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domingo, 20 de abril de 2014

Há cinema para além dos blockbusters

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Marcelo Andrade/Gazeta do Povo  / Os organizadores Letícia Weber e Miguel Haoni: cinema como combustível para a vidaOs organizadores Letícia Weber e Miguel Haoni: cinema como combustível para a vida
PROJETO

Há cinema para além dos blockbusters

Promovidos pelo Coletivo Atalante, cineclubes de Curitiba cativam público ao exibir filmes raros e proporcionar debates construtivos
Publicado em 20/04/2014 | 
“A entrada é franca e a con­­­­­­­versa também”, garante Miguel Haoni, sobre os cineclubes promovidos pelo Coletivo Atalante. Desde fevereiro de 2012, o grupo de dez profissionais da arte proporciona atividades ligadas à música (a divertida festa Som de Preto e oficinas de sound­­painting), à literatura (o ousado Poiésis – Caminhadas Literárias) e ao cinema, com sessões de filmes que não se encontram por aí, mas que também vão bem com um pa­­­­cote de pipocas.
Novamente na moda e em expansão, os cineclubes de Curitiba são alternativa para quem quer fugir, ao menos um pouco, dos blockbusters que dominam os cinemas de shoppings. “E também daquele cinema europeu brioche que é tão inofensivo e tão perigoso quanto as pipocas hollywoodianas”, atesta Haoni.
De Gray a Glauber
Na última quinta-feira, o Cineclube Sesi exibiu Os Donos da Noite, de James Gray. No Cineclube da Fap, o último filme comentado foi Cap Nord, de Sandrini Rinaldi. Saiba mais sobre os cineclubes:
Cine Fap
Auditório Antônio Melilo (R. dos Funcionários, 1.357, Cabral). Toda segunda-feira, às 19 horas. Em maio, haverá o ciclo Jean-Claude Brisseau.
Cineclube Sesi
Sala Multiartes do Sistema Fiep (Av. Cândido de Abreu, 200, Centro Cívico). Toda quinta-feira, às 19h30. Em maio, haverá o ciclo Cinema Maneirista.
Cineclube da Cinemateca
Cinemateca de Curitiba (R. Pres. Carlos Cavalcanti, 1.174, São Francisco). Aos sábados, a cada 15 dias (próxima sessão, dia 26). Em exibição: Mostra O Western Segundo Glauber Rocha.
Mais informações no blogcoletivoatalante.blogspot.com.br.

Divulgação
Divulgação / Sala do Sesi lotada em dia noite de cineclubeAmpliar imagem
Sala do Sesi lotada em dia noite de cineclube
Filmes raros, definitivos e clássicos eternos estão no pacote do projeto, que acontece em três espaços da cidade: na Faculdade de Artes do Paraná (Fap), no Centro Cultural da Fiep e, agora, na Cinemateca de Curitiba.
Foi o coletivo o responsável, por exemplo, por exibir Um Dia na Vida, filme inacabado de Eduardo Coutinho, morto no início do ano. “As raridades que rolam no Cine Fap chegam até nós quase sempre via a maravilhosa internet”, diz.
Debates
Os cineclubes são democráticos. Alunos de cinema dividem, numa boa, espaço com cinéfilos de ocasião. “É para a comunidade, mas as presenças mais constantes são dos universitários e dos idosos. Eles compõem um público essencial para o dia a dia da cena cultural em qualquer lugar”, atesta Haoni.
Após a exibição dos filmes, dá-lhe saliva. Debates, às vezes acalorados, acabam por complementar a atividade. Surge um ponto de vista inovador aqui, uma opinião polêmica ali. E é essa a maior graça de um cineclube, afinal. “O que mais me chama atenção é a disposição dos participantes em usar o espaço para estudar cinema e não sociologia, história, psicologia, política e outros ‘temas nobres’. Isso é uma coisa raríssima de se ver”, afirma o cinéfilo. Recentemente, houve um debate acirradíssimo sobre o filme Uma Aventura de Billy the Kid, de Luc Moullet. “Metade da plateia detestou o filme. Foi lindo.”
Atualmente, o Cineclube Fap exibe uma mostra de cinema francês moderno. A adesão foi “estrondosa”, e às vezes há briga por uma das 70 cadeiras. “O cenário de Curitiba é meio difícil, mas estamos conseguindo conquistar os espaços”, vangloria-se Haoni, que “não é formado em nada” e também coordena os minicursos de História do Cinema no Sesi.
Público aprova iniciativa e torce por debates
O estudante de cinema Cauby Monteiro, de 24 anos, lembra bem os momentos posteriores à exibição de Sob o Sol de Satã (1984), de Maurice Pialat. “O filme foi muito bem analisado e várias questões foram discutidas”, diz o jovem natural de Belém, cidade com cinco cineclubes. No longa, um padre (Gerárd Depardieu) estabelece uma conflituosa relação com a jovem Mouchette (Sandrine Bonnaire) após um crime balançar o pequeno vilarejo onde vivem.
Cauby também é programador de algumas sessões. É ele quem escolhe os filmes a serem exibidos, tarefa para quem entende do riscado. “Sempre gostei. Fui crescendo e expandindo meu gosto, percebendo outras leituras do cinema. Hoje, assisto a um filme por dia”, afirma Monteiro.
A ideia principal é dar luz a filmes não tão conhecidos ou de difícil acesso. Apesar de um dos cineclubes ficar numa universidade, Monteiro observa que o público é variado. “Vem muita gente de fora, isso é ótimo”, analisa.
E o cinema tradicional, onde fica nisso tudo? “É ‘passável’. Vou mais pelo ritual. A programação, tirando raras exceções, como alguns filmes do Festival Varilux [que exibiu 16 filmes franceses entre 9 e 16 de abril em Curitiba], por exemplo, não me interessa.”
Quem não perde uma sessão dos cineclubes é o estudante Erick Moro. O jovem se viu resgatando filmografias inteiras de diretores que admira. “Isso é fruto do formato escolhido para as exibições, pois cada ciclo mensal – escolhido previamente pelo próprio público que presencia as sessões – é uma minimostra de cinema, mas com uma curadoria que não é ‘mini’”, garante.
Os debates acalorados, na visão de Moro, só ajudam a consolidar o projeto. “Defeitos ou elementos que desagradaram a alguém na plateia são por vezes extensamente debatidos. E isso é fundamental para fomentar o treino e a educação do olhar sobre o cinema, bem como sobre as demais artes, consequentemente.”
Matéria original: http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1463182&tit=Ha-cinema-para-alem-dos-blockbusters

sábado, 9 de junho de 2012

Tevê também é arte

+ Debate

Tevê também é arte

Curitibanos debatem o que é bom na telinha
09.06.2012 | 00:42 | Fábio Cherubini, @FabioCherubini
Foto: Hugo Harada/GP
Galera do Coletivo Atalante reunida: em novo projeto eles demonstram que a tevê pode ser levada a sério
Galera do Coletivo Atalante reunida: em novo projeto eles demonstram que a tevê pode ser levada a sério
Responda rápido: há bons programas nos canais de tevê brasileiros? E quando você está zapeando com o controle remoto, sente que a variedade deles é grande ou pequena? Para os artistas e estudantes ligados ao Coletivo Atalante, de Curitiba, exemplos de produções de qualidade é o que não faltam, sobretudo no campo da ficção,
E quando os canais dão uma bola dentro, o nível dos programas pode chegar ao status de arte. Para comprovar essa tese por A + B, o coletivo realizará toda terça-feira do mês de junho o encontro “A Televisão Levada a Sério”, sempre às 19 horas, na Bicicletaria Cultural. Nos eventos, que são gratuitos e abertos para quem quiser ver – e debater –, os participantes assistirão a alguns exemplos dessa “televisão arte” e conversarão sobre o fazer televisivo nos tempos da internet.
“Apesar de existirem poucas tentativas de ruptura com a programação convencional, é possível encontrar exemplos de experimentação na linguagem televisiva, principalmente na teledramaturgia norte-americana e na tevê europeia”, diz o estudante de Cinema e Vídeo da Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e organizador dos encontrosMiguel Haoni, de 28 anos. Ele foi um dos responsáveis por escolher a programação do evento, que apresentará episódios de séries como Além da Imaginação e capítulos dos enlatados The Office e Família Soprano – veja todas as atrações abaixo.
Para Miguel, apesar das tentativas de se romper com o tradicionalismo na televisão brasileira, a programação nacional está ousando menos do que poderia. “Nos anos 1980, existia a TV Pirata e a teledramaturgia de Dias Gomes – criador da novela Roque Santeiro –, só que agora vejo um maior acanhamento na tevê brasileira. Há muita autocensura, embora existam programas como o Pânico na TV, que tem um humor escrachado e usa a linguagem e a estética dos vídeos da internet”, avalia.
Faltam opções
O diretor-geral da UFPR TV, Carlos Rocha, professor e pesquisador da área, considera que a tevê perdeu muito espaço para a web. E a razão para isso está na falta de diversidade de conteúdo nas grades televisivas. “Um exemplo disso é o YouTube. Por que ele faz tanto sucesso? Porque mesmo com filmagens de baixa qualidade, há opções do que assistir, diferente da tevê, que não nos dá essa possibilidade”, explica.
Para o professor, as emissoras ainda não perceberam essa exigência do público, principalmente quando se trata dos mais jovens, que estão acostumados a fuçar na internet e criar uma programação própria. “As redes de tevê ainda têm dificuldade em lidar com essa mudança. Tanto que quando elas criam as suas páginas na internet, apenas disponibilizam o conteúdo do dia ou o transmitem ao vivo. Mas elas não dão a possibilidade de o telespectador criar uma grade personalizada ou acessar o seu acervo”, analisa Rocha.
Ainda influente
Mesmo com a perda gradativa de audiência e tantos desafios pela frente, as emissoras de tevê ainda têm uma grande influência sobre a opinião pública. O pesquisador lembra que mais de 70% dos lares brasileiros têm um aparelho de tevê em casa, o que já dá uma ideia. E além disso, é comum ainda ver alguma atração televisiva entre os assuntos mais comentados do Twitter, ou mesmo o quanto as séries de ficção conquistam novos fãs. O que por si só já comprova que existe interesse, sim, independente de qual geração é o telespectador.
* * * * *
Programação
Interessado em participar dos encontros? Saiba quais serão as próximas atrações
12/06
Glauber Rocha e o programa Abertura
19/06
Episódios da série The Office
26/06
Episódios da série Família Soprano
Serviço
A Televisão Levada a Sério. Toda terça-feira de junho, às 19h30. Bicicletaria Cultural. R. Presidente Faria, 226, Centro. Entrada gratuita. Informações:http://coletivoatalante.blogspot.com.br.