sexta-feira, 26 de março de 2021

Apresentação de "Xavier" (1991-2002)


Tenho o mau hábito de não ser pontual, mas eu próprio não supunha chegar tão atrasado. Peço desculpa e agradeço a vossa paciência, sobretudo aos actores e aos técnicos que trabalharam no filme e esperaram por ele durante estes 12 anos.

Muita coisa se passou no Mundo. E no cinema também. Por isso o filme possa parecer anacrónico. Mas para mim sempre foi importante vê-lo acabado e finalmente poder ser visto. Aqui está, tal como foi possível.

Poderia escrever muita coisa sobre todo o processo, mas melhor ou pior, já são coisas conhecidas e hoje, a poucas horas da sua primeira exibição pública, confesso o meu cansaço e não vou escrever muito mais.

Muito obrigado a todos os que acreditaram neste XAVIER - "There was a naughty boy...

E ficar com um poema, para beber com um whisky. Se possível 12 anos.

Manuel Mozos
Lisboa, 10 de outubro de 2003.

Texto em português de Portugal, da folha de registro da primeira exibição
na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema de "Xavier" (1991-2002), de Manuel Mozos . Agradecimento: Eduardo Baggio.

quinta-feira, 18 de março de 2021

Curso de crítica cinematográfica online e remoto: nova turma

 

Teoria, História e prática no curso de crítica de cinema: online e ao vivo. Atendendo a pedidos, a Olhar de Cinema + abre nova turma para as aulas com Giovanni Comodo do Coletivo Atalante. Em seis aulas, com início em 22/03. Os vídeos de duas aulas são disponibilizados a cada segunda-feira e, na seguinte, às 20h, acontecem os encontros ao vivo em link exclusivo para tirar dúvidas e outras conversas com o instrutor. O curso, de caráter introdutório, também conta com grupo exclusivo na plataforma da Olhar de Cinema + e emissão de certificado de participação. Inscrições limitadas, até 22/03 às 19h.

MATÉRIAS:
- Aspectos fundamentais da crítica
– Como avaliar para além do gosto?
- Mise en scène e narrativa visual
– A busca por parâmetros: Qualidade ou interesse provocado?
– Por uma “Política dos Autores”
– Nova abordagem: por uma “Política das Atrizes”
- Dilemas da crítica
- Novas formas a serem exploradas pela crítica
- História da crítica de cinema brasileira

E muito mais.

Aulas liberadas nos dias 22/03, 29/03 e 05/04, com os encontros ao vivo nos dias 29/03, 05/04, 12/04, sempre às segundas-feiras.

Curso online.
Bate-papos semanais ao vivo para discussões e tirar dúvidas.
Com 2 exercícios práticos, inclusive com correção.
Grupo com conteúdo exclusivo na plataforma.
Com emissão de certificado (12 horas).
Aulas gravadas para você ver (e rever) no seu tempo.
Vagas limitadas.

Informações e inscrições aqui: https://mais.olhardecinema.com.br/cursos/critica-cinematografica/

terça-feira, 16 de março de 2021

Clube do Filme: Xavier + Ruínas

O Clube do Filme continua em atividade, mesmo durante a epidemia, em formato virtual. Sempre na quarta quarta-feira do mês nos reunimos para a discussão de um filme e textos relacionados.

Em março, um programa duplo sobre dois filmes de Manuel Mozos:
"Xavier" (1991-2003) e "Ruínas" (2009).

Toda a gente sabe e tanta gente se esquece de como o cinema é uma arma de resistência. Em Xavier, Mozos faz por relembrar para que mais altos propósitos pode servir a linguagem cinematográfica. Xavier é, na mais ampla possibilidade da palavra, um filme de sobrevivência. Sobreviveu depois de uma luta de doze anos para existir, e sobrevive hoje, para lá do tempo que espelha. Apesar do enquadramento nas circunstâncias que se sabem, como as obras importantes, traz ainda o que interessa, o que faz falta. E vale-nos vinte anos depois, ainda a saber a novo. Traz o grito da fúria de uma primeira obra, onde persiste, transparente, o amor profundo ao cinema.(...) Xavier é uma obra prima. Perante a raridade desta certeza, quaisquer palavras que lhe possa acrescentar serão inúteis. Não tenho dúvidas de que Xavier é o filme português que mais precisa de ser visto.
- Sabrina Marques

Os filmes estão disponíveis abaixo (em caso de problemas com o link, envie um email para nós: coletivoatalante@gmail.com):

1) "Xavier" (1991-2003, 1h40), aqui
2) "Ruínas" (2009, 59 min.), aqui.

Textos recomendados para leituras (não obrigatórias):

A) Crítica de "Xavier", da época do lançamento, por João Mário Grilo: http://raging-b.blogspot.com/2008/06/xavier-manuel-mozos.html
C) "Manuel Mozos: Um cinema contra o esquecimento das coisas e das pessoas", por Luís Miguel Oliveira: http://raging-b.blogspot.com/2010/01/manuel-mozos-um-cinema-contra-o.html
D) Crítica de "Ruínas" por Mário Jorge Torres: http://luckystarcine.blogspot.com/2020/02/ruinas-2009-de-manuel-mozos.html


Como de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não é exigido para participação. Optamos pelo encontro via plataforma Jitsi, uma vez que não exige senha, links confusos nem download de nenhum aplicativo para o desktop (porém caso queira acessar pelo celular, é necessário o aplicativo Jitsi para celular, de download gratuito). Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.

Serviço:

Clube do Filme [edição dupla]: Xavier e Ruínas, de Manuel Mozos
Dia 24/03 (quarta-feira)
Das 19h15 às 21h30
Via Jitsi: https://meet.jit.si/ClubedoFilmeAtalante
ENTRADA FRANCA

Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Clube do Filme: Os Mutantes

O Clube do Filme do Atalante está de volta em 2021! Online, remoto, gratuito, na quarta quarta-feira do mês nos reunimos para discutir um filme e textos relacionados.

Para começar 2021, o filme é "Os Mutantes" (1998), de Teresa Villaverde.


"Mas se tudo é assim tão descarnado, tão feroz, a maestria de Villaverde também está – em medida igual – no modo como imprime uma veia liricizante, uma espécie de poética do desespero, que na sua aparente mansidão já contém impregnados todos e quaisqueres posteriores vulcões. È de admirar sobretudo como a cineasta não se perde em iconografias ou belos retratos inúteis, sim como se detém em desenhar o prenúncio da catástrofe."
- José Oliveira

O filme está disponível aqui
(em caso de problemas com o link, envie um email para nós: coletivoatalante@gmail.com).

Textos recomendados para leituras (não obrigatórios):
A) Crítica do filme por José Oliveira, disponível aqui
B) Artigo por Ana Barroso, "Os Mutantes de Teresa Villaverde: da violência juvenil no cinema português. O resgate do real" (11 fls), disponível aqui.



Como de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não é exigido para participação. Optamos pelo encontro via plataforma Jitsi, uma vez que não exige senha, links confusos nem download de nenhum aplicativo para o desktop (porém caso queira acessar pelo celular, é necessário o aplicativo Jitsi para celular, de download gratuito). Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.

Serviço:

Clube do Filme: Os Mutantes, de Teresa Villaverde
Dia 24/02 (quarta-feira)
Das 19h15 às 21h30
Via Jitsi: https://meet.jit.si/ClubedoFilmeAtalante
ENTRADA FRANCA

Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Inscrições Encerradas: Oficina de Editais do Atalante

 


Oficina de Editais FCC: edital Mecenato, modalidade iniciante. Inscrições encerradas!


O Coletivo Atalante antes de tudo quer agradecer o interesse e a confiança de quem se inscreveu. A oferta do curso foi um sucesso, e por isso, atingimos a quantidade de vagas limite antes da data prevista (29/01). 

Por esse motivo tivemos que encerrar as inscrições e limitar as vagas, tudo em decorrência da melhor fluidez de realização, tanto em questão de conteúdo, quanto da sua dependência exclusivamente online, o que requer uma atenção especial em termos de conexão e estabilidade da plataforma utilizada. A oficina não será gravada e não terá material disponibilizado posteriormente. 

Mas não se preocupe, em breve teremos mais novidades, como cursos que pretendemos oferecer para quem se interessar. 

Continuem nos acompanhando nas redes!


Realização: Coletivo Atalante

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Oficina para inscrição em editais da FCC


O Coletivo Atalante acredita que a transformação e evolução da cena de cinema de Curitiba passa não apenas por cineclubes e na formação de público das salas, mas também na inclusão de novos nomes e agentes que realizam cinema - daí nossa vontade em fazer nossa parte e ajudar que mais pessoas tenham oportunidades para expressar suas vozes e criarem seus projetos.

Por isso, estamos oferecendo GRATUITAMENTE a primeira oficina online de introdução a inscrições em editais da FCC, especialmente o edital de Mecenato, modalidade iniciante (projetos até R$ 79.200,00, inscrições até 26/02/2021).

A oficina não deve ser vista como um cursinho, mas um incentivo para as pessoas elaborarem seus próprios projetos e desmitificar o processo burocrático da inscrição.

Conteúdo:
- Noções gerais sobre o Mecenato Subsidiado - Modalidade Iniciante da Fundação Cultural de Curitiba (o que é, como funciona, quem pode participar e como);
- Quais os documentos essenciais para inscrição e como obtê-los;

- Entenda conceitos do edital nº 117/2020;
- Como é o sistema do SISPROFICE usado nas inscrições;
- Dicas para você organizar o seu projeto.


SERVIÇO:
Sábado, 30/01
Das 16h às 18h
Via Zoom (link será informado aos inscritos)
GRATUITO
VAGAS LIMITADAS
Inscrições até 29/01 pelo link: https://forms.gle/rCKQ3dKk9hjKDgCP9

Realização: Coletivo Atalante

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Do Movimento das Coisas, de Manuela Serra

por Vera Lúcia de Oliveira e Silva

O recorte é claro – tempo e espaço definidos – mas o filme não é nem paroquial e nem datado. Também não se inscreve no tempo mítico, pois é um filme realista: dá conta de uma realidade dura na qual, entretanto, sobram dignidade e alegria. Mulheres em sua faina ocupam a cena. Ao longe, na fumaça turbulenta da indústria, em vivo contraste com a névoa que a natureza estende como véu pacífico, é mostrada a face da transformação por vir. Se Rosselini, em Europa 51, escancarou a monstruosidade desta transformação, aqui ela é anunciada com delicadeza – como uma advertência.

Esse é o resultado esperado do trabalho de um realizador que se apruma em seu desejo: ele arranca algo do Real e o apresenta aos demais. A estes, resta o reconhecimento – na medida de sua própria sensibilidade e de seu repertório de experiências.

Se é verdade, como aponta Nietzsche, em suas Segundas Considerações Intempestivas (1874), que a História, para realizar sua função de acrescentar felicidade à vida das pessoas, precisa contemplar três dimensões – a monumental, a crítica e a antiquarista – então Manuela Serra nos presenteia com um documento poético que, servindo à terceira vertente da História, nos lava a alma nas águas do rio Lima e nos põe em irmandade com pessoas, simples e elevadas, que se entregaram, fazendo ofício de atores, ao registro da cineasta.

Cineasta capaz de dirigir o ator e a si mesma para esse foco, onde se dá o cruzamento dos raios da luz refletida – convergentes desde a realidade – raios que, depois, pelos poderes do instrumento ótico, serão dirigidos para deixar impressa na película a marca do Real: foco que é ponto de encontro onde dois, por um instante cósmico, ocupam o mesmo espaço e o mesmo tempo – e se reconhecem, um no outro.

Cineasta que, pela captura precisa, transforma o ator – no início, ator de si mesmo – em imagem prototípica, com a qual todo ser humano pode vir a se identificar, na medida de sua própria vulnerabilidade, dando, a cada um, ocasião de também comparecer ao ponto mágico de encontro.

Capturando o movimento das coisas, protegendo-o nos arquivos do Cinema, Manuela Serra registra uma realidade banhada em poesia e, destarte, a eterniza.

Sexta-feira 13, Novembro de 2020