domingo, 5 de maio de 2013

Som de Preto: Liberdade, liberdade!


Em comemoração ao 13 de maio, data que marca a abolição e o inicio de uma nova luta dos negros em nosso país, não mas por liberdade, mas agora por igualdade! Pois se o negro é, como dizem Hélio Turco, Jurandir e Alvinho no samba enredo da mangueira de 1988, "livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela" de que vale essa "liberdade vazia"? Por isso esse dia é sim um dia de comemoração, mas também um dia de memória e luta, o povo que construiu esse país não deve viver marginalizado e "sutilmente" segregado do resto da população, devemos enfrentar essa "gigantesca Casa Grande chamada Brasil"!
Por isso viva Zumbi! Viva Chico Rei! Viva André Rebouças! Viva o Ceará! Viva os Caifazes e tantos outros! Celebre conosco essa festa!

"17 de Maio (sexta)
às 22:00 hrs
Na Casa Amarela
(No largo da Ordem,
Em frente ao Bebedouro)"

ATENÇÃO! O BAR NÃO ACEITA CARTÃO, PAGAMENTOS SOMENTE EM DINHEIRO!

Discotecagem:
Caetano; Murilo; Miguel
Convidados:
Joaquim Lima e Max D'Carmo
Participação do Maracatu Aroeira, às 22.40. CHEGUEM CEDO!

Entrada: 10 pila até à 01hr, após 15.
(7 pila na lista amiga, enive seu nome p/ festasomdepreto@gmail.com até 12:00 do dia 17)

Arte: Adara Guarbluglio
Realização: Som de Preto e Coletivo Atalante


Teaser da festa: http://vimeo.com/66209831

sábado, 4 de maio de 2013

Cine FAP: "Cabaret", de Bob Fosse



Berlim no início da década de 30. O nazismo fazia sua ascensão meteórica, mas a grande maioria das pessoas ainda não tinha noção do terrível poder que aquela força política se transformaria. Sally Bowles (Liza Minnelli), uma jovem americana que canta em um cabaré e sonha em ser tornar uma estrela, se apaixona por Brian Roberts (Michael York), que é bissexual. Ambos se envolvem com Maximillian von Heune (Helmut Griem), um rico e nobre alemão. Quando Sally fica grávida, Brian diz que quer casar e declara não se importar de quem seja o filho. Mas o futuro lhes reserva outro destino.

Serviço:
dia 06/05 (segunda)
às 19h00
na Auditório Antonio Melillo
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

*Comentador convidado: Miguel Haoni (Coletivo Atalante)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cineclube Sesi: "Hiroshima Meu Amor", de Alain Resnais

Nesta quinta-feira dia 02/05 o Cineclube Sesi apresenta "Hiroshima Meu Amor", de Alain Resnais, abrindo o ciclo Nouvelle Vague que contará ainda com "Crônica de um Verão", de Edgar Morin e Jean Rouch (09/05), "A Verdadeira História do Barba Azul", de Claude Chabrol (16/05) e "O Demônio das 11 Horas", de Jean-Luc Godard (23/05).
Sempre com entrada franca!

Cineclube Sesi: "Hiroshima Meu Amor", de Alain Resnais

Sinopse:
Durante sua participação num filme sobre a paz, rodado em Hiroshima, uma atriz francesa tem uma aventura amorosa com um japonês, o que reaviva nela lembranças de uma trágica paixão durante a Ocupação. Entre o passado de guerra e o presente de incertezas, ele e ela tentam tornar imortal este encontro fortuito, através da mistura de tempos, recordações e corpos.

Sobre o filme:
Em 1959 Alain Resnais foi chamado para filmar sobre as bombas atômicas, a guerra, as mortes e a violência ainda tão recentes.
“Hiroshima” é mais do que condizente com o tema, no entanto, como “MEU AMOR” poderia vir após um sinônimo de destruição e insanidade humana?
Após 5 segundos sente-se que algo mudou, a realidade já é completamente diferente.
As coisas são mais complexas, confusas e dolorosas do que um simples filme-documentário sobre a II GM. O ataque a Hiroshima e um leve fechar de mão traz à tona memórias e recordações de duas pessoas que viram suas vidas transformadas.
Na tela, o poder arrasador atribuído às lembranças que contornam o tempo presente, a identidade dos protagonistas condensadas em recortes de uma realidade irrecuperável.
Só é possível seguir em frente ao nos libertar do passado.

Felipe Cruz e Mariana Hass(Cine UEPA, 2008)

Serviço:
dia 02/05 (quinta)
às 19h30
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA

Realização: Sesi
Apoio: Atalante

sábado, 27 de abril de 2013

Cine FAP: "Duas Garotas Românticas", de Jacques Demy


Cine FAP apresenta: "Duas Garotas Românticas", de Jacques Demy

Na pequena cidade de Rochefort vivem Delphine e Solange Garnier, irmãs gêmeas. A primeira ensina dança e a segunda dá aulas de música para crianças. Quando a data de um esperado evento se aproxima, as irmãs e vários outros moradores da cidade se preparam, enquanto são perseguidos pelo acaso e, principalmente, pelo amor.

Serviço:
dia 29/04 (segunda)
às 19h00
na Auditório Antonio Melillo
(Rua dos Funcionários, 1357, Cabral)
ENTRADA FRANCA

*Comentador convidado: Miguel Haoni (Coletivo Atalante)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cineclube Sesi: Nouvelle Vague

Movimento francês que no final dos anos 50 foi a mais influente escola estética do cinema moderno. 
Capitaneada pelos "jovens turcos" da crítica francesa (Truffaut , Rivette , Chabrol , Rohmer entre outros), a Nova Onda conjugava a influência do cinema clássico hollywoodiano,a máxima rosselliniana de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça" e a estética da desconstrução na estilização do tempo presente. 
Fundindo cultura de massa e grande arte , os diretores da Nouvelle Vague promoviam em seus filmes uma reflexão profunda sobre os sentidos do cinema e o papel do autor dentro dele.Tal reflexão permeia a base filosófica do Cineclube Sesi e por conta disso o projeto entra o mês de maio com uma pequena mostra desta grande história do nosso tempo
.

(Roubado do Cine Uepa, 2008)
Programação:
2/5 - Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais 
9/5 - Crônica de um Verão, de Edgar Morin e Jean Rouch 
16/5 - A Verdadeira História do Barba Azul, de Claude Chabrol 
23/5 - O Demônio das 11 Horas, de Jean-Luc Godard 

Serviço:
Sessões às quintas-feiras
19h30 
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)
ENTRADA FRANCA


Realização: Sesi
Apoio: Atalante 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Leitura e Prosa


sábado, às 19h00

Sarau destinado a leitura e discussão de textos literários autorais e não autorais.

*Traga seu vinho (ou outra bebida)*
No DCE da UFPR
R. General Carneiro, 390, Centro

Para quem ainda não nos conhece, vai um breve resumo de nossa proposta e trajetória: o Leitura e Prosa é uma iniciativa do Coletivo Atalante que consiste basicamente na reunião de um grupo de pessoas que lerão textos literários e discutirão acerca das impressões suscitadas pelos mesmos. A ideia principal do Leitura e Prosa é que seja um encontro lúdico, um sarau tranquilo onde bebemos, lemos e conversamos a respeito dos textos e de seus tão intrigantes conteúdos que, não raro, nos deixam perplexos e entusiasmados. Aguardamos você e seus conhecidos,
abraços.

CASTELO/APIPUCOS


Cardiovitol
O ano: 1952, quando o escritor modernista já recebia injeções de cardiovitol na veia e arrastava os pés inchados pelos cômodos da rua Ricardo Batista, 18, quinto andar/SP. O dia: 15 de agosto. A hora: por volta das duas horas da tarde, enquanto se digeria o porco à pururuca servido no almoço. Os segundos: entre um trago e outro de um licor de jenipapo, ou entre as baforadas de um charuto cubano. Os décimos de segundo: na brusca névoa levantada pelos espíritos da bebida, nos desenhos evocados pela fumaça. Talvez pressionado pela compactação do tempo, pela certeza da morte, pelo fio da vida, Antônio Cândido olhou para a adoentado amigo Oswald de Andrade, o anfitrião, e cobrou uma autobiografia. "Uma literatura só adquire maioridade com memórias, cartas e documentos pessoais", disse, cercado pelos quadros e livros que o escritor mantinha em sua biblioteca particular.


Acerto de contas
Será que Joaquim Pedro de Andrade conhecia esta pitoresca cena quando dirigiu seus primeiros curtas, O poeta do Castelo e O Mestre de Apipucos? Nos filmes de estréia do cinemanovista reverbera a voz de Antônio Cândido, ou, pelo menos, a intuição própria de que modernismo brasileiro e autobiografia casam perfeitamente bem.

No momento em que finalizava os filmes (1959), os dez anos da morte de Mário de Andrade (1945) já haviam sido comemorados. Oswald de Andrade tinha morrido cinco anos antes (1954) e deixado a primeira parte de sua memórias publicadas. O modernismo estava fechando um ciclo de existência e urgia documentar aquelas vozes, aqueles rostos individuais, sobreviventes: Manuel Bandeira e Gilberto Freyre. Nestas duas peças, importantes para se constatar a coerência com que o diretor carioca construiu sua obra, escapa também um olhar engajado na transposição para as telas de questões já assimiladas pela literatura brasileira desde a Semana de 22. Chegara a hora do cinema acertar as contas com a literatura moderna e seus criadores, seus pensadores.

Gilberto Mendonça Teles
Ligo para Gilberto Mendonça Teles. Ele não está. Sua esposa atende, anota meu telefone. Dez minutos depois, ele toca. Reconheço a voz do poeta, mas ele não reconhece a minha. Lembro-lhe de que fui seu aluno e que, em uma das aulas sobre Teoria Literária, cometi a ousadia de lhe entregar uma caricatura. Desenhei-o andando e com os dedos em riste. Gilberto chegava em sala desprendendo um leve odor de livros antigos. Um dia, tive a oportunidade de conhecer seu apartamento e entendi o porquê: todos os cômodos da sua casa eram forrados até o teto com mais de dez mil volumes de livros de vários tamanhos e épocas.

Pedi sua ajuda para entender a relação dos modernistas com o cinema. A sétima arte parecia não haver arrebatado nenhum de seus grandes expoentes, os membros doGrupo dos Cinco, o que eu considerava surpreendente, pois na década de 20 o cinematógrafo agregava-se a todo movimento de vanguarda – o dadaísmo, o surrealismo, o experimentalismo – que surgia na Europa. Mário de Andrade chegou a utilizá-lo em suas pesquisas folclóricas – entretanto, não se pode considerar como suas intenções primeiras a criação de uma obra de valor estético, mas a produção de um documento...

Apesar de grande conhecedor do modernismo, Gilberto confessa nunca haver estudado o movimento por esta ótica. Cita Humberto Mauro, de passagem. Observa, entretanto, o total desinteresse de Oswald pelas questões "modernas" no início da carreira. Em 1912, após a sua primeira ida a Europa, voltou ao Brasil sem ter uma noção muito clara do futurismo. Lembrou-me da relação que aqueles intelectuais mantinham com a tradição barroca e colonial. Ao final orientou-me a ler o verbete "Cinema e Literatura" contido na Enciclopédia da Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho.

Alcovas e bibliotecas
Narrados em primeira pessoa, mostrando um dia na vida de duas das maiores personalidades brasileiras vivas então ( Manuel Bandeira e Gilberto Freyre ), os curtas O Poeta do Castelo e O Mestre de Apipucos radicalizam pela imagem e pelo som os recursos confessionais legados pelo Modernismo. Bandeira e Freyre emprestam seu corpo e suas vozes para a farsa da imortalidade. Encontramos nossos deuses humanos e, por isto mesmo, admiráveis. Joaquim Pedro chegou o mais longe que pôde na intimidade de suas personagens, sacralizando-as em espaços que emocionam pelo banal. Por serem escritores, se os tivesse flagrado na alcova não os captaria em momento mais amoroso do que em suas bibliotecas...

Idéia fixa
Uma literatura só adquire maioridade com memórias, cartas e documentos pessoais.

Separações
Antes de entregar as cópias em DVD dos curtas, Daniel Caetano mostrou-me um trecho de entrevista onde Joaquim Pedro de Andrade revelava que, por motivos éticos, resolveu lançar O Poeta do Castelo e O Mestre de Apipucos separados. Assistindo-se aos filmes seguidamente, entende-se a preocupação do cineasta. Se fossem exibidos juntos, realçariam pela ironia a vida abastada e artificial que Freyre exibiu diante das câmeras. Haveria um choque de personalidades cujos efeitos negativos seriam sentidos especialmente pelo sociólogo pernambucano. O ímpeto com que interpretou seu cotidiano de homem casado, cercado de serviçais prontos a satisfazê-lo, acabaria empastelado pela solidão e frugalidade de uma vida feita nos gestos mínimos, naturais, com que Bandeira construiu sua personacinematográfica.

O Mestre de Apipucos acaba bruscamente, sem uma finalização convincente. Gilberto Freyre finge ler um livro de poesias coligidas de Manuel Bandeira, o que não deixa dúvida quanto às intenções iniciais de Joaquim Pedro de Andrade. O final inconcluso parece ser o ponto vazio em que os dois episódios se encaixariam para compor um fluxo narrativo que levaria uma película a outra, uma personalidade a outra. Cortando-o, o diretor salvou a todos, inclusive a ele mesmo. O peso da experiência malograda soltou-se para que a mais bela experiência (auto)biográfica de nossa cinematografia viesse à tona sozinha. O Poeta do Castelo, então, imortalizou-se.

Confissões modernas
Não há nada mais modernista do que uma confissão triste ou infame. Seria possível a um escritor romântico, no Brasil, descrever-se secamente tocando uma punheta? A um parnasiano, rir melancolicamente de si mesmo ao saber que, no momento em que publicassem suas memórias, todos os seus leitores saberiam que suas hemorróidas obrigavam-no a escrevê-las de pé, ou agachado sobre uma efusão de ervas amazônicas? Com aSemana de 22, a literatura brasileira amadureceu ao ponto de assumir suas cirroses publicamente. Talvez por isso Lima Barreto seja considerado "pré"-modernista.

Jorge Veras
Liguei para Jorge Veras. Ele tinha sido creditado como câmera dos dois curtas. Queria saber dele qual dos filmes foi rodado primeiro. Tinha a esperança de que a fragilidade narrativa de O Mestre de Apipucos fosse decorrente da inexperiência cinematográfica de Joaquim Pedro, que o tinha filmado primeiro. Ao dar prosseguimento ao projeto com a vida de Manuel Bandeira, pôde aprimorar a forma mais adequada para a criação de uma (auto)biografia cinematográfica.

Jorge Veras atendeu meio desconfiado. Na época começava a carreira profissional e não tinha intimidade com o diretor carioca. Foi um trabalho pago. Lembrava-se sobretudo de Domingos de Oliveira, cujas incertezas com relação ao futuro profissional o haviam jogado no set de filmagem de O Poeta do Castelo, "o primeiro filme feito por Joaquim Pedro de Andrade". O Mestre de Apipucos foi filmado na seqüência. Mesmo depois de haver respondido minha pergunta – e quebrado minhas expectativas –, continuei conversando com ele sobre cinema. Atualmente, trabalha alugando câmeras, chassis e material de filmagem. Está indignado com o governo por inviabilizar a entrada de equipamento de ponta no Brasil – lentes, sobretudo. Os impostos, muito altos.

Cinema Novo
O que levou Freyre, um homem extremamente vaidoso, a entregar-se a um papel histriônico de si mesmo? Vê-lo ajeitando o topete enquanto caminha por seu jardim particular, passeando sobre as areias da praia da Boa Viagem, mostrando as pernas bronzeadas pelo sol ou burilando a barriga como quem afaga um bichinho prestes a ser saciado, provoca no espectador tremores de riso. Bandeira expôs-se com a mesma fagulha autodepreciativa, entretanto, as intenções de O Poeta do Castelo concretizam-se. Não creio que isto foi unicamente devido ao fato do criador de Pasárgada ser "padrinho" de Joaquim Pedro de Andrade mas, sobretudo, pelo encontro de uma fórmula cinematográfica perfeitamente adequada à expressividade de um poeta como Manuel Bandeira.

(Mas não será justamente na "pose" enquadrada com certo distanciamento, na tentativa de contenção da exuberância de Freyre em um espaço íntimo que reside a peculiaridade de O Mestre de Apipucos?)

Independente da qualidade de um filme em relação ao outro, ambos os curtas fornecem o testemunho de que o modernismo, de corpo e alma, deixava-se absorver pelo cinema naquele memorável ano de 1959. Se a literatura amadureceu a ponto de proliferar em memórias, cartas e documentos pessoais, o cinema brasileiro agora apropriava-se de suas memórias vivas para se tornar novo. E assim foi.

Guilherme Sarmiento
(texto original: 
http://www.contracampo.com.br/85/artcasteloapipucos.htm)