stropara é graduada em Letras Francês pela Universidade Federal do Paraná (1992), onde também fez seu Mestrado em Letras (1995). Doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina (2012), com trabalho sobre Mallarmé. Trabalha na Universidade Federal do Paraná como professora de Literatura Brasileira e Teoria Literária (desde 1998). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, Literatura Francesa e Tradução .

terça-feira, 13 de maio de 2014

Cineclube Sesi: "Dublê de Corpo", de Brian De Palma

Nesta quinta-feira, dia 15, o Cineclube Sesi apresenta "Dublê de Corpo" de Brian De Palma, dando continuidade ao ciclo Cinema Maneirista que contará ainda com "A Divina Comédia" de Manoel de Oliveira (dia 22) e "Estrada Perdida" de David Lynch (dia 29)
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi apresenta:  "Dublê de Corpo", de Brian De Palma

O fracassado e claustrofóbico ator de filmes B Jake Scully acaba recebendo uma proposta irrecusável de Sam Bouchard: ficar no belo apartamento de um amigo seu enquanto procura lugar para ficar, após presenciar a traição de sua esposa. No novo apartamento, ele presencia estranhos acontecimentos com uma vizinha, e passa a persegui-la e a querer ajudá-la, mas não sabe o perigo que estará correndo.

Serviço:
dia 15/05 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA
 

Realização: Sesi 
   
   (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A miraculosa


Como ele é professor, Jean-Claude Brisseau professa. Como ele ama o cinema, Jean-Claude Brisseau faz cinema. Como ser professor, no senso etimológico, é “ensinar em público”,  Jean-Claude Brisseau faz do cinema um anfiteatro. Seus filmes tem a ver com o teatro de paixões e tem de ser vistos como uma lição do cinema. Não de cinema. Não o cinema que educa, mas o cinema como – possível - educação. As salas de cinema frequentemente, e justamente, foram comparadas à igrejas; mais raramente à escolas: o meio onde vamos sentar para ver, para escutar, para se completar, para se confrontar com o Outro, se informar. Para ver, saber, e saber ver. Em Brisseau “o professor”, o filme perfurou o quadro negro, a professora (maitresse) dança com o aluno, o professor faz da aluna a sua amante (maîtresse) e o espectador, que ajuda a transgressão, participa assinando a nota de liberação. Nós apagamos tudo e recomeçamos.
            Em Som e Fúria, há o momento em que a professora dança com o menino (Aux marches dupalais...), e em Boda Branca, há o momento em que o barco desembarca o homem e a menina sobre uma colina de flores (ainda Aurora). Os dois momentos flertam com o ridículo,  com a graça rasa do ridículo e que “do ridículo ao sublime vai apenas um passo” (disse Michelet), mas são realmente dois momentos de graça onde o tempo não tem curso, a cena da escola, a vastidão imensa da natureza compõem a cena primitiva, livremente ingênua – como a arte, ingenuamente livre. Céline inteiro se abisma nesses momentos, nessa cena, nessa passagem feitapela janela aberta no mundo, o filme passa pela janela, e o olhar até o fundo da paisagem, acaba por se confundir com ele no negro – do quadro, como em um sonho de Akira. Assim se delineia Céline. Fazendo cinema, Brisseau gazeia a escola.
            Trata-se então, tratou-se sempre, de um aprendizado. Nos filmes precedentes, o aprendizado era alguma coisa como “aprenda a vida para aprender a morrer”, amores defuntos frequentemente entrevistos, corpos de crianças vítimas de sua clarividência. Céline começa na queda mas não é preciso muito tempo para sentir o filme cair para cima, uma aspiração resultado de uma expiração.  Aprender a não mais existir para aprender a viver. Não pensar mais em nada para estar no tudo. A aprendizagem, dessa vez, nasce do nada e se revela em sua plenitude, o filme chega depois da morte e, se fazendo, ele está “além”: na terra, sob a chuva, nada resta a Céline que seu nome; um homem que morreu e não é seu pai, um homem que a abandonou e não é mais seu amante; ela mesma se deserda, e depois se joga na água. Que uma outra mulher a salve, não importa: Céline é de agora em diante uma miraculosa – para não dizer uma ressuscitada. Mas o que importa, é que Geneviève, a outra mulher, já pode, desde o início, permitir o milagre (arriscando a própria vida).
            Eu vejo bem, agora, a impossibilidade e a inutilidade que há em recontar Céline. E é por uma razão bem simples: a razão de ser do filme é de tornar visível o indizível. Poderíamos “falar” qualquer coisa sobre a morte, o milagre, a aparição, a levitação, a santidade, tudo aquilo que quisermos, estas palavras permanecerão clichés que não “falam” (do mesmo modo Céline, tentando descrever o que ela sentiu a Geneviéve, nada encontra a não ser dizer a palavra “Deus”– talvez o “cliché” supremo- e não se satisfaz). Ora, o filme é o contrário do cliché. Ele refuta visivelmente e sistematicamente toda fixação do movimento, da imagem, ele flui suavemente de fonte, pela concentração ( a própria ideia de uma imobilidade que se move – e permite avançar) de onde ele retira sua energia luminosa (como o fogo ateado no carro concentra subitamente nele toda a luz: a noite apareceu de repente).
            Célineé um filme feito (de) intensidade. Portanto emocionante (émouvant) (em inglês “moving” quer dizer tanto “emocionante” e “em movimento”, assim o filme extrai seu movimento de uma tensão interna: o que me emociona (émeut), me move (meut)). E aquilo que ele mais é – emocionante e em movimento, é que Brisseau não faz cinema como se ele fosse o primeiro, não é a inocência do começo, é mais como se ele fosse o último dos homens com uma câmera – é uma fragrância de fim. Brisseau chega depois, mais uma vez. Depois da morte e depois do cinema (Murnau antes de tudo, Bresson, Godard sobretudo) . Chegar depois, saber disso, é forçosamente estar no além, aí está porque Céline não é fúnebre mas transcendente, aí está porque o cineasta não é religioso mas místico. Aí está porque o seu filme é fantástico.
            “A religião egípcia, voltada inteiramente contra a morte, fazia a sobrevivência depender da perenidade material do corpo. Ela satisfazia com isso uma necessidade fundamental da psicologia humana: a defesa contra o tempo. A morte nada mais é que a vitória do tempo. Manter artificialmente as aparências carnais do ser é retirá-lo da correnteza da duração: fixá-lo à vida. [...] Assim se revela, nas origens religiosas do estatutário, sua função primordial: salvar o ser pela aparência.”
            Esse possível resumo de Céline assinado por André Bazin, um outro “professor” – e que, eu penso, Brisseau refletiu em sua introdução “faraônica” do filme-, diz bem o que é a questão maior: o resgate, depois a salvaguarda do espírito pelo corpo (a yoga), passando pela iniciação de Céline por Geneviéve, depois do corpo pelo espírito (o milagre), passando pela última aparição –aparência- para Geneviéve do espírito de Céline. Dialética literalmente extraordinária que, em termos de arte-mística, se produz entre o talento e o gênio. Entre Geneviéve e Céline. E sua união faz a sua força, pois, se há uma vida  após a morte (algo que o cinema se apercebe às vezes), o filme mostra também que há uma “morte após a morte” (algo que o cinema toca raramente): Céline começa no drama e culmina no trágico – mas  não é triste por isso, e é o amor de duas mulheres que é trágico. Elas estão condenadas. Estejam em um convento ou na grande mansão do filme.
            As palavras de Bazin, antes de dar uma ideia do que é o filme de Brisseau, dão uma ideia do que é o cinema. Daí a pensar que o filme de Brisseau constitui por ele mesmo uma “ideia de cinema”... Essa ideia gira sempre em torno da inocência, e de sua perda. E de como a reter ou retornar a ela – pelo cinema. Para Bazin, o trabalho de embalsamento, para Brisseau, o da restituição. Salvar o ser restaurando a ele a aparência (mais que) humana. Revelá-lo. Fazer de uma forma que o cinema possa registrar o milagre, e que esse milagre pareça com a vida (um joelho que sangra sem ferimento, um paraplégico que se recupera porque lhe dizem que ele pode). Não somente que isso tenha uma aparência verdadeira, mas que isso seja verdade. O trabalho de Brisseau consiste não na restituição de um cinema-verdade mas, o que é mais difícil, de uma verdade do cinema. E se ele consegue, é porque ele conhece o cinema: uma moral das imagens.
            Quando Céline “aparece” a Geneviéve várias vezes, por exemplo, depois desaparece, é um simples caso de reenquadramento: ela está lá, ela não está mais. É uma imagem que se constrói de uma outra imagem – em relação a uma terceira, aquela de Céline em meditação, fora da casa. Quando Geneviéve presencia a levitação, questão de ponto de vista, nós vemos Geneviéve que vê Céline, em seguida vemos Céline, as duas não estão reunidas no plano porque (montagem proibida, ao inverso) nós só podemos ser as testemunhas do olhar de Geneviéve, não as testemunhas da cena: para cortar, isso seria trapacear, teria uma aparência verdadeira sem ser (haveria montagem na imagem, uma redundância grosseira já que Célinemonta sozinha), então que a verdade venha do olhar de Geneviéve sobre Céline (ela dirá a seu amigo que ela não sabe se Céline levitou, simplesmente que ela acreditou tê-la visto levitar). É preciso acreditar em seus olhos.
            À parte talvez Órfãs da Tempestade, de Griffith (uma certa perversidade ao menos), nós nunca vimos filme igual colocando em cena o amor entre duas mulheres. Geneviéve, a lunar, e Céline, a solar, são duas figuras inesquecíveis. Dois anjos do pecado (angesdupeché). A energia luminosa que cada uma emite – luz negra de uma, luz ofuscante de outra – que ambas se transmitem alternadamente quando necessitam aquecer seus corpos entorpecidos, que renunciam, é um calor humano praticamente visível na imagem, como uma aura (não realmente uma auréola) que emanaria de seus corpos e irradiaria tudo aquilo que as rodeia. Como o encontro de duas “atmosferas”...
            Entre elas, por elas, não há rastros, via-crúcis, as coisas acontecem quase brutalmente, ou melhor, de uma forma bruta; e Céline salta aos olhos, se impõe à nós: é um filme que, da mesma maneira que o recolhimento leva subitamente ao milagre, estabelece um suspense que resulta de súbito em um efeito de surpresa. É um filme que atordoa. Geneviève, demasiada humana, e Céline, demasiada evidente, se completam, como dois polos de energia que se atraem. Quem é a mais santa das duas? Esta já é outra história. A história de amor, ela, exala um odor de santidade, na troca absoluta do filme – e depois a troca de dois olhares: dar e receber. É simplesmente muito belo.    
            Eu percebi que esqueci de dizer que isso se passa em pleno campo, em uma grande mansão branca, que Geneviève é enfermeira e que Céline não é. Mas que bom: dizer isso não é dizer grande coisa. Em revanche, é preciso dizer que Brisseau não realizou um filme ecológico (écolo) de bom tom ou new age do tipo certo. Esses filme nós podemos reconhece-los porque eles são de um só modo e de uma só época, eles envelheceram rápido com a sua imagética galopante. Céline é de outro temperamento, daquele que vemos raramente no cinema francês, o temperamento místico (indubitavelmente a única maneira na França de ter direito a um olhar sobre o gênero “fantástico). O filme de Brisseau (que me faz decididamente muito pensar no Nouvelle Vague do Godard) toma uma dimensão “sobrenatural” porque ele consegue fundir o ser na natureza, que o enraíza. Alguma coisa se passa, se comunica entre Céline e o campo (os campos, a árvore sob a qual ela medita). Na “perspectiva” da mística do filme,do tratamento de seu espaço, a natureza abre a Céline “o caminho”. Ela suscita uma exaltação melancólica, um sentimento de plenitude que absorve literalmente a jovem mulher na paisagem. Em Brisseau, a natureza é sobrenatural...
            Natureza e panteísmo. Contemplação, meditação e iluminação. A relação trágica do ser no tempo, no amor, na morte. “Salvar o ser pela aparência.” E fazer um filme do cinema... Acreditando que o cinema  dessa vez, de fato, entrou em sua era romântica.
Esperando, Céline e Geneviève irão de bicicleta.

CamilleNevers,
Cahiers du Cinema nº 454, abril de 1992

(tradução Cauby Monteiro)

domingo, 11 de maio de 2014

Festival Cinema pela Verdade acontece essa semana na Cinemateca de Curitiba

Festival Cinema pela Verdade acontece essa semana na Cinemateca de Curitiba

Começa na Cinemateca de Curitiba a segunda etapa do Festival Cinema Pela Verdade em Curitiba, a mostra de filmes sobre o período da ditadura civil-militar que acontece simultaneamente em todos os estados brasileiros visa fomentar o debate sobre o tema, para isso teremos a presença de militantes políticos da época, pessoas que foram perseguidas e presas durante a ditadura civil-militar no Brasil. Na primeira sessão 14/05 será exibido o filme “Camponeses do Araguaia – A guerrilha vista por dentro”.  Na quinta-feira 15/05 teremos o documentário “Ainda Existem Perseguidos Políticos” ambas sessões contarão com debate após o filme.

Realizado nacionalmente pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), em parceria com o Ministério da Justiça, o projeto foi contemplado pelo edital “Marcas da Memória”, da Comissão de Anistia, que visa à promoção de eventos e projetos com foco na Ditadura Militar no Brasil e na América Latina. "O Festival de Cinema pela Verdade chega a sua terceira edição em um momento de afirmação de nossa democracia com o aniversário dos 50 anos do Golpe. Este ano serve para reafirmar o NUNCA MAIS e para dizermos em alto e bom tom que a sociedade brasileira não aceita ruptura com as instituições e com a Constituição", diz o Secretário Nacional de Justiça e Presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

No Paraná  o Festival conta com apoio da Faculdade de Artes do Paraná (FAP/UNESPAR), Cinemateca de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, Coletivo Atalante, Grupo Tortura Nunca Mais e Casa Livre Produções.


Detalhes sobre os filmes exibidos:

Camponeses do Araguaia, a Guerrilha Vista por Dentro, de Vandré Fernandes
Documentário, 14 anos, 73 minutos, Brasil, 2010
Sinopse: Camponeses falam da amizade com os “paulistas”, como chamavam os militantes do PC do B que lutaram na Guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar, e revelam as atrocidades cometidas pelo exército brasileiro na região entre 1972 e 1974.

Ainda Existem Perseguidos Políticos, produzido pela ONG Acesso
Documentário, 10 anos, 54 minutos, Brasil
Sinopse: O filme tem por objetivo fomentar o debate sobre a ausência de uma efetiva transição democrática no Brasil, pós-Ditadura Civil-Militar implantada no País a partir de 1964. Identifica semelhanças no agir do Estado no passado e atualmente, demonstrando que a cultura do autoritarismo permanece arraigada em algumas instituições estatais brasileiras. Apresenta também imagens do projeto que levou este debate para os mais variados públicos (quilombolas, universitário, LGBTT, assentados do MST, comunidades periféricas, etc) desenvolvido pela Acesso - Cidadania e Direitos Humanos em parceria com a Comissão de Anistia.

SERVIÇO MOSTRA CINEMA PELA VERDADE NA CINEMATECA DE CURITIBA:

> Data: 14/05
- Local: Cinemateca de Curitiba 
- Filme: Camponeses do Araguaia - A guerrilha vista por dentro
- Horário: 20:00
- Entrada franca

> Data: 15/05
- Local: Cinemateca de Curitiba
- Filme: Ainda existem perseguidos politicos 
- Horário: 20:00
- Entrada franca

Joel Schoenrock
Agente Mobilizador Festival Cinema Pela Verdade

Apoio: Coletivo Atalante

sábado, 10 de maio de 2014

Cine FAP: "Celine", de Jean-Claude Brisseau

Nesta segunda-feira, dia 12, o Cine FAP apresenta "Celine", dando continuidade ao ciclo Jean-Claude Brisseau que contará ainda com"Coisas Secretas", no dia 19; e  "A Garota de Lugar Nenhum", no dia 26.
Sempre com entrada franca!

Cine Fap: "Celine", de Jean-Claude Brisseau

Aos 22 anos, Céline passa por um momento doloroso: seu pai morreu e ela acaba de descobrir que é adotada. Seu namorado também não a quer mais. A garota ainda tem tendências suicidas.

Serviço:
dia 12/05 (segunda)
às 19 hs
no Auditório Antonio Melilo
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral) 
ENTRADA FRANCA

Realização: Cine FAP e HATARI! (Grupo de Estudos de Cinema)
Apoio: Coletivo Atalante

quinta-feira, 8 de maio de 2014

De certa maneira

O que há de comum entre a seqüência do “peep-show” de Paris-Texas, um plano seqüência alongado de Estranhos no Paraíso, um plano acrobático de O Elemento do Crime, a balada noturna à beira do Sena em Boy Meets Girl e tal plano de L’Enfant secret refilmado diretamente da tela da mesa de montagem? Nada, a não ser a consciência que atravessa esses cineastas, ao menos no momento em que ele fazem esses planos, que o cinema tem 90anos, que sua época clássica já passou há vinte anos e que sua época moderna acaba de terminar no fim dos anos 70. O que pesa muito pesado ao mesmo tempo no desejo e na dificuldade de inventar um plano de cinema hoje.
A esse desejo e essa dificuldade, cada um procura sua resposta, infeliz ou arrogante mas numa relativa solidão em relação a seus contemporâneos na criação cinematográfica. Wenders inventa para si mesmo um dispositivo bastante complicado de vidro e de telefone para chegar a simplesmente filmar um campo-contracampo entre um homem e uma mulher como o cinema americano dos anos 50 fazia uma dúzia a cada doze vezes, mas ele tem necessidade dessa prótese para reencontrar a figura mais “natural” do cinema clássico. Jim Jarmusch escolhe filmar como se o velho cinema moderno dos anos 60-80 fosse ainda seu contemporâneo. Lars Von Trier tenta se confrontar, com trinta anos de defasagem, com o mistério da construção em abismo dos filmes barrocos de Orson Welles. Leos Carax reinventa sob as estrelas de 1984 a poesia do “travelling de ator” que Cocteau descobria em 1949 no segredo de uma bricolagem de estúdio. Philippe Garrel, refilmando ao mesmo tempo a imagem (em câmera lenta) e o despolido da mesa de montagem integra em seu filme uma distorção deliberada de suas próprias imagens.

O momento maneirista

Podemos apreciar diversamente (é mesmo o caso entre nós) esses filmes, mas eles são todos, ao menos, estimáveis, e testemunham a evidência de um real amor pelo cinema e um projeto estético ambicioso que os coloca fora do lote comum dos produtos acadêmicos ou estandardizados. Se eu escolhi esses cinco – mas haveria muitos outros, igualmente legítimos, de Ruiz a Rivette – para introduzir esta reflexão sobre o maneirismo, é porque a palavra aparece num contexto que a situa de partida fora de toda conotação depreciativa. Tornou-se indispensável colocar a questão do maneirismo para compreender o que está se passando no cinema desde o começo dos anos 80. Eu mesmo tentei começar a fazê-lo aqui mesmo (Le vrai, le faux, le factice, Cahiers nº351; Le cinéma d’après, Cahiers nº360-1), convencido de que não se trata de forma alguma de uma questão escolástica.
Mas antes de qualquer julgamento de valor, antes mesmo de estabelecer as distinções mais finas entre filmes maneiristas e filmes maneirados, a questão do maneirismo pede para ser colocada fora de toda avaliação, em relação a esse momento da história do cinema em que nós entramos desde o fim do cinema moderno. Nenhuma dúvida de que já houvesse, em todos as épocas da história do cinema, temperamentos maneiristas e que seria de fato esclarecedor desenvolver um dia esse fio do maneirismo, na tessitura serrada da história do cinema em que ele se encontra ainda bem dissimulado. (Ao longo da entrevista que tivemos com Patrick Mauriès a respeito do maneirismo[1], apareceram nomes tão inesperados quanto o de Eisenstein). Mas não é essa perspectiva diacrônica que nos interessa nesse momento. A questão do maneirismo impôs-se a nós antes de tudo através de alguns filmes recentes. O que nos incitou a retornar (com a ajuda preciosa, entre outros, do livro de Patrick Mauriès Maniéristes[2]) à origem histórica da noção de maneirismo em pintura, e repensar esse momento da história do cinema que nós estamos prestes a atravessar em suas similitudes com esse momento histórico da pintura ocidental, no final do Quattrocento, que constituiu o Maneirismo histórico. Ele se caracteriza pelo sentimento que tiveram pintores como Pontormo ou Parmigianino de chegarem “tarde demais”, depois que um ciclo da história de sua arte tenha sido completado e uma certa perfeição atingida pelos mestres que lhes tinham precedido de perto como Michelangelo ou Rafael, a “Maneira” se constituindo como uma das respostas possíveis (com o Academicismo e o Barroco) a esse esmagador passado próximo. “O maneirismo”, escreve Patrick Mauriès, “se situaria, desde a origem, à beira, no limite de uma ‘maturidade’ que teria concretizado todas as suas potências, queimado seus estoques secretos”.

Uma defasagem de vinte anos

Se partimos dessa definição da “situação” do momento maneirista na história de uma arte, parece que logicamente esse momento chegou na França com vinte anos de defasagem e que a geração destinada ao maneirismo deveria ter sido a da Nouvelle Vague. Inicialmente porque a Nouvelle Vague foi a primeira geração de cineastas cinéfilos. Em seguida porque ela apareceu no final dos anos 50, ou seja, precisamente no fim dessa “maturidade” que constituiu para o cinema sua era clássica, no momento do abandono dos gêneros e da pulverização do público de massa pela televisão. Enfim, porque antes de realizarem seus primeiros filmes, quando eles eram críticos, os futuros cineastas da Nouvelle Vague escolheram mestres difíceis de superar. Hitchcock poderia ter sido o Michelangelo deles, e Hawks, seu Rafael. Mas essa admiração dos Mestres, curiosamente, não agiu sobre eles como consciência de um passado esmagador que os teria levado a ser os maneiristas dessa excelência, por eles teorizada, de um Hitchcock ou de um Renoir. Rohmer enunciava aqui mesmo esse paradoxo (Cahiers nº323-324): “É uma das coisas que distinguem os diretores da Nouvelle Vague dos outros: os diretores da Nouvelle Vague, que são críticos e teóricos, não funcionam assim quando eles filmam, ao passo que muitos diretores mais profissionais (...) tornam-se teóricos quando eles fazem seus filmes. Tem-se a impressão de que eles pensam: eis aqui um belo plano, e eles são capazes de justificar esse plano através de considerações históricas teóricas. Ao passo que aqueles da Nouvelle Vague, paradoxalmente, funcionam de forma mais instintiva”. É verdade que os cineastas da Nouvelle Vague tiveram a sabedoria intuitiva de darem a si mesmos mestres quase antinômicos. Consideremos seus quatro ases: Hitchcock, Hawks, Renoir, Rossellini. Malraux distingue a demiurgia e a estilização para estabelecer a diferença entre os maneiristas e seus mestres: “O que dá aos maneiristas tradicionais sua característica própria, é o questionamento da demiurgia pela estilização... Michelangelo deseja que sua arte seja mais verdadeira que a aparência, eles (os maneiristas) desejam somente que a sua arte seja manifestamente distinta desta. Mesmo a Virgem com o pescoço longo de Parmesan, comparada a uma Virgem de Rafael, de Leonardo, ganha um toque de coquillage e ourivesaria. Uma das características essenciais do maneirismo, na Itália, e depois na Europa do Século XVI, como em qualquer outra civilização, é substituir a estilização pelo estilo[3]”. Do lado da demiurgia, os cineastas da Nouvelle Vague escolheram Hitchcock e do lado da concretização de um cinema de gênero Hawks, ou seja, nos dois casos, um ideal cinematograficamente muito distante e inimitável na França, onde eles iam filmar seus primeiros projetos. No cinema europeu próximo, inversamente, eles deram a si mesmos os mestres mais liberadores possíveis, Renoir e Rossellini, contra o academicismo triunfante que representava aos olhos deles o cinema de qualidade francesa da época. Pode-se dizer que a admiração deles por Rossellini serviu objetivamente de antídoto àquela, que poderia ter sido bem mais paralisante, que eles tinham simultaneamente pelo inigualável domínio hitchcockiano.
A outra razão, não menos importante, que os distanciou sem dúvida do maneirismo, foi a impaciência que os conduziu a fazer seus primeiros filmes numa economia de pobreza, à margem do cinema convencional da época. Privados do sistema de estúdios e de estrelas ao qual eles não tinham acesso, eles se encontraram, por necessidade, novos motivos (os cenários naturais, a rua, novos atores), e por gosto, novos temas. Eles se encontraram um pouco na situação dos pintores que saíam pela primeira vez de seu atelier e descobriam novos motivos ao invés de procurá-los no Museu, nos quadros admirados de seus ilustres predecessores.
Tudo isso explica que a geração maneirista tenha talvez chegado com vinte anos de atraso na França, contrariamente ao que se deu nos Estados Unidos, onde uma primeira geração maneirista fez sua aparição no fim dos anos 50, ao sair da idade de ouro do cinema clássico. Na Alemanha, onde a primeira geração de novos cineastas chegou com dez anos de atraso em relação à Nouvelle Vague francesa, e conseqüentemente com a consciência do que vinha se concretizando exatamente antes deles e ao largo deles, de Wenders a Fassbinder passando por Werner Schroeter. Curiosamente, na França, no momento em que os cineastas da Nouvelle Vague faziam seus primeiros filmes, foi alguém que funcionou ao mesmo tempo como irmão mais velho e como companheiro de percurso, mas jamais verdadeiramente um modelo, que encarnou (somos quase tentados a dizer “no lugar deles”) essa postura maneirista: Jean-Pierre Melville. Em seu cinema, no tratamento “estilizado”, ligeiramente fetichista que ele fez submeter ao film noir e a seus componentes, sentimos permanentemente que ele está consciente de chegar depois que uma certa perfeição do gênero foi atingida, e isso conduz seu trabalho estilístico para o maneirismo. Godard, quase ao mesmo tempo, roda Acossado, e inventa novos personagens, novas formas, uma nova estética, traindo sem saber seu projeto de fazer um modesto filme imitado dos filmes B americanos.

Não há mais mestres absolutos

Patrick Mauriès nota, a propósito de Roberto Longhi, que se pode “assinalar um lugar, um momento preciso, uma verdadeira cena primitiva, no surgimento do maneirismo, na Florença da época: trata-se do momento em que os dois mestres absolutos – Leonardo da Vinci e Michelangelo – revelam diante de “um punhado de florentinos”, ainda jovens, o resultado de sua competição para a decoração dos muros do Palazzo Vecchio e em que esses últimos, maravilhados, começam fervorosamente a copiar e retomar os motivos, absolutamente novos, dessas cartelas”.
Estamos muito distantes, no cinema contemporâneo, de poder imaginar uma cena primitiva qualquer do gênero, não há mestres absolutos. O que caracteriza a situação “maneirista” atual, é ao contrário a enorme confusão dos estilos e dos modelos. Se, em todos esses cineastas, ou quase, pesa o peso daquilo que o cinema realizou em 90 anos (certos, como Wim Wenders, tiveram até a impressão, um momento em que tudo já tinha sido realizado), eles não se sentem forçosamente herdeiros do mesmo passado. No limite, cada um pode escolher para si o momento do cinema e eventualmente os mestres que cada um pretende prolongar de sua forma, aos quais ele pretende se apoiar ou medir sua empresa criativa. Para alguns, como Jim Jarmusch, esse será o cinema imediatamente anterior, o cinema moderno. Para alguém como Lars Von Trier, será o barroco wellesiano.
Para outros, que vão ignorar deliberadamente aquilo que o cinema trabalhou nos vinte últimos anos, vai ser questão de retomar o cinema no ponto em que sua concretização clássica o tinha deixado. Esses últimos ficam evidentemente ameaçados pelo academicismo, que consiste em fingir que uma velha forma, há muito tempo fissurada, fosse ainda fresca e viva. O “limite” de onde esses cineastas tentam partir hoje não é o mesmo para cada um, então eles não poderiam constituir uma verdadeira “escola”. A única coisa que eles têm verdadeiramente em comum é a consciência de aparecer depois de um esgotamento e que é preciso partir daí, mas cada um por si, para tentar atravessar esse momento “oco”, um pouco hesitante, da história do cinema.

Uma crise dos temas

Essa consciência não passa necessariamente pelo maneirismo. Tudo depende da resposta que é dada a ela. Fiquei impressionado, recentemente, ao ouvir Godard e Wenders, por exemplo, declarar quase ao mesmo tempo a mesma coisa a respeito do enquadramento, ou seja, em substância, que o cinema tinha perdido esse senso do enquadramento amplamente partilhado pelo passado. A essa constatação Godard responde deslocando a dificuldade: à equipe de Je vous salue, Marie, ele declara que não existe quadro a procurar, mas somente o eixo e o ponto exatos, e que o sentimento do enquadramento, se esse trabalhou for bem-sucedido, aparecerá sozinho e por acréscimo. Wenders, focalizando nessa dificuldade em enquadrar, reage de forma mais “maneirista” por uma valorização ligeiramente hipertrofiada do quadro que termina por dar ao espectador a impressão de que esse quadro, visível demais, está um pouco solto do plano da imagem. A focalização em uma dificuldade parcial em se igualar aos mestres ou ao cinema do passado culmina muitas vezes numa hipertrofia maneirista no tratamento desse traço particular. Godard, sabendo que ele não vai conseguir igualar as iluminações complexas de um cinema que ele admirou, escolherá uma solução radicalmente diferente: não iluminar ou então iluminar um mínimo, e vai reinventar assim uma nova estética.
Mas a atitude maneirista não é somente uma resposta formal a uma dificuldade formal. O maneirismo cinematográfico atual coincide, em toda evidência, com uma crise dos “temas”. Nas épocas em que temas novos ou simplesmente síncrones não se impõem aos cineastas, é grande a tentação de tomar emprestado ao passado – sem verdadeiramente acreditar neles – motivos antigos, caducos, e o tratamento maneirista se esforçará em fazer renovar seu aparecimento. A ausência de verdadeiros temas, aos quais os cineastas acreditariam minimamente, é sem dúvida característica de toda uma parte do cinema de hoje, tanto em sua vertente acadêmica como em sua vertente maneirista. Os cineastas que continuam a trilhar seu caminho relativamente ao abrigo da tentação maneirista são aqueles que têm um tema suficientemente pessoal para assim alimentar seu desejo sempre renovado de filme (Rohmer); aqueles, com Godard, que acreditam suficientemente no cinema para encontrar seu tema ao fazer o filme; ou enfim, aqueles como Pialat, que acreditam suficientemente no momento do encontro com o real para encontrar de acréscimo, nesse encontro, ao mesmo tempo seu verdadeiro tema e o cinema

Self-service

Falei até aqui das condições de emergência de um maneirismo contemporâneo que nos dá filmes bastante dignos de interesse e às vezes de admiração. Mas os anos 80 terão visto surgir uma nova espécie de produtos cinematográficos, sobretudo do lado das “novas imagens”, que derivariam de um maneirismo de outra natureza, um tipo de maneirismo à revelia. Desejo me referir a esses cineastas para quem o cinema não tem nem mais Mestres nem mais História, mas se apresenta como uma grande reserva confusa de formas, de motivos e de mitos inertes da qual eles podem beber com toda a “inocência” cultural, ao acaso de suas fantasias ou modas, para sua empresa de reciclagem de 90 anos de imaginário cinematográfico. Essa visão do passado do cinema que consiste em fazer não tábula rasa mas um self-service deve muito, sem dúvida, à difusão televisiva, onde todos os filmes perdem de uma certa forma sua origem histórica e sua relação com um cineasta singular. Em L’Irréel, Malraux enuncia a hipótese de que a aparição do maneirismo histórico, em pintura, se explicaria parcialmente pela difusão nascente da gravura que, diz ele, “traz um domínio de referências comuns aos quadros que ela reproduz” e que o preto, em oposição à cor dos originais, “metamorfoseia e une os quadros como o branco dos séculos metamorfoseia e une as estátuas”. Metamorfose que tem como efeito que, nas gravuras vindas da Alemanha, os pintores italianos “não descobrem uma outra fé mas um grafismo – e às vezes procedimentos de composição. Eles não acham igualmente, nas formas góticas, a revelação de um imaginário de Verdade: eles encontram formas (...) que não se relacionam mais ao divino”. A televisão, a seu jeito, esvazia identicamente os filmes de todo “imaginário de Verdade”, os desconecta de toda origem, e os retira toda aura singular. É provável que ela tenha contribuído para transformar a consciência do passado do cinema, a partir de onde pôde nascer um verdadeiro maneirismo, como simples reservatório de motivos e de imagens de onde está para nascer uma forma degradada e obtusa de maneirismo maneirado. Mas isso enceta talvez uma outra história, a história da reciclagem generalizada do cinema...

Alain Bergala
(Cahiers du Cinéma nº370)



[1] Na mesma edição, Cahiers du cinéma nº370, pp. 23-7
[2] Patrick Mauriès. Maniéristes. Editions du Regard.
[3] André Malraux. L’Irréel. Editions Gallimard.