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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Coletivo Atalante e Bicicletaria Cultural apresentam Intervenções de Glauber Rocha no Programa Abertura


O fim dos anos 1970 representou no Brasil um período de gradual abertura democrática no qual a ditadura militar, através da pressão de vários segmentos da sociedade e de dissidências dentro do poder, começava a afrouxar o seu laço autoritário que desde o "Golpe de 64 "sufocava as liberdades nos meios políticos, estudantis, artísticos e da comunicação.

Glauber Rocha, gênio das artes modernas e polemista nato, observava o fenômeno e defendia a necessidade de assimilar colaborativamente determinados elementos governistas na luta pela redemocratização, o que, obviamente, ofendia as pretensões revolucionárias das esquerdas radicais.
A suposta "traição" de Glauber atinge a contundência máxima, no instante em que o artista ingressa , junto com outros jovens profissionais e intelectuais, na equipe do revolucionário programa "Abertura" que discutia a política e a cultura brasileira na Rede Tupi de Televisão, em 1980.

Em seu espaço de crônica jornalística dentro do programa, Glauber soltava o verbo sobre tudo o que lhe incomodava no país que virou-lhe as costas naqueles últimos 10 anos mas ao qual era ligado por laços mais fortes que o amor. No estilo verborrágico do baiano, a história recente do Brasil é desfiada em transes repentistas e entrevistas disparadas contra elementos do chamado "povo brasileiro".

Traga as crianças pra sala, abra os olhos e ouvidos para um dos instantes máximos da história da telecomunicação nacional.

Miguel Haoni 
 
Serviço:
Dia 12 de junho (terça)
às 19h30
Na Bicicletaria Cultural
(Rua Pres. Faria, 226 – Subsolo, Centro – Ao lado da UFPR – Pç. Santos Andrade)
ENTRADA FRANCA
 
Realização: Coletivo Atalante e Bicicletaria Cultural  
Apoio: Cinemateca de Curitiba e DVD10 Videolocadora 
 
Programação completa da Mostra "A televisão levada a sério": 9706-8837
coletivoatalante@gmail.com
http://www.facebook.com/coletivoatalantepr

sábado, 5 de maio de 2012

Artigo sobre "Metrópolis" de Fritz Lang (1927)



     Em Metropolis (1927) de Fritz Lang, a cidade tirada do imaginário do diretor aparece como um lugar futurista e superdimensionado. Nela estão presentes duas realidades por assim dizer, nitidamente segregadas pela classe social a que pertencem: trabalhadores e burgueses. Essa exageração dos estereótipos classistas critica claramente o modelo de trabalho vigente na sociedade da época. O interessante disso é dar-se conta da maneira espacial com que é colocado esse exagero - até mesmo porque no cinema mudo as imagens respondiam com maior intenção à idéia que se queria transpassar. Os trabalhadores são simplesmente “jogados” para baixo da terra, vivendo em uma espécie de submundo, trabalhando para que a cidade pulse e cresça com uma autonomia desconcertante. Essa parecera por vezes ter vida própria, com cenas de arranha-céus dividindo espaços com aviões e autopistas suspensas, sem pessoa alguma caminhando e habitando por suas ruas. Não sei se intencional ou não, talvez devido a técnica de filmagem que usava maquetes em escalas menores, mas a ausência de pessoas ou até mesmo elementos naturais (árvores) e lugares de lazer (jardins, praças), fantasiam essa estranha sensação. Aqui fica clara a idéia de que na época já existiam os mesmos problemas que traz a estrutura da cidade e sociedade atualmente, que no filme aparecem de maneira exagerada.
     Essa mesma interpretação é notória no dimensionamento com que são representadas as ruas e quando as personagens contracenam com áreas externas da cidade. As passagens, becos e passeios parecem avantajados, fora da escala humana, sombrios e labirínticos. Se bem observado cenas de esquinas e pontos de encontro quase não existem – se existem. Com isso tomo como exemplo as afirmações de Kevin Lynch (“A Imagem da Cidade”), que faz uso de cinco elementos base para ler e entender a cidade, sendo um deles o “cruzamento”, a esquina. A esquina é um ponto de encontro importantíssimo. Se analisada dessa forma percebe-se que essa auto-referência do encontro não acontece na metrópole de Lang. É uma sensação de não pertencimento de uma cidade ao mesmo tempo intensa e hostil.
     Quando observados os espaços internos podemos ver a inspiração para fazer os objetos (cadeiras, portas, maçanetas, abajures) na Arte Déco e, ainda arrisco dizer, certa semelhança com o estilo Bauhaus. A Bauhaus, vale a pena lembrar, tinha como ideal a combinação da arte e artesanato específicos, com o sistema industrial de larga escala; sistema esse evidenciado no longa-metragem.
     Na arquitetura do filme em si, quando observados principalmente os arranha-céus, nota-se essa inspiração também na Arte Déco, com edifícios que, se tivéssemos que classificar, ficariam entre o ecletismo e o modernismo. A Arte Déco era um movimento artístico que estava em grande desenvolvimento na mesma década, o que não me surpreende a tomada de alguns de seus ideais para a confecção da metrópole, já que a idéia era representar a cidade do futuro. Já o movimento moderno se encaixaria perfeitamente nessa mesma visão, uma vez que Le Corbusier (propulsor do movimento dentro da arquitetura) teorizava a existência do homem perfeito, ou seja: um homem pouco natural, um homem cuja sua perfeição o torna irreal. Essa desumanização da arquitetura, por assim dizer, é reconhecível dentro do filme e abarca o mesmo conceito que Lang trata de demonstrar, onde a tecnologia acaba por distanciar a vivência de um espaço mais natural.

Nara Massena 
(Atalante, 2012)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

(trans)cinema 04/05: "Metropolis" de Fritz Lang



Metrópolis, ano 2026. Os poderosos ficam na superfície, onde há o Jardim dos Prazeres, destinado aos filhos dos mestres. Os operários, em regime de escravidão, trabalham bem abaixo da superfície, na Cidade dos Trabalhadores. Esta poderosa cidade é governada por Joh Fredersen (Alfred Abel), um insensível capitalista cujo único filho, Freder (Gustav Fröhlich), leva uma vida idílica, desfrutando dos maravilhosos jardins. Mas um dia Freder conhece Maria (Brigitte Helm), a líder espiritual dos operários, que cuida dos filhos dos escravos. Ele conversa com seu pai sobre o contraste social existente, mas recebe como resposta que é assim que as coisas devem ser. Quando Josafá (Theodor Loos) é demitido por Joh, por não ter mostrado plantas que estavam em poder dos operários, Freder pede sua ajuda. Paralelamente Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), um inventor louco que está a serviço de Joh, diz ao seu patrão que seu trabalho está concluído, pois criou um robô à imagem do homem. Ele diz que agora não haverá necessidade de trabalhadores humanos, sendo que em breve terá um robô que ninguém conseguirá diferenciar de um ser vivo. Além disto decifra as plantas, que são de antigas catacumbas que ficam na parte mais profunda da cidade. Curioso em saber o que interessa tanto aos operários, Joh e Rotwang decidem espioná-los usando uma passagem secreta. Ao assistir a uma reunião, onde Maria prega aos operários lhes implorando que rejeitem o uso de violência para melhorar o destino e pensar em termos de amor, dizendo ainda que o Salvador algum dia virá na forma de um mediador. Mas mesmo este menor ato de desafio é muito para Joh, que ouviu a fala na companhia de Rotwang. Assim, Joh ordena que o robô tenha a aparência de Maria e diz para Rotwang escondê-la na sua casa, para que o robô se infiltre entre os operários para semear a discórdia entre eles e destruir a confiança que sentem por Maria. Mas Joh não podia imaginar uma coisa: Freder está apaixonado por Maria.

Serviço:
dia 04 de maio (sexta)
às 19h30
no auditório do Espaço de Arte
( Rua Alberto Folloni, 1534 | Ahú )
Entrada: 1 agasalho ou 1 kg de alimento

Realização: Coletivo Atalante e Espaço de Arte
Apoio: Cinemateca de Curitiba

Mais informações:
COLETIVO ATALANTE
9706-8837
coletivoatalante@gmail.com
http://coletivoatalante.blogspot.com.br/
Coletivo Atalante no facebook

ESPAÇO DE ARTE
3015-6320
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