quinta-feira, 16 de março de 2023

Cineclube do Atalante: Os Desgraçados Não Choram

 O Cineclube do Atalante na Cinemateca de Curitiba exibe neste sábado um filme de Vincent Sherman estrelado por Joan Crawford. Entrada franca, sempre.

Os Desgraçados Não Choram, dirigido por Vincent Sherman.


(The Damned Don't Cry, EUA, 1950, noir/drama, 103 min., 14 anos)

Com Joan Crawford, Hansen Forbes, David Brian.


Cansada de viver na pobreza, Ethel Whitehead (Joan Crawford) abandona o marido e ao se envolver com homens ricos e gangsters chega a mais alta escala social. Só que ela pagará um preço alto por isto.


Serviço:


CINECLUBE DO ATALANTE

“Os Desgraçados Não Choram” (1950), de Vincent Sherman

Sábado, 18/03

Às 16h

Na Cinemateca de Curitiba

(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco)

(41) 3321-3552

ENTRADA FRANCA



Realização: Coletivo Atalante


quarta-feira, 1 de março de 2023

Cineclube do Atalante: Humoresque

O Cineclube do Atalante na Cinemateca de Curitiba exibe neste sábado um filme de Jean Negulesco estrelado por Joan Crawford. Entrada franca, sempre.


Humoresque, dirigido por Jean Negulesco.

(“Humoresque”/“Acordes do Coração”, EUA, 1946, drama, 125 min., 14 anos)
Com Joan Crawford, John Garfield, Joan Chandler.

Paul Boray (John Garfield) é um jovem violinista que se envolve com Helen Wright (Joan Crawford), uma mulher socialite e sua mecenas. Enquanto se aproveita da situação, Paul acaba se tornando caprichoso, já Helen se debate em sentimentos de culpa. No entanto, Paul precisa descobrir o que é mais importante para ele: a boa vida ou a música.

Serviço:

CINECLUBE DO ATALANTE
“Humoresque” (1946), de Jean Negulesco
Sábado, 04/03
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco)
(41) 3321-3552
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Cineclube do Atalante: O Terceiro Tiro

Neste sábado, o Cineclube do Atalante exibe "O Terceiro Tiro", de Alfred Hitchcock. Entrada franca, sempre!


"O Terceiro Tiro", um filme de Alfred Hitchcock. 

(The Trouble with Harry, EUA, 1955, comédia/suspense, 99 min., 10 anos).

Direção: Alfred Hitchcock. Com Shirley Mclaine, John Forsyte, Edmund Gwenn.

Em uma pequena cidade do estado de Vermont, um corpo é encontrado em uma floresta criando muita confusão: todos querem esconder ou fazer algo com ele, sem levantar suspeitas.

Serviço:

CINECLUBE DO ATALANTE
"O Terceiro Tiro" ("The Trouble with Harry", 1955), de Alfred Hitchcock
Sábado, 25/02
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco) (41) 3321-3552.
ENTRADA FRANCA

Realização: Coletivo Atalante

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Blake Edwards, por João Bénard da Costa


Edwards tem os seus fans e não são poucos. Não só os que se deliciaram com as várias panteras cor-de-rosa, como os que não cessam de procurar na sua obra uma coerência de autor, na nostalgia dos seus primeiros e muito aclamados filmes.


Para os defensores (apoiados na dedicatória de The Great Race, de 65, a Olivere Hardy), Blake Edwards, é, hoje, o último dos representantes da grande tradição do burlesco americano e das "tartes à la creme", traço da união entre a herança do Bucha e Estica, de Langdon ou até (para raros) de Keaton com a de Jerry Lewis, por imposto de Peter Sellers. Para outros, continua a ser um mestre da comédia, e o homem que deu nova vida à Julie Andrew, sua mulher. Finalmente, há quem veja nele o permanente inadaptado, oscilando entre uma "matéria" e uma "maneira", ou seja, resolvendo através do maneirismo a renascença que nunca se consolou de ter perdido.


Puxa-me pouco o pé para tais discussões, que também não vêm ao caso, num cineasta que só cruzou o musical por acidente. Nunca houve nenhum filme dele que particularmente me irritasse – achei-o sempre capaz de contar bem uma história, com desenvolvimento e à vontade – nunca houve um filme dele que particularmente me entusiasmasse. Achei-o sempre sem asas para voar e não foi o tão aclamado Victor/Victoria que me fez mudar de opinião. A não ser... A não ser um dos últimos que por cá passou – e que fui ver por insistência de João César Monteiro. Chama-se That’s Life e na verdade espantou-me muitíssimo. Mas quanto a ser um autor, peço desculpa mas continuo a ter dúvidas e não vejo ponto de contato entre o Mister Cory (56) – filme razoavelmente divertido –, a desastrada adaptação de Truman Capote que é Breakfast at Tiffany’s (61), o melodrama para alcoólicos – Days of Wine and Roses (62) –, as Panteras, o Victor/Victoria (82) ou o remake londrino de Truffaut no The Man Who Loved Women (83). Certamente, foi capaz de dirigir muito bem alguns notáveis actores (Tony Curtis, Audrey Hepburn, Jack Lemon, Peter Sellers) e extrair o melhor da ex-Mary Poppins, quando percebeu a frescura. Mas nada disso o faz herdeiro de Wilder ou de Mankiewicz, quer pelo lado cáustico, quer pelo lado femeeiro. É um profissional competente, à busca de sucesso e de boas histórias. Não é poucochinho, mas não é famoso. Podíamos passar bem sem ele, embora com ele tenhamos tido momentos divertidos. No fundo, Edwards ficou sempre a ser o que foi inicialmente – um excelente argumentista, capaz de engendrar boas comédias. Mas por mim não tenho dúvidas que as que escreveu para outros (sobretudo para Richard Quine) foram bem melhores filmes do que as que realizou, com as eventuais excepções de Mister Cory (no início) ou de Victor/Victoria e That’s Life, nos anos 80.


Filho de um encenador, nascido em Tulsa (Okla), Blake Edwards iniciou-se no cinema como actor, alto, bonito, igual a tantos secundários desses anos 40. Ten Gentlemen from West Point (Hathaway, 42), Strangler from the Swamp (Frank Wisbar, 45), Leather Gloves (Richard Quine, 48), Panhandle (Lesley Selander, 48), Stampede (Selander, 49), testemunham esta fase inicial.


Nos anos 50 começou a escrever argumentos e colaborou notavelmente com Quine em Rainbow’ round my shoulder (52), All Ashore (53), Cruisin Down the River (53), Drive a Crooked Road (54) e sobretudo nos magníficos My Sister Eileen (55, que vimos neste ciclo) e Operation Mad Ball (57). Ao mesmo tempo, treinou a mão na televisão (é um dos muitos cineastas dos fifties em que o estilo TV é patente) e em 1955 iniciou a carreira de cineasta, com Bring Your Smile Along, um musical com Frankie Lane.
Mister Cory (56) é, como já disse, um dos seus filmes mais interessantes, com Tony Curtis em grande forma. Mas os seus êxitos só começaram nos anos 60: Breakfast at Tiffany’s (61, com Audrey Hepburn), Days of Wine and Roses (62, retomando em menor o tema do The Lost Weekend do Wilder), até chegar em The Pink Panther em 64, que se revelou um filão inesgotável (já houve mais seis). Houve quem gostasse de A Shot in the Dark e quem risse muito com What Did You Do in the War, Daddy? com James Coburn. Depois foi o casamento (o segundo) com Julie Andrews em 69 e a série de filmes que fez com ela, entremeando com as Panteras ou com o Ten de 1979, em que Bo Derek fez vibrar tantos. E parece, com Julie e em Londres, em plena forma, prometendo muitos e grandes êxitos futuros. É capaz, até, de ter iniciado com That’s Life uma série de bons filmes. Também é capaz de não ser capaz disso. That’s Life pode ser o limite máximo. Tudo é possível, ainda, para este homem capaz de digressões, de diversões, de invenções e de inversões.


Texto originalmente escrito para publicação em "As Letras". In O Musical (Coordenação João Bénard da Costa). Lisboa, Cinemateca Portuguesa; Fundação Calouste Gulbenkian, 1989. vol. III, p.170-171, editado por ocasião do Ciclo "Cinema Musical", que teve lugar na Cinemateca e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Dezembro de 1985/Janeiro de 1986. Retirado de Escritos sobre Cinema, Tomo I, 2º volume, de João Bénard da Costa. Lisboa: 2019. p. 351-353. Mantivemos a grafia original de Portugal.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Cineclube do Atalante: Vítor ou Vitória?

O Cineclube do Atalante na Cinemateca de Curitiba retoma suas atividades em fevereiro com sessões nos dias 11 e 25! Entrada franca, sempre.

Dia 11, sábado, às 16h: uma comédia musical dirigida por Blake Edwards.



Vítor ou Vitória?, de Blake Edwards.


(“Victor/Victoria”, EUA, 1982, musical/comédia, 134 min., 10 anos)
Com Julie Andrews, James Garner, Robert Preston.

Na Paris de 1934, Victoria Grant é uma cantora lírica desempregada e faminta que conhece Carroll Todd, mestre de cerimônias recentemente demitido. Juntos eles articulam um plano no qual ela se faz passar por um homem, o Conde Victor - cantor e drag queen de uma voz forte e potente. Mas a farsa corre o perigo de ser desmascarada quando ela se apaixona por King Marchand, um gângster que veio a Paris acompanhado de sua amante e seu guarda-costas.

Serviço:

CINECLUBE DO ATALANTE
“Vítor ou Vitória?” (“Victor/Victoria”, 1982), de Blake Edwards
Sábado, 11/02
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco) (41) 3321-3552.
ENTRADA FRANCA

Sala sujeita à lotação. Recomendamos o uso de máscaras durante todo o período de permanência na sala de exibição.

Está com sintomas gripais como tosse, dor de garganta, febre, congestão nasal, perda do olfato ou paladar? Procure ajuda médica e faça o isolamento.

Realização: Coletivo Atalante

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

"Guerra": Ir e vir, talvez não voltar

por Giovanni Comodo

Ao crepitar de uma fogueira, dois homens contam histórias, “não pode deixar morrer o fogo”, diz um deles. Com uma cena tão antiga quanto a humanidade, começa o novo e mais ousado trabalho de José Oliveira e Marta Ramos, um filme que é afinal sobre deixar a chama viva. Qual chama? A da memória, da vida, dos companheiros de luta, dos amigos. Na tela e para além dela.

"Guerra" nos faz acompanhar Manuel, veterano da Guerra Colonial Portuguesa, vivido por José Lopes. Envelhecido, caminhamos com ele pelas ruas de Lisboa em momentos com a esposa e o filho, com os amigos veteranos, e também em seus pesadelos crescentes, tomados por dor e culpa. Este homem, que já não diferencia passado e presente, fantasmas e carne-e-osso, vai sucumbindo até, finalmente, descansar.

A guerra é sempre um trauma de uma nação, uma dívida que nunca é totalmente quitada, mas que tampouco deve ser esquecida, sob o risco de ser repetida. Ao mesmo tempo, a experiência vivida pelas pessoas que foram lutar muito além de suas fronteiras é tão individual que torna difícil (se não impossível) de ser compartilhada com outros. Como dar conta, hoje no cinema, de seu horror e violência? A resposta que Oliveira e Ramos oferecem é que não se trata de mostrar o horror da guerra em si, mas o preço que esta continua cobrando de seus agentes e testemunhas, assombrados pelo pecado e pela mágoa tantas décadas depois. Se os realizadores, com poucos recursos mas grande sensibilidade e inteligência, conseguem reverberar tanto é porque nos levam direta e irremediavelmente ao drama íntimo de um homem. É um filme anti-guerra e anti-filme-de-guerra. As várias e progressivamente desconcertantes cenas de Manuel em trajes de exército poderiam ser flashbacks ou sonhos ou mesmo tardes reais em busca de si próprio em algum bosque, não importa. Estamos ao seu lado, impotentes, e com ele vamos até o fim.

Há muita dor em “Guerra”, porém também é um filme repleto de pequenas alegrias e delicadezas. Os conselhos de Manuel a seu filho, seu jogo improvisado de futebol, a sua interação com uma menina poetisa ou a dança do casal ao som de Neil Young são momentos de grande beleza. Assim como as cenas dos veteranos reunidos em uma tarde ensolarada com suas canções (hawkisianos sempre tocam duas em seguida). É um imenso prazer ouvir e ver estes homens comuns com seus sotaques, rugas e a barriga da “experiência”. Trata-se de um registro importante: cabe ao cinema guardar para o futuro o mundo presente, suas pessoas, seus gestos, suas respirações. Já na apresentação destes veteranos, em chamada, está o cerne do filme: em dois travellings laterais, dar a ver estes homens comuns (quase todos reais combatentes da guerra), ao mesmo tempo que se insere o áudio de algo como bombas, distorcidas. Duas tomadas enganosamente simples, repletas de gravidade, respeito e de algo intangível: o peso da memória sob a luz.

Porque este filme luminoso é também um filme sobre luz. As passagens nos dias contemporâneos são banhadas por uma luz branca, leitosa, própria dos tempos do digital – como nas cenas com o filho presente –, enquanto que Manuel parece estar em plenitude nas cenas com luz amarelada, dourada, calorosa, de outra época (e de outro cinema) que parece não mais existir, em vias de desaparecer – como seu protagonista – como vemos nas cenas de sonhos ou no consultório da psicóloga em que domina o tom amarelo (uma cor que toma até os grafismos e letreiros dos créditos). Este embate de luzes desafia Manuel por todo o filme, até que ele próprio se transforma em luz no seu último instante.

Nada do que foi discutido aqui até agora seria possível sem o trabalho e a presença de José Lopes. Sua performance como Manuel, ou Manecas, é antológica. Colaborador e amigo de longa data dos diretores, partiu dele a ideia e a vontade de realizar este filme. Se na parceria anterior com José Oliveira, “Longe” (2016), Lopes já era o fio condutor do filme (de forte cunho autobiográfico), aqui as apostas são levadas às últimas consequências, em uma entrega sem reservas de ambas as partes. A cena no consultório da psicóloga, um tour de force de quase dez minutos sobre o rosto de Lopes, é emblemática: tensão, medo, orgulho, angústia, dor, uma enorme gama de sentimentos é transmitida sem necessitar que ele diga nada. Sentimos juntos. A intensidade desta cena, em brasas, consiste em uma espécie de “exorcismo doce” que acaba por nos jogar cada vez mais adentro no labirinto de memórias de Manuel e de seus fantasmas de carne e amigos de bruma – e levando consigo todo o filme, que tampouco separa o real e o imaginário, o sonho e o pesadelo.

Já não temos mais chão. Nunca tivemos realmente.

“Guerra” é também o último filme de José Lopes, que deixou este mundo em dezembro de 2019.

Já não temos mais o Zé Lopes.

A sua última cena, uma das mais assombrosas da cinematografia recente, em que de uma só vez temos a despedida de Manuel do filme e a de José Lopes do cinema, é nada menos que um milagre oferecido a nós, a plateia. Vemos acontecer a alma sair do corpo de um homem e subir aos céus neste filme. Não há outra explicação. Não é cinema mais, é real. E de uma coragem imensa dos realizadores em exibir isto em um filme nos dias cínicos de hoje.

“Procura a felicidade que ela deve existir” afirma Manuel/Zé pouco antes, perto do final da projeção. Em uma história com tantas dores, há espaço para a esperança e o amor.

E afinal, para que serve o cinema? Oliveira e Ramos dão várias respostas a esta questão em “Guerra”: para nos revelar histórias e pessoas que não podem ser esquecidas, para nos exibir o invisível, para reunir quem amamos e compartilhar este sentimento. Pois o trabalho deste casal de diretores é de amor. Por quem e onde filmam, por quem reúnem a sua volta para realizar seu cinema – vários amigos, seus familiares e tantos outros. E também a quem tem a chance de vê-lo.

Para manter a chama acesa. Longa vida ao cinema, ao “Guerra” e ao Zé Lopes. Não se apagarão.


O filme "Guerra", de José Oliveira e Marta Ramos, estreia nas salas portuguesas em 19 de janeiro de 2023. Texto retirado do livro "Encontros Cinematográficos", edição organizada por Mário Fernandes e Carlos Fernandes, publicado em 2020 por Jornal do Fundão & Stone and The Plot.