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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Minicurso: O cinema de John Ford

Encerrando os minicursos de história do cinema de 2014o Sesi oferece no dia 13 de dezembro (sábado) das 8 às 12 e das 14 às 18 horas, no Centro Cultural Sistema Fiep, minicurso sobre o Cinema de John Ford.
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos têm carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. 

Fazendo westerns: o Cinema Clássico em John Ford
Ao mesmo tempo direto e carregado de subtextos, o cinema do americano John Ford é um monumento à complexidade das emoções, aos conflitos essenciais e, sobretudo, ao poder expressivo das imagens. A aparente simplicidade de suas narrativas e personagens esconde um dos mais fascinantes universos poéticos e a parcimônia do estilo é um convite permanente à descoberta do que de mais humano o cinema de gênero produziu.

Aulas:
1 - O faroeste
2 - Dramas sociais

Referências:
1 - GARDNIER, Ruy; LEVIS, Leonardo; MESQUITA, Raphael (orgs.) John Ford. Rio de Janeiro: Blum Filmes, 2010.
2 - "Sete Mulheres". John Ford. 1966. EUA. cor. 86 min.

Sobre o diretor:
JMS: A descoberta foi em 1965, na Suíça - eu não podia voltar à França, tinha sido condenado a um ano de cana -, na casa de um amigo matemático que trabalhava em Genebra. Estávamos lá para fazer a legendagem de Não reconciliados (1965). Num subúrbio distante, vimos Sangue de Heróis (Fort Apache, 1948) e foi uma revelação. Todo mundo dizia na época que o filme era admirável mas que infelizmente - leia Georges Sadoul - terminava em final feliz. E descobrimos que era ainda mais atroz que todo o resto do filme. Esse final feliz era uma conferência de imprensa de JohnWayne diante de uma parede em que havia afixado um quadro glorificando a batalha que vimos no filme. Os jornalistas perguntam a John Wayne se foi realmente assim, se Custer era tão grandioso quanto se dizia. É completamente correto que John Wayne não se vire como Chaplin em Monsieur Verdoux (1947) quando ouve o procurador dizer: "Senhoras e senhores, observem esse monstro." John Wayne se vira, observa o quadro atrás de si, hesita e depois se levanta para dizer: "Sim, foi exatamente assim." Ele leva todos até a porta e depois coloca o capacete exatamente como Custer fazia. Nesse momento, percebemos que Ford era totalmente diferente do que achávamos, e mais diferente ainda do que nos diziam. Mesmo John Wayne é incapaz de dizer que aquele quadro que eles têm diante dos olhos é uma falcatrua. Em seguida, descobrimos pouco depois um filme magnífico que se chama Terra bruta (Two Rode Together, 1961), o único filme jamais feito sobre uma situação de guerra civil. Em terceiro lugar, vimos um filme que, se eu fizesse uma cinemateca pessoal, guardaria com especial cuidado. Ele dura dez minutos, chama-se The Civil War e é umepisódio de A conquista do oeste (How the West Was Won, 1962).
Ford foi o único homem que fez filmes de guerra que não são ridículos como os de Lewis Milestone, Anthony Mann e sobretudo Kubrick. No fim de Sangue de Heróis, quando John Wayne observa pela janela a cavalaria, sentimos que eles estão partindo para o abatedouro. Não há qualquer cena de sadismo quando Ford filma a guerra, não há o menor traço de complacência. Nunca veremos um sujeito dilacerando o outro. Quando Ford se deixa fascinar pelo teatro militar, ele faz um balé, é completamente diferente. Não existe fascinação ideológica. O mesmo se dá com o linchamento no cinema de Ford. Com a exceção de Fúria (Fury, 1936), de Fritz Lang, todos os filmes sobre a prática do linchamento, como Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident, 1943), de Wellman, são nojentos.
DH: Não é o medo da multidão, mas do extraordinário, do irracional, da centelha que põe fogo na pólvora. Apesar de tudo, para Ford, essas pessoas não são monstros. Não existe destino e haverá sempre alguém para fazer as coisas se mexerem. (...) No cinema de Ford não existe o menor traço de puritanismo, de farisaísmo. As pessoas de bem são capazes das maiores safadezas e os marginais são capazes do melhor.
JMS: Ford é o cineasta que tem o maior senso da demarcação social. Ela inclusive é mais clara do que em Brecht. Veja Sob as Ondas (Seas Beneath, 1931), existe uma armadura social extraordinária. se você viu os últimos filmes de Ford, você entendeu melhor o que aconteceu na Argélia e no domínio da colonização em geral do que nos filmes que são pretensamente sobre esse tema. nenhum homem tinha mais simpatia pelos índios do que Ford. Não se pode fazer um filme como Crepúsculo de uma raça(Cheyenne Autumn, 1964) sendo racista.
DH: O irracional que surge com os índios é o inassimilável.

Jean-Marie Straub & Danièle Huillet

Serviço
dia 13 de dezembro (sábado)
das 8 às 12 e das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Sistema Fiep(Av. Cândido de Abreu, 200 - Centro Cívico - Curitiba/PR)
Inscrições gratuitas na hora e local do minicurso 
(preenchidas por ordem de chegada)
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Minicurso de história do cinema: O cinema moderno italiano

Dando prosseguimento aos minicursos mensais de história do cinema, o Sesi oferece nos dias 26 e 27 de novembro (quarta e quinta) das 14 às 18 horasno Sesi Heitor Stockler de França, minicurso sobre o Cinema moderno italiano.
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos têm carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. 

Sobre o cinema de poesia:
O uso permanente do dialeto poderia ter feito de você um escritor populista, ou o cantor de um destes milagres incrustados no interior das minorias linguísticas. Ora, você passou do dialeto friulano a outros dialetos, como o "romano", da linguagem poética à linguagem romanesca, da poesia escrita à poesia "cinematográfica", sem se preocupar muito com o ecletismo de que o podiam censurar, nem mesmo com o perigo real que esta mutação representava.

Repeti frequentemente que a passagem da literatura ao cinema, por exemplo, é apenas uma questão de mudança de técnica. Assim mesmo, pouco a pouco, diferenciei as técnicas literárias  e cinematográficas. A linguagem literária que o escritor emprega para escrever uma poesia ou um romance, ou um ensaio, constitui um sistema simbólico convencional: de resto, toda linguagem escrita ou falada é definida por um certo número de limites históricos, geopolíticos ou, se quiser, nacionais (regionais)... O cinema, pelo contrário, é um sistema de signos não simbólicos, de signos vivos, de signos-objetos... A linguagem cinematográfica não exprime, portanto, a realidade através de um certo número de símbolos linguísticos, mas por meio da própria realidade. Não é uma linguagem nacional ou regional, e sim transnacional... Poderemos voltar, se quiser, ao aspecto teórico da linguagem cinematográfica. Você me pede, no fundo, para explicar ou justificar uma escolha... Creio que há várias razões sérias para esta translação. Mas, primeiro, queria precisar que não abandonei a poesia escrita e a expressão literária. Agora, as razões desta modificação de linguagem ou, antes, de expressão. Creio poder dizer, presentemente, que escrever poesias, ou romances, foi para mim o meio de exprimir minha recusa de uma certa realidade italiana, ou pessoal, num dado momento de minha existência. Mas estas mediações poéticas ou romanescas interpunham entre mim e a vida uma espécie de parede divisória simbólica, uma tela de palavras... E, talvez, a verdadeira tragédia de todo poeta seja a de só atingir o mundo metaforicamente, segundo as regras de uma magia definitivamente limitada na sua apropriação do mundo. Já o dialeto era para mim o meio de uma aproximação mais carnal com os homens da terra, e nos romances "romanos", o dialeto do povo me permitia a mesma aproximação concreta e , por assim dizer, material. Ora, descobri muito depressa que a expressão cinematográfica permitia-me, graças à sua analogia do ponto de vista semiológico (sempre sonhei com uma ideia cara a um certo número de linguísticas, a saber, com uma semiologia total da realidade) com a própria realidade, atingir a vida mais completamente. Apropriar-me dela, vivê-la enquanto a estou recriando. O cinema me permite manter o contato com a realidade, um contato físico, carnal, eu diria mesmo de ordem sensual.

Pier Paolo Pasolini - As últimas palavras do herege: Entrevistas com Jean Duflot

O filme de autor na Itália
Após o desgaste do modelo neorrealista, no início dos anos 1950, os cineastas afiliados sob esta bandeira seguiram rumo a seus próprios estilos e interesses pessoais. A tradição da ópera, a incomunicabilidade do homem contemporâneo, a crise da masculinidade entre outras questões foram matéria para os "maestros" Federico Fellini, Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni. Num momento seguinte Bernardo Bertolucci, Pier Paolo Pasolini e Ettore Scola reencontravam a vocação política desta tradição. 
A partir de dois estudos de caso, o minicurso pretende oferecer uma pequena introdução a este imenso universo.

Unidades:
1 - Fascismo e juventude
2 - A incomunicabilidade

Referências:
1 - FELLINI, Federico. Fazer um Filme. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
2 - "A Moça com a Valise". Valerio Zurlini. 1961. ITA. p&b. 114 min.

Serviço: 
dia 26 e 27 de novembro (quarta e quinta)
das 14 às 18 horas

no Sesi Heitor Stockler de França 
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro)

Inscrições gratuitas na hora e local do minicurso 
(preenchidas por ordem de chegada)
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Minicurso: o cinema de Howard Hawks

Dando prosseguimento aos minicursos mensais de história do cinema, o Sesi oferece nos dias 25 e 26 de setembro (quinta e sexta) das 8 às 12 horas, no Sesi Heitor Stockler de França, minicurso sobre o Cinema de Howard Hawks.
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos têm carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. 


O gênio de Howard Hawks
A evidência é a marca do gênio de Hawks: Monkey Business é um filme genial e se impõe ao espírito pela evidência. Alguns porém se recusam, ainda se recusam a satisfazer-se com asserções. A ignorância não tem talvez outras causas.
Dramas e comédias dividem igualmente sua obra: ambivalência remarcável; ainda mais remarcável é a frequente fusão dos dois elementos, que parecem se afirmar em vez de se comprometer, e se afinam reciprocamente. A comédia nunca está ausente das tramas mais dramáticas; longe de comprometer o sentimento trágico, ela o conserva do conforto da fatalidade na conservação de um equilíbrio perigoso, uma incerteza provocante que acrescenta ao poder do drama. Sua tartamudez não pode preservar da morte o secretário de Scarface; o sorriso que The Big Sleep quase todo o tempo desperta é inseparável do pressentimento de perigo; o clímax de Red River, no qual o espectador não é mais capaz de refrear o desconcerto de seus sentimentos e se pergunta por quem toma partido e se deve rir ou temer, resume um tremor de pânico de todos os nervos, uma atônita vertigem sobre a corda bamba onde o pé titubeia sem exatamente escorregar, tão insuportável quanto o desenrolar de alguns sonhos. (...)
(Jaques Rivette, tradução: Eduardo Savella)


Sobre a ironia em Howard Hawks:
"Por que hesitar mais diante de uma evidência esta sim bem real, pois inquietante: Hawks nunca foi, nem antes nem agora, um clássico no sentido clássico do termo, nem o 'cineasta da simplicidade', e menos ainda o cineasta da evidência (contrassenso mal inferido da ideia de Rivette). Pelo menos, ele tem a evidência do lince, a de ver sem ser visto.

Se existe uma constante em seus filmes, é que em cada um ele fala do Homem. É o bastante, suponho, para que sejam atribuídas a esse Homem, com base apenas nesta maiúscula, todas as virtudes que os adolescentes atribuem à maturidade dos homens. É o bastante, em todo caso, para que não se examine melhor de qual homem Hawks nos fala, e como fala dele. Não é certamente o homem livre, realizado, modelar, que ele escolhe como seu assunto e seu modelo. Por mais heroicos que sejam seus heróis, eles não deixam de ser um pouco derrisórios, um pouco olhados de cima - ainda que calorosamente - pelo cineasta. Tome John Wayne, tanto emRio Vermelho quanto em Hatari! ou Onde Começa o Inferno: é certamente com o mais duro dos heróis, com o mais verdadeiro, que você está lidando. Ou pelo menos você, nós espectadores, o vemos assim. Muito diferente é o ponto de vista hawksiano. É bem provável que Hawks zombe dos heróis, dos seus heróis. Para ele, cineasta, a perfeição não é um bom assunto. Os homens perfeitos no seu gênero não têm nenhum interesse, os simples não têm história - ou então é preciso pedi-la a Rosselini ou a Olmi, e não a Hawks. Daí não devermos tomar por favas contadas sua pretensa paixão (é ele quem a menciona) pelos 'especialistas'. Estranha paixão, que consiste em jogar esses 'especialistas' nas mais grosseiras armadilhas da vida, e que se serve da especialidade deles para ridicularizá-los, isto é, humanizá-los. Este xerife implacável, sóbrio, sólido, é um fracassado, nos diz a câmera de Hawks num aparte. Mas guarde isto para você, pois os heróis devem sempre ter razão. E no entanto, não. A vida de Wayne, o caçador audacioso, o caubói ambicioso, o xerife íntegro, é uma sequencia de fracassos e renúncias. Ele não só é infeliz (daí seduzir as mulheres) como sempre perde o essencial, por culpa de sua 'especialidade' ou, mais diretamente, porque Hawks não filma verdadeiros heróis, nem homens ideais." (...)

Jean-Louis Comolli, H. H., ou o irônico.

Sobre homens e mulheres no cinema de Howard Hawks:

Hatari! 
(publicado originalmente sem título, nos Cahiers du cinéma, n. 139, janeiro 1963, p. 51-56. e recolhido depois, sob o título "Howard Hawks - Hatari", em Jean Doucht, L'Art d'aimer, Paris: Cahiers du cinéma/ Ed. Etoile, 1987, p.38-43)

Hatari! (Hatari!, 1962) talvez não seja o melhor filme de Hawks. Ele aparece, porém,  como sua obra mais reveladora. Uma ausência, bem relativa, de rigor no argumento, uma certa indolência na conduta do relato, conjugadas a uma improvisação diária, e não contentes em enfeitá-la com um encanto singular, se transformam em virtudes, se considerarmos que elas autorizam o autor a empreender sua primeira obra meditativa. Liberado do "como" da ação e dos conflitos dramáticos que ela suscita, seu devaneio pode ganhar livre curso no "porque" dessa ação, a razão de ser do homem, da mulher e do mundo. Ele o arrasta para um verdadeiro retorno às fontes, as do mundo pós-edênico de Adão e Eva... (Fig Leaves, 1926) de onde sua obra surgiu. Não surpreende que após esse longo périplo, Hatari! reúna a obra de Hawks numa suma que evoca cada uma de suas partes por meio de uma cena, uma situação, uma palavra, um personagem, referências cuja "retrospectiva" facilita consideravelmente a decifração.

O que Hatari! nos ensina sobre Howard Hawks que já não soubéssemos, sobretudo após o estudo capital de Jacques Rivette (Cahiers du Cinéma nº 23)? Nada demais, confesso, a não ser talvez uma outra forma de considerar sua imaginação criadora. Esta última tira sua força de uma sensibilidade em contato direto com o mundo; de uma necessidade de se confrontar com ele, não para dominá-lo, mas para melhor conhecê-lo e se conhecer; de um sentimento propriamente físico das verdadeiras relações de força. Como a cada vez que um termo caracteriza e engloba uma forma de imaginação, este termo físico deve ser entendido aqui em sua plena acepção. Ele implica um contato imediato e instintivo com a matéria, um respeito absoluto de suas propriedades, uma recusa de interpretá-las a priori, uma vontade de desvendar-lhe os segredos pelo conhecimento e pelo método das ciências físicas. A forma "imaginante" para retomar uma palavra de Bachelard, submete-se totalmente à realidade e se proíbe toda concepção que não seja factual. Ela é o fruto de uma aceitação do mundo tal qual ele é, e não de uma fuga diante dele.

O fundo do problema será então, para Hawks, a constatação da necessidade física no homem. Este tem apenas um dever, que é seu privilégio: provar pelo trabalho sua superioridade sobre a matéria, seja ela de que natureza for. O único problema verdadeiro que se coloca para ele é o da conservação, do aumento ou do desperdício de sua própria energia e da energia do mundo.

Tragédia ou comédia - mas sempre sua grandeza, mesmo no ridículo - esta energia que ele mobiliza para captar ou sujeitar a da matéria. Vemos assim a alternância incessante, em Hawks da energia estática, que é a soma das tensões, e da energia atual, que é o produto da massa multiplicada pela velocidade. Sucedem-se, nos seus filmes, as cenas em que os personagens se apertam num espaço restrito - que é para eles menos refúgio do que lugar onde sofrem a influência do tempo e das tensões, tanto internas quanto externas, que ele faz nascer - e aquelas em que, entregues ao espaço reconquistado, eles liberam essa energia condensada e a aumentam, seja por meio de um bólido (aviões ou carros), seja por uma ação rápida e eficaz (as aventuras perigosas), ou ao contrário gastam-na com empreitadas vãs (as comédias). Notemos de passagem que Hatari! mistura estes três últimos elementos e que seu refúgio, a casa dos caçadores, se torna um lugar sem conflito, quase de repouso. Donde a dinâmica interna dos filmes de Hawks, submetida, como o resto de sua imaginação, não à necessidade de seu devaneio íntimo, mas àquela mesma da dinâmica. Uma mola se comprime lentamente, depois se distende de uma vez. Compressão-explosão, compressão-explosão, a marcha mesma de um motor alimentado pela energia da matéria, a vida que cria seu próprio e incessante movimento.

Aí, talvez, resida o segredo do estilo hawksiano. A economia e a eficácia de seus meios são apenas uma estrita aplicação da lei da conservação da energia. O simples evidenciar das forças presentes no mundo cria um conflito e evita toda dramatização, que é uma representação, logo uma concepção a priori do mundo. Hatari!, deste ponto de vista, é exemplar. Hawks consegue este milagre de despertar nosso interesse por personagens que estão nas condições requeridas para uma bela crise teatral e entre os quais não acontece praticamente nada. Os dramas são pacificados, antes mesmo de irromperem. Basta-nos vermos essa reunião de personalidades e de temperamentos para sentirmos a possibilidade de um conflito. E esta possibilidade basta para preencher, frustrando-a completamente, nossa expectativa.

É que o verdadeiro conflito de Hatari! não é entre os homens, mas entre o homem e o mundo. O homem deve se impor fisicamente ao mundo, imprimir-lhe sua marca pelo trabalho. O dispêndio de energia que daí resulta constitui não só a prova de seu gênio criador, mas sobretudo sua razão de estar no mundo. Daí, a importância da profissão em Hawks. O homem se define em relação ao seu ofício, ao qual deve consagrar toda a sua energia. A tragédia ou a comédia começam quando esta última é desviada de seu único objetivo. A catástrofe chega quando o homem cede à sua emotividade, sua sensibilidade, sua excitabilidade, sua afetividade; quando ele deixa de considerar a matéria como uma soma de energia a vencer, mas se deixa seduzir pela aparência do mundo, a natureza.

A natureza é aqui a inimiga, a sedutora, a fonte de degradação. Ela é a armadilha fatal que a matéria lança ao homem para esgotar sua energia criadora. O drama, com efeito, vem do fato de que o homem também, em Hawks, pertence ao universo da física. Ele não é mais do que um animal superior. Ao abdicar de suas qualidades superiores, a inteligência, a vontade, a reflexão, a maturidade, etc, ele torna a cair imediatamente na classe do primeiro animal que o precede na escala das espécies, a do macaco. É assim com "Pockets". Este personagem de minus habens (de parco entendimento), de resto engraçado e simpático (mas os macacos não costumam sê-lo?), merece que nos detenhamos nele por um instante. Incapaz de enfrentar a energia do mundo, figurada aqui pelos animais selvagens (Dos quais o rinoceronte, com o qual começam e acabam as cenas de caça do filme, é o representante mais típico e ameaçador, por sua massa enorme dotada de uma temível velocidade.), ele também quer revelar-se homem. Tentativa derrisória, fadada ao ridículo. Não podendo associá-los em si mesmo, ele dissocia a criação da energia e, após um fabuloso desperdício dessa última, chega, com a ajuda de um foguete, a aprisionar seus irmãos, os macacos. Vitória, é bem verdade, mas vitória grotesca acentuada por esta cena em que, travestidos de marcianos e cavaleiros da Idade Média, os caçadores partem à conquista dos quadrúpedes, verdadeira sátira de todas as cruzadas passadas e futuras, quando elas permanecem exteriores à verdadeira aventura do homem.

Essa aventura, puramente interior, reside nesta luta entre sua energia e sua natureza, atraída inexoravelmente pela natureza. O drama nasce de sua afetividade, que é sua miséria, mas sobretudo sua grandeza. Suprimam essa afetividade, conservem apenas a energia e terão um ser monstruoso, uma coisa vinda de um outro mundo que seria necessário destruir imediatamente. Para se preservar desse perigo (Hatari),  convém preservar-se num esplêndido isolamento. O que fazem, no início do filme, John Wayne e seus companheiros.

Era não contar com a aliada mais sutil da natureza: a mulher. Se a obra de Hawks, eminentemente americana, é profundamente misógina, isto se deve talvez ao espírito pioneiro que animava os desbravadores de Hollywood, Griffith, Ince, Sennett, Walsh, Dwan, Ford e Hawks. Mas, à diferença dos outros, Hawks tratou de evidenciar desde cedo a dupla relação contraditória que une o homem de ação à mulher. Por um lado, o herói teme a mulher, considerada como um duplo entrave à sua ação: se ele se sente forte, a fraqueza da mulher que ele deve proteger o prejudica; se porém ele sente um fraco por ela, a natureza maternal de sua parceira, seu lado “refúgio” se torna invasivo e atrapalha seu trabalho.  Por outro lado, e ao mesmo tempo, o herói deseja a mulher como fonte de sua ação, aí também de uma maneira dúplice e contraditória: ele sonha com ela como algo que justifica seu esforço, isto é, aumenta sua energia, mas também – a causa virando fim – como digna de receber sozinha esta energia. Essa diversidade da mulher em relação ao homem aventuroso, da qual os outros cineastas americanos dão conta pintando vários tipos de mulheres (a mãe, a esposa, a noiva, a aventureira, etc) se encontra, em Hawks, reunida em cada uma de suas heroínas. Tanto que seus filmes não passam de uma seqüência de variações sobre as múltiplas e complexas combinações permitidas por essa dupla relação contraditória de uma mulher ao mesmo tempo recusada e desejada como contrária e contudo necessária ao homem. Daí a mulher nunca ter sido tão bela, nem tão depreciada e acusada.

Para Hawks, a tragédia ou a comédia da guerra dos sexos não se baseia só nesta distinção entre de um lado o homem habitado por sentimentos fortes, isto é, por uma sensibilidade dominada pela razão e pela vontade, e de outro a mulher possuída por suas emoções, entregue à sua intuição ou aos seus instintos. A diferença é de ordem ainda mais física. Fisiologicamente, a mulher está ligada à natureza. Ela sofre suas influências e está submetida a seus ciclos. Ela possui os seus caprichos, a instabilidade, as variações. Ela está em perpétua mudança, porque o tempo regula e condiciona a sua vida. Ela é dependente. O homem, ao contrário, não deve nada fisiologicamente ao tempo, que só age exteriormente sobre ele. Ação suficiente, aliás, para degradá-lo. A infância, a juventude e a velhice são estados que prejudicam a sua plenitude. Mas a maturidade o liberta do tempo. Só conta então para ele o confronto com o espaço que contém o mundo, a matéria, a natureza. Independente, ele é o senhor.

A solidão, como um universo estritamente viril, convém então perfeitamente ao homem forjado pela amizade e pela rivalidade esportiva, que é justamente conquista do espaço. O homem só existe quando persegue o espaço. A mulher só existe quando caça o homem. Daí o impossível diálogo entre eles. A mulher precisa ligar-se a um senhor, mas, através disso, liga o homem à natureza e ao tempo. Tanto assim que o herói hawksiano, que se move sempre num presente voltado para um futuro próximo ou longínquo, só tem passado em relação às mulheres. Isto vale para John Wayne, cuja conduta inteira não passa de uma aceleração, a fim de esquecer uma lembrança amorosa. Para alcançar seus fins, a mulher procura então penetrar nesse universo masculino, pelo viés de uma profissão. A profissão lhe dá a sensação de escapar à sua condição, de dominar por sua vez o espaço e o mundo, de ser igual ao homem. Na verdade, ela só gera catástrofes. Como a mulher não pode escapar de sua natureza, ela introduz necessariamente a natureza, seus transbordamentos, suas forças descontroladas, seu desperdício de energia, neste domínio reservado aos homens. Ela destrói seu trabalho, que é controlar e reger a natureza. E o faz ainda mais pelo fato de o homem se iludir com esta audácia aparente que, ao mesmo tempo, o deslumbra e o enternece. Ele se deixa invadir pela emoção e pela sensibilidade. Aí ele se perde.

Já era assim em Adão e Eva..., desde o momento em que Eva aceita em segredo o trabalho de manequim (para satisfazer um puro desejo de luxo). É assim ao cêntuplo em Hatari!. Duas mulheres. Uma, Brandy (M. Girardon), educada nesse meio de homens, é considerada por eles como um rapaz. “Era”, mais exatamente, já que sua primeira aparição, a primeira aparição feminina do filme, nos mostra Kurt (H. Krueger) abotoando-lhe o vestido, e percebendo que esse bom amigo se tornou na verdade uma bela moça. No entanto, nada a distinguirá, em seu comportamento, dos outros caçadores, até que ela, enamorada, manifeste subitamente sua feminilidade. Ela se revela então mais mulher do que as outras. Desdenhando os dois jovens garanhões, ela corre para o mais fraco, o mais sem graça, o menos homem, aquele a quem ela pode melhor estender sua natureza protetora e maternal, e que aliás não pede nada mais do que se deixar mimar: Pockets (Red Buttons), o homem irmão do macaco. Isto para a primeira mulher.

A outra, Dallas, vem à África pela sua “profissão”. Ela parte, pois, à conquista do espaço, temeridade que pagará com uma bela seqüência de tombos e solavancos. Mas sua modéstia e sua confissão “tocante” lhe valem o perdão do clã dos homens. Ei-la livre para começar seus estragos.  Ela salva um filhote de elefante de uma morte cruel. E eis a entrada de todas essas cabras encarregadas de amamentar o jovem animal, que penetram e devastam o campo dos rudes caçadores, os quais se ridicularizam neste novo ofício de proteger a natureza E esta não para de progredir. Logo, ao invés de um só, três elefantinhos vem se refugiar e são os selvagens que liberam sua afetividade, ela também transbordante. A ponto de, no fim das contas, a própria natureza se revoltar para se proteger de tal ímpeto do coração (a ameaça da mãe elefante no ponto da água). Evidentemente, Dallas cairá no fim das contas em sua própria armadilha. Seu amor pela natureza lhe será devolvido ao cêntuplo, no momento em que ela procura fugir. E a natureza então triunfante, invade o domínio dos homens. Toda a energia é aniquilada. Sozinhas, a massa e a força de inércia começam seu trabalho de devastação (os elefantinhos que esmagam a cama, no plano que fecha o filme).

Mas seria injusto acusar só a mulher. Nos filmes de Hawks, a mulher é o que o homem é no mais profundo de seu ser. Ela realiza sua verdadeira aspiração. Ora, se desde os primeiros planos de Hatari!,  o sentimento da natureza se revela tão forte, com esses poentes, essas grandes planícies, essas esplêndidas montanhas e todos esses animais em liberdade, é que ele já está fortemente ancorado no coração de todos esses caçadores. É que ele já implica uma degradação na sua vida espiritual ou moral. Esse antigo toureiro, esse ex-automobilista, esse aventureiro decadente, este descendente de índios, em suma todos esses homens que confrontaram o espaço e o mundo, se enganam, se embalam com ilusões. Eles aplicam sua energia, sua sede de espaço, ao serviço de uma causa, de um trabalho, que sentem no fundo de si mesmos como desonroso: privar seres vivos, mesmo que não passem de animais, de seu espaço e, portanto, de sua energia. Daí estarem tão prontos, por má consciência, para ceder à natureza, a lhe conceder um amor que vai contra a sua natureza de homem. Só Pockets é capaz de se maravilhar com uma captura de animais, até chorar por isso como uma mulherzinha, por crer que ela lhe torna um homem, o que o condena ainda mais irremediavelmente. Mas nunca, em momento algum, os outros se gabarão de sua caça. O índio, grande mulherengo aliás, mal vem contemplar o rinoceronte abatido, para exorcizar a má sorte.

É talvez por sentir mais profundamente do que os outros esse mal estar, que Sean se refugia em seu esplêndido isolamento e procura, por todos os meios impedir a invasão da natureza. É uma luta contra si mesmo que ele deve empreender, ainda mais forte por ser ele o mais ligado a esse lugar da África (sua primeira mulher o abandonara por horror à natureza). Ele é o centro energético do grupo, o núcleo do átomo em torno ao qual gravitam todos os outros. Mas é um núcleo prestes a se romper. Ele se enamora de Dallas, porque ela encarna sua inclinação para a natureza, e mais profundamente ainda sua aspiração ao repouso, isto é, seu sonho – sonho impossível que o arruinará – de uma reconciliação, pelo amor, do homem, do espaço e do mundo. Por isso, ele se entrega ao tempo, um tempo desembaraçado de toda energia estática, que escoa sem choque, sem conflito nem tensão, numa espécie de boa harmonia natural e edênica. Esse pecado contra o que ele é fisicamente, um núcleo, só pode acarretar logo sua desintegração. Todos aqueles que o cercam – elétrons ou prótons, pouco importa -, que lhe davam e tiravam a energia, se dispersarão. Uns, como nossos dois jovens heróis viris, para reencontrar sua função energética de homem conquistador do espaço; os outros, para se degradarem um pouco mais. Núcleo despojado para sempre de sua energia, matéria humana doravante abandonada à massa, Sean se suicidou. “Hatari”, perigo, ou o fim físico – e logo, para Hawks, fim espiritual e moral do homem.

Mas também o fim de uma empreitada que parece se confundir com uma filmagem (com sua vida de equipe, seu plano de trabalho improvisado a cada noite, suas pausas e seus esforços), e talvez a de um cineasta. Existe aqui um tom de confidência propriamente inabitual em Hawks. Hatari! É um documentário sobre o que foi sua vida, portanto sua profissão de diretor. Ele nos entrega aí o segredo de sua estética e de sua moral, esta vontade de cercar mais de perto a realidade, verdadeira façanha esportiva, para melhor laçá-la com sua câmera. E nos revela o retrato de um homem generoso que uma atitude altiva procurava dissimular e que esconde, sob um humor divertido, distante e às vezes feroz, uma ternura secreta pela estranha fauna humana que o cerca. No declínio de uma vida muito completa, Hawks cede à lembrança, ao charme de sua existência profissional, ao seu amor sempre combatido pela mulher, ao entusiasmo e à beleza da juventude. Estaria ele renegando toda a sua obra? Mais simplesmente, o que vemos aí é uma lição de sabedoria de um grande clássico que sempre enfrentou o mundo e que sabe, por ter constantemente lutado contra ele, que o próprio do homem, sua grandeza e sua fraqueza, é esse apego à ordem das coisas que ele deve, contudo, reger sem amor. A nostalgia transparece sob a alegria franca e cordial. Uma certa amargura, sob a simplicidade da maestria. Um desencantamento, sob o embevecimento com a vida, mais intenso do que nunca. O pessimismo responde ao otimismo e vice-versa.

Jean Douchet
*Traduzido do francês por Íris Araújo e Mateus Araújo

Unidades:
1 - A tragédia
2 - A comédia
3 - Processos cênicos

Serviço: 
dia 25 e 26 de setembro (quinta e sexta)
das das 8 às 12 horas

no Sesi Heitor Stockler de França 
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro)

Inscrições gratuitas pelo telefone: 3322-2111
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Minicurso de história do cinema: o cinema clássico japonês

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

Dando prosseguimento aos minicursos mensais de história do cinema, o Sesi oferece no dia 30 de agosto (sábado) das 8 às 12 e das 14 às 18 horas, no Sala Multiartes do Centro Cultural Sistema Fiep, minicurso sobre o Cinema Clássico Japonês.
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos têm carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. 


A tradição do cinema narrativo clássico no Japão
cinema clássico grassou uma rcepção mundial imensa atingindo os mais distantes pólos de produção. No Japão, os cineastas que antes, durante e após a Segunda Guerra operavam a matriz melodramática associada ao zen e à crise da modernização, ofereciam ao mundo uma forma particular de arte. o enquadramento de Mikio Naruse, a decupagem de Yasujiro Ozu e a mise-en-scène de Kenji Mizoguchi não apenas representavam uma variação formal mas uma maneira única e inovadora de observar o mundo.


Sobre o primeiro mestre a chegar no ocidente, Kenji Mizoguchi:
"Os franceses, sempre os franceses, por intermédio dos Cahiers du Cinéma, empreenderam sua canonização. Várias críticas, trechos de roteiros traduzidos, as memórias de Yoda e até algumas monografias foram publicados. Num período no qual Ozu, Naruse e outros permaneciam praticamente desconhecidos no ocidente, Mizoguchi representava a única grande alternativa ao espetacular e complexo Kurosawa. Os elogios chegaram a ser superlativos. "Kenji Mizoguchi é para o cinema", escreveu Jean Douchet, "o que Bach é para a música, Cervantes para a literatura, Shakespeare para o teatro, Ticiano para a pintura: o maior". Seu ritmo fluido e suas imagens refinadas incorporaram a mística da mise-en-scène que era central à estética dos Cahiers. O êxtase de Sarris diante da visão do lago cintilante de madame Yuki pertence a essa linha de pensamento. Godard escreveu que Mizoguchi queria simplesmente "deixar as coisas se apresentarem, com a mente intervindo somente para apagar seus próprios rastros". Jacques Rivette observou que seus filmes, mesmo muito distantes culturalmente, "falam a nós numa linguagem muito familiar. Que linguagem? A única a que os diretores devem aspirar, a da mise-en-scène".
(David Bordwell, Figuras traçadas na luz)

Unidades:
1 - Velho romantismo e novo realismo
2 - Arte do espaço
3 - Os encantos da rotina

Referências:
1 - NAGIB, Lúcia (org.) Mestre Mizoguchi - uma lição de cinema. São Paulo: Navegar Editora, 1990.
2 - NAGIB, Lúcia e PARENTE, André. Ozu - o extraordinário cineasta do cotidiano. São Paulo: Marco Zero, 1990.
3 - "Tormento". Mikio Naruse. 1964. JAP. p&b. 98 min.

Serviço: 
dia 30 de agosto (sábado)
das das 8 às 12 e das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200 - Centro Cívico - Curitiba/PR)

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Minicurso de história do cinema: o Faroeste

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formação de 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. Em julho o Mini-curso será sobre o Faroeste (dias 19 e 20, sábado e domingo, das 14 às 18 horas na Casa Heitor Stockler).

A cosmogonia americana: ética e estética do faroeste
Inspirados pela ancestral tradição da narrativa, cineastas americanos na aurora de Hollywood, dão movimento às estórias do velho oeste. Apoiados pela documentação, eles criam uma nova mitologia com deuses e heróis lutando contra as forças da natureza. Os filmes de faroeste foram uma das formas mais sensíveis e ousadas de representação da realidade, do Homem e das tragédias da existência.

Unidades:
1 - A era de ouro
2 - O indivíduo nos faroestes de John Ford
3 - Poesia e moral do caubói
4 - A sociedade nos faroestes de Howard Hawks

Referências:
1 - BAZIN, André. O Cinema - Ensaios. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.
2 - GARDNIER, Ruy; LEVIS, Leonardo; MESQUITA, Raphael (orgs). John Ford. Rio de Janeiro: Blum Filmes, 2010.
3 - "Matar ou Morrer". Fred Zinnemann. 1952. EUA. p&b. 85 min.
4 - CICCARINI, Rafael (org.). Howard Hawks Integral. Belo Horizonte: Fundação Clóvis Salgado, 2013

Serviço: 
dias 19 e 20 de julho (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
no Sesi Heitor Stockler de França
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro - Curitiba/PR)


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Minicurso: O cinema de Mario Bava

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formação de 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. Em junho o Mini-curso será sobre o O Cinema de Mario Bava (dias 28 e 29, das 14 às 18 horas na Sala Multiartes do Sistema Fiep).

Em homenagem ao centenário do cineasta italiano Mario Bava, o minicurso pretende ser uma investigação imersiva em seus resultados criativos.
"Em Mario Bava reconhecemos que o projeto de criação do universo baseia-se, como em Hitchcock, na idéia do artista-deus, e no caso da obra em questão, maior que Deus. Isto se opera no encontro harmônico de duas instâncias criativas: a estética cinematográfica (amparada nas linguagens de enquadramentos, movimentos de câmera, mise en scène, decupagem e outros recursos de estilo) e o artesanato cinematográfico (cenários, figurinos, maquiagem, maquetes, iluminação, trucagens e outros recursos da fabricação de cena)."

- Miguel Haoni. Cinemas de Horror

Unidades:
1 - O Giallo
2 - Cinema Fantástico
3 - As cores do inconsciente

Referência:
LUCAS, Tim. Mario Bava: All the Colors of The Dark. Cincinati, OH: Video Watchdog, 2007.

Serviço: 
dias 28 e 29 de junho (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200 - Centro Cívico - Curitiba/PR)

Inscrições gratuitas pelo telefone: 3271-9560 (de terça à sexta, das 10 às 18 horas)
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br)

domingo, 18 de maio de 2014

Minicurso de história do cinema: o Film Noir

INSCRIÇÕES ENCERRADAS.

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formação de 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas. Em maio o Mini-curso será sobre o Film Noir (dias 24 e 25, das 14 às 18 horas na Casa Heitor Stockler).

De que maneira o cinema B americano reagiu à crise dos ideais nos anos 40 e 50, integrando a fotografia expressionista, a ficção hard-boiled e o existencialismo no mais indefinível dos gêneros?

Unidades:
1 - Contrabando
2 - História de um termo
3 - Propriedades
4 - Dramaturgia

Referências:
1 - SCORSESE, Martin e WILSON, Michael Henry. Uma viagem pessoal pelo cinema americano. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
2 - MASCARELLO, Fernando (org). História do cinema mundial. Campinas, SP: Papirus, 2006
3 - "Laura". Otto Preminger. 1944. EUA. p&b. 88 min.
4 - GOMES DE MATTOS, A.C . O outro lado da noite: Filme Noir. Rio de Janeiro: Rocco, 2001

Serviço: 
dias 24 e 25 de maio (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
no Sesi Heitor Stockler de França
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro - Curitiba/PR)

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mini-curso: A arte da mise-en-scène

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formação de 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas.

A técnica da encenação , apesar de quase invisível, foi e continua sendo um dos canais mais expressivos entre o autor e o espectador. A disposição dos objetos e corpos no espaço da cena, seu movimento, suas relações entre si e com a câmera, constitui em diversos períodos de sua trajetória, a essência cinematográfica. O Mini-curso de História do Cinema de abril pretende abordar esta dimensão da arte, através da revisitação do pensamento de alguns de seus principais teóricos.

Unidades:
1 - O estilo
2 - O belo e o verdadeiro
3 - Mise en scène moderna 
4 - O essencial e o supérfluo

Referências:
1 - BORDWELL, David. Figuras Traçadas na Luz.  Campinas, SP: Papirus, 2009
2 - OLIVEIRA JR, Luiz Carlos. O cinema de fluxo e a mise en scène. São Paulo, 2010
3 - "A Eternidade e Um Dia". Theo Angelopoulos. 1998. GRE. cor. 132 min.
4 - MOURLET, Michel. "Sobre uma arte ignorada". Cahiers du Cinema n. 98, agosto de 1959

Serviço: 
dias 26 e 27 de abril (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)   

Inscrições gratuitas pelo telefone: 3271-9560
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi 
  
     (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Mini-curso de cinema clássico brasileiro

- INSCRIÇÕES ENCERRADAS - 

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formação de 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas.

O mini-curso de março pretende investigar um capítulo desprezado da cinematografia brasileira: como cineastas nacionais adaptavam a linguagem clássica para o seu contexto? Quais os projetos estéticos nos melodramas da Vera Cruz e nas chanchadas da Atlântida? Em qual tradição discursiva se insere o cinema de Mazzaroppi e Renato Aragão? Estas questões (e não só), serão a base norteadora do mini-curso.

Unidades:
1 - Do Cinematógrafo ao Cinema Novo
2 - As convenções do filme clássico
3 - Banditismo e espetáculo
4 - A paródia

Referências:
GOMES, Paulo Emílio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
XAVIER, Ismail. Sertão Mar. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
VIEIRA, João Luiz. "Este é meu, é seu, é nosso - Introdução à paródia no cinema brasileiro". In: Filme Cultura 41/42. Embrafilme, maio de 1983.

Serviço: 
dias 22 e 23 de março (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
no Sesi Heitor Stockler de França
(Avenida Marechal Floriano Peixoto, 458, Centro - Curitiba/PR)   



Realização: Sesi 
  
     (
http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mini-curso de história do cinema: o cinema clássico hollywoodiano

Dando prosseguimento ao que foi iniciado com as Oficinas de Formaçãode 2013 (cineclube, cinema na escola e crítica), o Sesi oferecerá em 2014 mini-cursos mensais sobre diversos capítulos da teoria e da história do cinema. 
Ministrados pelo cineclubista Miguel Haoni, do Coletivo Atalante, os mini-cursos terão carga horária de 8 horas, inscrições gratuitas e vagas limitadas.

O primeiro mini-curso, o de fevereiro, será sobre o cinema clássico hollywoodiano.

Unidades:
1 - A noção clássica de representação
2 - Filme de gênero
3 - O caso Fritz Lang
4 - Filme de autor

Referências: 
1 - XAVIER, Ismail. O Olhar e a Cena - São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
2 - BAZIN, André. O Cinema - Ensaios - São Paulo: Brasiliense, 1991.
3 - DOS REIS, Francis Vogner; OLIVEIRA JR, Luiz Carlos e ARAÚJO, Mateus (orgs). Jacques Rivette, Jão não Somos Inocentes - São Paulo: CCBB, 2013.
4 - "Moonfleet - O Tesouro do Barba Ruiva". Fritz Lang. 1955. EUA. cor. 83 min.

Serviço: 
dias 22 e 23 de fevereiro (sábado e domingo)
das 14 às 18 horas
na Sala Multiartes do Centro Cultural do Sistema Fiep
(Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico)

Inscrições gratuitas pelo email: sesicultura@sesipr.org.br
VAGAS LIMITADAS

Realização: Sesi (http://www.sesipr.org.br/cultura/)
Produção: Atalante (http://coletivoatalante.blogspot.com.br/)

OBS: O Sesi começará a responder aos inscritos a partir do dia 8 de fevereiro.