quarta-feira, 15 de junho de 2022

Clube do Filme: Conto de Outono

O Clube do Filme continua em atividade, mesmo durante a epidemia e após o intervalo de maio, em formato virtual. A cada mês nos reunimos para a discussão de um filme e textos relacionados, sempre gratuitamente.

Em 2022 iremos explorar a filmografia do cineasta francês Éric Rohmer (1920-2010)!

Em junho, completamos com o ciclo das Quatro Estações com "Conto de Outono" (
Conte d'automne, 1998), excepcionalmente na quinta-feira, dia 23.


Em muitos críticos, até mesmo em produtores, operadores de câmera ou roteiristas, eu percebo um tipo de admiração paralisante pela caneta, pelo lápis ou pela paleta; um sentimento de que a imaginação cinematográfica é uma parente menor da invenção pitoresca ou poética.
Não, não quero dizer que o cineasta não se preocupa com a plasticidade; estou inclinado a crer que a poesia é sua grande preocupação e seu grande fim. Ainda assim, situemos melhor nosso foco. O cinema é uma arte do espaço, mas isso não quer dizer que deva buscar apoio neste ramo particular das artes – isto é, a pintura tal como foi concebida desde o Renascimento. Em sua mais alta ambição, o cinema é uma espécie de canto, mas isso não implica que deva tomar emprestado seu esquema formal da poesia propriamente dita – ou seja, a poesia das palavras.

- Éric Rohmer, na parte 2 de “O Celuloide e o Mármore”, texto indicado para leitura neste mês.

O filme está disponível aqui. Qualquer problema, fale conosco.

Texto indicado para leitura:
A) A parte 2 de “O Celuloide e o Mármore”, de Éric Rohmer, disponível na íntegra aqui.


Como de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não é exigido para participação. Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.

Devido a limitações de tempo do Meet, voltamos com nossa sala do Jitsi.

Serviço:

Clube do Filme: "Conto de Outono" (1998), de Éric Rohmer
Dia 23/06 (quinta-feira, excepcionalmente)
Das 19h15 às 21h30
ENTRADA FRANCA

Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante


quinta-feira, 26 de maio de 2022

Cineclube do Atalante: A Estranha Passageira

 


CINECLUBE DO ATALANTE: A ESTRANHA PASSAGEIRA (1942)


Charlotte é controlada pela mãe e está prestes a ter um ataque de nervos. Após algumas semanas em uma casa de repouso, ela faz uma viagem de navio e se envolve com um homem casado. Ao voltar para casa, ela se mostra uma mulher bem diferente.


Dirigido por Irving Rapper.


(Now, Voyager. EUA, 1942- 110 min. Com: Bette Davis, Paul Henreid, Claude Rains. 14 anos.)


SERVIÇO

Sábado, 28 de maio

Às 16h

Na Cinemateca de Curitiba

(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco)

(41) 3321 – 3552

ENTRADA FRANCA


Realização: Coletivo Atalante.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Clube do Filme: adiamento

 

Infelizmente, não teremos Clube do Filme do Atalante no mês de maio.

Estaremos de volta em 23 de junho (quinta-feira)
em formato virtual para a conclusão do nosso ciclo dos Contos das 4 Estações de Éric Rohmer com "Conto de Outono"(1998). Como sempre: gratuito.

Até lá, fique de olho por aqui e em nossas redes. A sessão presencial do Cineclube do Atalante na Cinemateca de Curitiba no sábado 28 de maio continua sem alterações!

terça-feira, 3 de maio de 2022

Cineclube do Atalante: Close-up

Neste sábado, o Cineclube do Atalante encerra o ciclo "História(s) do Cinema" com "Close-up", de Abbas Kiarostami. Entrada franca, sempre!

Instagram:@cineatalante

"Close-up"

(Nema-ye Nazdik, IRÃ, 1990, 96 min, Classificação livre, com Mohsen Makhmalbaf, Hossain Sabzian, Mehrdad Ahankhah)


Hossaim Sabzian é um homem pobre, humilde e apaixonado pelos filmes do diretor Mohsen Makhmalbaf e, ao conhecer uma senhora em um ônibus, começa a se passar pelo cineasta - até ser preso por fraude. Mesclando documentário e ficção, o diretor recria os eventos desta história real com as pessoas que a vivenciaram.


Dirigido por Abbas Kiarostami.



PROTOCOLOS SANITÁRIOS RECOMENDADOS PARA A SESSÃO:


Recomendamos a utilização de máscara (cobrindo nariz e boca) durante todo o período de permanência na sala (indicamos o uso de modelos PFF2/N95).


Priorizem lugares que respeitem o distanciamento adequado entre pessoas.


Está com sintomas gripais como tosse, dor de garganta, febre, congestão nasal, perda do olfato ou paladar? Procure ajuda médica e faça o isolamento, fique em casa.


SERVIÇO:

 

Cineclube do Atalante: "Close-up" ("Nema-ye Nazdik", 1990) de Abbas Kiarostami

Sábado, 07 de maio

Às 16h

Na Cinemateca de Curitiba

(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco)

(41) 3321-3552

ENTRADA FRANCA

 

Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura | Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.




sexta-feira, 29 de abril de 2022

Cineclube do Atalante: Bom Trabalho

Neste sábado, o Cineclube do Atalante entra na reta final do ciclo "História(s) do Cinema" com Bom Trabalho, de Claire Denis. Entrada franca, sempre!                                           

“Bom Trabalho”

 (Beau Travail, EUA, 1999, 92 min, 14 anos, com Denis Lavant, Michel Subor, Grégoire Colin)
 
A Legião Estrangeira da França está sendo submetida a um rigoroso treinamento na África. Debaixo do céu azul e claro e no meio do deserto, o sargento Galoup (Denis Lavant) entrega toda sua devoção ao enigmático comandante Bruno (Michel Subor). Tudo muda quando o novo recruta Guilles Sentain (Grégoire Colin) chega.
Dirigido por Claire Denis.
 
PROTOCOLOS SANITÁRIOS RECOMENDADOS PARA A SESSÃO:
 
Recomendamos a utilização de máscara (cobrindo nariz e boca) durante todo o período de permanência na sala (indicamos o uso de modelos PFF2/N95).
 
Priorizem lugares que respeitem o distanciamento adequado entre pessoas.
 
Está com sintomas gripais como tosse, dor de garganta, febre, congestão nasal, perda do olfato ou paladar? Procure ajuda médica e faça o isolamento, fique em casa.


SERVIÇO:

CINECLUBE DO ATALANTE
Bom Trabalho” (“Beau Travail”, 1999), de Claire Denis
Sábado, 30/04
Às 16h
Na Cinemateca de Curitiba
(Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174- São Francisco)
(41) 3321-3552.
ENTRADA FRANCA
 
Realização: Coletivo Atalante. Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura de Curitiba.
 
Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura | Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Clube do Filme: Conto de Inverno

O Clube do Filme continua em atividade, mesmo durante a epidemia, em formato virtual. A cada mês nos reunimos para a discussão de um filme e textos relacionados, sempre gratuitamente.

Em 2022 iremos explorar a filmografia do cineasta francês Éric Rohmer (1920-2010)!

Em abril, seguimos com o
ciclo das Quatro Estações com "Conto de Inverno" (
Conte d'hiver, 1992), excepcionalmente na terça-feira, dia 26.

É tão estranho que este século, que tanto respeita os monumentos do passado, que tão habilmente os restaura e os conserva, tenha criado a forma de arte mais perecível de todas. Circulam-se notícias alarmantes, eu sei, sobre os negativos perdidos ou propositalmente destruídos. Acalmem-se: as grandes obras-primas do cinema mudo ainda estão por aí, bem conservadas, em suas latas; os museus, as cinematecas que são incumbidas de cuidar delas. A era dos revendedores acabou. Chega de iconoclastas a temer. A atual “base” da emulsão, filha deste “celuloide” cuja fragilidade antes temíamos, orgulha-se de resistir à corrosão do tempo mais do que o mais duro mármore de Paros. A mais nobre das pedras, pois, é um material imputrescível? Ou tão bem protegido de desastres? O que resta da escultura grega do século V? Pouca coisa. E da pintura? Nada. As tonalidades das pinturas impressionistas já estão gastas, e não há artifício químico que as devolva sua transparência de antes. Se, por algum cataclismo, nossa civilização inteira desaparecer, seria adorável pensar que um filme cuidadosamente enterrado será, para as eras seguintes, o mais fiel testemunho.
- Éric Rohmer, em “O Celuloide e o Mármore”, um dos textos indicados para leitura neste mês.

O filme está disponível aqui. Qualquer problema, fale conosco.

Textos indicados para leitura:
A)
"A terra do milagre", crítica de Éric Rohmer para "Viagem à Itália" de Rossellini, disponível aqui;
B) A parte 1 de "O Celulóide e o Mármore", de Éric Rohmer, disponível na íntegra aqui.
C) Extra:
crítica de Éric Rohmer para "Viagem à Itália" de Rossellini, disponível aqui [em inglês].

Como de costume, nosso propósito no Clube do Filme é discutir obras e textos com um pouco mais de tempo que nos debates após as sessões do cineclube, logo, o filme não será exibido na data. Recomendamos que o filme já tenha sido visto e também a leitura dos textos, porém isso não é exigido para participação. Devido ao formato virtual, não poderemos exibir com qualidade trechos do filme e de outros trabalhos, mas acreditamos ser importante retomarmos as atividades possíveis durante a pandemia. O ingresso, como sempre, é gratuito.

Devido a limitações de tempo do Meet, voltamos com nossa sala do Jitsi.

Serviço:

Clube do Filme: "Conto de Inverno" (1992), de Éric Rohmer
Dia 26/04 (terça-feira, excepcionalmente)
Das 19h15 às 21h30
ENTRADA FRANCA

Coordenação e mediação: Giovanni Comodo
Realização: Coletivo Atalante


sábado, 9 de abril de 2022

Ferrara X 90

 

por Giovanni Comodo

Os anos 90 foram tempos estranhos. O fim da Guerra Fria, a hegemonia do capitalismo, as fronteiras nacionais apagadas pela globalização, o horário comercial que passou a valer nas 24 horas de cada dia, a ascensão da internet em larga escala, do celular e de equipamentos que se tornaram indispensáveis à vida moderna. Novas facilidades e novas ansiedades, paranoias, crises e perigos. “Enigma do Poder” captura a pulsação do seu tempo e consegue ultrapassá-lo – ou quem sabe somos nós, ainda presos em tempos estranhos.

Nesta década nos Estados Unidos, não houve diretor mais indomável e habilidoso que o nova-iorquino Abel Ferrara. Começou no cinema pornô e na violência do exploitation na virada dos anos 70 para 80, mas é na década posterior que atinge a maior potência de sua filmografia. Amplamente em sintonia com a cidade de Nova York, seus atores e seus ritmos – poucos conseguiram uma conexão com o hip hop e o rock como ele – Ferrara conseguiu imprimir em seus filmes também o submundo da vida na metrópole, sua violência e seus vícios, em filmes como “Rei de Nova York” e “Vício Frenético”.

“Enigma do Poder” encerra sua década de ouro e vertigem, uma produção pequena e conturbada que ganhou o status de maldita.

Passado em um futuro próximo, indefinido, o filme baseia-se em um conto do quase-onisciente escritor William Gibson, que acompanha dois golpistas que convocam uma prostituta para seduzir um cientista (um geneticista, “designer de vírus”). No processo de “moldá-la”, apaixonam-se pela garota e são pouco depois superados por ela até caírem em desgraça, na solidão do New Rose Hotel e seus quartos-caixões. Um Pigmaleão cyberpunk com thriller erótico em meio a intrigas corporativas por todo globo, dominado por transações incessantes, em uma narrativa que vai se fragmentando e se tornando mais rarefeita quanto mais se acelera a cama de gato do trio principal – vivido por Christopher Walken, como o mentor, Willem Dafoe, o tutor, e Asia Argento como a obra que toma vida e pensamentos próprios.

Ferrara é um diretor que consegue sempre tirar o mais visceral de seus atores. Walken (até então seu maior parceiro) faz de Fox um trambiqueiro que desconhece estar nas últimas, com seus ternos amarrotados e bengala, um dançarino que já não consegue se movimentar, sempre com algo de suor e desespero em sua pose de conhecedor e estrategista. A ele, só restará um salto no vazio, como em uma saída de um número musical antigo em chave macabra e súbita. Dafoe (que inicia aqui sua grande parceria com Ferrara), interpreta seu X entre o domínio, a fragilidade e a fome – por dinheiro, por mulheres, por uma saída daquele mundo. E há Argento como Sandii, em exuberância, com um olhar que sempre demonstra uma inteligência em movimento, dominando a imagem e todo o filme em si – também ela fez seu triângulo de amor e de poder nos bastidores entre Ferrara e Dafoe e inclusive devolveu “Enigma do Poder” com seu próprio filme, o documentário “Abel loves Asia” (1998) – tal como Sandii supera sua dupla? A fusão constante entre realidade, narrativa, sujeito e personagem que toma o filme também esteve em seu processo de feitura, muitas vezes selvagem.

Tudo entra em fusão e em colapso. As imagens também. Película, vídeo, digital, cinema, televisão, portáteis, câmeras de vigilância, linguagens e interfaces se somam – assim como a faixa de áudio, repleta de sobreposições e defasagens. Caos e magma imagético e informativo, de passado e de presente. Nesta adição incessante do mundo do capitalismo tardio e do consumo, Ferrara corta uma orgia e insere imediatamente Argento em um museu. O que é uma obra de arte, afinal? Qual imagem? Qual experiência?

Desta forma, se vivemos já há algum tempo em um mundo de imagens aceleradas e sem fronteiras – e a presença de El Greco nos faz retomar o maneirismo que vimos em sessões anteriores –, “Enigma do Poder” tem outra volta do parafuso a nos oferecer: é também um cinema que propõe carnalidade absoluta, para além das figuras e superfícies. A tatuagem no ventre de Argento, as costas arranhadas de Dafoe: são os corpos de Argento e Dafoe que sustentam todo o filme rodado em meia dúzia de quartos e bares sem personalidade, não-lugares contemporâneos por excelência, e dão a ele vida e individualidade.

Ferrara é um realizador mais que interessado em explorar o apocalipse (individual e coletivo) em todas as obras, buscando redenções e resistências -  possíveis ou não. É no contato com o próximo – por mais fracassado que seja – que parece haver a única possibilidade de saída, parece dizer. Depois dos apocalípticos anos 1990 (e dos nossos últimos dois anos), Ferrara, o cinema e nós continuamos aqui. Dividindo uma sala de cinema, juntos.