Tenho o mau hábito de não ser pontual, mas eu próprio não supunha chegar tão atrasado. Peço desculpa e agradeço a vossa paciência, sobretudo aos actores e aos técnicos que trabalharam no filme e esperaram por ele durante estes 12 anos.
Muita coisa se passou no Mundo. E no cinema também. Por isso o filme possa parecer anacrónico. Mas para mim sempre foi importante vê-lo acabado e finalmente poder ser visto. Aqui está, tal como foi possível.
Poderia escrever muita coisa sobre todo o processo, mas melhor ou pior, já são coisas conhecidas e hoje, a poucas horas da sua primeira exibição pública, confesso o meu cansaço e não vou escrever muito mais.
Muito obrigado a todos os que acreditaram neste XAVIER - "There was a naughty boy...
E ficar com um poema, para beber com um whisky. Se possível 12 anos.
Manuel Mozos
Lisboa, 10 de outubro de 2003.
Texto em português de Portugal, da folha de registro da primeira exibição na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema de "Xavier" (1991-2002), de Manuel Mozos . Agradecimento: Eduardo Baggio.
sexta-feira, 26 de março de 2021
Apresentação de "Xavier" (1991-2002)
quinta-feira, 18 de março de 2021
Curso de crítica cinematográfica online e remoto: nova turma

Teoria, História e prática no curso de crítica de cinema: online e ao vivo.
Atendendo a pedidos, a Olhar de Cinema + abre nova turma para as aulas com Giovanni Comodo do Coletivo Atalante. Em seis aulas, com início em 22/03. Os vídeos de duas aulas são disponibilizados a cada segunda-feira e, na seguinte, às
20h, acontecem os encontros ao vivo em link exclusivo para tirar dúvidas e
outras conversas com o instrutor. O curso, de caráter
introdutório, também conta com grupo exclusivo na plataforma da Olhar de
Cinema + e emissão de certificado de participação. Inscrições
limitadas, até 22/03 às 19h.
MATÉRIAS:
- Aspectos fundamentais da crítica
– Como avaliar para além do gosto?
- Mise en scène e narrativa visual
– A busca por parâmetros: Qualidade ou interesse provocado?
– Por uma “Política dos Autores”
– Nova abordagem: por uma “Política das Atrizes”
- Dilemas da crítica
- Novas formas a serem exploradas pela crítica
- História da crítica de cinema brasileira
E muito mais.
Aulas liberadas nos dias 22/03, 29/03 e 05/04, com os encontros ao vivo nos dias 29/03, 05/04, 12/04, sempre às segundas-feiras.
Curso online.
Bate-papos semanais ao vivo para discussões e tirar dúvidas.
Com 2 exercícios práticos, inclusive com correção.
Grupo com conteúdo exclusivo na plataforma.
Com emissão de certificado (12 horas).
Aulas gravadas para você ver (e rever) no seu tempo.
Vagas limitadas.
Informações e inscrições aqui: https://mais.olhardecinema.com.br/cursos/critica-cinematografica/
terça-feira, 16 de março de 2021
Clube do Filme: Xavier + Ruínas
O Clube do Filme continua em atividade, mesmo durante a epidemia, em formato virtual. Sempre na quarta quarta-feira do mês nos reunimos para a discussão de um filme e textos relacionados.
Em março, um programa duplo sobre dois filmes de Manuel Mozos: "Xavier" (1991-2003) e "Ruínas" (2009).
Toda a gente sabe e tanta gente se esquece de como o cinema é uma arma
de resistência. Em Xavier, Mozos faz por relembrar para que mais altos
propósitos pode servir a linguagem cinematográfica. Xavier é, na
mais ampla possibilidade da palavra, um filme de sobrevivência.
Sobreviveu depois de uma luta de doze anos para existir, e sobrevive
hoje, para lá do tempo que espelha. Apesar do enquadramento nas
circunstâncias que se sabem, como as obras importantes, traz ainda o
que interessa, o que faz falta. E vale-nos vinte anos depois, ainda a
saber a novo. Traz o grito da fúria de uma primeira obra, onde
persiste, transparente, o amor profundo ao cinema.(...) Xavier é uma obra prima. Perante a raridade desta certeza, quaisquer
palavras que lhe possa acrescentar serão inúteis. Não tenho dúvidas
de que Xavier é o filme português que mais precisa de ser visto.
- Sabrina Marques
Os filmes estão disponíveis abaixo (em caso de problemas com o link, envie um email para nós: coletivoatalante@gmail.com):
1) "Xavier" (1991-2003, 1h40), aqui.
2) "Ruínas" (2009, 59 min.), aqui.
Serviço:
Clube do Filme [edição dupla]: Xavier e Ruínas, de Manuel Mozos
Dia 24/03 (quarta-feira)
Das 19h15 às 21h30
Via Jitsi: https://meet.jit.si/
ENTRADA FRANCA
Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante
sábado, 13 de fevereiro de 2021
Clube do Filme: Os Mutantes
O Clube do Filme do Atalante está de volta em 2021! Online, remoto, gratuito, na quarta quarta-feira do mês nos reunimos para discutir um filme e textos relacionados.
Para começar 2021, o filme é "Os Mutantes" (1998), de Teresa Villaverde.
O filme está disponível aqui (em caso de problemas com o link, envie um email para nós: coletivoatalante@gmail.com).
Textos recomendados para leituras (não obrigatórios):
B) Artigo por Ana Barroso, "Os Mutantes de Teresa Villaverde: da violência juvenil no cinema português. O resgate do real" (11 fls), disponível aqui.

Como
de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos
com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do
cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o
filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não
é exigido para participação. Optamos pelo encontro via plataforma
Jitsi, uma vez que não exige senha, links confusos nem download de
nenhum aplicativo para o desktop (porém caso queira acessar pelo
celular, é necessário o aplicativo Jitsi para celular, de download
gratuito). Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade
trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante
retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.
Serviço:
Clube do Filme: Os Mutantes, de Teresa Villaverde
Dia 24/02 (quarta-feira)
Das 19h15 às 21h30
Via Jitsi: https://meet.jit.si/
ENTRADA FRANCA
Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Inscrições Encerradas: Oficina de Editais do Atalante
Oficina de Editais FCC: edital Mecenato, modalidade iniciante. Inscrições encerradas!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
Oficina para inscrição em editais da FCC
Por isso, estamos oferecendo GRATUITAMENTE a primeira oficina online de introdução a inscrições em editais da FCC, especialmente o edital de Mecenato, modalidade iniciante (projetos até R$ 79.200,00, inscrições até 26/02/2021).
A oficina não deve ser vista como um cursinho, mas um incentivo para as pessoas elaborarem seus próprios projetos e desmitificar o processo burocrático da inscrição.
Conteúdo:
- Noções gerais sobre o Mecenato Subsidiado - Modalidade Iniciante da Fundação Cultural de Curitiba (o que é, como funciona, quem pode participar e como);
- Quais os documentos essenciais para inscrição e como obtê-los;
- Entenda conceitos do edital nº 117/2020;
- Como é o sistema do SISPROFICE usado nas inscrições;
- Dicas para você organizar o seu projeto.
SERVIÇO:
Sábado, 30/01
Das 16h às 18h
Via Zoom (link será informado aos inscritos)
GRATUITO
VAGAS LIMITADAS
Inscrições até 29/01 pelo link: https://forms.gle/rCKQ3dKk9hjKDgCP9
Realização: Coletivo Atalante
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Do Movimento das Coisas, de Manuela Serra
por Vera Lúcia de Oliveira e Silva
O recorte é claro – tempo e espaço definidos – mas o filme não é nem paroquial e nem datado. Também não se inscreve no tempo mítico, pois é um filme realista: dá conta de uma realidade dura na qual, entretanto, sobram dignidade e alegria. Mulheres em sua faina ocupam a cena. Ao longe, na fumaça turbulenta da indústria, em vivo contraste com a névoa que a natureza estende como véu pacífico, é mostrada a face da transformação por vir. Se Rosselini, em Europa 51, escancarou a monstruosidade desta transformação, aqui ela é anunciada com delicadeza – como uma advertência.
Esse é o resultado esperado do trabalho de um realizador que se apruma em seu desejo: ele arranca algo do Real e o apresenta aos demais. A estes, resta o reconhecimento – na medida de sua própria sensibilidade e de seu repertório de experiências.
Se é verdade, como aponta Nietzsche, em suas Segundas Considerações Intempestivas (1874), que a História, para realizar sua função de acrescentar felicidade à vida das pessoas, precisa contemplar três dimensões – a monumental, a crítica e a antiquarista – então Manuela Serra nos presenteia com um documento poético que, servindo à terceira vertente da História, nos lava a alma nas águas do rio Lima e nos põe em irmandade com pessoas, simples e elevadas, que se entregaram, fazendo ofício de atores, ao registro da cineasta.
Cineasta capaz de dirigir o ator e a si mesma para esse foco, onde se dá o cruzamento dos raios da luz refletida – convergentes desde a realidade – raios que, depois, pelos poderes do instrumento ótico, serão dirigidos para deixar impressa na película a marca do Real: foco que é ponto de encontro onde dois, por um instante cósmico, ocupam o mesmo espaço e o mesmo tempo – e se reconhecem, um no outro.
Cineasta que, pela captura precisa, transforma o ator – no início, ator de si mesmo – em imagem prototípica, com a qual todo ser humano pode vir a se identificar, na medida de sua própria vulnerabilidade, dando, a cada um, ocasião de também comparecer ao ponto mágico de encontro.
Capturando o movimento das coisas, protegendo-o nos arquivos do Cinema, Manuela Serra registra uma realidade banhada em poesia e, destarte, a eterniza.
Sexta-feira 13, Novembro de 2020








