quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Clube do Filme: A Inglesa e o Duque

O Clube do Filme do Atalante continua em atividade no formato virtual. A cada mês nos reunimos na quarta quarta-feira para a discussão de um filme e textos relacionados, sempre gratuitamente.

Em 2022 iremos explorar a filmografia do cineasta francês Éric Rohmer (1920-2010)!

Em setembro, continuamos explorando a obra tardia do diretor com "A Inglesa e o Duque" (
L'Anglaise et le Duc, 2001).

Dessa forma, o cinema é muito mais do que uma linguagem: sua função não é dizer “de outra maneira” o que já foi dito. Muitas vezes ele foi tido como um tipo de mímica refinada, um meio de exprimir, pelo gesto e pela alusão, o que o romance e o teatro pintavam pelo discurso. O cinema não somente tem sua maneira, sua forma própria, mas traz um material que era desconhecido antes dele: esse canto secreto do mundo que, por conta de sua magia, ele é capaz de revelar; o incomparável som que, manuseado com maestria, faz ressoar tudo o que toca.
- Éric Rohmer, na quarta parte de "O Celuloide e o Mármore", leitura recomendada para este mês.

O filme está disponível aqui. Qualquer problema, fale conosco.

Texto indicado para leitura:
A) A parte 4 de "O Celuloide e o Mármore", de Éric Rohmer, disponível na íntegra aqui.

Como de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não é exigido para participação. Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.

Devido a limitações de tempo do Meet, voltamos com nossa sala do Jitsi.

Serviço:

Clube do Filme: "A Inglesa e o Duque" (2001), de Éric Rohmer
Dia 28/09 (quarta-feira)
Das 19h15 às 21h30
ENTRADA FRANCA

Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Cineclube do Atalante: Not Wanted

Neste sábado, o Cineclube do Atalante exibe um filme de Ida Lupino. Entrada franca, sempre!




“Not Wanted”, de Ida Lupino


(Not Wanted, EUA, 1949, drama, 91 min., livre)


Direção: Ida Lupino. Com Sally Forrest, Keefe Brasselle, Peter Lawford.


Uma jovem se sente atraída por um músico viajante enquanto se sente sufocada com a forma como seus pais a tratam. Ela deixa sua cidade natal para segui-lo, mas fica grávida e então é abandonada por ele e enfrenta uma decisão sobre o que fazer com seu bebê. Ela entrega a criança depois de dar à luz, mas se sente culpada a ponto de quase arrebatar uma criança de um carrinho.


Serviço:


CINECLUBE DO ATALANTE

“Mãe Solteira” (“Not Wanted”, 1949), de Ida Lupino

Sábado, 17/09

Às 16h

Na Cinemateca de Curitiba

(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco) (41) 3321-3552.


ENTRADA FRANCA



Realização: Coletivo Atalante

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

O Pecado de Cluny Brown (1946)

por João Bénard da Costa


O título português desta obra, dá um pouco que pensar. Não se sabe se o tradutor fez prosa sem saber ou foi mais subtil que a maior parte dos críticos da época. Efectivamente, Cluny Brown nada faz no filme que possa ser classificado, de perto ou de longe, como um "pecado"; efectivamente, o filme de nada mais fala que do pecado, não do que ela faz, mas do que ela é. Se o título fosse mais exacto, não ficaria mal esta obra chamar-se não O Pecado de Cluny Brown mas O Pecado Cluny Brown. Porquê?

Nesta história, das mais insólitas que Lubitsch alguma vez contou, a protagonista surge-nos associada a duas preocupações maiores: encontrar o seu lugar, como o tio sempre lhe disse, e encontrar-se no lugar da profissão do tio, retirando o máximo prazer da acção de desentupir canalizações entupidas. Aparentemente, nada há nessa inquietação e nesse gosto de pecaminoso: realmente, introduz-se uma profunda inquietação de cada vez que Cluny Brown arregaça as mangas e avança, alegre e inocentemente, para as cozinhas ou para as casas de banho, a resolver esse pequeno problema doméstico. Perturbação que, no dia dos anos da futura sogra, é tão grande que lhe escangalha o casamento e lhe arruína a reputação. Para lá da ironia lubitschiana da situação (confronto entre a fachada puritana da família do farmacêutico ou dos lordes ingleses e a "naturalidade" de Jennifer Jones), tornando eventualmente chocante um episódio bem inocente, perfila-se uma segunda leitura (pontuada, na sequência inicial, pelo plano sobre o lava-loiças pejado de detritos) que é efetivamente chocante e nada tem de inocente. A imagem da porcaria contamina imediatamente Jennifer Jones, tornando-a uma mancha naquele mundo de fachada impecável. Ela não faz pecados, ela é um pecado: eis o que, numa das suas supremas elipses – elipse que constitui um filme – Lubitsch nos diz, nesta obra sobre o lugar do "porco" e do "limpo", da medida e da desmedida, da regra e da desregra.

Não é nada indiferente que esse lugar de pecado seja uma mulher com a aparência de Jennifer Jones (provavelmente, o efeito seria anulado, se o canalizador, como esperava o proprietário da primeira casa, fosse um homem). Não é nada indiferente que a acção se situe em Inglaterra, lugar por excelência da "limpeza", da "medida" e do "vitorianismo", naqueles assombrosos décors, onde o supremo tabu é, por definição, a referência a qualquer orgânica necessidade; não é nada indiferente que o tempo do filme seja o do imediato pré-guerra (1938), quando a sociedade inglesa estava nas vésperas de ser contaminada pelo mal nazi; não é nada indiferente que o único cúmplice de Cluny Brown, Adam Belinski, seja um estrangeiro, uma vítima do nazismo e comece por ser confundido com o esperado canalizador.

Logo nessa sequência inicial se estabelece, em torno do problema de lugar que tanto preocupa Jennifer Jones (enquanto está agachada debaixo do lava-loiças) a cumplicidade entre ela e Boyer. À transgressão de Jones, junta Boyer a transgressão verbal explicando-lhe a indiferença dos lugares e a permutabilidade entre as frases "nozes para os esquilos" ou "esquilos para as nozes" que, na sequência perto do fim, quando Jones vai ter com Boyer ao comboio, permite a este a plena revelação (associada ao tema da roupa de baixo).

Dessa inicial sequência de canalizadores, passamos para o solar e para Jones criada. A entrada desta em casa dos patrões é um dos momentos mais admiráveis do filme, e, provavelmente, poucas obras, mesmo em parâmetros ideológicos que Lubitsch não tinha, nos terão dito tanto sobre o estatuto e relações de classes. Porque Jones é confundida com uma "aventura" do velho coronel, personagem cujo estatuto implicava a tolerância para tais situações. Isto lhe permite sentar-se à mesa, tomar chá e, sobretudo – facto mais chocante – comer muito, o que torna cada vez mais surpreendente, aos olhos dos lordes, a sua associação ao coronel, mesmo como aventura dum dia. E quando finalmente Cluny Brown revela ao que vem, a imperceptível mudança (mas para ela decisiva) explica, finalmente, pela sua classe, o seu mistério, que é fundamentalmente o mistério do prazer. Depois, é a portentosa oposição ao mundo dos velhos mordomos (a relação entre a cozinheira e o mordomo é uma das mais geniais "maldades" de Lubitsch) e a cena em que Jones serve o jantar, tornando-se culpada da única gaffe indesculpável: ter explicado ao patrão que havia na peça de carne bocados melhores e bocados piores e que devia escolher os primeiros e não os segundos. Em torno da comida, prossegue a alusão que tinha começado em torno dos detritos: a história é a mesma. História a que vários contrastes – a casa do farmacêutico, o episódio amoroso entre Betty e o filho dos donos da casa, com os gritos e a impecável intervenção da sogra – vão conferindo maior peso elíptico, dando sempre o avesso de um direito jamais mostrado para, em termos convencionais, mostrar o direito de um avesso jamais exibido. E chegamos à segunda sequência de canalização, do dia do anúncio de casamento, em que o único cúmplice de Cluny é o miúdo e em que o presente de anos (a acção de dar prazer) se transforma na desgraça da protagonista. Para lá de tudo o que faz rir e do monumento de mise-en-scène que essa sequência é, Lubitsch retira as últimas dúvidas sobre a falta de lugar de Cluny Brown. Lugar que só encontrará no fim, na América, vestida de peles, entre novas associações não menos escabrosas: o romance policial e os ataques dos rouxinóis (nightingale em inglês, com a implícita alusão à vitória da noite sobre o dia, do mundo da criada e do exilado sobre o das ordenadas e limpas vidas que antes víramos).

A propósito de Heaven Can Wait (e recorde-se que esse filme e este são as duas últimas obras de Lubitsch) escrevi que o riso do autor se ia progressivamente gelando e recordei La Règle du Jeu de Renoir. Cluny Brown tem mais uma vez que ver com isso. O típico mundo lubitschiano, da plenitude de todos os instantes e da riqueza e variedade de histórias e personagens, atinge nesta obra magistral um despojamento deveras surpreendente. Já se disse que ele era "o lado oculto" de uma obra de que os outros filmes seriam o lado visível. Talvez seja melhor dizer que, ultrapassando o artifício da ilusão, Lubitsch se concentrou na ilusão do artifício: uma história em que quase se não passa nada, personagens quase sem história e a elipse a invadir todo o filme tornando-o progressivamente silencioso e fantomático. Por isso, talvez, este é um filme sem música, por isso, talvez este é o filme de Lubitsch em que a câmara menos se move e em que o vazio ocupa mais lugar. Cineasta tão ligado ao prazer e à carne, é sintomático que tenha terminado filmando o tabu desse prazer e dessa carne, ou o grande escândalo – o pecado – da sua jamais pacífica coexistência.

Texto em português de Portugal, escrito antes do Acordo Ortográfico em vigor e mantido conforme original. Retirado de http://www.cinemateca.pt/programacao.aspx?ciclo=1202.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Cineclube do Atalante: O Pecado de Cluny Brown

Neste sábado, o Cineclube do Atalante exibe uma comédia de Ernst Lubitsch. Entrada franca, sempre!


“O Pecado de Cluny Brown”, de Ernst Lubitsch

(Cluny Brown, EUA, 1946, comédia romântica, 100 min., livre)
Direção: Ernst Lubitsch. Com Charles Boyer, Jennifer Jones, Peter Lawford.

Cluny Brown é uma garota bem avançada para a sua época (Inglaterra, final dos anos 30). Encanadora amadora (e à revelia do seu tio), Cluny conhece por acaso Adam Belinski, um intelectual tcheco refugiado, defensor da liberdade de pensamento (e perseguido por Hitler). Contudo, Cluny é enviada para trabalhar como criada para uma família rica no interior. O destino encarrega-se de reuni-los. Deste reencontro nasce uma série de equívocos, confusões e choques de mentalidades, entre todos os que os rodeiam.

Serviço:

CINECLUBE DO ATALANTE
“O Pecado de Cluny Brown” (“Cluny Brown”, 1946), de Ernst Lubitsch
Sábado, 03 de setembro
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco) (41) 3321-3552.
Sala sujeita à lotação. Recomendamos o uso de máscaras PFF2 durante o evento.

ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Clube do Filme: Os Encontros de Paris

O Clube do Filme do Atalante continua em atividade no formato virtual. A cada mês nos reunimos para a discussão de um filme e textos relacionados, sempre gratuitamente.

Em 2022 iremos explorar a filmografia do cineasta francês Éric Rohmer (1920-2010)!

Em julho, continuamos explorando a obra dos anos 1990 do diretor com "Os Encontros de Paris" (Les Rende-vouz de Paris, 1995).


Um fato possível é um fato que, não tendo acontecido, poderia ter acontecido. O salgueiro poderia ter tido cupins. Um fato contingente é um fato que, tendo acontecido, poderia não ter acontecido. O salgueiro poderia não ter resistido à passagem dos anos. Um fato aleatório é um fato que poderia muito bem ter acontecido como não ter acontecido, quer dizer que é igualmente suscetível de ter acontecido como de não ter acontecido. As causas tem como natureza iniciar “alguma coisa”. Elas não são portanto incompatíveis com o acaso que não é nada além do que a falta de razões (de iniciar alguma coisa mais do que não iniciar nada). O acaso não é a ausência de causa, mas sim uma causa, a causa de tudo aquilo que é inexplicável, de tudo aquilo que tem igualmente razões de ser e de não ser. Toda a genialidade dos sete acasos está aqui. Aquilo que aconteceu é só contingente, aquilo que não aconteceu continua (ainda) possível.
- Serge Bozon, sobre "A Árvore, o prefeito e a mediateca", filme tema do mês passado e leitura recomendada para o encontro de agosto.

O filme está disponível aqui. Qualquer problema, fale conosco.

Texto indicado para leitura:
A) Serge Bozon: "Variações sobre 'A Árvore, o prefeito e a mediateca'", disponível aqui.

Como de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não é exigido para participação. Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.

Devido a limitações de tempo do Meet, voltamos com nossa sala do Jitsi.

Serviço:

Clube do Filme: "Os Encontros de Paris" (1995), de Éric Rohmer
Dia 24/08 (quarta-feira)
Das 19h15 às 21h30
ENTRADA FRANCA

Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Mostra Rogério Sganzerla 75

O Cineclube do Atalante apresenta MOSTRA ROGÉRIO SGANZERLA 75.

Vamos celebrar a vida e a obra de um dos maiores diretores da nossa história em oito sessões na Cinemateca de Curitiba durante o mês de agosto, todas em cópias digitais restauradas, com entrada franca e seguidas de debate com o Coletivo Atalante.

Metafísico e político, detentor de um original senso de humor, que só poderia ser brasileiro, erudito e enraizado na cultura popular literária e cinematográfica (como seus semelhantes Oswald de Andrade e Nelson Rodrigues, e na bem-sucedida “chanchada”), Rogério Sganzerla é autor de percepções proféticas e metafísicas (é para se conhecer O Abismu, filme reconhecido internacionalmente na Itália, Festival de Turim e Roma 2004, como grande “Capo Lavore”) e escrita humanista (clara no seu último roteiro Luz nas Trevas e também no seu filme O Bandido da Luz Vermelha, destacado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade).

- Helena Ignez, em trecho de texto inédito que integra o catálogo da nossa mostra.

Programação completa:

13/08, sábado:
16h: Sessão curtas (Documentário, HQ, Brasil, Isto é Noel Rosa, Perigo Negro)
19h: O Bandido da Luz Vermelha

14/08, domingo:
16h: A Mulher de Todos
19h: Sem Essa, Aranha

27/08, sábado:
16h: Copacabana, Mon Amour
19h: O Abismo

28/08, domingo:
16h: Tudo É Brasil
19h: B2 (curta) + O Signo do Caos

Serviço:

Mostra Rogério Sganzerla 75
Dias 13, 14, 27 e 28 de agosto
Às 16h e às 19h

Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco)
(41) 3321-3552.

ENTRADA FRANCA! Sala sujeita à lotação. Recomendamos o uso de máscara PFF2 durante o evento.

PROJETO REALIZADO COM RECURSOS DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA E DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA.

Arte: @tramoia.atelie
Realização: Coletivo Atalante
Incentivo: Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba